Febe, uma mulher na liderança

Febe, uma mulher que se destacou na liderança da Igreja Primitiva

 

 

Quem era Febe?

 

Romanos 16.1

1.     Era uma mulher convertida que morava em Cencréia, cidade de Corinto. Cencréia era um dos portos da cidade de Corinto, o outro se chamava Lequeu. Ficavam distantes 6 km um do outro. Era comum os navios chegarem até um dos portos e suas mercadorias serem carregadas para o outro porto. Isto acontecia porque a travessia em torno do Continente era muito perigosa e demorava muito tempo. O mar naquele lugar era cheio de pedras e sujeito a muitas ventanias. Havia muitos trabalhadores nos dois portos. Eram carregadores de cargas, escravos que puxavam os navios, pequenos comerciantes e artesãos que vendiam seus produtos para os viajantes etc.

 

2. O texto diz que em Cencréia havia uma igreja. Ela era formada por estes trabalhadores e escravos que viviam e dependiam do porto. Eram, na verdade, pessoas que trabalhavam, mas viviam na pobreza, pois eram mal pagas. É bom sabermos que grande parte da população de Corinto era formada pelas classes baixas e pobres. A grande maioria dos cristãos era formada por pessoas oriundas destas classes baixas. Havia os ricos, mas eram minoria. Veja isto em I Coríntios 1.26-29.

 

3. A nossa tradução da Bíblia diz que Febe era uma diaconisa. Na tradução correta o texto diz: “Febe, que é diácono da Igreja em Cencréia”. O que Paulo está dizendo é que Febe ocupava a posição de diácono e não somente a função. Aqui há uma diferença entre fazer e ser. Paulo quer mostrar que Febe era diaconisa junto aos demais diáconos daquela congregação. Portanto, ela era uma líder reconhecida pela comunidade cristã em Cencréia.

 

4. Além disto ela foi portadora da carta que Paulo escreveu aos romanos, durante uma estada sua em Corinto. Febe participou ativamente do crescimento da Igreja.

 

O que aprendemos com ela?

1. Primeiro, que a Igreja, apesar de chegar aos grandes centros da época, continuava atingindo as classes sociais mais pobres, formadas por trabalhadores pescadores, pequenos com artesãos. Esta era a situação dos membros da Igreja de Corinto. A mensagem pregada por Paulo identificava-se com os anseios e necessidades destas classes pobres.

 

2.     Em segundo lugar, que a mulher tinha uma participação ativa na liderança. Alguns vêem em Paulo um apóstolo contra as mulheres. Esta é uma interpretação que está errada. Paulo defende a participação da mulher na Igreja. Um exemplo disto é a recomendação de Febe. Em outras palavras, o que estava dizendo sobre Febe era: “Olha, aqui quem vai não é apenas uma mulher, mas sim uma irmã que ocupa a posição de liderança, pois é reconhecida como diaconisa”.

 

O que nos desafia hoje?

Valorizar e reconhecer o trabalho da mulher;

Denunciar a violência provocada contra as mulheres;

Combater a discriminação e marginalização da mulher;

Promover igualdade nos direitos entre homens e mulheres e não apenas nos deveres.

 

 

 

 

Bispo Josué Adam lazier

 



Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 12h39
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Discipulando a Liderança - estudo 3

 

 

Exercitar a piedade

1Timóteo 4.7b-8

 


Esta recomendação do apóstolo Paulo aos seus discípulos, em especial a Timóteo, faz parte de um conjunto de orientações ministeriais dadas aos jovens seguidores e aos líderes da Igreja, sobretudo da Igreja em Éfeso. Elas são feitas num contexto de convivência, de diálogo e de discipulado, onde a vida era confrontada com os valores que a Palavra de Deus apresentava para os cristãos. Portanto, são relevantes para nós hoje.

 

Neste bloco de orientações encontra-se a que está em destaque. Normalmente entende-se piedade como dó. FERREIRA define assim a palavra: “1. Amor e respeito às coisas religiosas; religiosidade; devoção; 2. Pena de males alheios; compaixão, dó, comiseração”[1]. Este é o senso comum acerca desta palavra.

 

Já o termo grego “eusebeia”, traduzido por “piedade” e de acordo com o contexto, significa “atitude religiosa no sentido mais profundo, a reverência a Deus que advém do conhecimento Dele... conota a seriedade moral, que afeta o comportamento externo bem como a intenção interior[2].

