Reflexões com Josué Adam Lazier

Educação Cristã


 
 

Repercutindo a Escola Dominical

Escola Dominical – jardim ou lavoura?

 

Esta pergunta aparentemente ingênua nos remete a uma reflexão mais abrangente sobre a educação levada a efeito no espaço dedicado à Escola Dominical.  As diferenças entre um jardim e uma lavoura todos sabem.

O jardim apresenta uma variedade de flores onde cada espécie tem o seu “jeito” de enfeitar, perfumar e colorir o jardim. Por apresentar flores diferenciadas, o/a jardineiro/a também oferece um “tratamento” que é diferenciado, pois ele/a observa cada flor, a qualidade, a forma, o jeitão da flor se apresentar ao mundo, etc. Assim, ele/a não trata as flores como se fossem plantas iguais umas das outras, pelo contrário, ele/a percebe as diferenças e respeita estas diferenças. É bonito ver um jardim todo florido e bem cuidado.

Já a lavoura é diferente. A planta é a mesma. Se a pessoa olhar para a lavoura verá a mesma planta que se estende por muitos metros ou quilômetros. É bonito ver uma lavoura florescendo. No entanto, o tratamento dispensado às plantas da lavoura é o mesmo, pois se trata de uma única espécie.

Assim, pensar na Escola Dominical é considerar que ela apresenta uma variedade de pessoas que se encontram para refletir sobre a vida à luz da Palavra de Deus. O/a cuidador/a da Escola Dominical deve atuar como um/a jardineiro/a, ou seja, considerar a diversidade da vida humana e o jeitão de cada pessoa se expressar e evidenciar a sua fé em Cristo. Na Escola Dominical na perspectiva do jardim existe a diversidade de raça, de gênero, de etnia, de geração, de experiências, de aprendizagem, etc. Neste tipo de escola o/a cuidador/a observa as pessoas em suas particularidades. Esta escola tem alegria.

Se a Escola Dominical for tratada como uma lavoura, não haverá espaço para a diversidade, pelo contrário, tudo será homogêneo, tudo será estereotipado e seguirá a mesma forma ou fôrma. Neste tipo de escola as pessoas não são sujeitos e sim objetos. Esta escola é muito triste.

Se as metáforas são simplistas, o fato é que na Escola Dominical não há espaço para o simplismo, para a improvisação, para a reprodução de conhecimentos sem a vivência entre as pessoas, para educadores/as que não estejam comprometidos/as com a vida na perspectiva do Reino de Deus.

Na Escola Dominical do tipo jardim o/a cuidador/a é consciente, prudente, humilde, aprendente e coerente. Que tal? Como é a sua Escola Dominical? Está mais para jardim ou para lavoura?

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h55
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Reflexões sobre a Pedagogia de Jesus

A pedagogia de Jesus A partir do livro de Augusto Cury “O Mestre Inesquecível”

 

 

Os princípios desenvolvidos pelo autor do livro, a partir da prática pedagógica de Jesus, são aplicáveis à educação cristã desenvolvida em nossas famílias e comunidades cristãs hoje. Em outras palavras, os/as educadores/as cristãos/ãs podem se inspirar neles para a sua prática educativa.

 

1.      O olhar de Jesus. João Batista anunciava a chegada do Salvador. Fazia isto denunciando o pecado, a miséria, a exploração, o domínio, etc. O olhar de Jesus fascinou-o, pois transmitia paz e ternura.

 

2.      Para transmitir seus ensinamentos escolheu discípulos, os quais, sob o impacto do olhar do mestre, seguiram-no. O convite é para serem pescadores de homens. Foi impactante e desafiador.

 

3.      Para motivá-los Jesus “vendeu” sonhos. O principal era o Reino de Deus. Para falar dele usou a expressão Ano Aceitável do Senhor, onde haveria libertação aos cativos, visão aos cegos e liberdade aos oprimidos. “Ele queria libertar os cativos e os oprimidos. Também queria libertar os cegos, não apenas os cegos cujos olhos não vêem, mas cujos corações não enxergam. Os cegos que têm medo de confrontar-se com suas limitações, que não conseguem questionar qual é o seu real sentido de vida. Os cegos que são especialistas em julgar e condenar os outros, mas que são incapazes de olhar para as suas próprias fragilidades” (Cury, pg. 93).

 

4.      Vendeu sonhos e trabalhou com os recursos humanos que havia selecionado. Trabalhou com eles como o mais excelente dos educadores. Transformou o terreno rochoso, endurecido pela vida e sufocado pelos espinhos, em boa terra, ou seja, cuja semente plantada produzia os frutos do ano aceitável do Senhor.

 

5.      Valorizou a vida. Focou a vida para ser plena e abundante. Despertou sentimentos, valorizou-os e ensinou os segredos do coração. Ensinou os discípulos a ser gente, a aceitarem a fragilidade da vida e a valorizarem a si mesmos e uns aos outros. “Jesus jamais desprezou os feridos. Ele veio para os que são doentes. Queria humanizar seus discípulos. Não desejava formar homens seduzidos pelo sucesso, que se colocassem acima dos mortais. Almejava que a humildade fosse permeada na personalidade de cada um. Queria gerar discípulos que fossem capazes de dizer: ‘eu errei, me desculpe’, que tivessem a ousadia de dizer: ‘eu preciso de você’. Que não tivessem medo de dizer: ‘eu estou sofrendo, preciso de ajuda’” (Cury, pg. 134).

 

6.      Trabalhou em equipe. Ensinou a trabalhar em equipe. O trabalho em equipe é altamente educativo. Para que haja harmonia e integração, as disputas e ciúmes precisarem ser resolvidos. A prepotência e o orgulho também precisam ser tratados. Jesus deu orientação para que os discípulos trabalhassem de dois a dois. Com isto, “cada dupla tinha de conversar, aprender a conhecer os sentimentos uns dos outros, traçar caminhos. Teriam de lidar juntos com as rejeições e críticas. Se fossem rejeitados, eles deveriam agir com ternura” (Cury, pg. 140).

 

7.      Jesus reprogramou a ambição dos discípulos. A ânsia pelo poder e pela proeminência foi substituída pelo ser servo de todos. Para ser o maior, o seguidor do mestre dos mestres deveria se transformar no menor e servir aos outros.

 

8.      Jesus procura os doentes, frágeis, limitados e sofridos para serem seus discípulos. Entre eles está Judas. Ele é o terreno rochoso. “O homem mais doente não é aquele que tem a pior doença, mas aquele que não reconhece que este doente. O maior erro de Judas não foi a traição, mas sua incapacidade de reconhecer suas limitações, de aprender com seu mestre que os maiores problemas humanos estão na caixa de segredos da sua personalidade” (Cury, pg. 160).  Judas se isolou. Ele não foi isolado ou abandonado. Ele mesmo se fechou em si e não se perdoou. Jesus demonstrou em todo o tempo a importância de Judas para o grupo de discípulos. Mas Judas não entendeu esta mensagem.

