Reflexões com Josué Adam Lazier


É TEMPO DE QUARESMA - SOBRE A EDUCAÇÃO METODISTA

PENSAMENTOS  SOBRE A EDUCAÇÃO DE ACORDO

COM A LEITURA DO TEXTO DE TITO 2.7-8

 

 

Iniciando os pensamentos

O texto de Tito 2.7-8 é emblemático. Ele está num bloco de recomendações ministeriais feitas para as pessoas com responsabilidades educativas da Igreja. Este bloco de recomendações se constitui num conjunto didático em forma de um catálogo de virtudes. Podemos chamá-lo de “catálogo de virtudes dos educadores”.

 

Modelo de ensino

A ação educativa dever ser exercida de forma a ser modelo, sobretudo para os mais jovens. Trata-se de uma orientação para todos, pois o “estar apto para ensinar é uma qualidade que todos os homens e mulheres podem desenvolver, para atingirem a maturidade cristã”.[1] Para assinalar a importância da educação algumas qualidades são relacionadas à mesma: integridade, reverência, linguagem sadia, ser irrepreensível e confrontar Os ensinamentos que promovem injustiças.

 

Vamos refletir sobre a primeira característica do educador arrolado no texto indicado. Integridade quer dizer ausência de qualquer interesse outro que não a edificação na vida. Integridade vem do latim integritate e significa qualidade de íntegro; inteireza; retidão; pureza; etc.[2] Já o termo íntegro significa inteiro; completo; perfeito; reto; imparcial; brioso; etc.[3]

 

Normalmente nos fixamos no sentido de retidão e pureza, mas o termo é mais abrangente. Ele inclui o sentido de brio, força, coragem. Devemos considerar que educar transmitindo conhecimento é tarefa fácil, mas educar transmitindo vida com o exemplo e com as práticas se constitui numa tarefa mais árdua. No caso de Tito, cuja recomendação serve para nós, ele deveria “combinar uma motivação pura com uma exposição sadia e com um comportamento sério”.[4] A Igreja Primitiva desenvolvia esta perspectiva de educação, ou seja, transformadora, capacitadora e libertadora.

 

A Igreja Metodista toma para si esta perspectiva de educação. E ao fazer isto, precisa focar a juventude que é o alvo dos movimentos de fantasias que atraem os jovens. Tanto na igreja como na escola este desafio se coloca, pois temos como fundamento a tradição bíblica e uma herança que promove uma educação que prepara para a vida.

 

A educação desenvolvida pelas escolas seculares mantidas pela Igreja Metodista está presente na América Latina há 135 anos. Nestes anos a educação foi sendo forjada e desenvolvida de forma a apresentar desafios para a geração de hoje.

 

Para continuar a reflexão

As outras características destacadas nos texto indicam o zelo, a seriedade, o compromisso, a preparação e o cuidado com a vida. Indica ainda que o educador deva dar atenção para não ensinar uma coisa que não vivência em suas ações e comportamento.

 

A educação é mais do que simplesmente transmitir conhecimentos, é formar cidadãos transformados com o compromisso de atuarem na sociedade como agentes de transformação. Para isto, o texto bíblico nos desafia a sermos íntegros, briosos, fortes e corajosos para atuarmos como educadores numa perspectiva libertadora.

 

Josué Adam Lazier

 

Oração do Educador

(Palavras de Paulo Freire, A Pedagogia da Autonomia)

 

Senhor!“Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo. Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê. Não posso ser professor a favor simplesmente do Homem ou da Humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa. Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda”. Amém.

 

 (Paulo Freire, A Pedagogia da Autonomia)

 

 



[1] Getz, Gene A., A Estatura de um Homem (Espiritual), São Paulo, Editora Vida, 1988, pg. 64.

[2] Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Aurélio – Século XXI, Editora Nova Fronteira, 1999, pg. 1121.

[3] Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Aurélio – Século XXI, Editora Nova Fronteira, 1999, pg. 1121.

[4] Stott, John, A Menagem de I Timóteo e Tito, São Paulo, ABU, 2004, pg. 196.



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h19
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É TEMPO DE ORAÇÃO SOLIDÁRIA

É TEMPO DE QUARESMA

A EFICÁCIA DA ORAÇÃO

Lucas 11.9-13

 

 

Lucas usou uma fonte primitiva que conservou estas palavras de Jesus e colocou-as num contexto onde demonstra preocupação com a espiritualidade.  Ele inclui o presente texto junto ao diálogo de Jesus com Marta e Maria, à oração do Pai Nosso e à parábola do amigo insistente. Há que se levar em conta também o paralelo em Mateus 7.7-11, pois este evangelista colocou estas palavras de Jesus num contexto onde está registrada a preocupação com os outros. A eficácia da oração está na preocupação com o bem estar dos outros, na concepção de Mateus.

