A CONSAGRAÇÃO A DEUS

Sermões 3 – Vida cristã

 

O texto de Romanos 12.1-2 pode ser considerado o texto áureo do tema da consagração, pois nele encontramos os contornos deste ato de dedicação a Deus. A consagração é obra do Espírito Santo na vida da pessoa, enquanto que a submissão é o elemento humano no processo de doação a Deus. Ao iniciarmos um novo ano devemos renovar nossa dedicação a Deus, ao testemunho, ao exercício dos dons e ministérios e à vivência do discipulado.

 

1. Natureza da Consagração

“Pelas misericórdias de Deus” - O apóstolo fundamenta sua exortação nas misericórdias de Deus. As misericórdias podem ser entendidas como uma mão que retém o que merecemos, ou seja, o juízo, enquanto a graça é a outra mão que dá o que não merecemos, ou seja, a salvação, o amor de Deus, a vida eterna, a paz, etc. A misericórdia de Deus está presente em Cristo na experiência da Cruz, pois nela Deus manifesta seu amor e sua graça para com todos os homens e mulheres em todos os tempos.

 

“Apresenteis...” - Indica o que o cristão deve fazer em resposta ao amor e ao chamado divino. Trata-se de um ato de vontade da pessoa.

 

“Vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável” - São as qualificações antigas dos sacrifícios que estão presentes na mente de Paulo.  Mas trata-se “não da condição, mas dos efeitos do sacrifício”.[1] Vivo - viver a nova vida, a salvação e a santificação bíblica; Santo – pois o cristão e tudo o que tem pertence a Deus.  Sacrificar sobre o altar significa que o sacrifício passa a ser de Deus. O altar é a cruz de Cristo, lugar das misericórdias de Deus e Agradável - como o cheiro dos sacrifícios do Antigo Testamento era agradável a Deus.

 

“Culto Racional” - O sacrifício vivo, santo e agradável está relacionado ao culto. O verdadeiro culto está ligado à obediência aos mandamentos de Deus.  Isto é feito de forma racional, ou seja, com a devida compreensão da verdade do Evangelho de Jesus Cristo e convicção a respeito das coisas de Deus. A palavra grega logíkós, usada neste texto, significa o culto inspirado pelo Espírito Santo, enquanto entre os judeus que viviam no mundo grego significava o que é interior em oposição ao exterior.[2] Estas expressões indicam uma dedicação voluntária e acompanhada da alegria e do espírito de serviço. Em outras palavras, o cristão é transformado pela ação da graça divina em sua vida.

 

2. Objetivo da Consagração

“Não vos conformeis, mas transformai-vos” - A vida do cristão transformado pela graça de Deus e, portanto, consagrado ao Senhor, não deve ser guiada por valores temporais. Por ocasião da tomada de posse da Terra Prometida, Josué reuniu o povo e não teve dúvidas em tratar do tema da santificação (Js 3.1-5), pois o povo passaria a viver no meio de outras nações que professavam uma fé, cultura e costumes diferentes e hostis à tradição do povo de Israel. Para isso, convida o povo a considerar os termos da Aliança com Deus, transformando a mente e o coração.

 

Esta mesma exortação deve fazer parte da pregação da Igreja, pois as tentações para que o cristão se conforme com este século, seus valores, seus conceitos, são muito fortes e insistentes.  Facilmente o cristão pode se submeter e ceder inconscientemente. Portanto, é necessário que a Igreja seja advertida sobre tais tentações.    

 

“Pela renovação da vossa mente” - Pela ação do Espírito Santo, a mente do cristão é constantemente renovada para criar pensamentos objetivos ligados aos valores do Reino de Deus. A renovação é resultado da Graça de Deus, que oferece sempre oportunidade para o cristão reiniciar sua caminhada de fé, mas também de renovar a convicção, os votos e confiança na presença de Deus e na veracidade da Sua Palavra.

