Discipulando a Liderança - estudo 2

DISCIPULANDO A LIDERANÇA

Segunda reflexão

 

A expressão Tu, porém, aparece diversas vezes nos textos bíblicos. Algumas referências estão relacionadas com o exercício da liderança e do pastoreio:

 

a) quando Deus determina que Moisés permaneça onde está para receber todos os mandamentos, estatutos e juízos a serem ensinados ao povo para correto cumprimento (Dt 5.31);

 

b) Após Saul ser ungido para a função de rei sobre Israel, Samuel determina que ele vá a Gibeá-Eloim, aonde, inspirado pelo Espírito do Senhor, profetizaria com outros profetas (1Sm 10.8). Ali, Saul seria mudado em outro homem e, após outros sinais, desceria a Gilgal, aonde esperaria por Samuel por sete dias “até que venha ter contigo e te declare o que hás de fazer”;

 

c) Após determinar que Ezequiel volvesse o rosto contra Jerusalém, derramasse as palavras contra o santuário e profetizasse a destruição pela espada contra a terra de Israel, o Senhor determina que o profeta suspire de coração quebrantado e com amargura (Ez 21.6);

 

d) Daniel recebe a ordem para encerrar (selar) o livro sobre o tempo do fim (Dn 12.4);

 

e) Daniel recebe o apelo de seguir até o fim, sem desanimar, porque a recompensa virá (Dn 12.13); f) Jesus aconselha que a prática do dar esmolas ocorra sem estardalhaços, e assim, “ignore a tua mão esquerda o que faz a tua direita...” (Mt 6.3,6,17). Mesmo procedimento para prática da oração (v.6) e para o jejum (v.17);

 

f) O texto parece alegórico, porém, a resposta de Jesus a um dos ouvintes é clara e simples “Tu, porém, vai e prega o reino de Deus” (Lc 9.60); g) Paulo apela para que o povo de Deus assuma uma postura de fé diante do Senhor (Rm 11.20).

 

Além destes, há outros textos que enfatizam o Tu, porém, tais como quando o salmista usa a expressão para se dirigir a Deus: a) Em sua oração, Davi apela para a presença e socorro do Senhor (Sl 22.19); b) Davi clama pelo socorro e compaixão do Senhor para que vença seus inimigos contumazes (Sl 41.10); c) Dentro do saltério e do cântico de louvor a Deus, o salmista se rende a Deus em ações de graças porque  tu, porém, Senhor, és Altíssimo eternamente” (Sl 92.8); d) O autor derrama-se perante o Senhor, aflito, desfalecido, suplicante, contudo, reconhece a eternidade de Deus, cujos “anos jamais terão fim” (Sl 102.12,27).[1]

 

As duas cartas endereçadas a Timóteo são apresentadas para toda a liderança da igreja hoje, seja ela clériga ou leiga, com a expectativa de que o Espírito Santo “sopre as brasas quase apagadas” (2Tm 1.6), numa referência ao despertamento e ao reavivamento vocacional e ministerial. Timóteo ouviu essa recomendação apostólica e seu ministério foi revitalizado. Que assim seja com os diversos ministérios exercidos na Igreja de hoje.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] A pesquisa dos textos e comentários neste parágrafo foram feitos pelo pr. Jair Dias Ferraz.



Categoria: Discipulando a liderança
Escrito por Josué Adam Lazier às 19h23
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Discipulando a Liderança - estudo 1


DISCIPULANDO A LIDERANÇA
Primeira reflexão

Estamos iniciando uma série de estudos objetivando o discipulado da liderança da Igreja. Esperamos que estas reflexões contribuam para o diálogo e na convivência entre a liderança, criando laços de afetividade e de compromisso ministerial.