 

9.      Transformação do potencial humano. Pedro é um belo exemplo desta transformação. Ele que costumava atropelar as pessoas, agir de maneira rude e violenta, demonstrar certa arrogância, terminou a vida enviando saudações carinhosas e beijos para seus seguidores. Pedro aprendeu o “segredo de se esvaziar dos preconceitos e paradigmas, não ter medo do novo, não ter receio de explorar o desconhecido. Entendeu que devia se colocar como uma criança que se expõe singelamente diante do mundo que a cerca. Quem não consegue se esvaziar das suas verdades não consegue abrir as possibilidades dos pensamentos. Judas não soube aprender essa lição” (Cury, pg. 174).

 

10.  A afetividade foi uma das marcas na vida e ministério de João. Invariavelmente seus escritos mencionam esta dimensão na vida de Jesus. Ele soube captar este aspecto e desenvolvê-lo com seus discípulos. “Seus escritos exalam a mais vela afetividade. Mesmo no livro de Apocalipse é possível perceber, entre guerras e julgamentos, o perfume mais excelente da emoção. Nesse enigmático livro, Jesus é citado mais de vinte vezes, não como um general ou juiz, mas como cordeiro de Deus. João nunca se esqueceu das seis dramáticas horas da crucificação” (Cury, pg. 199). João permaneceu aos pés da cruz, e lá soube entender a linguagem silenciosa de Jesus.

 

Há outros princípios abordados pelo autor, mas estes se destacam como fundamentais para a ação pedagógica nos dias de hoje.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Professor de Teologia Prática na Faculdade de Teologia – UMESP

Coordenador de Extensão e Assuntos Comunitários - UNIMEP

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h32
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Escola Dominical - jardim ou lavoura?

Escola Dominical – jardim ou lavoura?

 

Esta pergunta aparentemente ingênua nos remete a uma reflexão mais abrangente sobre a educação levada a efeito no espaço dedicado à Escola Dominical.  As diferenças entre um jardim e uma lavoura todos sabem.

O jardim apresenta uma variedade de flores onde cada espécie tem o seu “jeito” de enfeitar, perfumar e colorir o jardim. Por apresentar flores diferenciadas, o/a jardineiro/a também oferece um “tratamento” que é diferenciado, pois ele/a observa cada flor, a qualidade, a forma, o jeitão da flor se apresentar ao mundo, etc. Assim, ele/a não trata as flores como se fossem plantas iguais umas das outras, pelo contrário, ele/a percebe as diferenças e respeita estas diferenças. É bonito ver um jardim todo florido e bem cuidado.

Já a lavoura é diferente. A planta é a mesma. Se a pessoa olhar para a lavoura verá a mesma planta que se estende por muitos metros ou quilômetros. É bonito ver uma lavoura florescendo. No entanto, o tratamento dispensado às plantas da lavoura é o mesmo, pois se trata de uma única espécie.

Assim, pensar na Escola Dominical é considerar que ela apresenta uma variedade de pessoas que se encontram para refletir sobre a vida à luz da Palavra de Deus. O/a cuidador/a da Escola Dominical deve atuar como um/a jardineiro/a, ou seja, considerar a diversidade da vida humana e o jeitão de cada pessoa se expressar e evidenciar a sua fé em Cristo. Na Escola Dominical na perspectiva do jardim existe a diversidade de raça, de gênero, de etnia, de geração, de experiências, de aprendizagem, etc. Neste tipo de escola o/a cuidador/a observa as pessoas em suas particularidades. Esta escola tem alegria.

Se a Escola Dominical for tratada como uma lavoura, não haverá espaço para a diversidade, pelo contrário, tudo será homogêneo, tudo será estereotipado e seguirá a mesma forma ou fôrma. Neste tipo de escola as pessoas não são sujeitos e sim objetos. Esta escola é muito triste.

Se as metáforas são simplistas, o fato é que na Escola Dominical não há espaço para o simplismo, para a improvisação, para a reprodução de conhecimentos sem a vivência entre as pessoas, para educadores/as que não estejam comprometidos/as com a vida na perspectiva do Reino de Deus.

Na Escola Dominical do tipo jardim o/a cuidador/a é consciente, prudente, humilde, aprendente e coerente. Que tal? Como é a sua Escola Dominical? Está mais para jardim ou para lavoura?

A situação problematiza quando um/a cuidador/a de lavoura é colocado/a para cuidar do jardim...

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h05
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Repercutindo a Escola Dominical

 

 

A ESCOLA DOMINICAL NOS DIAS ATUAIS


A Escola Dominical tem sido a principal agência de educação dos metodistas e tem contribuído para a formação das diversas gerações. Ela é um Departamento na estrutura da igreja local, regional e geral. Como tal, ela tem a sua organização e o seu espaço delimitado na programação e no orçamento da igreja. Desta forma, ela não se constitui em opção, mas sim em parte fundamental na estrutura da Igreja Metodista. Para que sua importância e sua relevância não sejam relativizadas, é fundamental que consideremos alguns aspectos que dimensionam o papel da Escola Dominical.


Espaço respeitado

A Escola Dominical deve ter o seu horário e espaço respeitado por outras programações e atividades da Igreja. Observa-se que em determinadas ocasiões, ou muitas, o horário e o espaço da Escola Dominical são “invadidos” por outras atividades de somenos importância, tais como reuniões administrativas, ensaios de coral e de músicos, e outros.


A Escola Dominical não deve ser um apêndice na formação da membresia da igreja, mas sim “agência responsável por reunir, os membros da igreja local e pessoas interessadas na mensagem cristã, em classes estudo, de acordo com as faixas etárias ou por áreas de interesse, com o objetivo de proporcionar-lhes uma experiência de contínuo crescimento no conhecimento do Evangelho e das doutrinas da Igreja, capacitando-as dessa forma, para o exercício da fé e do testemunho cristão na sociedade” (Regimento da Escola Dominical).


É imperativo que a Escola Dominical responda mais ao contexto cultural e diversificado que temos, mas também é imperativo que todas as ações educativas da igreja sigam na direção da eclesiologia que professamos e buscamos como referencial da vivência dos valores do Reino de Deus.


Teorias da construção do conhecimento

As escolas em geral seguem teorias da construção do conhecimento. São muito conhecidas as teorias do construtivismo, libertadora de Paulo Freire, método de Montesori, psicogenético de Jean Piaget, sócio-interacionista, etc. Normalmente as escolas não seguem uma teoria pura, mas sim uma junção de teorias e métodos. Neste sentido, é necessário que a Igreja desenvolva uma teoria para a construção do conhecimento à partir da Escola Dominical como principal agência de educação.


