BISPO JOSUÉ ADAM LAZIER - estudos e reflexões
   
 
 

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    PARA NÃO COMETER O JUÍZO TEMERÁRIO

     

     

    COMO CONHECER OS OUTROS

    CRITÉRIOS PARA O DISCERNIMENTO

    Lucas 6.37-45

     

    Introdução

    Neste texto em destaque Jesus aborda o que poder ser o primeiro tropeço contra a santificação e a vivencia de uma vida transformada pelos valores do Evangelho: o julgamento precipitado. 

     

    “Nunca faltam ocasiões para o juízo, e as tentações que induzem ao seu pronunciamento são inumeráveis; muitas destas tentações vêm tão habilmente disfarçadas, que caímos no pecado antes de suspeitarmos de qualquer perigo”.[1]

     

    Para tanto, Jesus adverte seus discípulos dizendo: “Não julgueis para que não sejais julgados”.  

     

    Duas parábolas contra o julgamento

    Para combater tal tendência e tal prática presente na vida de muitos cristãos, Jesus conta duas pequenas parábolas com o propósito de fazer seus discípulos refletirem: Parábola do cego - 6.39 - Qual a conseqüência natural de um cego guiando outro? Parábola do argueiro - 6.41-42 - O que é argueiro?  Um fiapo de madeira. O que é a trave?  Um tronco de madeira.

     

    O que estas duas parábolas indicam?  Indicam que o julgamento é temerário, pois se pode estar cometendo os seguintes equívocos, que são chamados de “juízos” neste texto: Pensar que alguém seja culpado quando na verdade não o é; Atribuir a alguém ações de esta pessoa não tenha praticado; Pensar que a forma de agir de alguém fora errada, embora ela não tenha sido; Encontrar alguma intenção má no que os outros fazem quando na verdade não existe nada de reprovável; Condenar alguém além do devido; Julgar os outros baseados na nossa própria doutrina ou  pressupostos pessoais; Ao julgar os outros o cristão está consertando a si mesmo nos outros.

     

    Não julgar levando em conta pelo menos quatro razões: Para não ser julgado com os mesmos critérios - 6.37; Para não ser condenado injustamente, da mesma forma que se condena - 6.37; Para ser perdoado dos pecados e faltas cometidas - 6.37; Com a mesma medida que medirmos os outros seremos medidos - 6.38.

     

    O que Jesus recomenda que seus discípulos façam quando orienta que tirem primeiro a trave de seus olhos?

     

    Que julguem a si mesmos

    Tirar a trave do orgulho

    Tirar a trave da obstinação

    Tirar a trave do amor ao mundo

    Tirar a trave do desinteresse pelos outros

    Tirar a trave da indiferença

     

    Uma parábola para orientar como se deve conhecer os outros

    Como conhecer os outros sem cair no julgamento condenado por Jesus como o primeiro tropeço para a santificação?

     

    A parábola da árvore e seus frutos. É pelos frutos que se conhece uma árvore boa ou má.  É pelo fruto que se conhece os outros (ou pelos frutos nós somos conhecidos).  Portanto, devemos refletir sobre esta parábola pensando em duas direções: Como os outros estão me conhecendo?   Como estou conhecendo os outros? 

    A preocupação maior do cristão deveria ser como está revelando frutos na sua vida e não tanto o julgamento que costumeiramente se pratica.  O assento do texto está no caráter da pessoa. Devemos procurar estes frutos em nós mesmos e nos outros.

     

    Para continuar a reflexão

    Como julgar ou discernir corretamente? Em Mateus, no texto paralelo, Jesus diz par não dar aos cães o que é santo: não seria aqui um tipo de julgamento? Em João 7.24 diz: “Não julgueis segundo a aparência, e, sim pela reta justiça”. Ao abordar tal assunto Jesus estava preocupado com o julgamento condenatório e sem os critérios bíblicos.

     

    Bispo Josué Adam Lazier

     



    [1] Wesley, João, Sermões, Vol. II, pg 91-92.

     

     



    Categoria: Sermões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 19h12
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    Igreja Missionária

     

    COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA?

    Mateus 21.28-32

     

     

     

    Em Lucas 22.42 está escrito: “Pai, se queres, passa de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. Neste texto Jesus dá um grande exemplo de submissão ao Pai. Ele sabia que havia sido enviado por Deus para realizar o Plano de Salvação. Para cumprir com tal propósito, enfrentou muitas dificuldades, foi rejeitado, abandonado e agora, quando faz esta oração,  está preste a ser preso e crucificado.  Mas mesmo nesta hora de aflição, quando seu suor tornou-se gotas de sangue (Lc 22.44), teve a disposição de ser submisso ao Pai.

     

    Uma Igreja Missionária é submissa. No dicionário submissão significa  humildade, adesão voluntária de uma pessoa a outra.  Na parábola do texto de Mateus 21.28-32 Jesus conta a história de dois filhos. O primeiro recusou-se a obedecer, mas logo começou a refletir e voluntariamente decidiu ser submisso ao pai. O segundo aceitou prontamente: “deixe comigo que vou dar um jeito naquela vinha”, mas não foi e não teve a disposição para ser submisso.

     

    Gostaria que refletíssemos sobre nossa submissão. Deus quer uma submissão alegre, prazerosa, com o coração cheio de gozo, uma submissão voluntária e não obrigatória, triste, ou legalista.

     

    O primeiro tipo de submissão é como o primeiro filho da parábola, que voluntariamente decidiu acatar as ordens do pai e o fez com alegria; o segundo tipo de submissão está mais para o segundo filho da parábola,  que prontamente disse sim, mas depois deu atenção a outras vozes, e acabou não obedecendo.

     

    Para sermos uma Igreja Missionária a submissão deve marcar nosso relacionamento com Deus, pois somos chamados e enviados com uma missão. Sempre é tempo de renovar nossos compromissos com a Igreja Metodista que tem o desafio de ser ministerial e missionária e, como Corpo de Cristo, manifestar a Graça e o Amor de Deus.

     

     

     

     

    Bispo Josué Adam Lazier



    Categoria: Sermões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 21h42
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    Compromisso com a Missão

     

     

    COMPROMISSO COM A MISSÃO SEGUNDO A IGREJA DE MATEUS

    Mateus 9.35 a 10.42

    A Igreja de Mateus, provavelmente localizada na cidade de Antioquia, passava por duas situações bem peculiares: 1º) é formada por judeus e gentios que aderiram ao cristianismo e são considerados, na sua grande maioria, pelo Império Romano, como inferiores: artesãos, comerciantes, agricultores, jornaleiros, etc. As bem-aventuranças apresentam a identificação social dos membros desta igreja; 2º) Por outro lado enfrentavam um problema com os judeus não cristãos, pois, num concilio judaico realizado em torno do ano 80 d.C., foram expulsos das sinagogas dos judeus e perderam a proteção que gozavam por parte das autoridades romanas.

