A família está sempre na ordem do dia

 

 

A FAMÍLIA CONSANGUÍNEA E

A FAMÍLIA DA CONVIVÊNCIA

 

 

Se o Senhor não edificar a casa em vão trabalham os que a edificam

Salmo 127.1

 

 

Deus instituiu a família

O Salmo 127.1 nos faz lembrar que Deus instituiu a família. As religiões costumam reconhecer a importância da família e dão valores diferenciados de acordo com a concepção de cada uma. No entanto, todas registram o cuidado que devemos ter para com nossa família.

 

O Salmo também nos faz lembrar que Deus escolheu várias outras famílias a fim de revelar para outras famílias o Seu amor e Sua graça. Queremos destacar a família consangüínea, ou seja, a nossa família: pai, mãe, tios, sobrinhos, avós, irmãos e outros e a família da convivência onde as pessoas convivem em função do trabalho.

 

Família consangüínea

Ao criar a família consangüínea Deus estava providenciando as condições para que o homem e a mulher não estivessem sozinhos. Ao vínculo entre o homem e a mulher Deus estava estabelecendo a comunhão. O Antigo e o Novo Testamento começam e terminam falando da família e testificam

 

a respeito da importância da família na vida das pessoas e da sociedade. Seu papel vai além da função meramente procriadora, sendo uma comunidade de apoio mútuo, amor, comunhão, formação e serviço, atingindo assim funções educadoras, socializadoras e integradoras das pessoas na sociedade”.[1]

 

Deus criou a família para a realização, felicidade e companheirismo. É na família que a pessoa encontra o apoio, a ajuda, a solidariedade, a compreensão e a comunhão.

 

Família da convivência

Mas a família da convivência também é uma oportunidade que a vida nos oferece. Nela podemos desenvolver o companheirismo, exercício que precisa ser praticado em todos os dias. Companheirismo é dividir os problemas e saber entender as angústias e as lutas dos outros. Companheirismo pode acontecer no dia a dia dos membros da família da convivência, nas tarefas, nos afazeres, nas responsabilidades que cada um tem etc. Assim Jesus se expressa para com seus seguidores: “E, estendendo a mão para os discípulos, disse: eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12.49-50).

 

Assim, os membros da família consangüínea são companheiros de oração, de sonhos e esperanças, de jugo, de vocação, de comprometimento com o Evangelho de Jesus Cristo, de cuidado uns com os outros, de zelo pelos valores da família, etc. São companheiros no enfrentamento das lutas e dificuldades da vida e na realização dos ideais de cada um. Mas os membros da família da convivência também o são.

 

Comunidade de graça

A família deve ser vista como um meio de graça na vida das pessoas, na qual Deus manifesta o seu amor, a sua presença, a sua benção e a sua glória. Em outras palavras, a família é uma comunidade da Graça de Deus. Comunidade quer dizer qualidade ou estado do que é comum; comunhão de interesses; concordância; convergência. Neste sentido, a família é uma comunidade onde sonhos, ideais, necessidades, experiências, propósitos, projetos, esperanças, desejos, convergem entre si sob a ótica e a benção da Graça de Deus. Graça quer dizer gratuidade do amor de Deus e da vivência da Sua presença em nossas vidas.

 

Ao refletir sobre a família convidamos todos/as a dedicarem um tempo de reflexão e de oração pelos membros da família consanguínea e pelos da família da convivência, a fim de que os laços de relacionamento sejam fortalecidos e que as dificuldades que surgirem na vida sejam superadas pelo apoio e participação de todos/as.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] Colégio Episcopal da Igreja Metodista, Pastoral da Família, São Paulo, Imprensa Metodista, 1979, pg. 11.

 

 



Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h16
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Para sonhar os sonhos de Deus

 

 

PARA SONHAR A PARTIR DO CONHECIMENTO DE DEUS

Salmo 37.3-5

 

 

Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado. Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.

 

 

 

 

 

 

 


INTRODUÇÃO

O Salmo 37, atribuído ao rei Davi, fala da felicidade do justo. Justo na linguagem bíblica é o que cumpre o direito e a justiça de Deus. Portanto, o justo vive e promove a justiça do Reino de Deus.

 

A felicidade do justo está relacionada à realização de seus sonhos. Devemos lembrar que são os sonhos que passam pelo crivo do direito e da justiça de Deus.

 

De forma poética, o salmista fala do sonho usando a expressão “desejos do coração”. No passado os escritores bíblicos recorreram a figura do coração para indicar o centro e a fonte da vida, por isso era necessário “guardar o coração”, conforme as palavras de Provérbios 4.23.

 

DEFINIÇAO DE SONHO

Sonhos são as “imagens que se formam na tela de nossa mente, colocando diante de nós certas metas a serem alcançadas, e infundindo-nos forte desejo de atingi-las” ou um ideal elevado e santo, uma aspiração em direção a uma meta, uma idéia inspiradora ou um plano que gostaríamos de ver realizado, uma causa pela qual lutamos, uma chama para certa obra ou lugar, ou uma visão do serviço que gostaríamos de realizar”. [i]    

 

Deus fala com seu povo através de sonhos. Na verdade Deus prepara Seu povo para fazer Sua vontade através dos sonhos e desejos. O apóstolo Paulo descobriu esta verdade e afirmou isto escrevendo em Filipenses 2.13: “porque Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Através dos sonhos Deus quer desenvolver nossa individualidade e capacidade para a realização de Seus propósitos para nossa vida.[ii]  

 

Deve ficar claro de que porque se sonha os sonhos de Deus não significa que tudo irá bem.  A pessoa pode muito bem estragar estes sonhos com o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a imaturidade, a falta de sensibilidade para com as questões da vida ou a falta de uma espiritualidade que leve em conta os outros.  Deus, ao longo dos dias, irá amadurecer o “sonhador” e o sonho, afim de que eles cumpram o seu objetivo. Deus quer que sonhemos não como sonhadores utópicos ou poéticos, tampouco como triunfalistas e sim como sonhadores engajados na vida, na perspectiva do direito e da justiça do Reino de Deus.