Lendo as definições de educação que se encontram em nossos documentos, observamos que a educação oferecida pelas nossas escolas dominicais desenvolve os conceitos da compreensão, transformação, libertação e capacitação de seus membros. Com a compreensão inicia a transformação na vida, nas ações, nas atitudes, no comportamento, na vivência do discipulado, no cumprimento da missão da igreja. Segundo a professora Zélia Constantino, a educação na perspectiva dos metodistas tem “como objetivo implantar um novo mundo bem definido sob a égide do Reino de Deus. Sua proposta é a busca de modelos que superem o modelo educacional vigente; ter maior identificação com a cultura brasileira; motivar educadores e educandos a se tornarem agentes de libertação, através de uma prática educativa de acordo com o Evangelho; criar uma consciência e buscar a prática da justiça e da solidariedade”.[1]


Neste processo da compreensão, transformação, libertação e capacitação, a Escola Dominical não tem dia para a formatura dos seus alunos e alunas, por se tratar de uma escola para toda a vida. Todos os membros da Igreja são alunos e alunas da Escola Dominical, por estarem num processo de crescimento e maturidade que se estende por toda sua vida. Mesmo quando os discípulos de Jesus forem reconhecidos como mestres continuarão aprendizes do Reino de Deus.


Currículo

Qual é o projeto educacional que o currículo da Escola Dominical está cumprindo? Esta é uma questão de fundo no processo de elaboração e desenvolvimento curricular e que precisa ser considerada.


Papel do/a professor/a

É necessário delimitar o papel e função do/a professor/a da Escola Dominical. Além da função de amigo/a que desenvolve um relacionamento pessoal de cuidado, de amor, de companheirismo e de empatia com seus alunos/as, o/a professor/a deve ser um facilitador na construção do conhecimento. A diferença entre transmissor e facilitador é que o transmissor apenas repassa a mensagem e é função do receptor entender esta mensagem. Já o professor facilitador é aquele que promove a comunicação com os alunos e alunas e entre os mesmos. O/a professor/a facilitador/a motiva mais os alunos ao estudo e participação, além de aprender ao se preparar e ao dar aulas, pois os alunos e alunas são formadores/as do conhecimento.


O professor e a professora da Escola Dominical exercem o ofício de mestre. A palavra mestre vem do termo grego didaskalos, que quer dizer "professor", "mestre" ou "aquele/a que transmite um conhecimento". Em I Coríntios 12:28, didaskalos aparece como o terceiro dom espiritual de um grupo de três.  Era o ofício na Igreja Primitiva de explicar aos outros a fé cristã e providenciar uma exposição cristã do Antigo Testamento.[2] Portanto, ser professor/a na Escola Dominical não é apenas dar aulas, mas sim cumprir o ministério ou ofício de mestre. A função de ser mestre é um dom (ou talento) dado por Deus para a edificação do Corpo de Cristo (I Cor 12:28, Rom 12:6-8 e Efésios 4:11). O professor Miguel Arroyo usa a expressão ofício de mestre para identificar aqueles “que sabem fazer, que lhes pertence, porque aprenderam seus segredos, seus saberes e suas artes”.[3] Assim, é “privilégio do professor conduzir o aluno ao encontro das experiências da vida, de tal forma que ele possa viver vitoriosa e sabiamente, diante de Deus e seus semelhantes".[4]


O docente da Escola Dominical deve ser também um contextualizador do currículo. Os currículos estabelecidos pelas Igrejas quase sempre não atingem a todos os alunos. Isto é impossível de acontecer num contexto tão amplo e diverso como o do nosso país. O docente deve adaptar e ajustar o currículo ao grupo com o qual trabalha. Não existe um currículo perfeito para todas as igrejas e todos os membros, por isso os docentes devem ser preparados para fazerem esta contextualização. Desta forma, o currículo da Escola Dominical deve contemplar a preparação continuada do professor e da professora, que também são alunos/as em formação nesta escola da vida, pois “quem pára de crescer ‘hoje’, pára de ensinar amanhã”.[5]


Material Didático

O material didático deve ser elaborado levando-se em conta as diferenças regionais, culturais, religiosas, econômicas, sociais e políticas. É um trabalho emblemático e desafiador para aqueles/as que escrevem as lições e fazem uso de palavras e conceitos que não atingem a todas as pessoas que utilizam nossas revistas. Neste sentido, pontuamos o seguinte: usar palavras e conceitos “evangelicais”; não usar termos filosóficos ou teológicos desconhecidos ou inacessíveis para a compreensão das pessoas em geral; usar expressões bíblicas; evitar uso de palavras consideradas gírias ou de uso mais restrito a determinados grupos ou lugares; fundamentar o texto biblicamente e segundo os documentos da Igreja Metodista; além de outros.

Bispo Josué Adam Lazier

(Este estudo foi apresentado ao Conselho de Referência das Revistas de Escola Dominical da Igreja Metodista em outubro de 2004)

 



[1] Constantino, Zélia S., A Educação Cristã na Igreja Metodista: Como dinamizá-la, Rio de Janeiro, Instituto Bennet, 1987, pg. 9.

[2] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. II, São Paulo, Editora Vida Nova, pg. 51.

[3] Arroyo Miguel G., Ofício de Mestre – Imagens e auto-imagens, Petrópolis, Editora Vozes, 2002, pg. 18.

[4] Gilberto, A., Manual da Escola Dominical, Rio de Janeiro, CPAD, 1974, pg. 155.

[5] Anderson, P.M., Viver e Aprender na Escola Dominical, São Paulo, Imprensa Metodista, 1986, pg. 75.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h12
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Educação Cristã como sinal da graça

Um dos ministérios fundamentais para o cumprimento da missão da Igreja é o da educação, comumente chamado de ministério de ensino e compreendido como uma ação ministerial. De fato, a educação é uma ação que a igreja desempenha com vistas ao cumprimento da sua missão. No entanto, a educação é mais do que uma ação ministerial, considerando a definição e as implicações que ela apresenta. O texto de Tito 2.11-12a afirma que “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos...” (Tito 2.11-12a).

 

A educação cristã é um processo que possibilita a transformação, libertação e capacitação da pessoa e da comunidade cristã. Estas três expressões indicam uma educação que se dá com pessoas situadas historicamente e, partindo do contexto de vida, se constitui numa caminhada de fé, tendo o Reino de Deus como referencial, onde o desenvolvimento humano se dá na comunidade, na comunhão, na unidade e na construção da vida de forma integral e integradora.