    Segundo o Evangelho, a Igreja de Mateus estava crescendo na compreensão e no compromisso com a missão. Algumas ênfases apresentadas pelo evangelista apontam isto:

     

    1. ABERTURA PARA RECEBER OS DE FORA

    Depois do episódio com o concílio judaico dominado pelos fariseus, a igreja de Mateus tinha 2 opções: fechar-se e viver o evangelho como uma comunidade judaica ou abrir-se para a missão universal. A princípio a Igreja de Mateus optou pela primeira, seguindo o costume judeu farisaico, mas logo a comunidade abriu-se para receber os gentios que começaram a converter-se. Mateus conservou as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos e agrupou em 5 grandes sermões. Estes sermões invariavelmente são pregados, segundo Mateus, na perspectiva da Multidão. O texto de 9.35-10.1 é um claro exemplo disto: Jesus sugere que os discípulos orem pela seara, pois os obreiros eram poucos. Jesus sabia que ao orarem acabariam por se “apaixonar” pela missão e abrir-se-iam para receber os de fora e buscar os que estavam desgarrados, como ovelhas sem pastor. Podemos dizer que a igreja de Mateus foi uma comunidade missionária que se abriu para os gentios. O Evangelho de Mateus pode ter sido escrito como um pequeno manual de missões, sobretudo o cap. 10.

     

    2. ENVIO MISSIONÁRIO

    Mateus 10.24-25 é a chave para compreender todo o sermão de Jesus no capítulo 10, chamado de Sermão Missionário. Este sermão é proferido após Jesus ter observado as necessidades das multidões: estavam cansadas, angustiadas e eram como ovelhas sem pastor - 9.35-10.1. Isto quer dizer que o povo que seguia a Jesus vivia numa situação caótica, enfrentando vários problemas e sentindo na “pele” a situação de pobreza, de desesperança, de dúvidas, de infidelidade a Deus, etc., que tomava conta de toda a Palestina. Havia muita gente sem emprego, sem casa, sem destino seguro e, principalmente, sem esperança. A situação de aflição e desespero comove muito a Jesus (9.36). Ele, então, se dirige aos discípulos e, tendo em mente o quadro descrito anteriormente, os envia ao encontro das multidões com o propósito de atender às suas necessidades: buscar as ovelhas perdidas (10.6); anunciar a chegada do Reino de Deus (10.7); curar os enfermos, libertar os oprimidos e restaurar os marginalizados (10.8).

    Jesus reconhece que os discípulos compreendiam um grupo pequeno diante de tão grandes necessidades (9.37). Ele também sabia que o cumprimento desta missão não seria fácil. Haveria muitos obstáculos: seria como ovelhas no meio de lobos (10.16); seriam acusados pelos poderosos (10.17); enfrentariam a oposição de governadores e reis (10.18) e seriam perseguidos nas cidades (10.23). Jesus não deixa de frisar que teriam a incompreensão dos familiares (10.21). Mas por que Jesus envia os discípulos nesta missão? Porque, segundo o texto de Mt 10.24-25, o discípulo deve imitar ao seu Senhor e imitá-lo significa atender as multidões. Portanto, discipulado implica no envio para a vivência de um estilo de vida e para o pastoreio do povo de Deus, bem como serviço através dos dons e ministérios. A igreja de Mateus apresenta esta abertura para o "ide" de Jesus e "fazei discípulos".

     

    3. DISCIPULADO

    O discipulado foi uma estratégia que Jesus usou para preparar seus seguidores para o cumprimento da missão. Sem deixar de lado o ministério público, onde atendeu as multidões que o procuravam com as mais diversas intenções, dedicou grande parte do seu tempo para ensinar e preparar seus discípulos para a missão. Na mente do evangelista Mateus, bem como de Marcos e Lucas, esta dedicação aos discípulos estava ainda bem viva.

    Um especialista em Novo Testamento (Manson, O Ensino de Jesus, ASTE), fez um levantamento das palavras de Jesus registradas nos três primeiros Evangelhos e chegou ao seguinte resultado: 49,7 % das palavras são dirigidas aos discípulos 25,8 % das palavras são dirigidas às multidões 24,5 % das palavras são dirigidas às autoridades. Este levantamento mostra a importância que as Palavras de Jesus tiveram para os primeiros cristãos, a ponto de serem conservadas pela Igreja Primitiva e registradas pelos redatores dos Evangelhos. Fica evidente que Jesus dedicou tempo para preparar seus discípulos. Encontramos na redação dos cinco sermões de Jesus no Evangelho de Mateus o método de discipulado que Jesus usou: atender as necessidades das multidões e fazer novos discípulos, para que estes atendessem à outras multidões e fizessem novos discípulos.

     

    CONCLUSÃO

    O estudo sobre a Igreja de Mateus, baseado no capítulo 10 do Evangelho, leva-nos a algumas conclusões:

    1. A igreja deve organizar seus dons e ministérios de forma a atender os desafios para a evangelização, para o serviço e para o avanço missionário. Cursos de treinamento e capacitação devem ser oferecidos aos membros das nossas igrejas.

    2. A Igreja precisa estar com os olhos abertos para ver as multidões, suas necessidades e “sair” em direção a estas “ovelhas perdidas”. Uma igreja missionária deve ter esta característica de abertura, tanto para ir como para receber as pessoas. É importante frisar que são muitos os campos missionários que estão à disposição da Igreja. Quero mencionar alguns: o grupo de metodistas não professos, os filhos e filhas dos membros da igreja, os vizinhos dos bairros e dos prédios onde moramos, a escola e o trabalho.

    3. O crescimento numérico é importante, especialmente para aquelas igrejas que estão, de certa forma, estagnadas. O crescimento numérico é natural e conseqüência do cumprimento dos dons e ministérios que Deus deu a cada um dos membros da Igreja. É importante também o crescimento qualitativo, ou seja, o crescimento na fé e no conhecimento de Deus através do ensino e do discipulado.

    4. Viver a experiência da Plenitude de Deus é assumir compromisso com a Missão que, segundo o Evangelho de Mateus, significa atender às multidões e fazer discípulos de Jesus Cristo na perspectiva do Reino de Deus.