 

“Para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” - São três maneiras pelas quais o cristão pode discernir a vontade de Deus: boa - amor ao próximo e a Deus; agradável - não resumida em gestos e sentimentos vazios, mas sim em atitudes integrais e sem resistências; perfeita – ela é perfeita porque nos transforma a tal ponto que nos leva ao compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo. Para o apóstolo, estava claro que os cristãos experimentariam a vontade de Deus em suas vidas por meio da renovação da mente. Como cristãos transformados e consagrados, somos chamados a não nos conformar com um mundo que não professa os valores do Reino de Deus e, ao fazer isto, experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

 

3. Motivação para a Consagração

“Rogo-vos - O texto começa com a expressão “rogo-vos”. Paulo usa várias palavras traduzidas por “exortar” e que significam: suplicar, implorar, convidar, solicitar, etc. O sentido neste texto é exortar, como um termo “empregado para designar o apelo sério, fundamentado no evangelho, aos que já são cristãos a viverem em conformidade com o evangelho que receberam”.[3] Poucas vezes o apóstolo usa essa expressão, e quando o faz, é para tratar de assunto imediato e que precisa ser observado. Portanto, tem um sentido de urgência e de convocação. Com esta expressão, o apóstolo faz um apelo solene a todos os cristãos, [4] pois é Deus mesmo que os tem chamado para uma vida dedicada e comprometida com o Reino de Deus.

 

Conclusão

Assim, sejamos pessoas que evidenciam os frutos da consagração a Deus através de atos e atitudes.

 

Bispo Josué Adam Lazier



[1] Leenhardt, F.J., Epístola aos Romanos, ASTE, pg 308.

[2] Leenhardt, F.J., Epístola aos Romanos, ASTE, pg 309.

[3] Cranfield, C.E.B., Carta aos Romanos, E. Paulinas, pg. 276.

[4] Stott, John R.W., A Mensagem de Efésios, ABU, pg 103.



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 19h08
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Deus está no caminho dos humildes

 

ONDE DEUS ESTÁ?

Reflexões 10 – Presença de Deus

 

Deus está na prisão

Na pessoa do presidiário!

 

Deus está na favela

Na pessoa do favelado!

 

Deus está no orfanato

No meio da orfandade!

 

Deus está no hospital

Na pessoa do adoentado!

 

Deus está na calçada

Na pessoa nua

Na pessoa faminta

Na pessoa sedenta

Na pessoa maltrapilha

Na pessoa pedinte.

 

Deus está em todo lugar

Na vida dos marginalizados!

 

Deus está por aí...

Enxotado

Renegado

Esquecido...

Numa prisão

Num orfanato

Numa favela

Num hospital...

Morrendo de fome,

De sede, de frio, de medo...!

 

Deus está nas portas dos templos,

Nos bancos das praças,

Nas rodoviárias,

Nas ruas e guetos,

No relento,

Na miséria,

Na raiz da loucura,

Procurando paz,

Amor,

Compreensão,

Alimento,

Água,

Roupa,

Uma mão amiga,

              Um cristão...!

 

Deus está entre os que sofrem,

  Os que choram,

  Os que sonham...

  Enquanto os poderosos,

              Maldosos e

              Impiedosos,

  Engordam em suas vaidades e

   Babam em suas hipocrisias!

 

Deus... aí não está!!

Ele está no caminho dos pequeninos.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Poema composto em 31/01/1979

 



Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 14h02
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A alegria dos símplices

EXEMPLO DA IGREJA DE FILIPOS

 

Tu, porém 2 – Vida cristã

 

O autor da carta descreve várias razões que tornariam compreensíveis a tristeza e desânimo por parte do apóstolo e dos filipenses nas circunstâncias em que viviam, mas o que se percebe, ao invés disto, é uma alegria autêntica e contagiante. Portanto uma pergunta se coloca: Por que Paulo se alegra e os filipenses deveriam também alegrar-se diante das circunstâncias descritas pelo apóstolo?

