A IGREJA QUE DEVEMOS SER

Efésios 1.9-10

 

Introdução

O texto fala da Igreja como Corpo de Cristo. Trata-se da revelação de um mistério indicado nos versos 9 e 10. Este mistério é a Igreja como Plenitude de Cristo em tudo (1.22-23). Este é o propósito da Igreja, ser plenitude de Cristo e torná-lo visível ao mundo. Que Igreja é esta que tem prevalecido ao longo dos anos, sendo reformada e renovada por Deus?  Que Igreja o Senhor está edificando nos dias de hoje? Que Igreja Deus quer edificar através de nossas vidas para anunciar Sua Graça e Seu Amor?  Na carta aos Efésios encontramos o retrato da Igreja que Deus quer que sejamos, ou seja, da Igreja que tem a missão de anunciar a Graça e o Amor. Vejamos alguns aspectos desta igreja que devemos ser e reflitamos sobre os mesmos:

 

Uma Igreja de Santos e Fiéis – 1.1 e 4.20-24

A carta é dirigida aos “santos” e “fiéis” em Cristo Jesus.  Santos – significa separado para Deus e consagrado para Seu serviço; Fiéis – indica aqueles que têm fé e cumprem os mandamentos de Deus e os princípios de fé que lhes foram ensinados. Estes santos e fiéis são descritos pelos 3 verbos de 4.20-24: a) despojar – v.22 – é usada a metáfora de trocar de roupa, indicando que o cristão remove ou tira a roupa velha;  b)  renovar – v.23 – indica a vida sendo renovada, seguindo o processo de maturação na vida cristã;  c)  revestir – v.24 –  é usada a idéia de vestir uma nova roupa, como resultado da experiência cristã. Estes 3 verbos indicam a santificação e a fidelidade a Deus. 

 

Uma Igreja edificada sobre o fundamento dos profetas e dos apóstolos – 2.20-21

A Igreja herdou a estrutura, normas e princípios dos apóstolos e profetas. Estes versos fazem referência à sã doutrina ensinada pelos apóstolos e que prepara a Igreja para ser a plenitude de Cristo. Deste fundamento Jesus Cristo é a pedra angular, que sustenta todo o edifício. Em Mateus 7.24-27 encontra-se uma parábola de Jesus sobre o fundamento dos apóstolos, a saber, a Palavra de Deus.

 

Uma Igreja Missionária – 3.10

A Igreja sem a missão torna-se um clube qualquer.  A essência da Igreja é ser missionária: pregar o evangelho, atender as necessidades das multidões, sinalizar a presença do Reino de Deus. João Wesley desafiava os metodistas a "reformar a nação e espalhar a santidade bíblica por toda a terra". Este era um dos lemas dos metodistas.  Wesley descobriu a pregação ao ar livre e dizia: "O mundo é a minha paróquia”. Para os metodistas a Igreja é o "Povo de Deus devidamente orientado por um ministério tanto ordinário, como extraordinário, UNA no mundo inteiro, e sendo uma comunidade cujas finalidades se resumem em Adoração e Missão".   A Igreja, Corpo de Cristo, tem a missão de transmitir a multiforme sabedoria de Deus.

 

Uma Igreja que cumpre com dignidade a Vocação – 4.1-6

ROGO-VOS - O texto começa com esta expressão “rogar”, que tem 4 sentidos e é usado aqui como implorar, apelar, requisitar, suplicar ou rogar.  Portanto tem um sentido de urgência e de convocação, pois a vocação é digna.  Qualidades da vocação digna – v.2: a) “Humildade – significa literalmente “dotado de mente humilde”, “despretensioso”, singelo”, “modesto”. Qualidade que repudia o orgulho e se inclina para a pacificação de todos.  Trata-se também da disposição que o servo do Senhor tem para servir a Deus; b) Mansidão – significa cortesia, consideração.  Qualidade que valoriza os outros e que leva a uma ação com consideração.  É a falta de arrogância e de insolência; c) Longanimidade - significa paciência, tolerância, constância.  Qualidade de paciência sobre o sofrimento, paciência para com os outros e gentileza diante dos abusos do irmão, etc. e d) Suportando – significa suportar, tolerar.  Qualidade que suporta os abusos dos outros, perdoa as faltas dos outros e exerce grande paciência.  Significa ser clemente em amor.

 

Uma Igreja Sacerdotal e Ministerial – 4.10-17

Uma das ênfases do movimento metodista foi os pregadores e pregadoras leigos/as.  Através deste ministério extraordinário a Igreja Metodista se desenvolveu por muitos lugares.  Ainda hoje o trabalho do laicato é fundamental para a Igreja.  O pastor ou pastora não poderá fazer tudo sozinho e nem foi chamado para isto.   Ser membro do Corpo de Cristo significa ter um ministério para realizar, uma visão para cumprir ou um serviço para executar. O Sacerdócio Universal dos cristãos ensina que todos os membros da Igreja são chamados para serem ministros, servos e sacerdotes de Deus. O propósito de dons e ministérios, ou seja, da igreja ministerial e sacerdotal, é que todos cumpram com sua vocação para o aperfeiçoamento dos demais membros e edificação da Igreja. 