     

    Bispo Josué Adam Lazier

     

     



    Categoria: Sermões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 21h34
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    Sinais de aviamento no avivamento

     

    SINAIS DE AVIAMENTO NO AVIVAMENTO

    O que queremos dizer quando usamos a expressão aviamento? Encontramos no Dicionário do Aurélio várias definições para esta palavra. Estamos usando a seguinte em nossa reflexão: “conjunto do material acessório necessário ao acabamento de uma costura ou bordado, como tecido para forros, botões, fechos, colchetes, etc.”. (5) No Dicionário Escolar da Língua Portuguesa encontramos a seguinte definição de aviamento: “miudezas necessárias à confecção de roupas”. (6)

    É importante ressaltar que não estamos afirmando que o avivamento é um “aviamento”, mas sim que o avivamento pode vir a ser um “aviamento”, ou seja, se transformar num conjunto de miudezas e acessórios que enfeitam, mas que não produzem a santidade bíblica. Os sinais de um avivamento transformado em aviamento são, entre outros, os seguintes:

    1. Divisionismo e cisma – ou seja, tendências cismáticas. Isto não quer dizer que um membro da Igreja deixe de ser crítico à Igreja, ou mesmo crítico às lideranças estabelecidas, mesmo porque o avivamento produz transformações e reformas, dentro de uma disciplina institucional. O que estamos indicando é que a tendência a cisões e separações é nociva ao avivamento. Pode-se ser crítico sem ser cismático.

    2. Isolacionismo – a tendência ao isolamento, a falta de comunhão com outras pessoas, ou comunhão somente com pessoas que pensam da mesma forma e professam as mesmas interpretações bíblicas e teológicas, a dificuldade para conviver com críticas ou questionamentos, a pouca participação em eventos onde prevalece à reflexão, cria um ambiente propício para um avivamento descaracterizado.

    3. Indefinição confessional – erroneamente alguns pensam que a mudança de doutrina seja uma evidência do avivamento. O avivamento descaracterizado cria a indefinição confessional, mas o avivamento bíblico cria a convicção acerca das confissões de fé e doutrinas ensinadas pela Igreja.

    4. Personalismo – ou a centralização numa pessoa ou grupo, tende a criar um aviamento e não um genuíno avivamento. Avivamento na perspectiva bíblica é aquele que cria o espírito de serviço e de dedicação aos outros e não o autoritarismo ou o personalismo, onde o que o líder avivado diz que não pode ser questionado por se tratar de uma pessoa cheia do Espírito Santo. Este sentimento tende a promover um aviamento em detrimento do avivamento.

    “No genuíno avivamento a linha pastoral deve ser a de comunhão, do amor, da partilha, da solidariedade, da humildade, da mutualidade dos dons e ministérios, sem dominação de liderança ou de grupos, semelhante à comunidade apostólica onde todos estavam juntos e tinham tudo em comum, sendo um só coração e a alma deles”. (7)

    5. Absolutização da experiência – uma experiência pessoal com Deus e com a dinâmica do Espírito Santo não pode ser absolutizada, tornando-se modelo ou norma para os outros. Aqui está um dos equívocos do avivamento, ou seja, o de absolutizar experiências pessoais. Absoluta é a ação soberana do Espírito Santo na vida da Igreja e do cristão.

    6. Ausência de reflexão – A experiência do coração aquecido não invalida a mente transformada pela Palavra de Deus, o equilíbrio wesleyano. São as duas evidências de uma pessoa transformada pela Graça de Deus e cheia do Espírito Santo. A ausência de reflexão e de estudo faz do avivamento um movimento sem raízes, sem profundidade e sem conteúdo.

    O avivamento desperta o gosto pela Palavra de Deus. Como diz o salmista: “são mais doces do que o mel e o destilar dos favos” – Sl 19.10. “A santidade que João Wesley pregava não era a santa simplicidade, a ‘santa ignorância’ do obscurantismo. Era um fulgor no coração que iluminava também a inteligência. Wesley queria, sim, que seus pregadores fossem antes de tudo piedosos, que tivessem eles mesmos a experiência pessoal da graça redentora de Deus em Cristo, a qual tinham que pregar. Todavia também se empenhou em que fossem ilustrados, estudiosos, leitores assíduos, e infatigáveis disseminadores da educação”. (8)

    7. Assimilação de práticas pastorais e teologias alienígenas – O avivamento vira aviamento quando a busca pelo genuíno avivamento abre as portas para práticas pastorais e teologias que nada têm a contribuir para o crescimento do cristão e da Igreja. Alguns pensam que avivamento é assimilar algumas práticas que estão na “onda” e que, aparentemente, apresentam resultados satisfatórios. O avivamento é um arraigamento em nossa confessionalidade, em nossa eclesiologia, em nossa maneira de fazer teologia e de pastorear nossas ovelhas.

    8. Vaidade espiritual e entusiasmo – Como vimos anteriormente, avivamento é a experiência de dedicação e de serviço a Deus. A vaidade é evidência da necessidade deste avivamento e uma negação da experiência cristã. Junto com a vaidade podemos incluir o entusiasmo. São excessos e miudezas que nada acrescentam a fé cristã.

    Ao ensinar sobre a perfeição cristã, João Wesley destacava que não era perfeito a ponto de não necessitar de perdão, tampouco perfeito a ponto de ser independente . (9) Sua preocupação era com o entusiasmo irracional. Ensinava aos metodistas a buscarem a experiência de ter o coração aquecido pelo Espírito Santo mas não se esquecerem do adestramento da mente, através do estudo, da meditação e da reflexão. João Wesley não queria que os metodistas fossem chamados de entusiastas enlouquecidos. Para isto ensinava que “a unanimidade da experiência profunda da graça redentora de Deus em Cristo não significa necessariamente uma uniformidade nas manifestações emotivas externas dessa experiência”. (10)

    9. Falta de caráter cristão – Para Wesley, “a benção maior a ser almejada pela pessoa que já tenha recebido o dom da fé (e a conseqüente justificação e regeneração) é a benção da perfeição cristã, a qual, antes de mais nada é a perfeição em amor para com Deus e para com o próximo”. (11) Aqui está o grande diferencial do avivamento entre os metodistas: a santidade bíblica. “A justificação é a grande obra de Deus por nós, perdoando nossos pecados, enquanto que a santificação é a obra que ele opera em nós, renovando-nos”. (12)

    Sem ter a santidade bíblica como alvo o avivamento por certo será meramente um conjunto de miudezas, ou aviamento. O avivamento sem a santidade bíblica é um movimento sem o caráter de Cristo, pois os frutos da “unção e presença do Espírito Santo produzem uma santificação progressiva, contínua, pessoal e social e uma ação missionária plena de compromisso com Deus, com o ser humano, com a História e com o reino de Deus”. (13)

    10. Discipulado que se fundamenta em propostas de eclesiologia e práticas pastorais utilitarista e com fim específico de crescimento numérico e nos numerários da Igreja. Esta tendência, crescente em nosso meio, desvirtua a proposta de discipulado encontrada nos Evangelhos e desenvolvida por Jesus.

