Um recado para ganhadores de alma “UM RECADO PARA GANHADORES DE ALMA” HORATIUS A.BONAR ROTEIRO DE ESTUDO
I - A IMPORTÂNCIA DE UM MINISTÉRIO VIVO 1. Qual é o principal objetivo do ministério cristão? 2. Quais são as conseqüências de um ministério morno? 3. Que definição o autor faz sobre o ministro com sucesso? II - A VERDADEIRA VIDA E O ANDAR DE UM MINISTRO 1. Qual a diferença básica para ser um verdadeiro ministro de Deus? 2. O que o autor sugere, em primeiro lugar, para a santidade do obreiro? 3. Que comentário o autor faz sobre comunhão com Deus e leitura da Bíblia? 4. O que o livro propõe, baseado em Malaquias 2.6, como essencial para o sucesso? Qual é o grande sucesso na vida ministerial? III - FALHAS NO PASSADO 1. Que considerações o autor faz sobre submissão? IV - CONFISSÃO MINISTERIAL 1. Quais os temas da confissão feita pela Igreja da Escócia em 1651, destacados pelo autor do livro? 2. O que caracteriza cada um dos temas? 3. Qual o conteúdo da confissão antes do ingresso no ministério? 4. Qual o conteúdo da confissão quando da entrada no ministério? 5. Qual o conteúdo da confissão quanto aos pecados após o ingresso no ministério? V - AVIVAMENTO NO MINISTÉRIO 1. Quais as características do Avivamento, Segundo Bonar? 2. Qual a principal característica deste avivamento? Roteiro de estudo preparado pelo bispo Josué Adam Lazier, para estudo e reflexão com a liderança da Igreja
Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 11h09
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A crise desperata a criativade - preparando-se para o natal A CRISE DESPERTA PARA A CRIATIVIDADE 1. Durante a vida e o ministério do profeta Isaías o povo de Israel estava na iminente invasão pelos Assírios, uma grande potência que estendia seus limites e se aproximava da Terra Prometida. Israel faz aliança com a Síria, outro povo ameaçado e vizinho, para resistir aos invasores. O Reino de Judá, outra parte do povo de Israel é convidado a participar da resistência, mas o Rei Acaz decide fazer aliança e pagar tributos para os invasores Assírios. Com isto, Sírios e Israelitas ameaçam invadir o povo de Judá. 2. O profeta Isaías era contrário á aliança com os Assírios bem como em unir-se com os Sírios e Israelitas para a resistência armada. Para ele nenhuma das duas alternativas tinha algum futuro. Disse ao rei Acaz, Rei de Judá, que não devia confiar em armas e nos exércitos. A solução apontada pelo profeta era outra. Isaías falava de um Novo Tempo para o povo: tempo de esperança e paz, onde não haveria mais humilhações para as famílias e nem guerras para dissipar a sociedade judaica. No entanto o Rei não compreendia. Estava mais interessado em “garantir” pelas forças humanas a salvação. 3. Isaías continuava a declarar os oráculos de Deus sobre o assunto e a apontar sinais de que Deus libertaria Seu Povo, mas de maneira completamente diferente da buscada pelo Rei. Alguns sinais ensinaram isto: No meio da guerra, quando o povo de Judá estava perdendo, o Rei se apavorou e procurava solidificar suas defesas e defender a capital, quando Isaías surge para dar-lhe mais sinais: 1º) UM RESTO VOLTA - 7.3. Seu filho, um menino, cujo nome é UM-RESTO-VOLTA. O nome do menino traz uma mensagem para o rei. O que sobrou da guerra seria o sinal da libertação do seu povo. O futuro não estava assentado em grandes coisas, mas sim num menino, no resto que volta. 4. Isaías continua falando de um novo tempo e apresenta ao rei um novo sinal, outro menino: 2º) EMANUEL - 7.14. Uma jovem mulher está gravida e o seu filho pequenino ainda é o sinal de Deus para o Rei. O nome do menino será Emanuel, Deus presente, Deus conosco. 