 

A palavra aperfeiçoamento tem o sentido de colocar no devido lugar ou consertar o que está quebrado. Por exemplo: consertar a rede para a pescaria (Mt 4.18).

 

Uma Comunidade onde o louvor está presente – 5.19 e 1.3-14

Todo ser que respira louva ao Senhor, especialmente aqueles que conhecem a Graça e o Amor de Deus. Não dá para não adorar e louvar.  A Adoração explode no coração do cristão.  Nós, metodistas, somos um povo que canta muito, celebrando a Deus e as experiências que Deus nos concede.  Em Efésios 1.3-14 encontramos 5 motivos para que o cristão adore a Deus, pois foi criado para o “louvor da sua glória” (1.6,12 e 14). O louvor não deve ser entendido como ato litúrgico apenas e sim como uma atitude que acompanha a vida do cristão.

 

Uma Igreja fortalecida pela armadura – 6.10-20

O enfrentamento da realidade na qual vivemos exige do cristão o uso dos recursos que Deus coloca a disposição através da armadura de Deus: cinto, couraça, calçado, escudo, capacete e a espada.  As armas apresentadas no texto bíblico devem ser usadas na disciplina da oração, da súplica e da intercessão, e isto em todo o tempo – v.18.  A oração é uma das mais poderosas armas que o cristão tem para enfrentar as lutas da vida e do ministério.

 

Uma Igreja que vive a dinâmica da Graça de Deus – 2.1-10

Encontramos neste texto os 3 elementos essenciais da Graça:

Graça Preveniente (2.1-2) - dirigida para o pecador decaído e não arrependido, é assistido pela Graça Preveniente que convence do pecado e o move em direção ao arrependimento. Age na vida do pecador despertando-o para a Plenitude da Graça de Deus. Graça Justificadora (2.5-6) - está presente em Cristo Jesus.  Por ela somos salvos, reconciliados, redimidos, libertados e justificados. Ela torna o pecador justo e santo através dos méritos de Cristo. È pela fé. Graça Santificadora (2.10) - ela é presente e ativa através da ação do Espírito Santo.  Ela aperfeiçoa, santifica e promove o crescimento do cristão pela regeneração e pelo novo nascimento.   Capacita para o exercício dos dons e ministérios.

 

Conclusão

Temos o desafio de ser esta Igreja que cumpre os termos da Aliança que Deus ez com seu povo e anunciar o Reino de Deus e a Sua Justiça.  Seria conveniente cada metodista refletir sobre este retrato da Igreja - Plenitude de Cristo traçado pela carta aos Efésios. Caso haja necessidade, somos desafiados a fazer os consertos, como resultado da renovação nossa da fé e a exemplo do que houve no Antigo Testamento no tempo de Moisés, Josué, Josias, Esdras, Jeremias, além de outros, bem como ao longo da história da Igreja. A pergunta que se coloca é: estamos sendo a Igreja que Deus quer que sejamos? Por que?

 

Algumas perguntas auxiliam a reflexão: 

Como tem sido minha participação na igreja local?

Como meu ministério tem contribuído para a edificação da Igreja?

 Que aspectos da “dignidade” da vocação estão presentes em minha vida e em minha igreja?

Qual ou quais dos aspectos descritos são visíveis em minha vida?

Como estão os compromissos assumidos como membro da Igreja Metodista?

 

Bispo Josué Adam Lazier



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 11h29
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O Credo Social - 6ª palavra pastoral

 A EDUCAÇÃO NO CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA

 

 

Não me aparto dos teus juízos, pois tu me ensinas” – Salmo 119.102

 

 

Introdução

Neste Ano celebramos os 100 anos do Credo Social da Igreja Metodista. O primeiro Credo foi formulado em 1908 pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos da América. Desde então, o movimento metodista adotou entre seus documentos a Doutrina Social.

 

No Brasil, a Igreja Metodista adotou a versão americana por ocasião da sua autonomia, em setembro de 1930. O Credo Social passou por várias alterações até a aprovação do texto vigente e atual, aprovado em 1997.

 

A Educação no Credo Social

O Credo Social como doutrina social da Igreja é abrangente e não específica de uma determinada área de ação ou missão. No entanto, podemos ressaltar no Credo alguns aspectos que estão ligados à educação.

 

A versão aprovada em 1960 indicava o seguinte:

 

um programa educativo que leve o homem do campo à consciência de suas relações com Deus, com o solo e com todas as riquezas naturais, bem como à consciência de seus deveres para com a família, a Igreja e o bem estar da comunidade”.[1]

 

O documento de 1960 indicava uma ação específica e promotora da educação que visava dar consciência de classe e conhecimento da realidade onde as pessoas do campo viviam. A Igreja toma para si esta missão.

 

Para o Credo Social, além da saúde e da segurança, a educação é um direito que deve ser garantido a todo e qualquer cidadão. Para isto, define o documento, a Igreja deve capacitar seus membros para o exercício de uma cidadania plena e justa.