    Bispo Josué Adam Lazier

     

    (5) Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 1999, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, pg. 240
    (6) Bueno, Francisco da Silveira, Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, 1979, Rio de Janeiro, FENAME, pg. 155.
    (7) Leite, Nelson Luiz Campos, Como alcançar o Genuíno Avivamento, Exodus, 1997, pg 67.
    (8) Camargo, Gonzalo Baez, Gênio e Espírito do Metodista Wesleyano, Imprensa Metodista, 1986, pg 47.
    (9) Williams, Colin W., la Teologia de Juan Wesley, Ediciones SEBILA, Costa Rica, 1989. pg. 136.
    (10) Camargo, Gonzalo Baéz, Gênio e Espírito do Metodismo Wesleyano, Imprensa Metodista, 1986, pg 30.
    (11) Reily, Duncan Alexander, Fundamentos Doutrinários do Metodismo Brasileiro, Exodus, 1997, pg. 55.
    (12) Hinson, Willian J., A Dinämica do Pensamento de Wesley, Imprensa Metodista, pg. 21.
    (13) Leite, Nelson Luiz Campos, Como alcançar o genuíno avivamento, Exodus Editora, 1997, pg. 34.

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    Categoria: Reflexões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 10h54
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    O CARISMA DO EPISCOPADO

     

    O carisma episcopal é comprometedor

    Tecendo alguns pensamentos sobre o assunto

     

    Nossos Cânones traçam o perfil do episcopado: “O processo de escolha leva em conta as condições básicas mencionadas na Bíblia Sagrada, em I Timóteo 3.1-7 e Tito 1.7-9 e, em especial, os seguintes requisitos: integridade moral e espiritual; probidade; coerência entre discurso e prática; capacidade de liderança; facilidade de expressão oral e escrita; firmeza doutrinária, segundo os padrões da Igreja Metodista; reconhecida competência no exercício em igrejas locais; capacidade administrativa; boa condição de saúde física e mental; não ter pendências judiciais que o desabonem para o exercício do episcopado na Igreja Metodista”.[1]

    Assim, o carisma do ministério episcopal tem os seguintes aspectos: a) cuidar da vida pastoral, litúrgica e ministerial da Igreja; b) ensinar e guardar as doutrinas da Igreja; c) cumprir e fazer cumprir as regras de fé e as normas da vida e missão da Igreja; d) equipar a Igreja para os diversos ministérios; e) conservar a fé, unidade e disciplina na Igreja, além de estabelecer a disciplina institucional e doutrinária no meio da Igreja; f) proclamar a Palavra de Deus, pois, através da proclamação, a instrução profética, a exortação pastoral e a orientação quanto aos ensinamentos apostólicos são realizados pelo ministério episcopal; g) guiar e servir à Igreja – o episcopado é serviço a Cristo e cumprimento da tarefa de guiar e reger a Igreja na sua caminhada de fé e missão e h) ordenar outros para o exercício dos ministérios ordenados e reconhecidos pela Igreja.

     

    O episcopado exige da pessoa muita renúncia, tolerância, compreensão, amor, humildade, transparência, integridade, obediência, fidelidade e dedicação. O “poder” do episcopado está na vivência destes aspectos da vida cristã e ministerial e não confere necessariamente autoridade ao bispo, pois ela é adquirida pelo exercício do amor, do serviço, da doação aos outros, da busca pela unidade e da luta em prol da identidade e da confessionalidade definidas de forma conciliar.

     

    “Assim, o bispo não é alguém que tem poder sobre a Igreja. Mas é alguém cuja escolha é reconhecimento de suas capacidades e de seus dons para representar a Igreja em permanente diaconia e, assim, guiá-la em nome de Cristo, despertando-a a exercer permanentemente a diaconia de Cristo no mundo”.[2]


    Desta forma, penso que a Igreja precisa fortalecer o carisma do episcopado. Hoje ele está fragilizado. Não se trata de fortalecer o carisma da pessoa que exerce a função de bispo ou bispa, mas sim o carisma da função e oferecer, assim, os contornos onde a autoridade episcopal esteja assentada como reflexo da plena diaconia vivenciada no episcopado. O episcopado não pode ficar refém de grupos ou de segmentos, tampouco refém de pessoas que evidenciam um ministério autoritário, personalista, centralizador e de patrulhamento. O episcopado não é e não pode ser resultado de candidatura de pessoas ou de grupos, também não pode ser objeto de querelas politiqueiras e coercitivas, mas sim expressão do ministério de Cristo.

     

    Josué Adam Lazier

    Bispo Honorário



     

    [1] Igreja Metodista, Cânones de 2002, Artigo 73, item 1, da Lei Ordinária, São Paulo, Editora Cedro, 2002.


    [2] SOARES, Sebastião Armando Gameleira, O Episcopado a partir do Novo Testamento, em Ministério Episcopal, Revista Teológica do Centro de Estudos Anglicanos – CEA, ano 1 – março de 2002, n0 01, pg. 9.

     



    Categoria: Reflexões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 19h00
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    O MINISTÉRIO CRISTÃO NUMA IGREJA QUE PRECISA IR PARA O DIVÃ

    Recentemente escrevi uma breve reflexão com o título Quando a Igreja precisa ir para o Divã. É um texto que pontua alguns aspectos eclesiológicos e missiológicos. Ir para o divã não quer dizer que a Igreja esteja morta ou tenha perdido o carisma e a mística de ser uma comunidade cristã. Mas ela pode perder se não for para o divã, ou seja, se não experimentar uma renovação em termos de vivência da santidade bíblica e continuar perseverando em seus equívocos ensaiados, em suas injustiças premeditadas e em sua esquizofrenia discriminatória. Reflito agora sobre o ministério cristão no contexto de uma Igreja que precisa ir para o divã.

    O ministério cristão, entendido como uma função ou responsabilidade reconhecida pela comunidade cristã e desenvolvida segundo os referenciais eclesiológicos e ministeriais instituídos pela respectiva Igreja, num contexto de fragilização que a mesma vivencia tem as seguintes perspectivas:

    Simplicidade. O ministério cristão deve ser exercido com simplicidade e na simplicidade. Vivemos dias em que a tecnologia, a estatística, o sofisticado, etc., estão em voga e as igrejas, via de regra, buscam estes recursos da modernidade para o desenvolvimento de suas atividades. No entanto, a Igreja não pode perder a simplicidade no cumprimento de sua missão e não deve deixar de atuar na sociedade de forma a alcançar os simples e os símplices de coração. O êxito do ministério da Igreja não pode ser medido pela quantidade de tecnologia ou modernidade que ela adquira e sim pela capacidade de ser simples no anúncio e na vivência do Evangelho.

