Quem tirou as ataduras de Lázaro?
QUEM TIROU AS ATADURAS DE LÁZARO?
João 11.44
“O morto saiu, com os pés e as mãos enfaixadas e o rosto recoberto com um sudário. Desatai-o e deixai-o ir-se” (Bíblia de Jerusalém)
“E o morto saiu. Os seus pés e as suas mãos estavam enfaixados com tiras de pano, e o seu rosto estava enrolado com um pano. Então Jesus disse: - Desenrolem as faixas e deixem que ele vá” (Bíblia na Linguagem de Hoje)
“Saiu aquele que morto na sepultura lá estava, seus pés e mãos bem ligados, com pano próprio que atava; e tinha ainda seu rosto, num lenço todo enrolado. Então Jesus ordenou: Deixai-o ir libertado” (Bíblia em Versos)
O episódio envolvendo Lázaro, um morador da aldeia de Betânia, suscita várias reflexões. Entre elas está a pergunta: quem tirou as ataduras de Lázaro? Segundo o registro do evangelista João, Lázaro saiu da gruta onde fora sepultado, mas estava com os pés e mãos atadas e com um véu sobre o rosto.
Havia espanto entre as pessoas presentes na casa de Lázaro, pois já se completava o quarto dia em que ele fora sepultado. As manifestações eram de que se Jesus tivesse chegado a tempo Ele teria curado Lázaro, considerado amigo do mestre. Mas quatro dias depois do sepultamento?
“Para o povo da Bíblia o quarto dia depois da morte representa o fim de todas as esperanças de vida, pois o cadáver iniciava a decomposição. Estamos, portanto, diante da morte irreversível”.[1]
O espanto era geral, tanto que quando Lázaro aparece na porta da gruta ninguém toma a iniciativa de desatar as ataduras que cobriam o seu corpo e impediam-no de andar. Jesus disse: “desatai-o e deixai-o ir”. Quem tirou as ataduras que o cobriam?
Antes de tentar responder esta pergunta vale a pena refletir sobre o ocorrido. Talvez entre os presentes ninguém pensasse na possibilidade da ressurreição. Havia pranto e dor pela morte de Lázaro. A surpresa da ressurreição tornou os presentes inertes ante a manifestação da graça de Deus. Deus ressuscitou Lázaro, mas alguém precisava tirar as ataduras para que ele se movesse. É comum as pessoas esperarem que Deus faça aquilo que elas deveriam fazer. Não deveria ser assim, pois os “milagres” na vida acontecem quando há efetiva participação de Deus e das pessoas. Por certo, ainda hoje vamos encontrar quem espere que Deus faça o que nós devemos fazer, da mesma forma que vamos encontrar quem pense ser deus.
São dois pensamentos que distorcem o sentido da fé e da esperança. Esperar em Deus é também atuar como protagonista da história que se vive. Deus, pela graça e misericórdia, age em nossas vidas, mas não faz o que devemos fazer. Esta é a nossa parte. Também pensar ser deus e, portanto, não necessitar da ação da graça de Deus é outro desvio na espiritualidade, ou pensar que por causa da experiência cristã a pessoa pode fazer o que bem entender, se constitui num dos grandes equívocos que a religião pode sacramentar.
Assim, Deus ressuscitou Lázaro, mas alguém precisou ir até a gruta e tirar as ataduras e o véu para que ele andasse, estendesse a mão, enxergasse, falasse e seguisse o seu caminho. Então, quem fez isto?
Teria sido uma das irmãs, Marta ou Maria? Um dos parentes que foi de Jerusalém para consolar as irmãs enlutadas? Um dos vizinhos que morava próximo da família e acompanhara de perto a doença de Lázaro? Um dos amigos que se juntou aos demais para o funeral e luto? Um dos discípulos de Jesus que presenciou a cena e atendeu à ordem do mestre? Teria sido Pedro, sempre pronto a assumir a liderança entre os discípulos? Não sabemos ao certo quem libertou Lázaro das ataduras, mas fica a lição de que devemos fazer a nossa parte e não esperar que Deus a faça. Fica a lição também de que podemos ajudar uns aos outros, pois sozinho não dá para tirar as ataduras que nos impedem de caminhar e de viver em liberdade.
A pergunta que se coloca é: quem vai tirar as ataduras que se colocam na vida de todos nós? Deus, pela sua graça, haverá de renovar a vida, e nós faremos o que? A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal realizado por Jesus segundo o Evangelho de João. O sétimo é o maior de todos. Ao convidar os presentes para desatarem a Lázaro, Jesus está assinalando que o sinal da ressurreição e da vida pode ser realizado pelos que confiam na ação libertadora de Jesus.
“A ação libertadora de Jesus implica em nossa prática libertadora: desamarrar as pessoas de todos os laços que as prendem a uma situação de morte. Assim agindo, estaremos continuando o que Jesus fez, a fim de que todos tenham vida em abundância”.[2]
Portanto, este é uns dos grandes desafios da vida.