 

A educação, ao lado de outras ações cidadãs e missionárias, devem promover a transformação da pessoa e da sociedade, na busca pela justiça social. Neste sentido, OLIVEIRA é enfático ao comentar a filosofia social do Credo Social:

 

... passando de uma filosofia empresarial, secular, para uma filosofia missionária, de um enfoque individual para um enfoque mais amplo, de caráter social.... A mudança é radical, é revolucionária, pois significa uma nova teologia e, assim, uma nova ideologia – a eficiência da empresa cede lugar à ação do Reino de Deus”.[2]

 

Desafios

 

Diante do que afirma o Credo Social, podemos apreender que a educação é um instrumento de transformação da pessoa e da sociedade na busca pela plenitude da vida. Uma educação que valoriza a história das pessoas e confere dignidade e humanidade, é um dos grandes desafios das Instituições metodistas. Para Wesley, fundador do movimento metodista no século XVIII na Inglaterra, devemos “unir ciência e piedade vital há tanto tempo separadas”.[3]

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] IGREJA METODISTA. Cânones de 1960. São Paulo, SP: Imprensa Metodista, 1960, p. 238.

[2] OLIVEIRA, Clory Trindade. Estrutura Organizacional e Administrativa do Metodismo 1965 – 1982. In: Revista Caminhando, nº 01. São Bernardo do Campo, SP: Imprensa Metodista, 1982, p. 41.

[3] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Imprensa Metodista, 1982, p. 17.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 09h17
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O Credo Social - 5ª palavra pastoral

O CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA E A RESPONSABILIDADE

 

Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” Mateus 25.40

 

Introdução

Neste Ano celebramos os 100 anos do Credo Social da Igreja Metodista. O primeiro Credo foi formulado em 1908 pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos da América. Desde então, o movimento metodista adotou entre seus documentos a Doutrina Social.

No Brasil, a Igreja Metodista adotou a versão americana por ocasião da sua autonomia, em setembro de 1930. O Credo Social passou por várias alterações até a aprovação do texto vigente e atual, aprovado em 1997.

 

A responsabilidade no Credo Social

A palavra responsabilidade aparece várias vezes no Credo Social. Segundo o Aurélio, responsabilidade significa “capacidade de entendimento ético-jurídico e determinação volitiva adequada, que constitui pressuposto penal necessário da punibilidade”. Seria o mesmo que dizer que a pessoa assume para si a responsabilidade por...

O Credo fala de responsabilidade cristã quando afirma seu dever em zelar pelo bem-estar integral da pessoa e que esta responsabilidade é fundamentada na soberania de Deus, que se revelou em Jesus Cristo para garantir o direito à vida plena e digna.

O Credo fala de responsabilidade social em termos de consciência e conhecimento acerca da vida e dos valores que promovem a vida e para isto apresenta os seguintes aspectos: a) Deus criou o homem e a mulher para viverem em sociedade; b) a reconciliação com Deus é o caminho para a justiça, paz e liberdade entre os povos; c) a vida na perspectiva cristã é livre e pode ser transformada pela relação entre as pessoas e com o mundo; d) as condições sociais, políticas e econômicas devem promover o direito de todos e para todos.

Fala também da responsabilidade civil, no que diz respeito ao relacionamento na comunidade, no exercício da cidadania e dos que exercem o poder que, segundo o Credo, “devem ter uma mentalidade de compreensão e de ação eficaz para erradicação da marginalidade”.[1]

O Credo fala também da responsabilidade da família em educar seus filhos e criá-los para serem cidadãos conscientes e responsáveis.

 

Desafios

Na perspectiva do Credo Social, um documento doutrinário e sinalizador da identidade e da confessionalidade da Igreja, a vida se constitui em responsabilidades que tem a ver com a vida dos outros e com o próprio meio ambiente onde vivemos. A oikos, a casa de todos nós é o lugar onde se vive responsavelmente.

Poderíamos assinalar alguns aspectos que se evidenciam hoje em termos de responsabilidade: pela cidadania, pelo meio ambiente, pela justiça, pela fraternidade, pela solidariedade, pelo respeito aos diferentes, pela defesa dos mais fracos, e outras mais.

Fica o convite do Credo Social: “A Igreja Metodista afirma sua responsabilidade cristã pelo bem-estar integral do ser humano como decorrente de sua fidelidade à Palavra de Deus expressa nas Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos”.[2]

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 29.

 

[2] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 16.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 16h40
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O Credo Social - 4ª palavra pastoral

O CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA E A QUESTÃO FAMILIAR

 

 

E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais...” – Malaquias 4.6

 

Introdução

Neste Ano celebramos os 100 anos do Credo Social da Igreja Metodista. O primeiro Credo foi formulado em 1908 pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos da América. Desde então, o movimento metodista adotou entre seus documentos a Doutrina Social.

 

No Brasil, a Igreja Metodista adotou a versão americana por ocasião da sua autonomia, em setembro de 1930. O Credo Social passou por várias alterações até a aprovação do texto vigente e atual, aprovado em 1997.

 

A questão familiar no Credo Social

O Credo social fala das questões familiares. Começa afirmando que Deus é o criador de toda família humana e criador dos povos para que se constituíssem uma família universal.

 

Além deste conceito de família ampla e universal, o Credo apresenta-a também como espaço onde a pessoa se realiza e vivencia as diversas relações que acontecem na intimidade das famílias.