 

1.     Porque Cristo estava sendo proclamado - 1.12-26.

 

Paulo alegra-se porque com sua morte ou vida o Evangelho de Cristo é proclamado (1.18-20).  Segundo o verso 1.14 era um estímulo para outros cristãos as defesas de Paulo perante os juízes e a conseqüente pregação do Evangelho. Desde o início deste texto fica evidente a preocupação de Paulo pela proclamação do Evangelho. Ele não está preocupado com sua saúde, com o processo judicial movido pelos inimigos, mas sim com o Evangelho. Por várias vezes Paulo faz referência a proclamação do Evangelho: 1.12, 1.14, 1.16, 1.18, 1.20.

 

2.     As lutas em prol do Evangelho são sinais da graça de Deus - 1.27-30.

 

A exortação do v.27 está presente nas cartas Paulinas (I Ts 2.12, Rm 16.2, Cl 1,10, Ef 4.1) e demonstram que Paulo não está apenas pedindo que os cristãos sejam justos, santos e piedosos, mas trata-se sim de uma exortação para viver em conformidade com as dádivas que receberam: a dádiva da libertação determina a vida de agora em diante.  Significa uma vida firmada na Cruz de Cristo, que não recusa a cruz e os perigos inerentes da pregação do Evangelho.

 

Paulo fala de inimigos. Quem são eles?  Estes adversários provocam medo e ameaçam com violência contra os cristãos. Em todo o Novo Testamento há uma clara ligação entre ser cristão e sofrer pelo Evangelho (Mt 5.11s, Lc 6.22, I Pe 4.13). Este compromisso com o Evangelho e as lutas decorrentes disto eram motivos de alegria, pois Paulo e a comunidade tinham a oportunidade de experimentar a vida digna do evangelho de Cristo.

 

3.     A alegria é tema de exortação - 4.4-7.

 

O Tema da alegria está de volta na carta. Paulo está preso, mas se regozija. Acontece que seus sentimentos não eram guiados pelas circunstâncias e sim pela transformação ocasionada pela experiência de conversão: a) moderação - no sentido de equilíbrio e disciplina. A palavra em grego significa uma firmeza paciente e humilde, confiante em Deus a respeito de tudo; b) não andar ansioso - no sentido de não desesperar-se por causa das dificuldades e dos conflitos; c) oração, intercessão e Ação de Graças - ingredientes na vida do cristão que aprendeu a ser grato a Deus em todas as situações da vida, sabendo que através das suas lutas o Evangelho é proclamado e Cristo é exaltado.

 

4.  A alegria da Igreja de Filipos na Igreja de Hoje

 

A experiência de Paulo e dos filipenses é muito sugestiva e inspirativa para nossas igrejas nos dias de hoje. Algumas situações vividas, o contexto em que estão inseridas nossas igrejas e atitudes de pessoas que se intitulam líderes e ditam normas para ou outros cumprirem, como os fariseus na época de Jesus, criam um ambiente propício para o desânimo, para a frustração, para o medo e, conseqüentemente, para a infelicidade. A grande lição que a igreja de Filipos dá está ligada ao fato de que vale a pena sofrer por amor a Cristo e por causa do Evangelho.  Não é sofrimento masoquista, mas sim uma obediência e aceitação da vontade de Deus. Nada pode abalar a fé do cristão ou separá-lo do amor de Cristo. Esta fé e esperança são geradores da força e da coragem que alimenta e impulsiona a comunidade cristã a enfrentar as hostilidades e as injustiças, com a expectativa de ver cair às forças que inviabilizam a Vida Plena e Abundante.  Enquanto isto não acontece, as palavras de Paulo são um grande estímulo: “Pois vos foi concedida, em relação a Cristo, a graça não só de crerdes nele, mas também de por ele sofrerdes” (1.29) e “o meu Deus proverá magnificamente todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza, em Cristo Jesus” (4.19) e, principalmente o texto de 1.28: “e que em nada vos deixeis atemorizar pelos vossos adversários, o que para eles é sinal de ruína, para vós, de salvação, e isso da parte de Deus”.  