    Integridade. O primeiro aspecto na integridade do ministério cristão é a questão dos tesouros (Mt 6.19-24). O foco está na relação da pessoa com as coisas que possui ou as atitudes que toma e os pensamentos que tem. Jesus não condena o dinheiro em si, mas o apego a ele. A expressão tesouro evidencia coisas muito importantes para uma pessoa, tais como o status, a posição social, a busca pelo poder, entre outros. Portanto, ajuntar tesouros no céu é fazer coisas na terra cujos efeitos durem por toda a eternidade[1]. Trata-se do exercício de uma liderança no estilo de Jesus, que fez do Reino de Deus prioridade.

    Serviçal. Outro aspecto da integridade está nos versículos 21 e 24: “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” e “ninguém pode servir a dois senhores”. O verbo servir é muito forte na tradição bíblica, pois o povo de Deus foi chamado para servi-lo. Esta obediência está em relação direta com o “coração”, pois o que “fazemos é o resultado do que pensamos; portanto, o que irá determinar nossas vidas e o exercício das nossas vontades é o que pensamos, e isso por sua vez é determinado por onde está nosso coração – tesouro”.[2] Devemos lembrar que somos servos uns dos outros.

    Piedade. O termo grego “eusebeia”, traduzido por “piedade” e de acordo com o contexto, significa “atitude religiosa no sentido mais profundo, a reverência a Deus que advém do conhecimento Dele... conota a seriedade moral, que afeta o comportamento externo bem como a intenção interior”.[3] O sentido bíblico da palavra vai além do sentimento de dó ou de piedade, indica uma atitude moral e ética, um comportamento transformado pelo conhecimento de Deus e pela reverência a Deus. Assim, é mais do que dó, é ação em direção aos que causam “dó” ou “piedade”. Por se tratar de uma atitude que evidência o caráter cristão, esta ação é acompanhada de um exercício de humildade e de entrega. Para STOTT, se trata de “uma mistura de temor e amor que, juntos, constituem a devoção do homem para com Deus”.[4]

    Espiritualidade. A prática da espiritualidade é fundamental para o ministério pastoral, pois ela possibilita que o pastor e a pastora contemplem a Cristo, o Sumo Sacerdote e Senhor. Esta relação pessoal com Cristo alimenta o carisma pastoral: "sentimos a necessidade de uma renovação e revitalização da consciência vocacional do ministério pastoral, a fim de nos dispormos a pregar o Cristo exigido por ela. Sem essa consciência vocacional e sem disponibilidade para a obra, seria inútil qualquer planejamento...".[5] Ao desenvolver a sua espiritualidade o ministro cristão alimenta a dimensão da consagração como um ministério que é alimentado pelo Espírito Santo e que é exercido numa comunidade onde há diversidade de talentos, dons e ministérios.

    Amor. O amor deve permear todas as ações ministeriais. O ministério cristão é marcado pela doação e pela dedicação aos outros. O ministro cristão não foi chamado para resolver problemas dos membros da igreja, mas sim para desenvolver o seu ministério cuidando das outras pessoas que atuam ou que são sujeitos do respectivo ministério. Ao ser indagado por Jesus (João 21.15-23), Pedro recebeu seu chamado para pastorear o rebanho. Em Romanos 5.5 lemos que “o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”. O amor promove a gratuidade e a alegria do serviço. O amor perdoa, reconcilia, cura, aproxima, restaura, resgata, o amor jamais acaba.

     

    Cuidado pastoral. O que é cuidado pastoral? “... é o processo de proteção para com o ministério de pessoas e comunidades em nome de Deus. É uma expressão do cristão para com o outro e para aquele para quem Cristo viveu e morreu”.[6] Dentro do cuidado pastoral está o aconselhamento pastoral que tem como objetivo trabalhar com indivíduos, grupos ou famílias, questões relacionadas à emotividade, sexualidade, bem como aspectos psicológicos, espirituais, mentais, físicos e outros. 

    Solidariedade. Um ministério cristão que não evidencie solidariedade, fraternidade, empatia e preocupação com a vida do outro, terá pouca relevância para o cumprimento da missão da Igreja e para a restauração das pessoas que evidenciam fragilidades. A solidariedade deve aproximar o ministro cristão dos que necessitam de apoio e atenção, bem como de ação que promova a dignidade da vida.

     

    Estes aspectos não são indicados em forma de prioridade ou como uma relação do que vem antes ou depois. Se a Igreja precisar ir para divã, como estamos propondo em nossa reflexão, o ministério cristão deve ser relevante para cada situação, contexto ou história da comunidade. Assim, algum aspecto pode ser mais relevante que outro naquele momento ou naquela comunidade. O convite que fazemos é para que o ministério cristão seja terapêutico e curador, pela ação da Graça de Deus e pela inspiração do Espírito Santo de Deus.

    Bispo Josué Adam Lazier



    [1] STOTT, John R.W. A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo, ABU, 1985, p. 161.

    [2] LLOYDE-JONES, Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, 1984, p. 377.

    [3] KELLY, L.N.D. I e II Timóteo: introdução e comentário. São Paulo, Mundo Cristão, 1983, p.65.

    [4] STOTT, John. A Mensagem de I Timóteo e Tito. Paulo, ABU, 2004, p.117.

    [5] Igreja Metodista, Plano Quadrienal 1979-1982.

    [6] FARRIS, James Reaves, Teologia prática, cuidado e aconselhamento pastoral: um resumo da história recente e suas conseqüências atuais, em Teologia Pastoral, Estudos de Religião 12,  São Paulo, UMESP, 1997,  pg. 19.



    Categoria: Reflexões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 14h49
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    A Segunda Vinda de Cristo e a Vigilância

    A SEGUNDA VINDA DE CRISTO  E A  VIGILÂNCIA

     

    O TEXTO BÍBLICO – Mateus 24.42-25.13

    Alguns grupos têm o costume de marcar o dia e a hora para a segunda vinda  de Jesus Cristo.  Há, entre os cristãos, uma expectativa quanto a este assunto. Há também muita curiosidade e muita especulação sobre este tema tende a ganhar mais interessados em estudá-lo.  As pessoas que costumam marcar o dia e a hora não devem ter lido o texto onde Jesus fala sobre o assunto: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24.36).

     

    Mesmo sem marcar dia e hora, o tema da segunda vinda esteve presente nos ensinos de Jesus.  No texto bíblico destacado nesta reflexão, Jesus relaciona a segunda vinda com  o “vigiar” – verso 24.42 e 25.13. Portanto, o texto inicia e termina com a recomendação de Jesus para o discípulo “vigiar”, porque não sabe o dia e nem a  hora no qual Jesus voltará.