5. A guerra já estava causando muitas perdas. Estava chegando à capital. O sinal continua o mesmo - um menino: 4º) MARAVILHOSO, CONSELHEIRO, DEUS FORTE, PAI DA ETERNIDADE, PRÍNCIPE DA PAZ - 9.6. Os títulos usados são usados para referir-se aos reis e faraós. Isaías usa-os para designar o MENINO, um menino especial, que nasceria numa manjedoura mas teria nome de Rei. O novo tempo anunciado por Deus chegaria com este menino. 6. Finalmente, tudo estava arruinado e destruído. Muita morte e desesperança. Parecia não haver mais saída. Os sinais não foram vistos e interpretados. Mas o profeta continua com os olhos abertos e vê “um renovo”. No meio de troncos queimados e árvores caídas e secas, o profeta vê um renovo, sinal de ainda restava vida. Inspirado nesta imagem o poeta escreveu:
Da cepa brotou a rama, da rama brotou a flor, da flor nasceu Maria, de Maria o Salvador. 7. Em tempos de crise Deus chama seus profetas e profetisas para sonharem, enxergarem e proclamarem que do tronco seco brotou um renovo. Nestes tempos de crise Deus chama homens e mulheres com coragem para enfrentá-los e buscarem na criatividade a solução para as crises. 8. Os homens e mulheres chamados/as têm uma estranha audácia de audazes e não são repetidores de diálogos ou estereotipos. Bispo Josué Adam Lazier
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 11h04
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Esperar em Deus
ESPERAR EM DEUS O Salmista proclama bem alto para todos ouvirem: “Espera, oh Israel, no Senhor, desde agora e para sempre” - Salmo 131.3. No antigo Testamento alguns termos traduzidos por esperança ou esperar significam esperar, ansiar, aguardar, confiar. “Esperar como um ato fica em primeiro plano, e ocorrem nas promessas, exortações, mas, sobretudo como confissão da confiança, especialmente nos Salmos”.[i] Podemos encontrar esta esperança em Deus nos salmos 71.5, 52.9, 62.5, 130.5, 131.3, e outros. No salmo 119.116 o salmista chega a pedir a Deus que não deixe que a esperança seja motivo de vergonha. Duas palavras se destacam no Antigo Testamento: a primeira expressa a esperança em meio à angústia e em meio às lutas da vida (Jó 13.15 e Sl 130.7) e a segunda significa esperança com expectativa ou com desejo do coração (Sl 27.14 e Is 40.31).[ii] “Ambas as palavras expressam o sentido de esperar com confiança. Na verdade, o grande chão da esperança é a fé e a confiança em Deus em meio às crises e provações”.[iii] O salmista, ao compor o salmo 131 conjugou a esperança, cujo fundamento era a presença de Deus. Quando nós lemos este salmo nós tecemos a esperança em nossas vidas e nos fortalecemos para enfrentar as lutas da vida. Senhor Deus, desejamos ser renovados por Ti e renovados em nossa esperança para que as lutas da vida sejam motivos de força e superação, como frutos da Sua Presença em nós. Amém. Bispo Josué Adam Lazier
[i] Hoffmann, E. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. II. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, pg 115. [ii] Siqueira, Tercio Machado. Tirando o Pó das Palavras – História e Teologia das Palavras e Expressões Bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 93. [iii] Siqueira, Tercio Machado. Tirando o Pó das Palavras – História e Teologia das Palavras e Expressões Bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 93.
Categoria: Sermões
Escrito por Josué Adam Lazier às 10h51
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Con - cílio Estamos em con - cílio... "A celha (também chamada de cílio e pestana) é cada um dos pequenos pêlos que protegem as bordas externas das pálpebras, formando uma espécie de franja protetora do globo ocular. As celhas são como pequenas vassouras: protegem os olhos de poeira e pequenos insetos que caiam na região. Apesar de importante, não é a principal proteção da vista — o reflexo de fechar as pálpebras diante de um perigo é bem mais eficaz. Em média, nasce um cílio novo por dia" (Wikipédia). 