 

Um aspecto a ser destacado em forma de conclusão é a solidariedade e a fraternidade presentes na igreja de Filipos - 4.15-16. Desde o início a igreja de Filipos foi solidária e fraterna para com Paulo socorrendo-o nas suas necessidades.

 

Num ambiente de lutas e crises, a solidariedade é inevitável e fundamental para gerar força, esperança, alegria e felicidade.  Por isso Paulo insiste para com todos os que servem Senhor e estão comprometidos com o anúncio do Evangelho: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: Alegrai-vos!” (4.4). Atendamos a esta exortação paulina, afim de que nosso ministério seja exercido com este fruto maravilhoso do Espírito Santo que é a alegria. A alegria confunde os poderosos e desarma os impiedosos que não gostam de ver os servos e as servas do Senhor lutar com esperança, fé e regozijo. A alegria dos símplices denuncia a tristeza dos maldosos. Tu, porém "alegrai-vos sempre no Senhor".

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



Categoria: Tu, porém
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h05
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Discipulado

A GRAÇA DO DISCIPULADO ou O DISCIPULADO QUE TEM GRAÇA

Pastorais 5 - Discipulado

INTRODUÇÃO

O tema do próximo biênio é Testemunhar a graça e fazer discípulos e discípulas. O Colégio Episcopal está apresentando a carta pastoral sobre o tema, para estudo e reflexão por parte de todos os membros da Igreja.

Não estarei abordando o conteúdo da carta pastoral, mas sim repercutindo o tema, que é relevante e oportuno para o momento histórico em que nos encontramos. Para isto, quero sugerir o seguinte tema: a graça do discipulado, ou poderia ser também o discipulado que tem graça. Este discipulado se apresenta assim, considerando os textos de Marcos 10.35-45, de Mateus 28.18-20 e de Lucas 4.17-19:

1.       O SERVIÇO

Dois discípulos, Tiago e João, pedem para que eles ocupem cargos de autoridade no mais alto escalão do Reino de Jesus, segundo a perspectiva deles. Eles revelam a dificuldade dos discípulos em entenderem a mensagem do Reino de Deus e seguem uma idéia de poder e de triunfo, sem se darem conta das implicações que os três anúncios da morte e da ressurreição de Jesus apresentavam em termos de entrega e doação a Deus. “Pensar em postos de poder é não entender absolutamente nada do que significa o seguimento de Jesus. Em outras palavras, é não compreender a graça do discipulado. Por outro lado, somente Deus Pai possui a chave para estabelecer uma autoridade que não seja arbitrária”.[1]

Os dois discípulos revelam que não haviam entendido ainda a “verdadeira natureza do Reino de Deus, e que não se contentaram com a certeza já dada por Jesus de que todos os seus apóstolos participarão da sua vitória final. Eles querem extrair dele mais promessa de que eles dois ocuparão assentos especiais...”.[2] Tiago e João não estão compreendendo que o discipulado que tem graça é o que desenvolve o serviço. Após a indignação dos demais discípulos, Jesus estabelece que o caminho do discipulado é o serviço, pois Ele não veio para ser servido, mas para servir. Jesus é o modelo para todos os que seguem o discipulado como um estilo de vida e de dedicação a Deus. No Reino de Deus grande é o que serve e o maior é o menor. Jesus ensina a seus discípulos o exercício do serviço e não o do poder, pois o primeiro é aquele que serve a todos.

2.       A UNIVERSALIDADE

O Evangelho é para todos. O chamado de Deus é para todos. O Reino de Deus admite a todos que se submetem aos seus valores, seja pobre ou rico, homem ou mulher, casados ou solteiros, de que raça for, há lugar no Reino de Deus. Neste sentido, ser discípulo/a de Jesus é estar pronto a continuar o trabalho que Jesus iniciou, ou seja, levar a salvação para todos e acolher com amor e com tolerância. O discipulado que tem graça é universal e não exclusivo de um grupo de pessoas. Portanto, não dá para domesticar o discipulado e estabelecer critérios, ou princípios, ou regras, ou estereótipos, baseados em experiências pessoais. A graça é universal. O discipulado é para todos que são alcançados pela graça universal de Deus.