 

Como instituição criada por Deus, a família deve receber o cuidado de todos os segmentos sociais e religiosos. Ela não pode ser objeto de desequilíbrios econômicos e das estruturas sociais injustas que permeiam a nossa sociedade.

 

Desafios

O Credo Social indica como uma das responsabilidades a adoção dos Direitos Humanos que preservam e defendem a família e os direitos dos membros da família. Neste sentido, podemos dizer que a família universal define os direitos da família das pessoas.

 

A família é vista, então, como uma comunidade que enfrenta dificuldades e tem responsabilidades. Todos nós, juntamente com nossas famílias, devemos ajudar uns aos outros no enfrentamento das dificuldades que alcançam nossas famílias e cumprirmos com nossas responsabilidades familiares

 

Devemos lembrar que a família é uma comunidade onde a graça de Deus se faz presente.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 18h57
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O Credo Social - 3ª palavra pastoral

O SER HUMANO NO CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA

 

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou” – Gênesis 1.27

 

Introdução

Neste Ano celebramos os 100 anos do Credo Social da Igreja Metodista. O primeiro Credo foi formulado em 1908 pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos da América. Desde então, o movimento metodista adotou entre seus documentos a Doutrina Social.

No Brasil, a Igreja Metodista adotou a versão americana por ocasião da sua autonomia, em setembro de 1930. O Credo Social passou por várias alterações até a aprovação do texto vigente e atual, aprovado em 1997.

O Credo Social é organizado em 5 partes, a saber: I – Nossa Herança; II – Bases Bíblicas; III – A Ordem Político-Social e Econômica; IV – Responsabilidade Civil e V – Problemas Sociais.

A pessoa no Credo Social

O Credo Social nutre os demais documentos da Igreja Metodista, entre eles o Plano para a Vida e Missão da Igreja e as Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista. Vamos destacar como o ser humano é visto através do Credo Social.

O ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus e sujeito de todos os valores e recursos que a sociedade tem e atua como agente e como sujeito do corpo social. O documento afirma que o “sentido cristão de humanidade só pode ser alcançado em uma sociedade na qual as pessoas tenham vida comunitária, consciência de solidariedade humana e de responsabilidade social”.[1]

Em função deste aspecto de comunidade onde a pessoa vive e convive, criando assim a sua realidade histórica, o Credo Social denúncia de forma enfática o individualismo e a massificação como causas dos graves problemas sociais e como negação do Evangelho de Cristo, que veio para que todos tivessem vida e para a vida fosse plena.

Portanto, o ser humano deve ser sujeito do cuidado da família, da Igreja, da escola e da sociedade em geral. O Credo Social condena toda e qualquer discriminação, bem como indica que a defesa dos direitos humanos em favor dos pobres e oprimidos é a missão da Igreja, tendo a Justiça de Deus como inspiração para vencer as injustiças sociais e libertar a pessoa da indignidade humana.

O Credo Social denúncia como agentes que destroem a vida humana os diversos vícios que causam dependência, violência, abusos, exploração, prostituição e que agridem a dignidade da vida, tais como: cigarro, bebida, drogas, jogos, além de outros vícios.

Desafios

O Credo Social apresenta diversos desafios e oportunidades para a valorização da vida e conquista da dignidade de muitos que sofrem abusos ou são impedidos de viver a vida de forma plena.

O último desafio apresentado pelo Credo é: “amar efetivamente as pessoas caminhando com elas até as últimas conseqüências para a sua libertação dos problemas e sua autopromoção”.[2]

Ele se constitui num dos grandes desafios dos metodistas, seja em que segmento estiver atuando, bem como de todos os órgãos que a Igreja mantém, a fim de que o ser humano viva plenamente a imagem e semelhança de Deus.

 

Cremos que são bem-aventurados os humildes de espírito, os que sofrem, os mansos, os que têm fome e sede de justiçam os que praticam a misericórdia, os simples de coração, os que trabalham pela paz, os que são perseguidos pela causa da justiça e do nome do Senhor”.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier



[1] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 26.

[2] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 30.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h12
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O Credo Social - 2ª palavra pastoral

A VIDA NO CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA

 

Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – João 10.10

 

Introdução

Neste Ano celebramos os 100 anos do Credo Social da Igreja Metodista. O primeiro Credo foi formulado em 1908 pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos da América. Desde então, o movimento metodista adotou entre seus documentos a Doutrina Social.

No Brasil, a Igreja Metodista adotou a versão americana por ocasião da sua autonomia, em setembro de 1930. O Credo Social passou por várias alterações até a aprovação do texto vigente e atual, aprovado em 1997.

A vida no Credo Social

O Credo Social destaca a vida humana é dádiva de Deus. Ele afirma que ela é plena quando o viver da pessoa evidencia o amor para com Deus e para com o próximo. Viver a vida é celebrar o amor nos aproxima de Deus e do próximo. O próximo geralmente é aquele que está perto de nós, mas distante de nossas ações ou cuidado.

O documento se refere também, além do cuidado junto ao próximo, que a vida tem a sua plena realização quando é vivenciada em comunidade. Estar junto com outros é seguir a ordem natural da criação.