Inspirados no significado do cílio, podemos dizer que cada um dos membros do con-cílio são como pequenos protetores ou defensores da "menina dos olhos". Penso que a menina dos olhos de um con-cílio é a identidade e a confessionalidade que se expressa na eclesiologia e que promove a práxis, que é a missão. Se num concílio os cílios não cuidarem da "visão" eclesial, confessional e missionária, haverá divisão, pois os con-cílios estarão olhando para seus umbigos e não para os olhos dos outros, ou seja, sem o olho no olho não haverá diálogo, e sem diálogo não haverá concílio, e sem concílio ai dos cílios e sem os cílios em con, ai da "menina dos olhos". Tenho dito. Espero que alguém me entenda. Bispo Josué Adam Lazier
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 16h58
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Estamos em Concílio ESTAMOS EM CONCÍLIO PARA CONCILIAR, RECONCILIAR OU DESCONFIAR  Os meses de novembro de dezembro deste ano serão marcados pela realização dos Concílios Regionais. Sempre é bom lembrar o que significa concílio. Concílio quer dizer “convocação de uma representação determinada, para definir e deliberar sobre pontos atinentes à missão que lhe é própria”. O artigo 9º da Constituição da Igreja Metodista define Concílios como “órgãos jurisdicionais que se reúnem periodicamente para tratar dos interesses das respectivas áreas”. Neste sentido, o verbo conciliar tem vários significados que nos ajudam no cumprimento das nossas tarefas conciliares. Ele quer dizer “pôr de acordo”, “aliar, unir, combinar”, “atrair, granjear, captar”. Este convite é feito pela Palavra de Deus e está expressa em Filipenses 4.2: “...pensem concordemente, no Senhor”. O convite é para que conciliemos nossos desafios, nossos interesses, nossa disposição em servir ao Senhor, nossos sonhos, nossas esperanças, nossas convicções, nossas energias, etc. Como nos diz o apóstolo: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). Conciliar, portanto, tanto pode ser a pessoa que está presente num Concílio como delegado ou representante de alguma igreja ou órgão, mas também pode representar o diálogo que envolve estes conciliares em torno de idéias, de temas, de planos, de assuntos de suma importância para a vida da Igreja. Não há concilio se não houver disposição para a conciliação. A pergunta que fazemos no título desta reflexão é para provocar a reflexão: estamos em concílio para conciliar, reconciliar ou desconfiar uns dos outros e dos diferentes grupos que estão presentes no evento? Se for para conciliar ou reconciliar alguns temas se apresentam como fundamentais e norteadores dos trabalhos e dos debates conciliares: 1. Plano missionário. Qual é o plano? Quais são as estratégias de ação? Quem estará envolvido na realização do Plano? 2. Identidade confessional. Quais são as ênfases da identidade confessional que perpassaram pelas discussões, estudos e decisões? 3. Formação e educação da membresia. O que está sendo projetado em termos de formação, educação e mobilização dos diversos membros da Igreja para que não sejam alvos dos movimentos “pescaria no aquário” e dos grupos fundamentalistas e neo-pentecontais que se inseriram nos ambientes confessionais da Igreja? 4. Como os conciliares estão tratando dos temas da ética, cidadania, responsabilidade social, caráter e responsabilidade cristã? 5. Com relação à liderança das igrejas e dos ministérios qual será a ênfase? Formatação segundo um modelo estereotipado? Há uma “cartilha” oculta que deve ser seguida pelos líderes, caso contrário eles não poderão exercer suas lideranças? Ou há espaço para a diversidade no âmbito do exercício da liderança cristã? 6. E o discipulado? Vai virar encontro com Deus? Já virou encontro com Deus? Vai seguir propostas eclesiológicas antagônicas a eclesiologia metodista? Eu desconfio que os temas que estarão em pauta, formal e informalmente, serão os das eleições ao Concílio Geral e as candidaturas ao episcopado. Há quem desconfie que listagens estejam sendo distribuídas com nomes que deverão ser contemplados nas eleições e nomes que não devem ser considerados para nenhum cargo, sobretudo as de delegado ao Concílio Geral. Se for assim, é no mínimo lamentável. Como membro de um Concílio eu quero conciliar meus pensamentos, minhas energias e minhas forças para a conciliação e reconciliação. Espero não ter que desconfiar... Bispo Josué Adam Lazier