 

 

São vários os sinais da graça de Deus. A educação que contribui para a transformação, libertação e capacitação da pessoa e da comunidade é um deles, pois não se trata meramente de transmissão de conhecimentos para pessoas consideradas objetos e moldáveis, segundo os estereótipos que se estabelecem como parâmetro para determinar quem tem a presença de Deus. Pelo contrário, a educação como sinal da graça de Deus considera os/as alunos/as como sujeitos da história, com capacidade e força para vivenciarem uma vida transformada e que busca superar as limitações. A educação que percebe as pessoas, a realidade, a história e a potencialidade que evidenciam, é um sinal de graça, pois oferece um caminho libertador.

 

A educação como sinal de graça e de unidade é desenvolvida por educadores/as que dão valor à vida e dignidade às pessoas que estão envolvidas no processo de ensino e aprendizagem na perspectiva cristã. Assim, duas figuras ilustram a educação como meio de graça e a educação que não se expressa como sinal da graça de Deus, além de indicarem o papel do/a professor/a. São as figuras do/a jardineiro/a e do/a agricultor/a:

 

Isso torna, na verdade, um professor mais parecido com um jardineiro, que presta uma atenção singular a cada planta de seu jardim, e não com um agricultor, que aplica um tratamento homogêneo a todo um terreno”.[1]

 

O/a professor/a jardineiro/a trata seus alunos e alunas considerando a diversidade da vida humana e trata as diferenças com respeito e valorização. Nesta diversidade se inserem as questões de raça, de gênero, de etnia, etc. Este tipo de professor/a dá atenção a cada pessoa. Já o/a professor/a agricultor/a desenvolve o seu trabalho docente de forma homogênea, onde as pessoas não são percebidas na sua diversidade.

 

A educação desenvolvida na perspectiva do/a jardineiro/a se constitui num meio de graça e de unidade porque não segue um modelo de série. Pelo contrário, a ação educativa é desenvolvida como uma arte. Esta idéia da educação como arte vem do pastor moraviano, bispo, professor, cientista e escritor que viveu no século XVII, considerado o pai da didática moderna. Trata-se de Comenius (Iohnnis Amos Comenius). Ele dizia que a educação era uma “arte universal de ensinar tudo a todos”[2] e preconizava uma educação com princípios cristãos, virtudes cristãs e que incluísse como destinatários ricos, pobres, mulheres, homens, portadores de deficiências, etc. Ao propor isto, o pastor e bispo moraviano está considerando a revelação bíblica que aponta a vida como objetivo da educação.

 

A educação nesta perspectiva da graça procura alcançar as pessoas. O/a professor/a deve se perguntar sempre[3]: Consequências pessoais – o ensino alcança as pessoas na formulação de seus conceitos ou reelaboração dos conceitos? Consequências acadêmicas – o ensino desenvolve a capacidade de reflexão crítica dos alunos/as? Consequências sociais e políticas – o ensino alcança a vida e os relacionamentos dos/as alunos/as?

 

O objetivo da educação cristã pode ser definido também pelo "aperfeiçoamento dos santos" (Efésios 4.12), segundo expressão utilizada pelo apóstolo Paulo. A raiz da palavra grega traduzida por aperfeiçoamento é katartizo, que significa "restaurar", "pôr no lugar certo", "colocar na condição ideal" ou "completar". A mesma palavra é usada em outros textos, tais como: a. Mateus 4.21 e Lucas 1.19 – consertando a rede para a pesca; b. Lucas 6.40 e Romanos 9.22 - equipar, preparar, instruir e c. I Tessalonicenses - reparar as deficiências da fé.

 

A educação está presente nas Escrituras e, a partir do referencial bíblico, podemos afirmar que é "privilégio do professor conduzir o aluno ao encontro das experiências da vida, de tal forma que ele possa viver vitoriosa e sabiamente, diante de Deus e seus semelhantes".[4] Atuar como professor/a nesta perspectiva é seguir os princípios do/a professor/a jardineiro/a e, portanto, sinalizar a graça de Deus através da ação educativa.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

Referências bibliográficas


[1] STENHOUSE, L. Citado por CONTRERAS, José. A autonomia de professores. São Paulo, SP: Cortez Editora, 2002, p. 115.

[2] COMENIUS, I. A. Didática Magna. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2006, p. 11.

[3] ZEICHNER, Kenneth M. Uma análise crítica sobre a “reflexão” como conceito estruturante na formação docente. In: Educação e Sociedade, vol. 29, nº 103, maio/agosto de 2008. Campinas, SP, p. 545.

[4] GILBERTO, A. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, p. 155.



Escrito por Josué Adam Lazier às 16h31
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O ministério de educação na Igreja (II)

 

 O MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO NA IGREJA (II)

 

 

 

Introdução

Dando continuidade ao estudo anterior, vamos considerar algumas ações educativas para o cumprimento da tarefa educativa e missionária da Igreja. Gostaria de iniciar destacando alguns objetivos para a educação cristã a partir da Pedagogia de Cristo:

 

a.    Valorizar a vida e desafiar para uma vivência transformada e transformadora;

b.    Educar considerando o tempo que as pessoas precisam para assimilar e viver os princípios de vida;

c.     Ensinar que a vivência pessoal deve ser acompanha da reflexão que promove novas ações;

d.    Transmitir valores, tais como: justiça, solidariedade, paz, tolerância, além de outras;

e.    Enfatizar que a aprendizagem se dá no contexto da comunidade e no relacionamento com as outras pessoas do grupo de convivência;

f.     Dialogar com as pessoas e oportunizar que elas se expressem, seja através de pensamentos, atitudes, sentimentos, afetividade, e participem da construção de uma sociedade mais humana e fraterna;

g.    Transmitir que a Palavra de Deus deve ser encarnada na história humana;

h.    Promover a conscientização de que a comunidade de fé se faz presente no mundo como agência de transformação e sinalização da vida e do Reino de Deus;

i.     Desenvolver uma vida comprometida com os valores do Reino de Deus e sinalizar estes valores em todos os aspectos da vida humana;

j.     Promover a construção de um povo justo, fraterno e comprometido com a libertação na perspectiva do Evangelho.