Bispo Josué Adam Lazier
[1] BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João. São Paulo, SP: Editora Paulus. 1994, pg 111.
[2] BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João. São Paulo, SP: Editora Paulus. 1994, pg 113.
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h39
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Categoria: Discipulando a liderança
Escrito por Josué Adam Lazier às 14h33
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Desatai-a e Deixai-a ir
DESATAI-A E DEIXAI-A IR
A propósito da ressurreição de Lázaro (João 11.44)
Recentemente, enquanto assistia a uma aula no curso de mestrado, o professor fez uma referência ao episódio envolvendo Lázaro que, para ser libertado das ataduras dos pés, mãos e rosto, precisou que Jesus desse uma ordem aos que assistiam a saída de Lázaro do túmulo. Na hora me ocorreu o pensamento de que a Igreja hoje pode estar como Lázaro, ou seja, ressuscitada pela força da Graça de Deus, mas com os pés e mãos atadas e os olhos e boca vendada.
Este pensamento me ocorreu porque a Igreja tem tido dificuldades de se fazer presente no mundo de forma sinalizadora do Reino de Deus e transformadora da realidade. A Igreja tem aparecido na mídia em função de suas transgressões da lei, dos escândalos de seus líderes e da indiferença frente aos desmandos dos governantes que perseveram em infringir os direitos do cidadão. Logicamente que a imprensa aproveita estas situações para promover uma Igreja mediocrizada pela ineficiência e covardia de sua liderança em responder aos desafios da vida e da missão com coerência, ética e valores do Reino de Deus. A omissão promove uma igreja com esta característica.
Quem poderá tirar a venda dos olhos para que a Igreja veja a seara onde ela está inserida e perceba os desafios da missão? Para que ela veja as crianças sendo violentadas, as mulheres sendo agredidos, os idosos e idosas sendo desrespeitadas, as famílias se desfazendo e a vida sendo aviltada pelo capitalismo selvagem que tem tomado conta de nossa sociedade?
Quem poderá desatar a mordaça que está na boca da Igreja para que ela proclame as Boas Novas do Evangelho, mas não deixe de denunciar os sinais de morte, o desrespeito à lei, mesmo que tenha que denunciar membros e líderes que se apresentam como cristãos E que se utilizam de mecanismos de discriminação, dominação e intimidação? Desatar a boca para que a denúncia e o anúncio sinalizem a presença da graça de Deus na vida humana, graça esta que se manifesta na justiça, na paz, na solidariedade, na fraternidade e no amor.
Quem poderá desatar as mãos para que a Igreja as estenda em direção aos necessitados, aos diferentes, aos pecadores, aos que estão embevecidos pela vaidade e pela soberba e não apenas aos que podem contribuir com ofertas, com trabalho e com riquezas? Desatar as mãos para que elas acolham os machucados, curem os doentes e acarinhem os solitários e destituídos de esperança.
Quem poderá desatar os pés para que a Igreja caminhe em direção às favelas, aos grupos minoritários, aos rejeitados, aos excluídos, aos que estão distantes e aos que se perderam? Desatar os pés para que a Igreja caminhe em direção da paz e da convivência com os diferentes.
Quem poderá fazer isto? Na verdade a pergunta está errada. Deveríamos perguntar quando é que nós como membros da Igreja, desataremos os pés, mãos, olhos e bocas uns dos outros para que juntos possamos sinalizar a fé, a esperança e o amor, maiores sinais da presença da gratuidade de Deus e a paz, a justiça e a fraternidade, maiores sinais do Reino de Deus?

Deus está dizendo para a Igreja sair, mas ela tem sido atada pela indiferença que tem estado presente e pelo conforto da “toca”. Para muitos é melhor ficar aquecido dentro da toca, adorando a Deus e esperando Ele se revelar, enquanto lá fora o mundo se destrói. E se um dia a toca se transformar em túmulo Deus haverá de ressuscitar os que lá estiverem e quem sabe desta vez as ataduras não estarão mais nos pés, mãos, olhos e bocas.
Que Deus nos ajude a desatarmos as ataduras e fortaleça os que já saíram da toca e estão sem ataduras para que sinalizem o Reino de Deus sem perderem a esperança.
Bispo Josué Adam Lazier
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h51
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Categoria: Discipulando a liderança
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h25
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como vivem as testemunhas da graça
COMO VIVEM AS TESTEMUNHAS DA GRAÇA
Mateus 5.17-20
O convite
Temos sido desafiados a testemunhar a graça e a fazer discípulos e discípulas. Testemunhar e fazer são, antes de tudo, viver a graça e o discipulado, vivenciar no dia a dia os valores que o Evangelho de Cristo ressalta e observar a justiça do Reino de Deus.