 

3.       A INTEGRALIDADE

O tema central no texto de Mateus 28.18-20 é fazer discípulos. Há um tipo de leitura que afirma que o verbo central é o “ide”. Mas “fazer” é o verbo central desta frase.  Os verbos “ide”, “batizar” e “ensinar” são auxiliares e que qualificam o verbo central.  Portanto o “ide”, o “batizando” e o “ensinando” não são ordens separadas de Jesus e fazem parte integral do “fazer discípulos”.

Aparentemente, não há diferença alguma da compreensão habitual que faz do “ide” o imperativo da frase, mas esta compreensão fraciona o discipulado. “Fazer discípulos”  inclui todas as dimensões da vida do ser humano e da fé decorrente da experiência com o conhecimento de Deus.

O “fazer discípulos” na perspectiva da graça de Deus leva em conta todas as coisas que Jesus ordenou e não apenas aquelas selecionadas para o ato do batismo e do ensino doutrinário.  Está presente aqui a integralidade do Evangelho e integralidade da pessoa humana. O discipulado que leva isto em conta tem graça.

4.       LIBERTAÇÃO

Para motivar os discípulos a seguirem pelo caminho do testemunho Jesus “vendeu” sonhos. O principal sonho foi o Reino de Deus. Para ilustrar o que seria o Reino de Deus falou sobre libertação aos cativos, visão aos cegos e liberdade aos oprimidos (Lc 4.17-19). Jesus valorizou a vida. Focou a vida para ser plena e abundante. “Ele queria libertar os cativos e os oprimidos. Também queria libertar os cegos, não apenas os cegos cujos olhos não vêem, mas cujos corações não enxergam. Os cegos que têm medo de confrontar-se com suas limitações, que não conseguem questionar qual é o seu real sentido de vida. Os cegos que são especialistas em julgar e condenar os outros, mas que são incapazes de olhar para as suas próprias fragilidades”.[3] Discipulado vivenciado na perspectiva da graça de Deus produz transformação, conscientização e libertação.

5.       PARA TODOS OS DIAS

O discipulado que tem graça é para todos os dias. Por causa da graça de Deus a pessoa se transforma em discípula todas as horas. Um discípulos de Jesus, anonimamente, escreveu o seguinte:

“Sou discípulo dEle. Não vou olhar para trás, vacilar, desacelerar, voltar atrás ou me calar. Meu passado foi redimido, meu presente faz sentido e meu futuro está garantido. Esgotei e abandonei o viver rastejando, o andar contemplativo, o planejar acanhado, os joelhos sem calos, os sonhos sem cor, as visões domesticadas, as conversas munda­nas, o contribuir mesquinho e os alvos diminutos! Já não preciso de preeminência, prosperidade, posição, promo­ções, aplauso e popularidade. Não tenho de sempre estar certo, ser o primeiro, estar no topo, ser reconhecido, louvado, percebido ou re­compensado... Não posso ser comprado, comprometido, desviado, enfeitiçado, forçado a retroceder, diluído ou atrasado. Não fugirei diante do sacri­fício, nem hesitarei na presença da adversidade, não negociarei à mesa do inimigo, nem pararei para pensar diante da pesquisa de populari­dade ou me desviarei no labirinto da mediocridade. Não desistirei, não me calarei, não cederei nem me ‘queimarei’ até que tenha pregado tudo, orado tudo, pago tudo, armazenado tudo e permanecido de pé pela causa de Cristo. Sou um discípulo de Jesus. Tenho de seguir até que ele venha, doar-me até cair e pregar até que todos conheçam. E quando ele voltar para buscar os que lhe pertencem, ele não terá dificuldades em reconhecer-me.., minha bandeira será nítida”.[4]

Bispo Josué Adam Lazier - (Estudo apresentado ao 38º Concílio da III Região Eclesiástica no dia 15/11/07)



[1] Balancim, Euclides Martins, Como Ler o Evangelho de Marcos, São Paulo, Edições Paulinas, 1991, pg. 131.