 

A Escola Dominical

A Escola Dominical é o lugar por excelência onde a tarefa educativa da igreja deve acontecer, seja para orientar novos membros, educar as crianças, jovens e adolescentes, bem como para treinar e capacitar para os diversos ministérios que a igreja necessita para cumprir com sua missão e com seus objetivos traçados no Plano de Ação da Igreja Local. Para que isto aconteça, é necessário que se delimite e priorize-se o espaço da Escola Dominical. Entre as tarefas educativas da Escola Dominical estão às seguintes:

 

a.    Ensinar sobre a revelação de Deus e a importância da compreensão e da vivência deste conhecimento acerca de Deus;

b.    Oferecer currículo adequado para a vida dos membros da Igreja, considerando a faixa etária e a situação histórica das pessoas, considerando-as sujeitos da educação e não objetos. O currículo deve contemplar o estudo bíblico bem como a vida, de uma maneira geral, de seus alunos e alunas. Deve tratar de assuntos relevantes e atuais, visando o crescimento e a maturidade das pessoas que freqüentam a Escola Dominical;

c.     Utilizar material didático apropriado e relevante para vida dos membros da Escola Dominical;

d.    Arrolar e preparar professores/as. Esta é uma função de suma importância para as Escolas Dominicais. Não se deve improvisar para suprir as necessidades das classes.  Aquele ou aquela que vai dar aulas deve estar preparado/a e motivado/a para tal ministério. Deve-se também fazer avaliações periódicas para saber do desempenho dos/as professores/as, bem como do material didático e do currículo;

e.    Participação efetiva e afetiva do pastor e da pastora. Se o ministério pastoral não se compromete e assume responsabilidades com a Escola Dominical, ele/a estarão evidenciando, infelizmente, “o pouco caso” para com a educação dos membros da Igreja.

 

Para continuar refletindo

Estas temáticas da educação e da Escola Dominical nos desafiam, especialmente considerando o momento histórico que vivenciamos, onde a busca pelas coisas imediatas, descartáveis, etc, são recorrentes. Numa sociedade de consumo a Igreja que não tiver um programa de educação bem delineado e pessoas comprometidas, tende a se transformar num “ajuntamento” de pessoas sem consciência cristã e sem definição confessional. Pense nisto.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h55
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O ministério de educação na Igreja (I)

 

O MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO NA IGREJA (I)

Introdução

Um dos ministérios fundamentais para o cumprimento da missão da Igreja é o da educação, comumente chamado de ministério de ensino. No passado este ministério era designado de “ministério docente”. Estas três expressões indicam a ação educativa da igreja. O termo educação apresenta uma compreensão mais abrangente que a Igreja assume para a tarefa docente, ou seja, não se trata apenas da transmissão do conhecimento, mas sim da preparação para a vida.

 

É importante considerar que o/a professor/a da Escola Dominical, segundo a linguagem bíblica, são mestres/as no Corpo de Cristo.  A palavra mestre vem do termo grego didaskalos, que quer dizer "professor", "mestre" ou "aquele/a que transmite um conhecimento". Em I Coríntios 12:28, didaskalos aparece como o terceiro dom espiritual de um grupo de três.  Era o ofício na Igreja Primitiva de explicar aos outros a fé cristã e providenciar uma exposição cristã do Antigo Testamento.[1] Portanto, ser professor/a na Escola Dominical não é apenas dar aulas, mas sim cumprir o ministério de ser mestre, ou seja, expor e aplicar princípios fundamentais para a vida e para a missão da igreja.  Vemos, portanto, que a função de ser mestre é um dom (ou talento) dado por Deus para a edificação do Corpo de Cristo (I Coríntios 12:28, Romanos 12:6-8 e Efésios 4:11).

 

Desta forma, podemos afirmar que ministério da educação está exposto claramente nas Escrituras e que é "privilégio do professor conduzir o aluno ao encontro das experiências da vida, de tal forma que ele possa viver vitoriosa e sabiamente, diante de Deus e seus semelhantes"[2]

 

Objetivos da educação cristã

Jesus declara em João 10.10: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância".  O tema da vida está presente em toda a tradição bíblica. A palavra vida indica a vida em sua integralidade. A educação cristã deve visar, portanto, a pessoa como um todo e não apenas o aspecto cognitivo, como costumeiramente se faz.

 

A UNESCO propõe quatro pilares para uma educação integral: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver e aprender a ser. Estes pilares podem ser aplicados à educação cristã que também tem como objetivo a pessoa integral. Assim, a educação desenvolvida pela Igreja tem estas possibilidades e desafios. Vejamos:

 

1.  Aprender a conhecer – neste processo o/a educando/a são sujeitos e atuam ativamente na busca pelo conhecimento e no aprendizado do aprender a saber. O conhecimento é necessário para haja transformação e libertação da pessoa e da sociedade. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (João 8.32).

 

2.  Aprender a fazer – a educação cristã não transmite apenas conhecimento, mas ajuda o/a educando a construir este conhecimento e vivenciá-lo em todos os momentos da vida. Neste sentido, está implícita a preparação para a vida em sua integralidade. “Porque me chamais Senhor, Senhor, se não fazeis o que eu vos mando?” (Lucas 6.46).

 

3.    Aprender a conviver – a convivência com os diferentes, num ambiente onde o contraditório se faz presente e questiona, é o grande desafio dos/as cristãos/ãs. Neste sentido, a educação cristã atua para promover o sentido de comunidade e solidariedade e superar a uniformidade. “Todos os que criam estavam juntos” (Atos dos Apóstolos 2.44).

 

4.    Aprender a ser – o compromisso da educação cristã é levar as pessoas a serem seguidoras de Jesus e a evidenciarem em suas atitudes esta experiência de conversão e transformação. Neste sentido, o desafio maior é ser instrumento nas mãos de Deus e sinalização do amor, da graça e da paz. A maior característica de que a pessoa é cristã de fato é o amor. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.39).

 

Portanto, o objetivo da educação é a comunicação da vida e a edificação daqueles/as que passam pela experiência cristã de conversão.  A educação cristã é mais do que simplesmente a informação bíblica e o acúmulo de conhecimentos. Implica no ensino prático para atender as necessidades dos membros da igreja, na capacitação para o trabalho, no treinamento para o exercício dos ministérios, etc.

 

Para continuar refletindo

O alvo da educação pode ser definido também pelo "aperfeiçoamento dos santos" (Efésios 4.12). A raiz da palavra grega traduzida por aperfeiçoamento é katartizo, que significa "restaurar", "por no lugar certo", "colocar na condição ideal" ou "completar". A mesma palavra é usada em outros textos, tais como: a. Mateus 4.21 e Lucas 1.19 – consertando a rede para a pesca; b. Lucas 6.40 e Romanos 9.22 - equipar, preparar, instruir e c. I Tessalonicenses - reparar as deficiências da fé.

 

À luz destas considerações, como é feita a gestão educacional em sua igreja local ou congregação? Há ações efetivas que promovem a educação cristã? Quais são? A Escola Dominical é valorizada em sua comunidade?

 

Bispo Josué Adam Lazier



[1] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. II. São Paulo, SP: Vida Nova, p. 51.

[2] Gilberto, A. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, p. 155.



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h28
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Kant - referência para a pedagogia cristã

 

A PEDAGOGIA EM KANT

Anotações de aula – educação cristã

Introdução

Kant nasceu no dia 22 de abril de 1724 e morreu a 12 de fevereiro de 1804. Nasceu e viveu na cidade de Konigsberg, sem nunca ter saído de lá. Ele não se casou e não teve filhos.