DEFINIÇÃO DE LIDERANÇA

“É a habilidade de reconhecer as capacidades especiais dos outros e as limitações, combinada com a capacidade de colocar cada pessoa no trabalho em que ela renderá o melhor possível”.1

“A habilidade de escolher pessoas a quem possa delegar autoridade com segurança e, em seguida, delegar mesmo, é a maior característica do verdadeiro líder”.2

“É o trabalho de despertar e conduzir o homem para Deus e para tudo o que dEle recebeu. É um trabalho de amor. É fazer com que o outro descubra o verdadeiro amor, o Deus que se encontra inserido em cada um de nós e no mundo”.3

“A Verdadeira Liderança não é alcançada pela sujeição de pessoas ao nosso serviço, mas mediante a nossa consagração ao serviço das pessoas. O Verdadeiro Líder está mais interessado no serviço que pode prestar a Deus e aos companheiros, do que nos benefícios da liderança”.4

“A Liderança é o esforço de exercer conscientemente uma influência especial dentro de um grupo no sentido de levá-lo a atingir metas de permanente benefício que atendam as necessidades reais do grupo”.5
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“O líder não nasce feito, mas se faz. Deus pode dar dons especiais a alguns, mas esses dons jamais virão à tona se eles não fizerem algum esforço para desenvolvê-los e exercitá-los”.6

“Um líder genuíno trabalha no sentido de chamar e não de pressionar”.7

“Os líderes mais fortes são aqueles que receberam uma forte afirmação de sua própria personalidade de modo libertador, não apenas para liderar uma causa, mas também para servir a outros”.8

“O verdadeiro líder espiritual está infinitamente mais interessado no serviço que ele pode prestar a Deus, e a seus companheiros, do que nos benefícios e prazeres que ele poderia extrair da vida. Seu objetivo é servir à vida, e não se aproveitar dela”.9

“De que tipo de liderança nosso mundo precisa? Uma liderança baseada na Bíblia, tendo Cristo como centro, é o único tipo que poderá desarmar o fusível da bomba relógio formada pelas pessoas revoltadas da terra. Uma liderança desse tipo terá como preocupação principal à evangelização do mundo”.10

“Os administradores querem fazer as coisas certas. Os líderes querem fazer certo as coisas”.11

“Líder é aquele que presta reconhecimento aos que o precederam”.12

“O líder põe-se diante de seus seguidores, empregados, acionistas ou membros de igreja, visualiza o potencial existente num novo empreendimento e diz: ‘vamos em frente”.13

“Nós, líderes, esquecemo-nos muitas vezes de que o verdadeiro lugar da liderança cristã é no meio da multidão, não na mesa principal”.14

“Os líderes servos têm paixão pela missão porque esta é tão primordial na vida deles que já se tornaram literalmente seus servos. Essa paixão pela missão impele o líder a recrutar e capacitar outros para que se juntem a ele na missão”.15

“O líder-servo é antes de mais nada servo... Tudo começa com o sentimento natural de que o indivíduo quer servir, servir em primeiro lugar. Depois, a escolha consciente leva a pessoa a aspirar à liderança”.16

“A vida espiritual do líder se concentra numa única e poderosa idéia – serviço... O líder espiritual é aquele que se rende a Deus para trabalhar melhor”.17

“As pessoas reagem bem a um líder que apela para o que há de melhor dentro de cada um e as motiva a realizar bons trabalhos ao servir aos outros”.18

“O principal adversário dos líderes vem dentro deles – a tentação de abusar de sua posição de liderança”.19


CARACTERÍSTICAS NEGATIVAS DE LÍDERES – Ezequiel 34.1-10

Cite as características negativas que o texto do profeta Ezequiel apresenta sobre os líderes da época:

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UM EXEMPLO A SER SEGUIDO – Josué

Observe os aspectos que são destacados na liderança que Josué exerceu junto ao povo de Deus no Antigo Testamento:

* Era discípulo/servo – Dt 34.9; Js 1.1

* Recebeu orientação específica para o ministério – Dt 31.7-8; Js 1.6-8


* Chama o povo ao compromisso – Js 3.5


* É obediente a Deus – Js 6.6


* Distribui tarefas – Js 6.7


* Dá orientação clara ao povo – Js 6.10


* Dá o exemplo – Js 6.12


* Não esquece compromissos assumidos – Js 6.22


* Intercede pelo povo – Js 7.6


* Chama o povo à responsabilidade – Js 7.13


* Exorta com amor – Js 7.19


* Fundamenta seu ministério nas palavras da Lei de Deus – 8.34-35


* Foi um servo do Senhor – Js 24.29


* Usa símbolos para animar a fé do povo – Js 3.6;  8.34


* Coloca-se como exemplo -  Js 24.15


Para concluir este primeiro estudo, reflita sobre as definições apresentadas e escolha aquela que melhor descreve a liderança que você exerce. Procure identificar entre elas aquela que representa um desafio maior para sua vida.

Josué Adam Lazier
Bispo Honorário

 

1 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 123.
2 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 123.
3 Minervino, J.R., Liderança cristã – um desafio, E. Paulinas, 1979, pg. 19.
4 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 9.
5 Haggai, John, Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990, pg 20.
6 Haggai, John, Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990, pg 24.
7 Ford, Leighton, Jesus – o maior revolucionário, VINDE, 1994, pg 38.
8 Ford, Leighton, Jesus – o maior revolucionário, VINDE, 1994, pg 38
9 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 9.
10 Haggai, John, Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990, pg 29.
11 Bennis, W. – Nanus, Burt, Líderes – Estratégias para Assumir a Verdadeira Liderança, Editora Harbra, 1988.
12 Youssef, Michael, O Estilo de Liderança de Jesus – como desenvolver as qualidades de liderança do Bom Pastor, Editora Betânia, 1987, pg. 26.
13 Youssef, Michael, O Estilo de Liderança de Jesus – como desenvolver as qualidades de liderança do Bom Pastor, Editora Betânia, 1987, pg. 35.
14 Wilkes, C. Gene, O último degrau da Liderança, Mundo Cristão, 1999, pg. 25.
15 Wilkes, C. Gene, O último degrau da Liderança, Mundo Cristão, 1999, pg. 31.
16 Robert Greenleaf, citado por Wilkes, C. Gene, O Último degrau da Liderança, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2000, pg. 251.
17 Calvin Miller, citado por Wilkes, C. Gene, O Último degrau da Liderança, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2000, pg. 254.
18 Nanua, Burt – Dobbs, Stephen M., Liderança para o terceiro setor – estratégias de sucesso para organizações sem fins lucrativos, Editora Futura, 2000, pg 34.
19 Briner, Bob – Pritchard, Ray, Lições de Liderança de Jesus, Editora United Press Ltda, 2000, pg 26.

 



Categoria: Discipulando a liderança
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h06
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A Pastoral Universitária

 

A PASTORAL METODISTA NA UNIVERSIDADE METODISTA


Anotações e Conotações

 

Introdução
Pretendo verificar nesta reflexão alguns aspectos que envolvem a Pastoral Escolar e Universitária conforme prescrevem os documentos da Igreja, sobre tudo o Regulamento aprovado pelo Colégio Episcopal em agosto de 2007. Nos anos anteriores várias alterações foram feitas neste documento, a fim de atender às demandas, ou mesmo imprecisões que os documentos anteriores geraram. A versão de 2007 é a que está vigente.

Consciência crítica
O artigo 81 dos Cânones da Igreja Metodista de 2007 afirma que “as instituições educacionais têm pastorais escolares e universitárias que atuam como consciência crítica, em todos os seus aspectos, exercendo suas funções proféticas e sacerdotais dentro e fora delas”1. O parágrafo único define ainda que o Colégio Episcopal regulamenta a estrutura, competências e funcionamento das pastorais escolares.

Esta expressão “consciência crítica” tem sido objeto de discussões e interpretações. O fato é que sendo ou não “consciência crítica”, a Pastoral tem a missão de assinalar a confessionalidade pelo viés profético e sacerdotal, sem perder a “consciência crítica”, ou sem submeter-se às consciências que não estão alinhadas com o que prescrevem os documentos da Igreja.