     

    Este é o quinto sermão de Jesus relatado por Mateus e chamado de “sermão escatológico”. Ele foi proferido num momento de crise e conflitos para o povo de Israel, sobretudo para seus discípulos.   Quando chega a Jerusalém, Jesus é confrontado pelos grupos religiosos e políticos que dominavam a sociedade da época, pois o anúncio do Reino de Deus e da Sua Justiça era contrário ao que os religiosos ensinavam ao povo na época. Os problemas políticos, sociais, econômicos e familiares eram muito grandes neste período, porisso havia uma tensão e expectativa entre o povo por mudanças. Neste ambiente é que Jesus anuncia o Reino de Deus e fala da segunda vinda, com um motivo de alegria e conforto para os discípulos naqueles dias difíceis e de ansiedades pelos quais passavam, juntamente com todo o povo.

     

    Entre o “vigiar” do verso 24.42 e 25.13, encontram-se três parábolas contadas por Jesus: 1) parábola do pai de família – 24.43-44; 2) parábola do bom servo e do mau – 24.45-51 e 3) parábola das dez virgens – 25.1-12.  Além destas, na continuidade do texto, encontra-se mais uma parábola relacionada ao “vigiar”: trata-se da parábola dos talentos – 25.14-30. Estas parábolas podem ser intituladas de “parábolas de vigilância”, uma vez que estão relacionadas com o tema do sermão, que é “vigiar”.

     

    A MENSAGEM DO TEXTO

    Vejamos o que dizem as parábolas sobre a vigilância:

     

    A primeira parábola, o pai de família (24.43-44), ensina que vigiar é estar sempre alerta e preparado, pois, como ele não sabe o dia que o ladrão pretende entrar em sua casa, assim também o cristão não sabe quando Jesus voltará. 

     

    A segunda parábola, do bom servo e do mau (24.45-51), ensina que vigiar é Ter prudência. O servo recebeu um posto de confiança do seu senhor. Deveria cuidar de todas as coisas que o seu senhor possuía.  O senhor deste servo não informou quando pretendia voltar, deixando o assunto em suspenso. A demora da volta do senhor mostraria se o servo foi merecedor da confiança do seu senhor ou se abusou do poder que recebeu, sendo negligente e relapso.  Portanto, vigiar segundo esta parábola, indica a prudência em cumprir com todas as responsabilidades que a pessoa tem.

     

    A terceira parábola, as dez virgens (25.1-12), relata um costume da época,  de que pequenas aldeias vários casamentos eram realizados no mesmo dia.  Enquanto os pais ficavam "negociando" o casamento, ou seja, acertando o valor dos dotes, de acordo com o costume familiar daquele tempo, as noivas ficavam em casa aguardando a chegada do noivo.  Era comum a demora, pois, após a concretização do casamento, vinha a comemoração e só depois os noivos iriam em busca das noivas.  Assim, as prudentes guardaram o azeite para as lamparinas, para o caso dos noivos demorarem. Já as imprudentes não se prepararam para esta demora, sendo que o azeite acabou e, saindo elas para buscarem azeite na venda da aldeia, os noivos chegaram e, não as encontrando em casa, o casamento acabou não se realizando para estas cinco noivas imprudentes. Vigiar, segundo a história contada nesta parábola, é a prudência, como na parábola anterior.

     

    A quarta parábola, a dos talentos (25.14-30), indica que vigiar é cumprir com os dons e os talentos recebidos, pois todos um dia prestarão contas do uso que fizeram destes talentos. Assim, podemos concluir que “vigiar” é cumprir com nossas responsabilidades, nossos talentos e dons dados por Deus, pois fomos chamados para uma vida nova e esta nova vida deve nos levar ao compromisso com os ministérios da igreja e o cumprimento da Missão.

     

    A LIÇÃO PARA OS DIAS DE HOJE

    Algumas perguntas são feitas sobre a Segunda vinda de Cristo: quando será?  Como será?  Como saber o dia e a hora?   Não dá para responder a estas questões sem fazer especulações, pois Jesus mesmo afirmou que nem Ele e nem os anjos de Deus sabem.  Mas podemos aguardar este dia e para isto as parábolas estudadas nos ajudam, pois elas falam que “vigiar” é ser prudente, fiel, obediente, cumprir com os talentos e ficar atento para as oportunidades de realizar a vontade de Deus.

     

    Jesus, ao chamar a atenção de seus discípulos para o “vigiar” não está dizendo que os discípulos não deveriam esperar pela Sua volta, mas sim está ensinando que este “esperar” deve ser acompanhado de atos concretos de fé e serviço. O discípulo não deve ficar olhando para as nuvens para ver quando Jesus voltará, mas sim olhar ao redor, ver a seara que é grande e que poucos são os trabalhadores (Mt 9.37) e observar as oportunidades para servir a Deus.

     

    Vigiar é cumprir com as responsabilidades que o discipulado requer e com as tarefas que o cristão tem a cumprir enquanto membro do Corpo de Cristo. Além disto, o texto nos ensina que não deve haver especulação sobre o dia e a hora em que Jesus voltará, pois este é um assunto que compete apenas a Deus. O certo é que Ele voltará e até que isto aconteça o cristão deve preparar-se através da “vigilância”, ou seja, cumprir com suas responsabilidades como cristão.

     

    A Igreja Metodista procura evitar extremos quando trata deste assunto, entendendo que é da exclusiva soberania de Deus que sempre agiu ao longo da história e agirá, no seu próprio tempo, inaugurando uma nova era sob Sua Glória, Poder e Amor. A Igreja Metodista afirma sua confiança na segunda vinda de Cristo no Credo Apostólico que costuma ser repetido nos cultos com santa ceia.

     

    Questões para continuar refletindo sobre o tema da vigilância:

    1.  Defina “vigiar” com suas próprias palavras.

    2.  Indique três formas de vigilância hoje.

    3.  O que você pode fazer para ajudar a sua igreja a “vigiar”?

    4.  Que dons e talentos você para usar enquanto aguarda a segunda vinda de Cristo?

     

     

     

    Bispo Josué Adam Lazier

    Escrito em 13 de Abril de 1999

     

     

     

     



    Categoria: Sermões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 12h50
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    A Segunda Vinda de Cristo e a Sobriedade

     

    A SEGUNDA VINDA DE CRISTO E A SOBRIEDADE

     

     

    O TEXTO BÍBLICO – I Ts 5.1-10

    O apóstolo Paulo usa a palavra grega “parusia”  para referir-se a Segunda vinda de Cristo. Ele usa várias vezes esta palavra, especialmente nas cartas endereçadas aos tessalonicenses (I Ts 2.19, 3.13, 4.15, 5.23  e  II Ts 2.1,  2.8 e 2.9).  Parusia  quer dizer “presença”. Esta palavra era usada no mundo grego para indicar a visita de uma autoridade política, rei ou imperador, à uma cidade ou aldeia.  Provavelmente estas visitas fossem freqüentes em Tessalônica, porque tratava-se de uma capital de Estado e, como Paulo usa freqüentemente, era conhecida pelos membros da Igreja.  Paulo usa esta palavra pela primeira vez para indicar a Segunda vinda de Cristo, dizendo que o “dia do Senhor virá como ladrão noturno” (I Ts 5.2).