Era oriundo de família humilde, formada por trabalhadores com artigos de couro. Seus pais eram luteranos, envolvidos com um movimento pietista entre os membros da igreja, que exigia fidelidade, simplicidade e obediência às regras morais. Foi por influência do pastor que ele estudou numa escola pietista deste os 4 anos de idade até os 11.

Ficou muito impressionado pela leitura que fez de David Hume e revelava admiração pelo pensamento de Rousseau. O pensamento de Kant foi fonte para muitas das reflexões dos séculos XIX e XX.

O pensamento de Kant passava por duas grandes questões. “A primeira dizia respeito ao conhecimento, seus limites, suas esferas de aplicação” e “a segunda grande questão que sintetiza o universo das idéias de Kant é o problema da ação humana, ou seja, o problema moral” (KANT, 1996b, pg. 6).

Algumas idéias do autor sobre pedagogia

Kant entendia educação como o cuidado da infância, ou seja, “a conservação, o trato, a disciplina e a instrução com a formação” (1996a, p. 11). Desta forma, o ser humano está em processo de aprendizado e desenvolvimento. Para ele cuidado com a infância indicava “as preocupações que os pais tomam para impedir que as crianças façam uso nocivo de suas forcas” (1996a, p. 11).

Ele comparava a educação e o desenvolvimento da criança com a dos animais que agem pelo próprio instinto, enquanto o ser humano desenvolve sua humanidade pelo aprendizado e pela convivência com outras pessoas.

Enquanto os animais não necessitam de razão em função do instinto, o ser humano necessita formar uma idéia acerca da conduta, ética, comportamento, etc. Para isto necessita que outros o auxiliem nesta formação.

Kant afirmava que a “disciplina é o que impede ao homem de desviar-se do seu destino, de desviar-se da humanidade, através das suas inclinações animais... Mas, a disciplina é puramente negativa, porque é o tratamento através do qual se tira do homem a sua selvageria; a instrução, pelo contrário, é a parte positiva da educação” (1996a, p. 12). Tanto a disciplina como a instrução devem começar cedo na vida da criança para que elas possam se tornar uma pessoa adulta disciplinada e instruída.

Kant abordava a idéia de uma educação que desenvolvesse na pessoa todas as condições de chegar à maturidade e desenvolver sua humanidade. Os primeiros exemplos de disciplina e instrução são os pais, mas esta educação é limitada uma vez que as crianças precisam de outros exemplos.

Para Kant, a “educação é uma arte, cuja prática necessita ser aperfeiçoada por várias gerações” (1996a, p. 19). Kant apresenta um princípio para a pedagogia: “não se devem educar as crianças segundo o presente estado da espécie humana, mas segundo um estado melhor, possível no futuro, isto é, segundo a idéia de humanidade e da sua inteira destinação” (1996a, p. 22). Ele sugere quatro aspectos a serem alcançados pela educação: que a pessoa seja disciplinada, culta, prudente e cuide da moralização.

Além disto, considerada a educação como privada e pública. A educação pública deve reunir a instrução e a formação moral. Já a educação privada acontece em casa através dos pais ou de pessoas que os auxiliem nesta tarefa. Kant pergunta tipo de educação deve-se ser preferida pelos pais. Ele responde dizendo: “em geral, a educação pública parece mais vantajosa que a doméstica, não somente em relação à habilidade, mas também com respeito ao verdadeiro caráter do cidadão. A educação doméstica, além de engendrar defeitos do âmbito familiar, os propaga” (1996a, p. 33).

Kant apresenta algumas regras para a educação da criança com o intuito de ajudar a criança a conciliar a submissão ao constrangimento das leis com o exercício da liberdade. As regras são: 1) dar liberdade à criança com a condição de não impedir a liberdade dos outros; 2) deve ser mostrada a criança que ela pode alcançar seus propósitos, mas com a condição de que os outros também o possam; 3) provar para a criança que o constrangimento da obediência às leis tem por finalidade ensiná-la a usar a liberdade.

Kant dividia a pedagogia em física e prática. A educação física está relacionada aos cuidados com a vida corporal. Já a educação prática ou moral era aquela que dizia respeito a construção do homem para ele pudesse viver como ser livre num contexto de sociedade. A partir do Kant passa a discorrer sobre os dois tipos de educação, física e prática.

Algumas idéias do autor sobre a educação física

Na introdução Kant já definiu a educação física como o cuidado material dos pais ou babás para com seus filhos. Kant passa a fazer uma longa discussão sobre os cuidados materiais com as crianças, citando costumes de alguns povos e práticas comuns entre o povo na época e que precisam ser revistas e melhor trabalhadas.

Kant indica como parte positiva da educação física a cultura, pois é através dela “que o homem se distingue dos animais” (1996a, p. 56). Ele divide esta cultura fruto da educação física entre livre e escolástica. A livre é como um divertimento onde a criança aprende enquanto brinca, a escolástica é resultado de uma obrigação à qual a criança é submetida. Kant passa discorrer sobre métodos de educação que foram utilizados na busca pelo qual seria o melhor. Ele fala da recreação e do trabalho como métodos para educação das crianças. Ele afirma: “a educação deve ser impositiva; mas nem por isso deve ser escravizante” (1996a, p. 66). A educação física deve apresentar 3 aspectos formativos da criança: a obediência, a veracidade e a sociabilidade.

Algumas idéias do autor sobre a educação prática

Kant inicia sua reflexão dizendo que pertencem a esta educação a habilidade, a prudência e a moralidade (1996a, p.91). Define habilidade como o “elemento essencial do caráter de um homem. A habilidade é necessária ao talento” (1996a, p. 91). Ela se desenvolve aos poucos na vida da pessoa. Define prudência como a arte de aplicação da habilidade, já moralidade se refere ao caráter da pessoa.

Para que as crianças desenvolvem a moralidade é necessário ensinar através de exemplos e regras, deveres a serem cumpridos. São deveres para com a pessoa mesmo e para com os demais. Estes deveres passam pelo respeito e cuidado com os direitos humanos e pela dignidade humana. Kant passa a discorrer sobre os vícios e os apetites ou inclinações da pessoa.

A pessoa não nasce moralmente boa ou má, mas torna-se moral “quando eleva a sua reação até aos conceitos do dever e da lei” (1996a, p. 102). Mas a pessoa tem tendências naturais para todos os vícios e apetites ou inclinações. Para Kant, “na educação tudo depende de uma coisa: que sejam estabelecidos bons princípios e que sejam compreendidos e aceitos pelas crianças” (1996a, p. 103).

Kant passa a fazer uma discussão acerca da religião e sua aplicação às crianças. Ele diz que “a religião que estiver fundamentada unicamente na Teologia nada pode conter da moralidade” (1996a, p.106) e “se a religião não vem acompanhada pela consciência moral, permanece ineficaz” (1996a, p. 107).