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h10
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Discipulando a liderança - estudo 4
A vitalidade do servo e da serva de Deus Lucas 17:7-10 O servo não espera ser servido O Reino de Deus não tem o costume de diplomar seus alunos, servos em constante crescimento, maturação e vivência das verdades e valores do Reino. Na verdade, esta parábola deve ser entendida em contraste com Lucas 12:35-38, que fala do senhor que serve aos escravos vigilantes. Trata-se de uma parábola exclusiva de Lucas. O tom da parábola tem sido localizado, equivocadamente, na expressão “servos inúteis”, destacando a inutilidade do servo. Para alguns, poderia até ser um diploma dado por Deus. Vejamos a mensagem central desta parábola. O costume da época Há uma ênfase equivocada, pois nenhum servo vocacionado por Deus é inútil, ao contrário, Deus dá potencialidade e talentos, além de dons espirituais, para que seus servos e suas servas cumpram com sua vocação. Qual é a ênfase desta parábola? Quando Jesus a profere, o faz nos padrões de comportamento do Oriente Médio. O relacionamento entre senhor e servo subentende a relação entre autoridade e obediência sem questionamentos. Era uma questão cultural cristalizada na sociedade de Israel. "No Oriente Médio ninguém imaginava que um servo esperaria honras especiais depois de cumprir a sua obrigação no campo”.[1] Terá de agradecer ao servo...? – v. 9 A palavra grega nesta parábola não é comum em outros textos do Novo Testamento eucharisteo (agradecer), mas a expressão charin (graça/favor). Literalmente o texto ficaria assim: "Terá ele graça/favor do servo?”. A parábola fala do trabalho realizado e seus resultados. Depois do trabalho o servo não tem nenhum direito e nem alcançou favor algum[2], pois fez o que deveria ter feito. A refeição vespertina a que se refere a parábola não era realizada às oito da noite, mas no meio da tarde, às três horas. A jornada de trabalho era curta e, após o jantar, ainda restavam algumas horas de trabalho, o que poderia ser feito dentro da casa, ou seja, tarefas domésticas eram praticadas depois do jantar. Era comum ao escravo, ao voltar do campo, preparar a mesa do senhor antes de cumprir outras tarefas domésticas. O camponês da parábola não vive em folgada situação econômica. Ele pode manter apenas um servo, que faz tanto os trabalhos do campo como os da casa.[3] Sem merecimento – v. 10 O significado da expressão inútil na parábola é alguém dispensável, a quem o senhor não deve agradecimento. A melhor tradução seria: "somos servos a quem nada se deve". Esta palavra pode significar também o “que não dá lucro”[4]. O discípulo, depois de cumprir com todo o seu dever, deve dizer: "nada me devem, cumpri com prazer o meu dever”. Esta parábola é relevante quando abordamos a vocação no contexto de dons e ministérios, lembrando os outros momentos de Jesus com seus discípulos (João 13 a 17). Antes disso, Jesus exerceu uma atividade cultural ao lavar os pés dos discípulos e demonstrar o caminho do serviço. Este enfoque é relevante hoje, pois o exercício da vocação tem sido usado para promover status e interesses pessoais, familiares e de grupos, mediante a reinvidicação de direitos. Vocação significa estar a serviço daquele que vocacionou. O vocacionado é um servo que, ao cumprir suas responsabilidades, não possui direito algum. Ele vive na perspectiva