 

O sentido bíblico da palavra vai além do sentimento de dó ou de piedade, indica uma atitude moral e ética, um comportamento transformado pelo conhecimento de Deus e pela reverência a Deus. Assim, é mais do que dó, é ação em direção aos que causam “dó” ou “piedade”. Por se tratar de uma atitude que evidência o caráter cristão, esta ação é acompanhada de um exercício de humildade e de entrega. Para STOTT, se trata de “uma mistura de temor e amor que, juntos, constituem a devoção do homem para com Deus”[3].

 

A figura utilizada pelo apóstolo para ilustrar o exercício é a dos atletas que participavam dos jogos nas grandes cidades da época, como era o caso de Éfeso. Os atletas se submetiam a um treinamento rígido para alcançar os objetivos. O exercício da piedade cristã é acompanhado de dedicação e disciplina por parte dos discípulos de Jesus.

 

FOSTER define o exercício da piedade chamando-o de meditação. Assim se expressa: “a meditação não é um ato simples, nem pode ser completada da forma como se completa a construção de uma cadeira. É um modo de vida. Você estará constantemente aprendendo e crescendo à medida que penetra as profundezas interiores”.[4]

 

Espiritualidade tem a ver com a vida integral da pessoa em sociedade. Devemos considerar que a espiritualidade acontece em meio à vida concreta e não imaginária. Ela se evidencia na vivência do Evangelho, na prática do serviço cristão, no cumprimento das responsabilidades, na luta pelo direito e pela cidadania, na evangelização, no testemunho, na vida familiar, etc. Ninguém se tornará “mais espiritual” pelo escapismo, através do intimismo ou do individualismo, mas sim pelo exercício da piedade, ou seja, das atitudes de uma vida marcada pelo amor, pela moral, pela ética, pelo respeito, pela dignidade, pela valorização da vida, pela ternura e pela responsabilidade cidadã.

 

Assim, o exercita-te na piedade tem um tom pastoral, exortativo e catequético, pois ensina aos que exercem liderança que não basta ter uma espiritualidade centrada na devoção, mas é fundamental que esta espiritualidade esteja centrada no desenvolvimento do caráter cristão que se traduz em atitudes éticas, morais, justas, dignas, solidárias, fraternas, tolerantes e honestas.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, RJ: Editora Nova Fronteira, 1986, p. 1327.

[2] KELLY, L.N.D. I e II Timóteo: introdução e comentário. São Paulo, Mundo Cristão, 1983, p.65 (Série Cultura Bíblica)

[3] STOTT, John. A Mensagem de I Timóteo e Tito. Paulo, ABU, 2004, p.117.

[4] FOSTER, Richard J. Celebração da disciplina. São Paulo, Vida, 1983, p.46.

 

 



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h27
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É tempo de consertar as redes

 

É TEMPO DE CONSERTAR AS REDES

Mateus 4.18-22


Introdução

O texto indicado é emblemático para este momento de acolhimento e posse da nova reitoria da UNIMEP. Ele é celebrativo também, pois não é por acaso que na data de hoje (09/02) celebramos o DIA DA EDUCAÇÃO METODISTA NA AMÉRICA LATINA, presente em terras latino americanas desde 1874 para forjar uma sociedade que contemplasse a paz, a justiça, a solidariedade, a dignidade, a ecumenicidade, enfim, a vida em sua plenitude. Já são 135 anos de educação como missão e como sinalização da presença do Reino de Deus num contexto de opressão, de pobreza, mas também de resistência e de busca pela justiça e pela promoção da vida digna. Nestes 135 anos a concepção de educação na perspectiva metodista foi se ampliando de acordo com as transformações que a própria Igreja experimentava no contexto sul americano. A educação sempre foi concebida como missão e sinalização do Reino de Deus.

Voltando ao texto, o pescador ao retornar da pesca conserta as redes para o próximo dia de pescaria. É comum este trabalho e exige disposição e cuidado para que a rede esteja pronta para cumprir com sua função. Segundo o texto, enquanto os pescadores realizavam esta tarefa, Jesus se aproxima e convoca-os para o trabalho de ir ao encontro de outros cardumes, no caso multidões de pessoas aflitas, machucadas, oprimidas pelo contexto em que viviam. É missão dos pescadores atenderem as necessidades das multidões, oferecendo o cuidado, a cura, a libertação e o ensino acerca dos valores do Evangelho.

Significado da palavra grega katartizo

A palavra grega traduzida pela expressão consertar, katartizo, significa literalmente e no seu sentido primitivo restaurar, por no lugar certo, colocar na condição ideal, completar. Seu sentido primitivo era consertar ossos quebrados. Portanto, uma palavra revestida de muito significado para o contexto em que nos encontramos. Ela aparece em outros textos do Novo Testamento e é traduzida por aperfeiçoamento (Ef 4.11-13), equipando ou instruindo (Rm 9.22), e reparando as deficiências da fé (I Ts 3.10).