Participar da vida da Instituição
O Regulamento aprovado pelo Colégio Episcopal em 28 de agosto de 2007 apresenta três tarefas e quinze objetivos. Em outras palavras, a missão da Pastoral Escolar e Universitária é abrangente e deve ser exercida em todos os órgãos superiores de decisão, conforme expresso no item III do artigo 2 do referido Regulamento:

“Participar da vida da instituição em suas diferentes dimensões, especialmente na área de avaliação institucional e nos órgãos superiores de decisão, pautada pela dimensão ética do Evangelho”.

Além desta tarefa, ou seja, participar da vida da Instituição, com destaque para a avaliação institucional, encontra-se a função de participar da vida dos órgãos superiores de decisão e, entre os objetivos, encontra-se a indicação de uma ação específica junto aos órgãos colegiados de decisão:

“Participar junto com o Bispo, Conselho Diretor e a Direção Geral da instituição, na implantação das marcas da confessionalidade metodista, mantendo para isto permanente diálogo com os representantes da Igreja acima mencionados”.2

Neste sentido, as duas orientações dadas pelo Colégio Episcopal em julho passado, uma corrigindo a outra (CE-107-08 e CE-150-08), não atendem integralmente ao que é prescrito no Regulamento. Desta forma, é conveniente uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto para se definir o que de fato o Colégio Episcopal está orientando e qual documento está em vigência: o Regulamento ou a carta com a orientação? Não estou colocando questionamento, mas sim uma problemática que pode vir a se transformar num enorme conflito.

A importância da Pastoral na Instituição
É inequívoca a valorização e a importância que o Colégio Episcopal confere às Pastorais Escolares e Universitárias no sentido de se implantar a confessionalidade metodista, ou seja, atender o que está prescrito nos documentos confessionais que a Igreja mantém. Entre estes documentos estão o Credo Social, o Plano para a Vida e a Missão da Igreja e as Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista, além de outros.

Nesta linha de reflexão, caberia uma pergunta: estariam todos os segmentos indicados no Regulamento do Colégio Episcopal cientes da abrangência e da complexidade da missão das Pastorais e, mais ainda, estariam os atores destes segmentos conscientes das implicações e ações decorrentes de tais tarefas e objetivos traçados pela Igreja? Não se trata de questionamento, mas sim de provocação de uma reflexão e de um diálogo, que deve ser aberto e franco, frente aos desafios administrativos e evangelizadores em uma Instituição confessional.

As responsabilidades da Pastoral
As Pastorais Escolares e Universitárias, ao levarem em conta suas responsabilidades e em obediência atuarem atendendo a todas elas, provocarão, inevitavelmente, tensões nas relações com os segmentos e com seus atores, pois sua ação será numa perspectiva utópica, sacerdotal e profética. O educador Paulo Freire dá uma pista para a compreensão da tensão que acompanha a missão e a concepção teológica que abrange o segmento Pastoral na educação e seus atores:

“Tem que estar associada à ação cultural para a libertação através da qual os homens substituem sua concepção ingênua de Deus, como um mito alienante, por um conceito novo: Deus como uma presença na história, que não impede, de forma alguma, que o homem faça a história de sua libertação”.3

Em outras palavras, ao levarem a sério a sua missão as Pastorais criarão conflitos que, paradoxalmente, serão saudáveis e transformadores da realidade.

Devemos considerar em especial um dos objetivos traçados pelo Colégio Episcopal para as Pastorais. Trata-se do objetivo VII: “verificar se as decisões institucionais estão sendo tomadas de acordo com as orientações oficiais da Igreja e, se necessário denunciar ao Bispo da Instituição ou ao CE, práticas que não estão alinhadas com as diretrizes da Igreja Metodista para a área educacional”.4 Grande e complexa missão. Necessária e desafiadora. Instigante. Estimulante. Fiscalizadora? Não. Questionadora? Sim.