Com relação à religião ser ensinada às crianças, afirma: “através da elucidação conjunta dos conceitos de Deus e do dever, a criança aprende melhor a respeitar a providência divina com as suas criaturas e fica preservada da tendência à destruição e à crueldade, a qual tendência de tantas maneiras se manifesta, quando judiam de pequenos animais” (1996a, p. 108).

Kant conclui o texto tratando da questão do sexo no período da mocidade. Ele afirma que “o jovem deve aprender desde cedo a demonstrar para com o outro sexo todo o respeito que lhe é devido, a ganhar a sua estima com louvável diligência, e assim aspirar ao alto prêmio da um casamento feliz” (1996a, p. 112).


Bispo Josué Adam Lazier

Professor de Pedagogia e Gestão na Prática Eclesial

Faculdade de Teologia – Universidade Metodista de São Paulo


Bibliografia

KANT, Immanuel. Sobre a Pedagogia. Piracicaba, SP: Editora UNIMEP. 1996a.

KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. São Paulo. SP: Editora Nova Cultural Ltda, 1996b.

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 11h36
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Comenius - referência para a educação cristã

 

 

IOHANNIS AMOS COMENIUS

Didática Magna – uma referência para a educação cristã

 

 

Comenius nasceu em 28 de março de 1592 e morreu em 15 de novembro de 1670. Nasceu na cidade de Uherský Brod (ou Nivnitz), na Morávia, Europa central, região que pertencia ao antigo Reino da Boêmia e que hoje integra a República Checa. Viveu e estudou na Alemanha e na Polônia. Perdeu os pais aos 12 anos e foi criado por uma família que seguia o movimento pietista denominado moraviano.

 

Viveu na Morávia no período em que a região foi conturbada por uma rebelião em função de disputas entre católicos e protestantes, o que provocou a guerra dos Trinta Anos. Neste ambiente atuava como pastor dos moravianos.

 

Foi professor, cientista, escritor, pastor e bispo moraviano e criador da Didática Magna, sua principal obra. Apresentou um sistema de ensino onde todos tinham o direito ao saber. Ele se apresenta como alguém que tem o “coração simples que não faz distinção entre instruir e ser instruído, entre aconselhar e ser aconselhado, entre ser mestre dos mestres e discípulos dos discípulos” (1997, p. 19), embora pareça ser uma pessoa presunçosa ao apresentar uma didática que intitula como magna, além de outros comentários que faz, como, por exemplo, quando afirma que “até hoje faltaram escolas que correspondessem perfeitamente a estes fins” (1997: p. 103).

 

Preconizava ensinar tudo a todos através de princípios que ajudariam o homem a se colocar no mundo como autor. Ele explica que não pretendia com isto um conhecimento exato e profundo de todas as ciências e artes, pois “isso não seria útil em si mesmo nem possível a ninguém, tendo em vista a brevidade da vida” (COMENIUS, 1997: p. 95).

 

No início de sua obra evidencia a sua proposta de uma didática magna quando expressa que ela é o modo certo e excelente para criar em todas as comunidades ou vilarejos de qualquer reino cristão escolas tais que a juventude dos dois sexos, sem excluir ninguém, possa receber formação em letras, ser aprimorada nos costumes, educada para a piedade e, assim, nos anos da primeira juventude, receba a instrução sobre tudo o que é da vida presente e futura, de maneira sintética, agradável e sólida” (1997: p. 11).

 

Preconizava também uma educação com princípios cristãos e virtudes cristãs. Para ele, a instrução deveria se converter em moralidade e piedade.  Ele considerava que a instrução seria infeliz caso ela não se convertesse em moralidade e piedade (1997).

 

Incluía como destinatários da sua educação ricos, pobres, mulheres, homens, portadores de deficiências e defendia a criação de escolas para crianças pequenas. Para ele a educação deveria ser destinada para todos, pois todos são dotados da mesma natureza humana, apesar da inteligência ser diversa. Apresentou como princípios o seguinte: tudo o que se deve saber deve ser ensinado; ensinar com aplicação prática para a vida e uso definido; ensinar de maneira direta e clara; ensinar a verdadeira natureza das coisas; ensinar primeiro os princípios gerais da vida; ensinar as coisas no seu devido tempo.

 

Além destes princípios ele apresentou outros, entre os quais destacamos os seguintes: que os homens devem ser conduzidos para os mesmos fins, seja da moral, da santidade e do saber; que os homem embora tenham inteligências diferenciadas têm a mesma natureza e são dotados dos mês órgãos; a diversidade de inteligência é um excesso ou deficiência da natureza e que estas podem ser melhor trabalhadas durante a infância (COMENIUS, 1997: p. 120-121). Para ele todos aqueles, porém, que estão não só como expectadores, mas como atores, devem aprender a conhecer os fundamentos, as razões, os fins de todas as coisas mais importantes, que existem ou existirão” (1997: p. 95).

 

O autor se utilizava de metáforas para discorrer sobre sua proposta de educação. Entre as metáforas estão as do passarinho, do construtor, do arboricultor, do sol e das estações do tempo. Através delas fala da importância da educação e de como ela devia ser desenvolvida. Immanuel Kant também vai se utilizar de metáforas em seu texto sobre a pedagogia. O autor da Didática Magna faz muitas críticas às escolas da época e propõe uma nova didática.

 

Comenius considerava a educação como a arte de todas as artes, que tem a função de transmitir a instrução, a moral e a religião ou a piedade. Propõe três ações pedagógicas: perguntar, reter e ensinar. Perguntar no sentido de consulta; reter no sentido de memorizar as coisas aprendidas e ensinar no sentido de repetir aos outros o que foi aprendido (1997: p. 200).

 

Ele considerava que as duas primeiras eram observadas nas escolas da época, mas a terceira, ou seja, repetir para os demais alunos, não era suficiente observada. Além disto, defendia a idéia de um método único de educação e usa como metáfora o exército, onde, apesar das diferenças entre os militares, todos obedecem ao mesmo comando. Ele encerra sua argumentação dizendo que “saindo da escola, cada um prosseguirá os estudos segundo sua própria vivacidade de espírito” (1997: p. 121),

 

Na Didática Magna se ressalta a questão religiosa. GASPARIN (1984: p. 45) afirma que “em Comênio o religioso não se dissocia do pedagógico”. Neste sentido, a educação para Comenius é a salvação do ser humano e o desenvolvimento dos princípios e virtudes cristãs. É GASPARIN que afirma ainda que “o ensino e a aprendizagem seriam, portanto, um ato de fé, tanto do professor quanto do aluno” (1984: p. 71).