 

Lucas usa 3 pequenas ilustrações para alimentar a espiritualidade dos discípulos de Jesus. São ilustrações tiradas do dia a dia, pois qual é o pai que, se o filho pedir pão, lhe dará uma pedra?  Ou se o filho lhe pedir peixe lhe dará uma cobra?  Quanto mais Deus, o Pai Celestial que ouvirá as orações quando elas são motivadas para a sinalização do Reino de Deus, sua justiça e esperança.

 

O grande apelo para a vivência de uma espiritualidade solidária e fraterna, não individualista e intimista, é o outro. Sobretudo aqueles que hoje vivem sem esperança, sem alegria, sem pão, sem casa, sem educação e sem as condições mínimas de sobrevivência.

 

Lucas apresenta o Espírito Santo como o que alimenta a vocação do povo de Deus, que fortalece a espiritualidade dos discípulos de Jesus e que impulsiona a Igreja a plantar esperança e sinalizar a presença do Reino de Deus e sua justiça. A eficácia da oração dos cristãos está na preocupação com as necessidades das multidões que vivem sem eira e nem beira, que vivem como ovelhas desgarradas e sem pastor e vivem a mercê dos caprichos daqueles que dominam os mecanismos de divisão de renda.

 

Neste sentido, a oração é ação em prol dos que reclamam atos de solidariedade, fraternidade e tolerância.

 

Senhor, desejamos orar sempre, mas também queremos agir em favor das pessoas que precisam de apoio e de solidariedade. Ajuda-nos a sermos sensíveis às necessidades dos outros. Amém.

 

 


Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h08
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Tempo de Quaresma

TEMPO DE QUARESMA

 

 

O que significa o tempo de quaresma? Embora esteja incluída no calendário cristão, tornou-se um apenas um destaque religioso em cultos, missas e celebrações. Parece que o povo já não entra mais em “tempo de quaresma”.

 

1.Quaresma é tempo de luto e reflexão sobre a vida. Tempo de luto porque os sinais de morte na sociedade  são evidentes. Não só neste período, mas o tempo religioso chama os cristãos a considerarem a fragilidade da vida e, consequentemente, a incapacidade do homem e da mulher viverem sem guerras, sem violências, sem agressões, sem desrespeito, sem injustiças, sem mentiras, sem roubos, sem arroubos de egocentricidade. No ato de enlutar-se está a reflexão e a ponderação acerca da precariedade da vida e a busca pela reconstrução de uma vivência salutar e agregadora de valores para todos.

2.Quaresma é tempo de esperança. O luto, o choro, o ato de arrependimento que marcam o período da quaresma são geradores da vida. Figuradamente, as lágrimas da dor e da morte regam a terra da esperança, cujas sementes germinam e brotam a fé, a caridade, a dignidade e recriam a vida, dom de Deus. A vida é assim: crise e esperança; luta e superação; morte e ressurreição, pois ainda há esperança e isto os poderosos não podem combater.

 

3.Quaresma é tempo de resistência. Numa sociedade cheia de contradições e de valores que agridem a dignidade humana, a resistência é palavra de ordem para a sobrevivência da humanidade. Ela faz brotar a solidariedade, a fraternidade, a tolerância e a paz. Ela faz a vida ter sentido e a luta a ter valor.

 

4.Quaresma é tempo de caridade. Já nem falo do amor para não correr o risco de banalizá-lo ainda mais, mas falo da caridade. Se não é possível amar conforme o mandamento de Deus, que pelo menos a caridade seja praticada para com os pobres, os diferentes, os opositores, os mais fracos, os marginalizados e os adoecidos. A caridade nos aproxima de Deus e nos humaniza.

 

5.Quaresma é tempo de preparação. Sim. Tempo de preparação para a ressurreição. Quem se arrepender de seus erros e pecados e evidenciar este arrependimento através de atos, experimentará a ressurreição, segundo as palavras do Cristo.

 

Portanto, o tempo de quaresma nos convida à reflexão, ao arrependimento, à resistência em favor da vida, à caridade e à esperança da ressurreição.

 

Boa quaresma.

 

Josué Adam Lazier

 

 

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h47
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