Em função destas duas compreensões, o Credo Social fala da defesa da vida e da pessoa humana, além da “promoção do bem comum mediante o desenvolvimento da justiça e da paz na ordem social”.[1]

Desafios

Diante destas afirmações, todas as pessoas, em especial as pessoas da Igreja Metodista, têm a responsabilidade em atuarem na sociedade para minimizar as condições subumanas que se apresentam e para transformar as estruturas desumanas da sociedade.

Para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa, o Credo Social indica que a vida comunitária, a consciência de solidariedade humana e a responsabilidade social devem promover mudança de mentalidade para que o sentido cristão de humanidade seja alcançado.[2]

Desta forma, para que a vida seja plena há que se combater todos os males que agridem e destroem a dignidade da vida humana.

 

 

Cremos no Reino de Deus e sua Justiça que envolve toda a criação, chamando todos os homens e todas as mulheres a se receberem como irmãos e irmãs participando, em Cristo, da nova vida em plenitude”.[3]

 

 

Bispo Josué Adam Lazier



[1] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 20.

[2] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 26.

[3] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 18.

 



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 14h39
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O Credo Social - 1ª palavra pastoral

OS FUNDAMENTOS DO CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA

 

Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” Mateus 6.33

 

Introdução

Neste Ano celebramos os 100 anos do Credo Social da Igreja Metodista. O primeiro Credo foi formulado em 1908 pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos da América. Desde então, o movimento metodista adotou entre seus documentos a Doutrina Social.

No Brasil, a Igreja Metodista adotou a versão americana por ocasião da sua autonomia, em setembro de 1930. O Credo Social passou por várias alterações até a aprovação do texto vigente e atual, aprovado em 1997.

Entre os valores que o Credo assinala estão: bases bíblicas para a vivência cristã, responsabilidade social, justiça social, direitos humanos, cidadania, liberdade, família, dignidade humana, vida em comunidade, entre outros.

Os fundamentos do Credo Social

O Credo Social discorre sobre vários fundamentos desta doutrina de cunho social. Entre eles estão a herança de fidelidade à Palavra de Deus e aos valores presentes no Antigo Testamento e no Novo Testamento. Tendo as Sagradas Escrituras como regra de vida e fé, o Credo estabelece a responsabilidade cristã com o bem estar integral do ser humano, o que se dá através de uma consciência de responsabilidade social com a plena cidadania e ações concretas e promotoras da vida.

Entre os fundamentos de fé, o Credo estabelece que o “o culto verdadeiro que Deus aceita dos homens e mulheres é aquele que inclui a manifestação de uma vivência de amor, na prática da justiça e no caminho da humildade junto com o Senhor”.[1]

O Credo Social evidencia uma Igreja que é litúrgica em sua formulação, ou seja, está a serviço de Deus no mundo e, por outro lado, transformadora da realidade em que está inserida. Liturgia deve ser entendida como o serviço que é prestado a Deus e para a comunidade onde se vive.

Desafios

O Credo Social apresenta diversos desafios e oportunidades para a valorização da vida e conquista da dignidade humana como serviço a Deus. Assim se expressa o documento: “a comunidade cristã universal é serva do Senhor. Sua missão nasce sempre dentro da missão do seu único Senhor que é Jesus Cristo”.[2]

Em outras palavras, o Credo Social ensina a Igreja que a vida cúltica está ligada ao cumprimento da missão. Cultuar a Deus é agir para transformar a realidade da vida e transformar a vida é cultuar a Deus.

 

 Cremos que ao Senhor pertence a terra e a sua plenitude, o mundo e todos e todas que nele habitam; por isso proclamamos que o pleno desenvolvimento humano, a verdadeira segurança e ordem sociais só se alcançam na medida em que todos os recursos técnicos e econômicos e os valores institucionais estão a serviço da dignidade humana na efetiva justiça social”.[3]

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 19.

[2] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 18.

[3] IGREJA METODISTA. Credo Social. São Paulo, SP: Editora Cedro, 1999, p. 19.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 14h37
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MENSAGEM DA JOCELI

Às mulheres da Quarta Região - casadas com pastores

 

"A paisagem a toda volta, especialmente o rio, é muito boa. As quedas são lindas. Bem acima da cidade as corredeiras começam, e a medida que se aproximam das rochas as águas correm mais rapidamente e então chocam-se, e mergulham, e urram, explodindo em espuma ao achar seu caminho entre as rochas. Há uma ilha logo abaixo, que é um grande local para os que buscam prazer. Na ilha se é freqüentemente surpreendido ao contemplar a água chocando-se com as fendas das pedras, em vários pontos. Ela parece desdenhar os muitos obstáculos oferecidos...” - 24 de setembro de 1881. Evangelizar e civilizar - cartas de Martha Watts, 1881- 1908.


 

Como algumas de vocês sabem estou trabalhando no Centro Cultural Martha Watts (CCMW), lugar muito bonito e prazeroso para se trabalhar. Também estou estudando, fazendo mestrado. Portanto meus dias são corridos...

 

O encontro de esposas de pastores sempre foi para mim um momento no ano em que parava para me dedicar a mim mesma. Mesmo com todo trabalho que tínhamos, pois eu não o organizava sozinha. Ah! Como era bom, encontrar outras mulheres, muitas das quais só via uma vez por ano e estar mais perto de todas para rir, brincar, orar, cantar, estudar, compartilhar, discordar, amadurecer, fortalecer, etc.