     

    No texto da lição está claro que a igreja em Tessalônica foi instruída sobre este assunto pois Paulo  faz esta observação nos versos  1 e 2.  A Igreja na época do apóstolo Paulo vivia na expectativa por este acontecimento. Em alguns momentos esperava-se que a Segunda vinda acontecesse ainda no primeiro século da era cristã.   Provavelmente algumas pessoas estavam tentando adivinhar o dia e a hora, pois Paulo destaca a vinda de Jesus como o ladrão da noite. Isto faz lembrar a parábola do pai de família contada por Jesus em Mateus 24.43-44.

     

    O texto bíblico trata deste assunto de forma pastoral. Pode-se perceber isto lendo o versículo que vem antes e o que vem depois (4.18 e 5.11).  Os dois começam com a expressão “consolai-vos uns aos outros”.  Consolação tem o sentido de “colocar-se ao lado de” para ajudar, aconselhar, orientar, encorajar e oferecer consolo nas horas difíceis.    Quando Paulo escreve estas palavras ele tem na sua mente o fato de que  Tessalônica, por ser uma capital,  recebia seguidamente o imperador ou um general acompanhado de homens e mulheres escravizados e trazidos para os mercados de escravos da época.  Eram momentos de “glória” para o imperador ou para o general, mas não para o povo que assistia ao poderio romano.  Nestas horas a orientação do apóstolo era relevante, pois entre os irmãos havia consolo mútuo.

     

    Na  Segunda carta aos tessalonicenses encontra-se um texto que também fala da parusia (II Ts 2.1-6).  O objetivo deste texto é corrigir alguns desvios que aconteceram no ensino sobre a Segunda vinda de Cristo. Observe quantas vezes aparece as expressões não, nem, nenhum e nenhuma, especialmente nos versos 2 e 3.  Paulo está chamando a atenção dos irmãos em Tessalônica a respeito de falsas interpretações e especulações que não tinham outra intenção senão a de confundir.

     

    A MENSAGEM DO TEXTO

    Está claro que a mensagem do texto bíblico é de confiança e de consolo. De confiança porque a parusia (Segunda vinda de Cristo) fazia parte das convicções de fé dos cristãos primitivos. De consolo porque o ambiente onde viviam era de crise e de conflitos, pois o cristão era perseguido por professar a sua fé em Cristo Jesus, além do que o governo romano era dominador e violento.

     

    A vinda de Cristo seria o momento de glória dos cristãos, pois Deus estaria intervindo na situação do Seu povo.  Portanto,   a recomendação sobre a vigilância está presente neste texto: Paulo usa a expressão “filhos da luz” em contraposição com “filhos das trevas”, para indicar que o cristão é vigilante e encontra-se preparado.  Mas, além desta vigilância, há outra recomendação sobre a Segunda vinda de Cristo: sobriedade (verso 6 e 8). Sobriedade quer dizer  moderação, prudência, calma etc.  Paulo não quer que os cristãos em Tessalônica fiquem angustiados com a situação em que vivem e com uma possível demora da parusia acontecer.

     

    Recomenda, para esta sobriedade, o uso  da couraça da fé e do amor e do capacete da salvação – verso 8.  Este verso está em relação com o versículo 1.3, onde o apóstolo destaca a fé, o amor e a esperança, as três colunas da maturidade cristã.  Portanto, sobriedade para aguardar a parusia é a renovação destes três sinais da presença de Deus na vida do seu povo. O texto do verso 8 refere-se também à armadura do cristão, descrita em Efésios 6.10-20:  couraça da justiça, pés calçados, escudo da fé, capacete da salvação e a espada do Espírito, que é Palavra de Deus.

     

    O texto da Segunda carta, 2.1-6, procura corrigir desvios. Parece que algumas pessoas deram ouvidos à especulações e interpretações equivocadas sobre a Segunda vinda.  No final da carta há uma referência a estas pessoas (3.10-11). Elas deixaram de trabalhar e andavam desordenadamente, provavelmente na expectativa de que a parusia fosse acontecer naqueles dias ou até que já tivesse acontecido, conforme o final do verso 2.2: “supondo tenha chegado o dia”.  Isto acontecerá depois de alguns sinais que são indicados nos versículos seguintes deste texto.

     

    A LIÇÃO PARA OS DIAS DE HOJE

    O texto da segunda carta fala de “apostasia” e do “filho da perdição” (2.3), fazendo referência ao tempo de esfriamento na fé e no compromisso com Deus e no crescimento da maldade, da violência, das injustiças etc.  Não podemos afirmar à que tempo se refere o texto, mas temos uma indicação do ambiente no qual acontecerá a Segunda vida.

     

    Para este momento, que não pode ser determinado quando será, o cristão  deve estar preparado através da sobriedade, ou seja, não  ficar desesperado com as especulações e até previsões que são feitas e, por outro lado, andar na luz tendo a fé, o amor e a esperança como fundamento da vida cristã.  Estas marcas da maturidade de cristã  devem ser vividas para o crescimento pessoal e a edificação dos outros, conforme recomendação em II Ts 5.11.   A expectativa pela Segunda vinda de Cristo deve ser motivo de alegria, de esperança e de testemunho através do exercício dos dons e ministérios. Ninguém precisa ficar com “medo” deste dia, mas a expectativa pela sua chegada deve levar o cristão a refletir sobre sua vida e seu compromisso com o Reino de Deus.

     

    Para continuar refletindo sobre o tema:

    1.     Defina sobriedade com suas próprias palavras.

    2.     Como você pode “consolar uns aos outros”?

    3.     Você se sente preparado (vigilância e sobriedade) para o dia da parusia?

     

     

     

    Bispo Josué Adam Lazier

    Mensagem escrita em 13 de Abril de 1999

     

                                                                              

     



    Categoria: Sermões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 12h40
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    A semente caiu em boa terra

    A SEMENTE CAIU EM TERRA BOA

    Mateus 13.1-8

     

    Ao celebrarmos os 45 anos dos cursos superiores da UNIMEP, nos valemos da parábola do semeador, especialmente destacando o versículo 8: “outra semente, enfim, caiu em terra boa e deu frutos...”.

     

    A figura do semeador

    A figura do semeador é apropriada para o contexto educacional em que estamos.