Vamos enfatizar o sentido de restauração, ou seja, o ato de consertar as redes para a pesca, pois é neste ambiente que os primeiros discípulos são chamados. Relendo o texto bíblico Faço uma leitura deste texto e contextualizo-o ao ambiente onde estamos vivenciando crise e busca pela superação, apontando alguns aspectos que reclamam esta restauração tendo a rede do pescador como ilustração e considerando que a Igreja Metodista, mantenedora da Universidade Metodista de Piracicaba, tem como instrumento de missão a educação.

1. Autenticidade

A educação confessional preconizada pela Igreja Metodista tem a sua conceituação e seus referenciais que devem legitimar as ações educativas. A autenticidade desta educação começa pela mantenedora da Instituição, pois ela tem identidade e ênfases confessionais inegociáveis. Não dá para cumprir a missão educativa buscando modelos antagônicos aos preconizados nos documentos teológicos e educacionais da Igreja e os documentos gerados pela própria Universidade em consonância com os documentos da Igreja.

Há que se indicar também a autenticidade por parte dos que administram a educação. A educação confessional é reconhecida e percebida pelo diferencial que apresenta. Jesus motivou os pescadores a serem discípulos num contexto de lutas e opressão, apresentando-lhes o sonho do Reino de Deus, onde todos estão incluídos, onde há justiça, solidariedade, fraternidade e paz. O Reino de Deus é o eixo em torno do qual se configura a educação metodista.

2. Confiabilidade

Num ambiente educacional a dúvida, o diálogo, o debate, o questionamento, a busca pelo saber, são bem-vindos; as tensões, as crises e as dificuldades são pedagógicas, mas elas exigem dos diversos atores envolvidos a confiabilidade. A superação das crises e dos desencontros só é possível quando há confiabilidade.

Sem confiabilidade não há negociação, não há diálogo, não há renúncia, não há educação confessional. Uma educação confessional requer dos seus atores uma postura que inspire confiabilidade, pois as ações pedagógicas e a construção da pessoa, da sociedade e do saber, é coletiva. A rede do pescador para ser forte tem que ser muito bem tecida, assim também no ambiente acadêmico, universitário ou escolar, para que as dúvidas, as diferenças, os questionamentos sejam promotores do saber e do bem fazer.

3. Humanidade

Jesus ao chamar os pescadores deu-lhes a incumbência de cuidar das necessidades da multidão. Em outras palavras, focar as pessoas e valorizá-las era a sua missão. Ao invés de consertar as redes eles iriam atuar na sociedade para restaurar a vida, a dignidade da vida e a justiça. Eles tinham um referencial que era o Reino de Deus e a sua justiça, portanto valores que promoviam a vida como dom de Deus.

O desafio que se coloca para uma instituição de ensino confessional é a humanização de seus procedimentos, de seus encaminhamentos, de suas ações, mesmo quando for necessário dispensar o trabalho de pessoas. A educação preconizada pela Igreja Metodista na América Latina é humanizadora e não produto a ser negociado ou vendido a preço de mercado. Não há dinheiro que pague uma educacional confessional séria e libertadora como o é a educação preconizada nos documentos Igreja Metodista. Esta rede requer restauração.

As pessoas que ingressam na Universidade o fazem como alunas e devem sair como agentes de transformação da sociedade buscando o desenvolvimento de uma cultura de paz e de humanização. O exemplo é a maior ação pedagógica e ele começa com os que fazem a gestão educacional e com os que tomam as decisões.

Buscando concluir

Vejo no chamado dos pescadores que consertavam as redes estes desafios, que estão também entre os desafios que o prof. Clóvis recebe ao ser chamado para a Direção do IEP e Reitoria da UNIMEP. Vinde após mim, disse Jesus. Todos nós somos desafiados a participar desta missão educacional. Ela tem a confessionalidade metodista, mas abarca as diferenças e congrega a diversidade. Todos são importantes, você professor, professora, funcionário, funcionária, aluno, aluna, é importante levando-se em conta que temos a missão de construir uma sociedade mais justa. Portanto, é tempo de consertar as redes.

Vinde após mim, disse Jesus.


Bispo Josué Adam Lazier

Pastoral Escolar e Universitária do IEP/UIMEP

Palavra Pastoral apresentado no Ato Celebrativo de Posse da Nova Reitoria da UNIMEP

 



Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 10h44
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