[2] Tasker, R.V.G., Mateus – Introdução e Comentários, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 1980, pg 154.

[3] Cury, Augusto. O Mestre Inesquecível. São Paulo. Academia de Inteligência. 2003. Pg. 93.

[4] London Jr, H.B. – Wiseman, Neil B., Despertando para um grande Ministério, São Paulo, Editora Mundo Cristão, pg. 231.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h19
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Celebrando o Casamento

PASTORAL PARA A CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO

Pastorais 4 - família

 

 

Quando o casal de noivos, familiares e amigos buscam a benção de Deus para o casamento é sinal de que estão buscando o que Ele pode oferecer como acompanhamento da Sua benção. Deus coloca a disposição dos noivos e familiares alguns princípios:

 

1. Deus criou o homem e a mulher com vocação para o amor

Esta vocação impulsiona o cônjuge a amar o outro por completo, ou seja,[1]: a) amor na esfera da espiritualidade – ama e quer ver o outro feliz e realizado; b) amor na esfera da afetividade – ama e sente atração pelo outro devido ao caráter, a personalidade, as qualidades interiores, etc.; c) amor na esfera da sexualidade – ama e sente atração física pela outra pessoa do outro sexo, despertando o desejo da união sexual.

 

2. Deus criou o homem e a mulher para serem companheiros um do outro

O homem e a mulher foram chamados de ishah - varoa e ish – varão (Gn 2.23). Estas duas expressões hebraicas têm o sentido de companheiro e companheira e indicam a identidade do homem e da mulher: companheiros um do outro. Esta era a condição do homem e da mulher no Plano de Deus. Portanto, levando-se em conta isto, o homem e a mulher não foram criados para completar o outro, mas foram criados para estarem ao lado um do outro e procurar juntos o caminho da felicidade. Não é verdadeira a frase que diz que nós procuramos a nossa cara metade, pois não procuramos uma peça que se encaixa em nós perfeitamente, mas sim uma pessoa que aceita participar conosco na busca das realizações dos sonhos e dos ideais.

 

3. Deus criou o homem e a mulher para viverem um relacionamento honrado

O texto de Hebreus 13.4 afirma que o relacionamento conjugal e familiar, entre todos os demais relacionamentos, é o mais honrado. A palavra grega tímios, traduzida por “digno de honra”, tem o sentido de valioso, precioso, caro (no sentido de grande valor), estimado e respeitado. Em I Pedro 3.7 a recomendação é para que o marido trate a esposa com “honra” (dignidade). Com relação à esposa, é lhe recomendado que seu comportamento seja “honesto”, ou honrado (I Pe 3.2). Em Efésios 6.1-2 os filhos são orientados a “honrarem” os pais, enquanto aos pais é dada a recomendação para que não irritem os filhos (Ef 6.4), ou seja, que os filhos não sejam tratados com desonra.

 

A palavra “honra” aparece em outros textos, onde fica evidente o seu sentido de algo “pesado” ou “valioso”: a) em I Coríntios 6.20 Paulo diz que os cristãos foram comprados por alto preço, mesma palavra traduzida por “honra”; b) no Apocalipse 5.12 é dito que o cordeiro é digno de receber “honra” e c) em Romanos 12.10 a recomendação é para que haja “honra” nos relacionamentos entre os cristãos. Estes textos ensinam que nada é mais honrado ou valioso do que Deus.

 

4. Deus consagra sempre o círculo da felicidade

O anel usado como símbolo dos votos e dos comprometimentos feitos pelo casal é como um círculo por onde passam a fidelidade, o companheirismo, o amor, a solidariedade, o apoio, a compreensão, o respeito, além de outros aspectos que caracterizam uma aliança entre pessoas que se amam. Ele registra um momento histórico na vida destas pessoas e indica uma atitude que vem sendo repetida ao longo das gerações. Usar o anel na mão esquerda é um sinal de submissão e obediência de ambos. Uma razão para usar o anel no dedo anular é a crença de que ele possui em si uma pequena artéria que leva diretamente ao coração, fazendo dele o dedo mais apropriado para ostentar um juramento de amor.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] Trevisan Irineu Augusto, Família – a mais bela comunidade de amor, Petrópolis, Editora Vozes, 1993, pg 23.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 18h20
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Falsos deuses da avareza