 

Meus anos foram sempre planejados assim, mesmo antes de ir para a IV região, pois já desenvolvia este trabalho no Paraná. Depois de 10 anos com vocês, 10 anos sim, pois no ano passado eu estava no encontro, este ano sentirei saudades. Lembra da história do pequeno príncipe Cativar........., e da caderneta do encontro? Já está cheia?

 

Sei que encontramos muitas vezes pedras no caminho, ainda mais quando estamos lutando por dignidade, por solidariedade, por acreditarmos que temos valor. Sempre tem alguém tentando nos fazer voltar para onde estávamos antes.Às vezes somos nós mesmas que tentamos voltar, as vezes o lugar onde estávamos parecia ser melhor, resultava em menos confrontos. Ah! Mas depois que conhecemos o que Deus quer de nós, o que nós somos aos olhos de Deus é difícil voltar atrás. Por mais que pedras se interponham no nosso caminho.

O texto citado acima, é parte de uma carta da missionária Martha Watts (fundadora do Colégio Piracicabano) enviado aos Estados Unidos, onde ela descreve o rio Piracicaba, rio que corta a cidade. Acho muito interessante a maneira como ela descreve a água que desce o rio, ela não para e continua dizendo: "e a medida que se aproximam das rochas as águas correm mais rapidamente e então chocam-se, e mergulham, e urram, explodindo em espuma ao achar seu caminho entre as rochas."

 

Assim, nós mulheres, temos que ser quando encontramos dificuldades pelo nosso caminho, assim devem ser vocês mulheres, servas de Deus, que conquistaram seu espaço e de seus filhos/as, que sabem o valor de ser mulher. Corram rapidamente, não deixem o tempo passar, pois pode ser tarde; choquem-se, mergulhem, mas lutem, não deixem este encontro morrer, não porque foi esta ou aquela pessoa que iniciou, mais porque é um espaço seu, que você conquistou e ninguém, ninguém, tem o direito de tirar isto de você. E depois "urrem" (palavra feia de ouvir e escrever), mais no sentido em que Martha Watts escreveu, entendo que quer dizer: gritem, regozijem, vibrem,... explodindo em alegria ao achar e manter o seu caminho sobre aquilo que as querem impedir de serem mulheres cheia de graça.

 

Com todo amor e carinho

 

Joceli



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h47
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Tem dó...

Exercitar a piedade

1Tmóteo 4.7b-8

 

 

Esta recomendação do apóstolo Paulo aos seus discípulos, em especial a Timóteo, faz parte de um conjunto de orientações ministeriais dadas aos jovens seguidores e aos líderes da Igreja, sobretudo da Igreja em Éfeso. Elas são feitas num contexto de convivência, de diálogo e de discipulado, onde a vida era confrontada com os valores que a Palavra de Deus apresentava para os cristãos. Portanto, são relevantes para nós hoje.

 

Neste bloco de orientações encontra-se a que está em destaque. Normalmente entende-se piedade como dó. FERREIRA define assim a palavra: “1. Amor e respeito às coisas religiosas; religiosidade; devoção; 2. Pena de males alheios; compaixão, dó, comiseração”[1]. Este é o senso comum acerca desta palavra.

 

Já o termo grego “eusebeia”, traduzido por “piedade” e de acordo com o contexto, significa “atitude religiosa no sentido mais profundo, a reverência a Deus que advém do conhecimento Dele... conota a seriedade moral, que afeta o comportamento externo bem como a intenção interior[2].

 

O sentido bíblico da palavra vai além do sentimento de dó ou de piedade, indica uma atitude moral e ética, um comportamento transformado pelo conhecimento de Deus e pela reverência a Deus. Assim, é mais do que dó, é ação em direção aos que causam “dó” ou “piedade”. Por se tratar de uma atitude que evidência o caráter cristão, esta ação é acompanhada de um exercício de humildade e de entrega. Para STOTT, se trata de “uma mistura de temor e amor que, juntos, constituem a devoção do homem para com Deus”[3].

 

A figura utilizada pelo apóstolo para ilustrar o exercício é a dos atletas que participavam dos jogos nas grandes cidades da época, como era o caso de Éfeso. Os atletas se submetiam a um treinamento rígido para alcançar os objetivos. O exercício da piedade cristã é acompanhado de dedicação e disciplina por parte dos discípulos de Jesus.

 

FOSTER define o exercício da piedade chamando-o de meditação. Assim se expressa: “a meditação não é um ato simples, nem pode ser completada da forma como se completa a construção de uma cadeira. É um modo de vida. Você estará constantemente aprendendo e crescendo à medida que penetra as profundezas interiores”.[4]

 

Espiritualidade tem a ver com a vida integral da pessoa em sociedade. Devemos considerar que a espiritualidade acontece em meio à vida concreta e não imaginária. Ela se evidencia na vivência do Evangelho, na prática do serviço cristão, no cumprimento das responsabilidades, na luta pelo direito e pela cidadania, na evangelização, no testemunho, na vida familiar, etc. Ninguém se tornará “mais espiritual” pelo escapismo, através do intimismo ou do individualismo, mas sim pelo exercício da piedade, ou seja, das atitudes de uma vida marcada pelo amor, pela moral, pela ética, pelo respeito, pela dignidade, pela valorização da vida, pela ternura e pela responsabilidade cidadã.