Este texto do Evangelho de Mateus é o centro do Sermão da Montanha, que compreende os capítulos 5 a 7. Ele fala de lei e de Justiça. Jesus afirma, logo no início, que não veio revogar a lei, mas sim cumprir. Estamos diante da mensagem do Ano Aceitável do Senhor. O tempo é de plenitude, pois chegou a hora do cumprimento do Direito e da Justiça de Deus.
É necessário que se faça uma distinção entre Lei de Deus e leis dos escribas. Jesus se refere à Lei de Deus, que tem por objetivo abençoar o povo. As leis dos escribas eram puro legalismo e carregadas de regrinhas do tipo “faça isto”, “não faça aquilo”, etc. A lei para os judeus era o centro da vida. Os doutores na lei - escribas - eram responsáveis pela sua interpretação. Criavam minúcias para seu cumprimento. Por exemplo, para a questão do sábado estabeleceram mais de mil proibições ou coisas que não deveriam ser feitas neste dias. Os fariseus formavam outro grupo religioso da época que tinha o costume de guardar a lei. Consideravam-se religiosos e, por isso, julgavam que aqueles que não faziam o que eles faziam eram pecadores e merecedores do juízo divino. Estes dois grupos, escribas e fariseus, sempre questionaram o ministério de Jesus, especialmente seu ensino.
Quando Mateus escreveu seu Evangelho estava pensando nos muitos judeus que aceitaram a Cristo, mas que não tinham ainda se libertado totalmente dos costumes judaicos de supervalorizar a lei dos escribas e dos fariseus. Para o povo naquela época a lei dos escribas e fariseus era a Lei de Deus, eles não tinham ainda a compreensão que nós temos hoje. Mateus queria mostrar que a vontade de Deus somente era realizada por Jesus e que a lei dos escribas e fariseus não tinha o valor que pensavam ter. Foi um trabalho muito difícil para Mateus, mas que ajudou os novos convertidos a fazerem uma distinção entre os religiosos da época, promotores das injustiças e das discriminações, e os discípulos de Jesus que deveriam ser os portadores das boas novas de paz e de justiça.
O modo de vida
O Sermão da Montanha pode ser chamado de o “modo de vida” dos discípulos de Jesus. Ele apresenta normas e orientações para a vida e ministérios dos cristãos. Nele Jesus faz uma comparação com a vida e comportamento dos escribas e fariseus, chamando isto de Justiça dos discípulos (Mt 5.20). Como vimos, a vida e o comportamento dos religiosos era baseado nas interpretações minuciosas dos escribas e não na vontade de Deus apontado pela Lei, no caso o amor, a solidariedade, o perdão e a justiça, por isso Jesus pronuncia os sete “ais” contra estes religiosos e doutores da lei em Mt 23.13-22. Jesus chama-os de hipócritas, condutores cegos, insensatos, sepulcros caiados, etc.
Jesus ensina que a “justiça” dos discípulos, ou seja, a vida, o comportamento, as atitudes, o cumprimento das responsabilidades e funções, devem exceder a dos escribas e fariseus. Os discípulos não poderiam imitá-los e eram desafiados a viver e anunciar a vida plena, baseada no amor e na justiça. Portanto, o Sermão da Montanha apresenta estas orientações éticas e morais, pois a justiça era a base da Lei que Deus entregou a Moisés e que criava condições para a vida plena e abundante.
Jesus apresenta uma nova maneira de cumprir a Lei de Deus, não nos moldes dos escribas e fariseus, mas sim nos moldes do Ano Aceitável do Senhor. Já não são mais os sinais externos que contam sim as atitudes de amor ao próximo.
O desafio
Jesus resume a Lei e os profetas em dois mandamentos: amor a Deus e amor ao próximo - Mt 22.36-40. Para o discípulo cumprir a Justiça do Reino de Deus precisa aprender a lição do Bom Samaritano e amar ao próximo como conseqüência da sua submissão a Deus. Não se trata de um amor mesquinho que quer corrigir os defeitos dos outros ou tirar-lhes o “argueiro dos olhos” (Mt 7.13), mas sim um amor baseado na “regra de ouro”: os discípulos de Jesus devem fazer aos outros aquilo que desejam que os outros vos façam (Mt 7.12). Agindo assim, estarão cumprindo a Justiça do Reino de Deus.
Então, testemunhar a graça e fazer discípulos nos coloca diante do desafio maior, que é a vivência da justiça do Reino de Deus, que diferencia ainda nos dias de hoje os “religiosos” que freqüentam igrejas e tudo mais, mas cujo testemunho não tem nada de transformador, dos “pequeninos” que são aqueles e aquelas que são capazes de fazer renúncias em prol de uma vida transformada pelos valores do Evangelho de Cristo.
A pergunta
Onde nós nos encontramos à partir das considerações que o Evangelho de Mateus nos apresenta acerca do modo de vida das testemunhas de Jesus?
Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 11h30
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