Duas palavras se ressaltam neste item: verificar e denunciar. A primeira indica o começo, o nascedouro das decisões e dos encaminhamentos dos colegiados, entre eles o Conselho Diretor. Pelo que prescreve o Regulamento, a presença da Pastoral nos órgãos superiores de decisão é fundamental para que as orientações da Igreja sejam respeitadas. Para isto, a presença e a instrumentalização da Pastoral para tal ação se fazem necessárias, inquestionavelmente. A segunda palavra indica uma situação de gravidade e que remete às autoridades da Igreja o assunto a fim de que o mesmo seja retomado conforme os documentos da Igreja.

Com estas duas ações, verificar e denunciar, o Colégio Episcopal colocou sob responsabilidade das Pastorais o acompanhamento do cumprimento das leis por parte dos colegiados e dos executivos da Instituição. Neste sentido, se misturam a consciência crítica, a ação profética e sacerdotal, com o acompanhamento sério, ético e responsável, de todas as decisões e de todos os encaminhamentos dados e tomados.

Instrumentalizar a Pastoral
As Pastorais precisar estar bem instrumentalizadas para cumprirem com suas responsabilidades, em especial a de “verificar” e “denunciar”. Estas duas questões podem vir a ser um grande problema a ser administrado pela Igreja. A mesa da CONAPEU já fez em 2007 um pedido ao Colégio Episcopal para que este tópico do Regulamento fosse revisto. Até o momento não houve nenhum encaminhamento, o que me leva a concluir que o Colégio Episcopal está referendando o referido item do Regulamento. Neste sentido, a Pastoral não precisa ser convidada a participar da reunião, por exemplo, do Conselho Diretor ou agendar a presença na reunião. A Pastoral tem que estar presente. Ponto final? A orientação do Colégio Episcopal de julho segue outra direção, o que implicará numa grande dificuldade para as Pastorais verificarem e acompanharem as decisões do colegiado superior da Instituição.

Mas uma pergunta se ressalta: os segmentos mencionados no Regulamento do Colégio Episcopal, e o próprio Colégio Episcopal, estariam preparados para tal situação envolvendo denúncia nos termos do Regulamento, se ela ocorrer? As Pastorais terão o devido respaldo “pastoral” para cumprir com esta missão? Os atores estão bem orientados sobre as implicações e os objetivos que se busca com este item do Regulamento, ou seja, verificar e denunciar?

As constantes mudanças nos regulamentos e nos encaminhamentos envolvendo as Pastorais Escolares e Universitárias evidenciam que ainda estamos no caminho do aprendizado e da busca por um relacionamento que, mesmo sendo acompanhado de conflitividade e não de acomodação, pode ser sinalizador da confessionalidade e, conseqüentemente, do Reino de Deus. O melhor caminho é o da convivência e o do diálogo.

Considerando todo o processo de escolha de pessoas que atuam em nome da Igreja nos Conselhos Diretores e nas Direções das Instituições e ainda que outros artigos canônicos já prevêem a denúncia contra membros da Igreja, se faz completamente desnecessário o estabelecimento de uma função para a Pastoral nestes termos. Se houver necessidade de denúncia, já há provimento na Lei Canônica da Igreja.

Devemos considerar também que outros segmentos, que não a Pastoral Escolar e Universitária, e até mesmo segmentos da Universidade ou da sociedade, podem apresentar às autoridades da Igreja descumprimento de responsabilidade. Caberia um estudo mais aprofundado se as questões judiciais, que estão muito em voga e atingem frontalmente as Instituições e a Igreja como um todo, podem ser consideradas “denúncias” após as decisões judiciais se efetivarem em contrário à ação dos administradores.

A Pastoral na Universidade?
Ao ler e reler as atribuições impostas às Pastorais Escolares e Universitárias eu desconfio que o Colégio Episcopal, sem se dar conta disto, afirmou que os segmentos confessionais da Instituição devem atuar tendo a Pastoral como parceira e orientadora. Vamos assumir isto? Vamos mudar os regulamentos e os encaminhamentos? Vamos mudar os atores?