 

Assim, o exercita-te na piedade tem um tom pastoral, exortativo e catequético, pois ensina aos que exercem liderança que não basta ter uma espiritualidade centrada na devoção, mas é fundamental que esta espiritualidade esteja centrada no desenvolvimento do caráter cristão que se traduz em atitudes éticas, morais, justas, dignas, solidárias, fraternas, tolerantes e honestas.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, RJ: Editora Nova Fronteira, 1986, p. 1327.

[2] KELLY, L.N.D. I e II Timóteo: introdução e comentário. São Paulo, Mundo Cristão, 1983, p.65 (Série Cultura Bíblica)

[3] STOTT, John. A Mensagem de I Timóteo e Tito. Paulo, ABU, 2004, p.117.

[4] FOSTER, Richard J. Celebração da disciplina. São Paulo, Vida, 1983, p.46.



Categoria: Tu, porém
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h34
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OS FRUTOS NO CAMINHO DOS JUSTOS

 

SALMO 1

 

 

O salmo 1 fala dos justos e dos ímpios. Justos/as, na linguagem do salmista, são aqueles e aquelas que se comprometem com o Direito e a Justiça de “Javé”. Esta expressão está presente nos profetas e entre os sábios. O salmista é um pedagogo que com suas canções e poemas ensina sobre o caminho dos justos. “Na Bíblia, ser justo é ser fiel à comunidade, é ser uma pessoa saudável, em todos os sentidos, na sociedade. Enfim, ser justo é ter e desenvolver experiências comunitárias”.[1]

 

Este salmo introduz os demais, apresentando a vida como uma luta constante na busca pela realização e pela felicidade. Em outras palavras, o salmo indica o caminho para a felicidade, caminho este que é seguido por aqueles/as que optaram por observar o Direito e a Justiça de Deus.

 

Sigamos os frutos que o salmista nos apresenta:

“Feliz o homem...” – v.1

Destaca o não ir, o não parar e o não se assentar-se em relação às práticas dos ímpios que imperavam na sociedade da época, práticas que negavam o Direito e a Justiça de Deus. A resistência, a perseverança e a convicção sobre os valores da vida são como frutos no caminho dos justos. Esta expressão do salmo 1 nos faz recordar das bem-aventuranças de Jesus (Mt 5.3-12). Faz-nos recordar do sonho dos profetas.

 

O sonho do profeta Isaías era para que através do Direito e da Justiça de Deus boas novas fossem levadas aos pobres; aflitos fossem animados; houvesse anúncio de liberdade aos cativos e consolo para que os que choram; houvesse alegria em vez de tristeza e felicidade em vez de lágrimas; que o luto se transformasse em festa e que casas fossem reconstruídas (Is 61.1-3).

 

O que é a felicidade?[2]

·         É praticar o Direito e a Justiça de Deus - Is 56.2. Sl 89.16

·         É receber a correção divina – Sl 94.12; Jô 5.17

·         É ter Deus como Senhor e se abrigar n´Ele – Sl 34.9; 144.15; 40.5

·         É ter piedade dos menos favorecidos – Pv 14.21

·         É ter força advinda de Deus para superar as lutas e as adversidades – Sl 84.5

·         É possuir sabedoria adquirida pelas experiências – Pv 32.1

 

“...Na lei de Deus...” – v.2

Este fruto sempre teve grande relevância para o povo de Deus.  A palavra de Deus é eterna e imutável. Ela revela a Deus e Seu plano de salvação. Para o salmista, o justo tem prazer em conhecer e cumprir a lei de Deus. Em outras palavras, a felicidade está em observar o Direito e a Justiça de Deus.

 

“É como árvore... que no devido tempo dá fruto...” – v.3

O salmista usa a imagem da árvore alimentada pelas correntes das águas e que no tempo devido dá fruto. O justo é frutífero, pois está sempre alimentado pelos oráculos de Deus, que invariavelmente apontam para uma vida que se rege pelo Direito e pela Justiça de Deus. Os frutos são conseqüências do caminho de retidão que é seguido. Os frutos do justo permanecem em constante testemunho para as gerações vindouras.

 

Ao lermos o salmo 1, fica o soar da poesia que descreve o que era anunciado pelos profetas de forma enfática e questionadora, ou seja, que o povo estava se esquecendo do Direito e da Justiça de Deus, e que anuncia o caminho a ser seguido por aqueles/as que querem ser justos e praticar a justiça. No caso dos metodistas, a Justiça do Reino de Deus é a primeira ordem, o primeiro princípio e a primeira missão. Isto é extremamente comprometedor. Comentando o significado da palavra justiça na Bíblia, SIQUEIRA afirma: “enquanto nós temos uma justiça baseada em códigos de leis, a Bíblia mostra a justiça fundamentada no amor, na bondade, na compaixão e na busca da integridade de vida para todos/as”.[3]

 

Por causa da Justiça, Deus levanta ainda hoje profetas e poetas para nos lembrarem dos oráculos de Deus, entre eles, este: Ai daqueles/as que atentarem contra o Direito e a Justiça de Javé!