FALSOS DEUSES DA AVAREZA

 

Reflexões 9 – Fé e sociedade

 

A legalização de cassinos e bingos é um tema sempre presente nos debates da sociedade brasileira, e direta ou indiretamente, todos já participamos das discussões que cercam o tema. Ao analisarmos essa questão, antes de qualquer coisa devemos ter em mente que ela não deve ser tratada de forma moralista. É preciso, sim, considerar os aspectos negativos que envolvem a prática deste tipo de "diversão" que afeta diretamente a dignidade da vida humana.


A Bíblia não faz referências sobre os chamados jogos de azar. O texto sagrado fala dos jogos das crianças, que eram brincadeiras com bolas e outros objetos (Zacarias 8.5), e também dos jogos atléticos gregos – em I Coríntios 9.24-27, por exemplo, o apóstolo Paulo cita essas competições e mostra como suas lições podem ser aplicadas à vida cristã, no sentido da importância do esforço e do treinamento. Mas não há recomendações bíblicas explícitas quanto aos jogos onde a pessoa aposta com o intuito de ganhar dinheiro, embora saibamos que os jogos de azar tenham sido uma prática comum nos povos antigos, provavelmente até entre o povo hebreu.

 

Seja como for, a questão deve ser vista na perspectiva do que chamo de mordomia cristã. Mordomia quer dizer a administração correta dos bens que constituem a vida humana seja no âmbito pessoal, familiar ou social. Do ponto de vista ético cristão, a prática de jogar por dinheiro não é aceitável, pois têm sua gênese na injustiça social e na exploração de uma triste tendência que as pessoas, de uma forma geral, têm: a de ganhar dinheiro fácil e buscar a felicidade sem o esforço pessoal. Isso se constitui numa negação da mordomia da vida, da confiança na generosidade divina, e apostar em cassinos e bingos é submeter-se a este tipo de exploração da dignidade da pessoa e negar os valores do Evangelho.


Para a Igreja Metodista, a melhoria social e econômica é resultado da justiça que deve imperar na sociedade. Desse modo, os cristãos de qualquer confissão de fé têm a responsabilidade de promover e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. A legalização dos cassinos e dos bingos, na verdade, seria mais um meio de explorar o cidadão brasileiro, que se vê assediado por uma gama enorme de jogos e apostas que promovem uma falsa felicidade, pois a verdadeira felicidade só é alcançada na vivência dos valores do Reino de Deus, que são a solidariedade, a esperança, a paz, a justiça e o amor que busca o bem estar do outro. A Bíblia nos apresenta a ética divina, que se reflete na impossibilidade de servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro (Mateus 6.24). Assim, ou seguimos os princípios divinos, ou os falsos deuses da avareza. Os jogos não promovem a dignidade da vida, pelo contrário, com eles vêm a prostituição, as drogas, a pobreza e diversos outros malefícios.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

(Texto publicado na Revista das Religiões, setembro de 2004).

 



Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 18h48
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NEGAR-SE A SI MESMO

UM FRUTO DO AVIVAMENTO - Lucas 9.23

Sermões 2 – Vida Cristã

I - INTRODUÇÃO

O que é avivamento na perspectiva metodista?  Um retorno à experiência da salvação pela Graça de Deus e ao serviço que surge desta experiência. Portanto, avivamento tem a ver com conversão, com mudança de vida, com confissão, com santificação. Vamos destacar um aspecto do avivamento: o negar-se a si mesmo e carregar a cruz. A cruz é fundamental no processo de revelação usado por Deus. Deus usa a cruz para falar do seu amor. Jesus foi tentado vária vez a abandonar o caminho da cruz, mas resistiu e ensinou a seus discípulos que este caminho. Na verdade Jesus pediu para seus discípulos que Ele fosse anunciado como filho de Deus a partir da sua experiência na cruz do Calvário. 