Que Deus nos dê a graça para mudarmos nossas posturas de autodefesa, autofagismo, autônomos e automáticos, para agentes de transformação, mesmo que utópicos, mas com certeza profética e sacerdotal acompanhada pela esperança transformadora, como afirma Paulo Freire: “não há esperança na passividade, na acomodação, no ajustamento, e sim na dialética inquietante e paz que caracteriza o ato crítico da busca permanente”.5

Que ao encontrarmos o caminho do diálogo o respeito e a tolerância caracterizem a ação de todos os atores do trabalho educativo de nossas Instituições.

 

Bispo Honorário Josué Adam Lazier

 

1 IGREJA METODISTA. Cânones de 2008. São Paulo. SP: Editora Cedro, 2007, pg. 227
2 COLÉGIO EPISCOPAL. Regulamento das Pastorais Escolares e Universitárias. São Paulo, SP: 28 de agosto de 2007.
3 FREIRE, Paulo. Terceiro Mundo e Teologia – Carta a um Jovem Teólogo. In: TORRES, Carlos Alberto. A práxis educativa de Paulo Freire. São Paulo, SP: Edições Loyola, 1977, p. 92.
4 COLÉGIO EPISCOPAL. Regulamento das Pastorais Escolares e Universitárias. São Paulo, SP: 28 de agosto de 2007.
5 FREIRE, Paulo. Terceiro Mundo e Teologia – Carta a um Jovem Teólogo. In: TORRES, Carlos Alberto. A práxis educativa de Paulo Freire. São Paulo, SP: Edições Loyola, 1977, p. 88.



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h23
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Liderança Cristã

Estarei iniciando uma nova coluna postando textos para a reflexão e formação da liderança cristã. Acompanhe e envie seus comentários.

Bispo Josué Adam Lazier



Categoria: Discipulando a liderança
Escrito por Josué Adam Lazier às 19h00
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Uma mulher de coragem

Lídia,

a comerciante corajosa que serviu a Deus

 

O nome Lídia refere-se a uma mulher de Filipos e à  uma província ou região da Ásia Menor. A região Lídia era uma área muito fértil e além disso ficava numa das principais rotas comerciais da Ásia. Por causa desta estrada, várias cidades de Lídia ficaram famosas no mundo da época, tais como Sardes, Tiatira e Filadélfia. Observamos ainda que nestas cidades havia uma Igreja cristã. Das 7 cartas às Igrejas da Ásia Menor que o Apocalipse apresenta, estão Sardes, Tiatira e Filadélfia (2.18, 3.1 e 3.7). Hoje a região de Lídia pertence à Turquia. Vamos agora, conhecer a personagem de nome Lídia.

 

O que sabemos sobre ela? - Atos 16.13-15

 

1. Seu nome era Lídia. Natural de Tiatira, cidade de Lídia, província da Ásia Menor. Seu nome deriva da região onde nasceu. Ela era comerciante de púrpura. A púrpura era uma das tintas mais famosas e caras da época. Estas tintas eram fabricadas na cidade de Tiatira e eram facilmente comercializadas por causa da estrada comercial que facilitava o transporte. Lídia morava em Filipos e lá vendia as púrpuras.

 

2. Lídia aparece na história e é apresentada por Lucas (autor de Atos) quando Paulo decide ir à Macedônia (Província Romana). O apóstolo estava na cidade de Trôade (litoral da Ásia Menor) e teve uma visão: um homem da Macedônia pedia que fosse para lá (Atos 16.9). Imediatamente Paulo toma o primeiro navio e dirige-se para esta importante região situada na Europa (Atos 16.10-11). Chega, finalmente a Filipos, a primeira cidade da província (Atos 16.12).