 

Além do religioso, outro aspecto que se ressalta é a universalidade que Comenius preconizava em sua Didática Magna. Para GASPARIN a obra contém os elementos que fundamentam e indicam as dimensões de popularidade e de universalidade da nova maneira de colocar à disposição de todos os novos conhecimentos” (1984: p. 55).

 

            A preocupação em que a escola fosse um espaço prazeroso para as crianças e onde a afetividade estivesse presente, também é algo que se ressalta na obra. Esta preocupação com afetos e gestos de carinho por parte dos professores e a organização da escola de uma forma agradável, pode ser fruto do ambiente onde Comenius foi criado, onde aspectos como a rigidez, a dominação dos professores, o rigor e a palmatória estavam presentes. Para ele era fundamental que fosse despertado nas crianças o amor pelo saber e a busca pelo aprendizado e que o método diminuísse o cansaço dos alunos, de forma que não houvesse obstáculos e nem impedimentos para que os alunos continuassem seus estudos (1997: p. 168). Segundo ele nas crianças, o amor pelo estudo deve ser suscitado e avivado pelos pais, pelos professores, pela escola, pelas próprias coisas, pelo método, pelas autoridades” (1997: p. 169).

 

            Neste sentido, ler Didática Magna é imergir num clássico do renascimento e descobrir a proposta de uma didática cuja proa e popa, conforme palavras de Comenius são “buscar e encontrar um método para que os docentes ensinem menos e os discentes aprendam mais” (1997: p. 12).

 

Para atender a este desafio, Comenius invoca a benção de Deus através do Salmo 67.1-2: “Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe! Faça resplandecer seu rosto sobre nós. Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação”.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Professor Pedagogia e Gestão na Prática Eclesial

Faculdade de Teologia – Universidade Metodista de São Paulo

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

1.    COMENIUS, Iohannis Amos. Didática Magna. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1997.

 

2.    GASPARIN, João Luiz. COMÊNIO ou a arte de ensinar tudo a todos. Campinas, SP: Papirus, 1984.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 11h16
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As Discípulas de Jesus

 

 

AS DISCÍPULAS DE JESUS

MARIA DE BETÂNIA E MARIA MADALENA

  

O nome Maria era muito comum na época de Jesus. Maria era a forma grega do hebraico Miriã.  No Novo Testamento o nome Maria indica algumas mulheres:

1. Maria, mãe de Jesus (Lc 1.26-38);

2.     Maria, irmã de Marta, conhecida depois como Maria de Betânia (Lc 10.38-42 e Jo 12.1-3);

3. Maria Madalena (Lc 8.2);

4.     Maria, mãe de Tiago (Mt 27.56);

5. Maria, mãe de João Marcos (Atos  12.12);

6. Maria, saudada por Paulo em Rm 16.6.

 

Nesta reflexão vamos conhecer a Maria de Betânia  e a Maria Madalena.

 

Quem eram elas?

 

Lucas 10.38-42

Maria de Betânia morava junto com sua irmã, Marta, que convidou Jesus para ir à sua casa. Jesus, quando estava lá, começou a ensinar as pessoas que foram ouvi-lo. Maria estava entre os ouvintes, absorvida e interessada pelas palavras de Jesus. Marta reclamou, pois Maria não estava ajudando no serviço. Jesus repreendeu, então, a própria  Marta, que estava ansiosa com o serviço e não encontrava tempo para ouvir os ensinos do mestre.

 

João 11.1-6

Maria tinha também um irmão chamado Lázaro. Lázaro morreu e as duas irmãs  foram avisar Jesus, pois Lázaro era seu amigo. O v.5 diz que Jesus amava os 3 irmãos. Alguns dias depois, Jesus foi até a casa deles. Lázaro havia sido sepultado há 4 dias (João 11.17), mas mesmo assim Jesus o ressuscitou (João 11.43-44).

 

João 12.1-3

Jesus estava na aldeia chamada Betânia, novamente na casa de Marta, Maria e Lázaro. Marta estava servindo à mesa quando Maria entrou com um vidro de perfume (Bálsamo de nardo puro), que custava muito caro, e ungiu os pés de Jesus. Depois enxugou com seus cabelos. Com esta atitude demonstrava sua devoção para com o mestre e, sem saber, preparava Jesus para a morte. Na época era comum embalsamar as pessoas que morriam. O nome Maria de Betânia é por causa da aldeia chamada Betânia, onde Maria ungiu os pés de Jesus.

 

Lucas 8.1-3

Maria Madalena deriva de uma aldeia da Galiléía chamada Magdala. Maria tinha alguns problemas de saúde física e mental. A prova disto é que ela foi liberta de 7 demônios. Isto era comum entre as pessoas da época que viviam em situação de pobreza. Não eram mendigos, mas viviam numa situação de falta de alimentos. A conseqüência disto eram doenças físicas e mentais pois o povo não tinha como pagar um médico e nem acesso a remédios. Jesus libertou Maria das opressões que limitavam a sua vida e por isso ela tomou-se uma discípula de Jesus.

 

João 20.1-10 e Mateus 28.1

Maria Madalena foi a primeira testemunha do sepulcro vazio. No domingo cedo ela foi ao sepulcro, junto com a mãe de Tiago, e vendo que o sepulcro estava aberto correu para avisar aos discípulos. Assim, ela participou do anúncio da ressurreição.


João 20.11-18 e Marcos 16.9

Maria Madalena estava chorando junto ao sepulcro, pensando que o corpo de Jesus havia sido roubado. Neste momento Jesus  apareceu a ela e deu-lhe a responsabilidade de avisar os irmãos de que Ele estava vivo. Ela descobriu o túmulo aberto, reconheceu Jesus ressurreto e anunciou a sua ressurreição.

 

O que elas fizeram e o que nos ensinam?

 1. Elas foram as primeiras discípulas de Jesus (Lucas 8.12e Lucas 10.38-42). Ensinam que não somente os homens foram discípulos, mas também um grupo ou mulheres participou do ministério de Jesus e no anúncio do  Reino de Deus.

 

2. Como discípulas, tinham  responsabilidades. Maria de Betânia demonstrou serviço ao ungir os pés de Jesus, mostrando que estava disposta a servir. Maria Madalena recebeu a missão de anunciar a ressurreição.  Foi a primeira testemunha e a primeira a anunciar que o Senhor estava vivo. Com isto demonstram a participação ativa das mulheres.

 

3. Demonstram também que foram líderes na Igreja Primitiva e que o discipulado que exerceram deve ser seguido por todos, pois elas souberam “captar” bem a proposta de Jesus acerca do discipulado, que tinha como fundamento a convivência e o desenvolvimento da afetividade.

 

Bispo Josué Adam Lazier

(Estudo publicado na Flâmula Juvenil – III Quadrimestre de 1991)

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h20
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