 

A cruz não é um acessório na vida do cristão ou enfeite na Igreja. A cruz é absoluta, indispensável para que nos tornemos discípulos de Jesus. Em outras palavras, aprendemos com Deus a seguir pelo caminho da Cruz de Cristo.

 

II - NEGAR E CARREGAR A CRUZ

Portanto o que significa esta renúncia que leva à cruz?

1. Seguir a Palavra de Deus como única regra de fé e ação. Seguindo a vontade de Deus não corremos o risco de seguir nossa própria vontade.

2.   Resistir à corrupção e a tentação. A natureza humana é corrupta e  solícita a toda sorte de tentação.

3.   É negar a própria vontade, naquilo em que não se ajusta à vontade de Deus. É recusar andar pelos caminhos floridos e deleitáveis a vista.

4.   É comprometer-se com as exigências que o Reino de Deus nos faz. Cruz não é algo agradável, mas indica algo que é contra a vontade natural do homem.

5.   É morrer na Cruz, sacrificando o “eu” egoísta e avarento.

6.   É disciplina, no sentido de uma vida de oração, jejum, renúncia, serviço, zelo, obediência, submissão, estudo e meditação, etc. 

7.   Não é autoflagelação, vestir roupa de sacos, jogar cinza na cabeça, etc., mas sim acatar a vontade de Deus, ainda que contrária a nossa própria vontade.

 

III - CONSEQUÊNCIAS DO NÃO NEGAR-SE A SI MESMO

1.   Impossibilita o seguimento integral de Jesus Cristo, ou seja, impede que sejamos discípulos. Uma pessoa pode ouvir a pregação do Evangelho, reconhecer a veracidade da Palavra de Deus, sentir-se tocado por tal mensagem, aceitar um apelo, e continuar desacordada, insensível e “morta em delitos e pecados”. Por que isto acontece? Porque esta pessoa não quer romper com seu pecado predileto, não quer abandonar práticas que gosta, não quer abandonar a cobiça e o desejo.

2.   Impede o conhecimento das Sagradas Escrituras, pois muitas das coisas contidas na Bíblia são reveladas para aqueles que assumirem compromisso com Deus. O não negar-se a si mesmo cria o sentimento de oposição a algumas doutrinas fundamentais da fé cristã.

3.   Cria superficialidade e artificialidade no relacionamento com Deus.

 

IV - NEGAR-SE A SI MESMO E O AVIVAMENTO

1.   Para os metodistas o avivamento é uma volta à experiência de salvação como obra da Graça de Deus.     

2.   Portanto, o avivamento produz a conversão, o rasgar de coração, o negar-se a si mesmo, a aceitação da cruz.     

3.   Buscar avivamento sem a cruz é buscar apenas os benefícios pessoais de prazer e gozo na presença de Deus.

4.   A mensagem da cruz que tão bem faz às nossas vidas e que tanto nos desafia especialmente numa época da história humana em que a doação, o sacrifício, a renúncia e a conformação com as exigências de uma vida transformada pela mensagem da Cruz de Cristo parecem não eclodir mais na sociedade, é renovada na experiência do avivamento.

 

CONCLUSÃO

A mensagem da cruz de Cristo é universal, alcança todos os povos e transforma as vidas endurecidas pelas lutas e pelos enfrentamentos de situações adversas. É da cruz que ouvimos a singela voz de Jesus pedindo que sejamos perdoados por Deus. É na cruz de Cristo que acontece o encontro do humano com o divino e é nela que convergem poderosos e oprimidos. É com a mensagem da cruz que a vida humana se renova, se fortalece e reacende sonhos e esperanças. Parece loucura, mas a cruz de Cristo nos faz sermos gente e agente do amor num mundo incoerente e contraditório. A cruz de Cristo e o negar-se a si mesmo indicam o caminho do avivamento.

 

Bispo Josué Adam Lazier



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h44
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