 

3. A cidade de Filipos era um importante centro comercial da Macedônia. Ficava às margens da principal estrada romana, e isto tornava a cidade próspera no comércio de ouro e prata que eram bradas das minas próximas da cidade. Paulo tinha o costume de ir à sinagoga dos judeus. Em Filipos eles se reuniam num local à beira do rio. Paulo e Suas dirigem-se para lá e encontram um grupo de mulheres, entre elas, Lídia. Embora não fosse judia, era simpatizante do judaísmo e foi a primeira a aceitar o evangelho e ser batizada, como sinal do seu compromisso com o cristianismo, ou seja, o Reino de Deus.

 

O que ela fez?

 

1. Após sua conversão, convidou os missionários para se hospedarem em sua casa. Demonstrou ser uma mulher decidida e corajosa. Veja o que ela disse a Paulo; “Se haveis julgado que eu creio no Senhor, entrai e ficai em minha casa(16.5). Com isto ela dá um grande apoio a Paulo e seus companheiros e ajuda na implantação e crescimento da Igreja em Filipos.

 

2. Depois disto, Paulo e Silas foram presos. Alguns comerciantes que exploravam uma escrava adivinhadora, acusaram os dois de fazerem perturbação (Atos 16.16-24). Com esta prisão, o carcereiro se converteu e tornou-se um membro da Igreja em Filipos. Após a libertação, Paulo e Silas foram até a casa de Lídia, pois lá os primeiros cristãos filipenses se reuniam (Atos 16.40).

 

O que ela nos ensina?

 

1. Ensina que a participação da mulher é importante e decisiva para o crescimento do cristianismo. Em Filipos não havia sinagoga dos judeus, isto significava que não havia “dez homens judeus, número necessário para organizar uma sinagoga”. Mas um grupo de mulheres costumava se reunir para orar. Lídia estava entre elas e, tão logo aceitou o evangelho, tomou a iniciativa de servir aos irmãos. Ela foi a primeira mulher a aderir ao cristianismo na Europa.

 

2. Demonstra que é necessário ter coragem e determinação. Paulo e Silas foram acusados pelos comerciantes de perturbadores e isto era motivo para prejudicarem os cristãos. Lídia não teve medo de sofrer perseguições, ser prejudicada financeiramente, pois também era comerciante, e nem tampouco teve receio por sua reputação. Assumiu seu compromisso de cristã e hospedou Paulo e Silas após a prisão. Alguns estudiosos da Bíblia afirmam que Lídia era viúva ou solteira, o que demonstra ainda mais a coragem desta mulher.

 

3. A vida de Lídia demonstra que a Igreja desenvolveu-se em tempos de crise e dificuldades por causa da solidariedade e da hospitalidade. Lídia hospedou Paulo e seus companheiros desde o início do trabalho missionário em Filipos. Depois hospedou a Igreja em sua casa e ainda foi solidária com os dois missionários, recebendo-os em sua casa após a prisão. A atitude de Lídia foi decisiva para que o Reino de Deus fosse anunciado naquele lugar. Como Lídia, a Igreja de Filipos foi solidária com o apóstolo Paulo quando ele foi, anos mais tarde, preso novamente, enfrentando privações. Em Filipenses 1.3-5, Paulo destaca isto e termina dizendo: “Pela vossa cooperação a favor do evangelho desde o primeiro dia até agora”. Sem dúvida alguma está fazendo referência a Lídia também.

 

4. Lídia nos ensina que a missão da Igreja tem sido desenvolvida com equilíbrio e criatividade por causa da participação da mulher. A mulher tem sido fundamental também no exercício dos dons e ministérios. Desta forma, ao exemplo de Lídia e de muitas outras, que as mulheres da nossa Igreja hoje continuem a ter a coragem, a determinação, a fé, a esperança, os frutos do Espírito Santo e a perseverança cristã, além de outras características, para que a presente geração de novos membros aprenda com elas o caminho do serviço e da felicidade.

 

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h10
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Tenho esperança (um ano do blog)

TENHO ESPERANÇA

Hoje, 01/10, faz um ano que tenho me comunicado com amigos/as, colegas, ovelhas, leitores/as, através deste instrumento de comunicação chamado blog.