    “Não há figura mais bela para um educador do que ser um semeador. Um educador que semeia é um revolucionário. Ele nunca tem controle sobre o que planta. As sementes terão vida própria e poderão mudar para sempre o ecossistema emocional e social”.[1]

    Em outras palavras, educar não é colocar numa forma, é semear o conhecimento que pode transformar a pessoa e a sociedade.

    Jesus orienta os discípulos a olharem para o semeador, um camponês da época, que não se cansava de lançar a semente e nem perdia a confiança diante de tantas dificuldades que se apresentavam no campo. Para o camponês sempre haveria uma rica colheita.

    Ainda que aos olhos humanos tantos trabalhos pareçam inúteis e infrutíferos, por mais que na aparência insucesso siga insucesso, Jesus está cheio de ânimo e de confiança: a hora de Deus vem e com ela a benção duma colheita que supera todo desejo e compreensão. Apesar de todo insucesso e de toda oposição, Deus fará emergir dos inícios sem esperanças o fim magnífico que ele prometeu”.[2]

     

    A figura da semente

    Jesus plantou a semente do Reino de Deus, que fez dos discípulos, pessoas que evidenciavam fragilidades e conflitos, propagadores da mensagem de fé, esperança, justiça, solidariedade, transformação social, tolerância e fraternidade.

    Isto nos faz pensar na semente da Universidade plantada há 45 anos. Semente de uma educação transformadora e libertadora, na perspectiva do Reino de Deus. Esta semente caiu em boa terra e deu fruto, um fruto resistente às dificuldades e carregado de saberes e de sabores diferenciados, mas todos saborosos à vida.

    A semeadura desta semente custou muito trabalho de seus semeadores, pois se tratava de uma semente educacional que tem como objetivo a vida, a transformação social, a cidadania, o respeito e a dignidade nas relações sociais. Tratava-se de uma semente questionadora, inquieta, instigante e sinalizadora da esperança e da justiça.

    Assim como a semente do semeador da parábola encontrou dificuldades até encontrar o solo preparado para germinar uma árvore fortalecida pelas raízes sólidas, a semente da Unimep também tem encontrado diversas dificuldades, tensões e crises, que só a fazem ser mais forte ainda e mais deliciosa ao sabor dos que preconizam uma educação libertadora que promove pessoas libertas e não meramente seguidoras.

     

    A figura da boa terra

    A semente da parábola e a da nossa reflexão encontrou a terra boa. Não se trata de uma terra estática, pronta e preparada para a semeadura, mas sim que poderia se transformar em uma terra boa. Esta terra são as pessoas que foram alcançadas pela semente plantada. São as pessoas que se abriram para recebê-la em suas vidas e pessoas que receberam a confiança dos semeadores, pois num contexto educacional a confiança no ser humano é fundamental.

    A boa terra não é aquela que se fecha em si mesma, ou cujas preocupações estão centradas somente em sua própria existência e busca pelo sucesso.

     

    A semente germinou e aí está

    Aí esta uma Universidade diferenciada. Não há outra igual. Não há outra que evidencie tantas virtudes e tanta força. Ela não é perfeita ainda e nem será. Ela tem fragilidades que precisam ser superadas. Mas, a modo dos discípulos de Jesus, devemos olhar para o fruto da semente plantada e ver que não há neste mundo força que poderia aniquilar os valores cristalizados desta planta, nem forças humanas, nem comerciais, nem religiosas, nem não religiosas. O que poderia fragilizar ainda mais esta planta é a indiferença dos que convivem diariamente com ela.

    Veja que falo por parábolas, como o texto bíblico adverte: “quem tem ouvidos, ouça” (Mateus 13.9).

     

    Bispo Josué Adam Lazier

     

     



    [1] Cury, Augusto. O Mestre Inesquecível. São Paulo, SP: Academia de Inteligência, 2003, p. 102.         

    [2] Jeremias, Joaquim. As Parábolas de Jesus. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, pg.152.



    Categoria: Reflexões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 21h16
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    O outro em nossa caminhada

    O OUTRO NA CAMINHADA PARA EMAÚS

     

    O texto da caminha de Emaús é relatado apenas pelo evangelista Lucas. A caminhada de dois discípulos de Jesus para Emaús é emblemática e cheia de significados. São duas pessoas que idealizaram um acontecimento que não se concretizou, pelo contrário, o Cristo da fé dos discípulos, na figura do Jesus de Nazaré foi preso, crucificado, morte e sepultado. Dois dos discípulos voltaram para casa e para seus afazeres e o fazem conversando sobre os acontecimentos.

    Não se dão conta de que deles de aproxima um peregrino. Podia ser um estrangeiro, ou um bandido, mas os dois caminhantes não se deram conta da aproximação do outro caminhante. E aqui começa uma das mais belas histórias contadas pelos narradores dos ensinos de Cristo.

    O outro, além de se aproximar, inicia um diálogo com os dois discípulos acerca do que falavam no caminho. Na pergunta que faz, Jesus dá a eles a oportunidade de lembrarem o que já sabiam, mas que não tinham conectado em seus afetos e sentimentos. Era apenas um conhecimento. Mas o outro vai além do conhecimento. Provoca afetos e sentimentos, pois os discípulos mesmos vão testemunhar que o coração deles “ardia” enquanto o tal do peregrino falava com eles pelo caminho.

    O outro é um personagem importante nesta história. O outro sempre entra na história da gente e nos ajuda a ver coisas que normalmente nós não vemos. Nós também podemos ser o outro no caminho dos outros, através de atitudes de solidariedade, apoio, compreensão, incentivo, tolerância e consolo.

    Sempre temos o outro que se aproxima de nós e nós mesmos podemos ser o outro que se aproxima dos outros. Neste aproximar e dialogar está a convivência que se estabelece entre os caminhantes e o peregrino. Há uma troca de experiências, de vivências e de histórias que se entrelaçam e forjam novas convivências. Os caminhantes convidam o peregrino para entrar em casa e lanchar com eles. O peregrino aceita e na hora da ação de graças e partir do pão os discípulos se deram conta de que o peregrino era o Cristo ressuscitado.

    Podemos dizer que a educação na perspectiva da Igreja Metodista, é como o outro que se aproxima na caminhada dos outros para educar através da solidariedade, da valorização da vida, da dignidade e doação. O outro, nesta perspectiva, agrega a esperança e a fé, mesma que elas pareçam utópicas, mas são coisas que se concretizam justamente através das atividades do outro, que pode ser um de nós.

    Na caminhada da vida encontramos os outros para juntos estabelecermos uma caminhada comum, que terão como valores a justiça, a paz, o amor, a solidariedade, a tolerância e a dignidade.

     

    Bispo Josué Adam Lazier



    Categoria: Reflexões
    Escrito por Josué Adam Lazier às 19h45
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