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] SIQUEIRA, Tercio Machado. Tirando o pó das palavras – História e Teologia de palavras e expressões bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 89.

[2] SIQUEIRA, Tercio Machado. Hinos do Povo de Deus. In: Em Marcha. São Paulo, SP: Imprensa Metodista, 1990, pg 10.

[3] SIQUEIRA, Tercio Machado. Tirando o pó das palavras – História e Teologia de palavras e expressões bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 88.

 



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 19h48
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CARTA DIRIGIDA AO COLÉGIO EPISCOPAL EM 09 DE JUNHO DE 2008

 

Ao Colégio Episcopal da Igreja Metodista

 

E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo” (Ef 4.7)

 

Tenho aprendido através dos estudos que todo relato escrito ou oral é acompanhado de subjetividade. Tenho aprendido também que o historiador, ou leitor e ouvinte do relato escrito ou oral, também o faz com subjetividade. Desta forma, tudo parece ser relativo. Mas, mesmo considerando a subjetividade e a relatividade, não poderia deixar de escrever algumas linhas para, quem sabe em algum dia do futuro alguém lê-las, caso elas estejam nos anais da nossa Igreja, julgá-las com o mínimo possível de subjetividade e compreender melhor a gênese das minhas preocupações.

Preocupa-me a crise da UNIMEP no que diz respeito à presença pública e testemunho público da Igreja Metodista em Piracicaba e micro-região, diante dos encaminhamentos administrativos, embates políticos, disputas judiciais, condenações judiciais da Instituição e outros fatos, que acabam por atingir a imagem dos metodistas na cidade. Não estou entrando no mérito das decisões dos mandatários da Instituição, estou focando a face pública que está delineando e caracterizando a Igreja Metodista na cidade e micro-região. Talvez nem todos saibam, mas a UNIMEP é como uma extensão da família das pessoas que trabalham na Instituição e há um grande envolvimento de toda a cidade com os acontecimentos que envolvem a Universidade. A Universidade metodista é também uma realização da sociedade piracicabana e não apenas missão da Igreja Metodista.

Logicamente que há todo um embate político envolvendo a crise da UNIMEP, mas está evidente que não estamos conseguindo trabalhar estas questões políticas, institucionais, ideológicas, etc, sem atingir a missão metodista nas cidades ao entorno da UNIMEP e, em particular, dos metodistas que residem em Piracicaba e que têm o dever de dar um testemunho evangelizador público e transformador. Não dá para simplificar a situação apenas pelo viés político, pois o político está presente em todos os momentos da vida e em todas as instituições, mesmo nas pequenas famílias. Penso que está se formando uma “dívida moral” e que deverá ser paga pela membresia de nossas igrejas, em sua grande maioria gente trabalhadora e doadora do seu tempo, recursos e talentos para servir a Deus e cumprir com a missão metodista.

O último evento, demissão do Diretor do Colégio Piracicabano, prof. Almir Linhares, trouxe para a crise pessoas que estavam distante da mesma e que procuram o Colégio pela qualidade ou pela tradição que ele evidencia. A “comoção” que tomou conta dos pais e professores atingiu crianças e adolescentes que estudam no Colégio. As crianças não deveriam, mas já estão vivendo as tensões de uma crise que parecia distante delas e que chegou repentinamente. Este fato envolvendo o Colégio Piracicabano tende a potencializar a crise.

A Igreja Metodista está presente há mais de 120 anos na cidade de Piracicaba e região. Há uma história de vida construída. Talvez eu esteja exagerando, por causa da tal subjetividade, mas a missão dos metodistas na cidade está ficando comprometida. Sei que outras pessoas também têm este mesmo sentimento. Uma vez mais reafirmo, não estou entrando no mérito da administração da Instituição, mas o espaço para o diálogo, para o encontro, para a reconciliação e para a superação dos problemas está ficando cada vez mais distante.

Neste sentido, além de todo o trabalho já realizado pelo Conselho Diretor, Direção Geral e Pastoral Escolar e Universitária, penso ser de suma importância que o Colégio Episcopal tome outras iniciativas enquanto há tempo a fim de buscar a restauração da convivência pacífica, da comunhão e do diálogo, do resgate da dignidade das pessoas, da idoneidade da Instituição e da Igreja, da legitimação dos documentos da Igreja, da cura e reconciliação de acordo com o Evangelho de Cristo, do fortalecimento da presença pública da Igreja e do testemunho transformador na perspectiva da graça de Deus, seja na sociedade, instituição e comunidades locais. O Colégio Episcopal não pode se furtar aos desafios que se colocam diante de nós e, em obediência aos documentos que fundamentam a missão e o testemunho evangelizador da Igreja, atuar para sanar a crise enquanto ela não se avoluma.

 

Que Deus nos dê a Graça para o pastoreio e para o discernimento desta situação.

 

Piracicaba, 09 de junho de 2008

 

Josué Adam Lazier

Bispo Honorário



Categoria: Tu, porém
Escrito por Josué Adam Lazier às 10h04
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