Sei que há muitas pessoas que lêem os meus textos. Utilizam em estudos e reflexão na igreja, nos cultos, ou enviam para outras pessoas lerem e refletirem. É bom saber que há leitores e leitoras espalhados/as pelos recantos que Deus criou.

Escrevi sobre o que penso. Falei sobre sentimentos. Expressei afetividade. Abri o coração. Fui crítico. Apontei caminhos. Apresentei pastorais. Refleti biblicamente e pastoralmente. Cutuquei algumas "feras".

Gostaria de deixar uma mensagem de ESPERANÇA. A esperança é um dos sinais da presença de Deus, ao lado da fé e do amor. Ela é sinal que o Reino de Deus está presente. A educação numa perspectiva libertadora leva em conta a esperança para ver a pessoa-objeto se transformar em sujeito da sua história.

Além disto, há a teologia da esperança e a pedagogia da esperança.

Não é fácil falar de esperança considerando as crises que estamos vivendo: crise de autoridade, crise de identidade, crise de confessionalidade, crise da integridade, crise da criticidade.

Mas vou me arriscar e dizer que a esperança é que nutre a nossa fé e o nosso amor. Sem esperança a fé fica utilitária e o amor fica sem calor. Parece que são coisas ensaiadas. Ao contrário disto, quando há esperança a fé é comprometedora e o amor é transformador, acolhedor e pedagogo.

Portanto, por causa da esperança, é que eu acredito no carisma dado à Igreja e nos carismas dados aos membros da Igreja. Assim, o pastorado é um ministério sacro e sagrado, cheio de significados que dão o sentido do cuidado, do estar junto, do acolhimento, do carinho, do companheirismo, da valorização.

Por causa da esperança não perdemos o verdadeiro sentido do pastoreio. Sei que vivemos uma crise neste sentido. São poucos os que pastoreiam de verdade, com a verdade e com a caridade. Não culpo ninguém por esta crise, mas pastorear é acreditar que as pessoas podem ser transformadas pela graça de Deus. É lógico que há malandros e malandras em nosso meio, é como a plantação de trigo e joio. Não dá para saber, a não ser quando os frutos aparecem e identificam o trigo e quando não aparecem ou vem dissimulado e identificam o joio. Nós não devemos julgar ninguém, mas pelos frutos os conhecereis...

Eu tenho esperança de que as coisas podem mudar e que emoções, sentimentos, pensamentos e ministérios podem ser reconstruídos. Espero, de esperança..., porque a Igreja é de Deus, e Ele é justo, sábio, onipresente e onipotente. Os profetas sabiam disto e diziam "ai daquele...".

Mas eu quero falar de esperança. Esperança de que o Espírito de Deus não esteja entristecido e continue a se mover e a nos mover para a plena realização do Reino de Deus e da sua Justiça. Esperança de que a semente plantada, regada, cuidada, continue a crescer e dar frutos para a glória de Deus.

Pois só assim as crises serão positivas e revelarão quem de fato tem a força do Evangelho para superá-las e a dignidade para reconhecer as limitações pessoais e ministeriais.

Alguém vai dizer que estou virando um sonhador utópico. "Pode ser", assumo a minha utopia. A minha utopia é a do Reino de Deus, ela é realizável. Não de forma mágica ou como um "maná" que cai do céu. Mas com trabalho, transformação, libertação, coragem, verdade, transparência, honestidade, dignidade, fraternidade, solidariedade, ecumenicidade, unidade, coisas que parece terem sumido com as crises, mas que continuam imersas em muitos fiéis e remanescentes.

Eu tenho esperança na Igreja Metodista, na Faculdade de Teologia, na Universidade Metodista de Piracicaba, na Catedral Metodista de Piracicaba, lugares onde me encontro e onde me expresso, exercendo as minhas funções e sendo mais um metodista. Eu tenho muita esperança em alguns ministérios da Igreja...

Continue comigo, lendo, refletindo e contribuindo.

 

Graça e Paz!

 

Bispo honorário Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 13h55
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