 

ONDE OS SONHOS NASCEM

Muitos imaginam que sonhar os sonhos de Deus exige perfeição e plena maturidade.  Nada disto.  Sonhar os sonhos de Deus significa estar comprometido com a vida e com seus mais altos valores. Significa observar os sinais que Deus dá através da vida sobre o caminho que devemos seguir. Para sonhar os sonhos de Deus há que ter coragem para enfrentar o contraditório, as adversidades e enfrentamento de realidades adversas.

 

 

PARA REFLETIR

O verdadeiro sonhador é aquele cujos sonhos promovem o bem estar dos outros e produz coisas novas para a comunidade. Às vezes o ato de sonhar nos faz sermos solitários, mas não podemos nos entregar à solidão, pois ela é uma negação dos nossos sonhos, pois nos desejos divinos sempre tem lugar para o outro, mesmo que ele seja diferente de nós, mas que pode se juntar ao nosso sonho e permitir nos inserirmos nos sonhos dele.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Pastoral Universitária da UNIMEP

 



[i] Seamands, David, Realize seus Sonhos, São Paulo, Editora Betânia, pg. 16.

[ii] Seamands, David, Realize seus Sonhos, São Paulo, Editora Betânia, pg. 18.

 

 

 



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h13
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Estamos construindo ou descontruindo

Estamos construindo ou desconstruindo?

 

Na parábola que o texto de Mateus 7.21-27 registra Jesus fala de dois tipos de construção: sobre a areia e sobre a rocha.

 

Aborda sobre os que constroem sobre a areia quando declara no v. 21: “Nem todo que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus”. Jesus deixa claro aos discípulos que ouvir e não compreender, ou compreender e não fazer é o mesmo que construir a vida sobre a areia.

 

Refere-se aos que constroem sobre a rocha quando declara no v. 21: “aquele que faz a vontade de meu Pai”. Jesus fala dos discípulos que ouvem, compreendem e fazem a vontade de Deus e compara-os ao homem que constrói sobre a rocha. Fazer a vontade de Deus, segundo o que registra o Sermão da Montanha (Mt 5-7) é ter o Reino de Deus como eixo de vida e a justiça como primeira prática.

 

I - Quando podemos saber que estamos construindo sobre a areia?

1.     Quando fundamentamos nossa vida em credos pessoais e idéias próprias sobre Deus sem levar em conta o que as outras pessoas que vivem conosco pensam, acreditam e sentem.  

 

2.     Quando nos achamos bons suficientes para querer barganhar com Deus achando que Ele tem que fazer aquilo que queremos, pois somos bons e não cometemos pecados terríveis.

 

3.     Quando participamos da Santa Ceia ou Eucaristia sem nos examinarmos a nós mesmos e sem fazer os acertos que são necessários, como por exemplo, perdoar e pedir perdão, praticar a solidariedade e a fraternidade e ser apoio para os que precisam.

 

4.     Quando vivenciamos uma espiritualidade estática, intimista e individualizada, sem considerar aspectos como tolerância, solidariedade, justiça e paz.

 

II - Quando podemos saber que estamos construindo sobre a rocha?

1.     Quando nossa justiça, ou seja, o cumprimento da vontade de Deus excede a dos escribas e fariseus - era uma justiça legalista e farisaica, pois fazia acepção de pessoas e seguia alguns princípios do evangelho em detrimento de outros.

 

2.     Quando amamos a Deus de todo o coração, mente e alma e praticamos este amor para com o próximo em forma de caridade, como, pois como podemos amar a Deus a quem não vemos se não amamos a nosso próximo a quem vemos? Caridade é benevolência, bondade, compaixão e beneficência. O Reino de Deus é um reino de amor, amor de fraternidade, amor de misericórdia, amor de perdão e amor de esperança.

 

3.     Quando nos conhecemos a nós mesmos, nossas imperfeições, fraquezas e procuramos, a partir da experiência religiosa e do nosso conhecimento, vivermos uma vida transformada pela mensagem universal e integradora da Cruz de Cristo.

 

4.     Quando somos tentados a cometermos injustiças, mas resistimos a tal tentação na certeza de que cairemos mais por vontade própria do que pela vontade de outros. 

 

Com esta parábola Jesus encerra seu sermão intitulado de Sermão do Monte. Havia uma clara distinção entre ouvir, ouvir e fazer, fazer. Jesus quer que seus discípulos sejam movidos pelo amor a Deus e às pessoas, e não pelo amor à lei, como fariseus e escribas. Para estes a lei vinha antes das pessoas, para os discípulos as pessoas antes da lei. Em outras palavras, construir sobre a areia é desconstruir a vida.

 

Bispo Josué Adam Lazier



Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h11
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