da gratuidade do Reino de Deus. Este sentimento e convicção na vida do discípulo de Jesus é resultado da vitalidade do Evangelho. O que devíamos fazer... – v. 10 A vocação tem sido também veiculada como meio de poder e status, o que contraria o caminho da cruz que Jesus seguiu. Há quatro aspectos a serem destacados na vida do servo e da serva de Deus que cumprem a sua vocação: Espírito de serviço – Somos chamados a servir aos outros no cumprimento da nossa vocação, e não para nos servir dela. Disciplina – O servo é alguém que venceu a si mesmo e depositou seus sonhos e projetos pessoais na cruz de Cristo. Obediência – Como servos, estamos sob autoridade e seguimos normas e orientações. No entanto, autoridade deve ser exercida como expressão de serviço e não de dominação, autoritarismo, ameaças e intimidações. Espírito de gratuidade[5] – Se houver disputa pelo poder entre nós, será o fim do ministério e missão, pois como servos, somos chamados a servir com alegria e esperança e nos libertar da ambição pelas recompensas e posições. O servo e a serva do Senhor são pessoas que vivem sob o impacto do poder do Evangelho de Jesus e são por Ele transformados para a vivência do serviço e a convivência na perspectiva da graça de Deus. Bispo Josué Adam Lazier
[1] BAILEY, K. As parábolas no evangelho de Lucas. São Paulo, Vida, p. 298. [3] JEREMIAS, Joaquim. As parábolas de Jesus. São Paulo, Paulinas, p. 193. [4] MORRIS, Leon L. Lucas – Introdução e Comentário. São Paulo, Mundo Cristão, 1986, p. 241. [5] WENZEL, João Inácio. O caminho do seguimento no evangelho de Lucas. CEBI, 1998, p. 64.
Categoria: Pastorais
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h46
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É tempo de ver as flores É TEMPO DE VER AS FLORES Segundo a parábola de Lucas 12.26  Lucas escreve esta pequena parábola num ambiente onde havia grande a ansiedade pelas coisas fundamentais para a sobrevivência e a solicitude pelo que pode acontecer no futuro. Os discípulos de Jesus vivenciam esta ansiedade, ao lado de uma multidão que também tinham expectativa de transformações em seu contexto de vida. Lucas coloca esta parábola na parte em que descreve a caminhada de Jesus para Jerusalém, centro que legitimava muitas situações de injustiças e que rejeita a proposta de Jesus de que o Reino de Deus é o caminho para esta crise. O Reino não é mágico a ponto de imunizar seus seguidores dos problemas de uma sociedade injusta e opressora. Mas aponta um caminho, propõe uma saída e convida os ouvintes para uma nova prática. Ele também não é utópico, mas esperança e ideal de transformação. Jesus fala das flores do campo e da beleza que elas têm. Estas flores não fabricam como os homens, mas Deus as veste com uma beleza com a qual nem sequer as roupas deslumbrantes de Salomão poderiam comparar-se. As flores do campo apresentam uma mensagem para os ouvintes de Jesus, mensagem de renovação da semente, de alegria e novidade que as tonalidades e os perfumes das flores apresentam.

Embora belas e perfumadas, as flores são temporárias, mas no pouco tempo de vida elas se dedicam a inspirar a vida. Se Deus cuida das flores que desaparecem rapidamente, quanto mais cuidará do Seu povo! Esta ilustração anima os discípulos e o povo em sua caminhada. Parece claro que o texto está questionando a ansiedade irresponsável e egoísta que leva a pessoa a acumular em detrimento dos outros, atitude que Jesus atribui aos "gentios", isto é, aos injustos, egoístas, avarentos, mundanos, malignos, etc. A preocupação responsável é legítima. O Reino de Deus apresenta a solidariedade que ajuda a eliminar as diferenças causadas por uma sociedade injusta. "A verdadeira liberdade nasce da aceitação do Reino como um dom que vem do Pai, e se torna o princípio de todas as decisões e de todos os atos (vv. 31-34). Uma vez que o coração está preso ao absoluto do Reino, torna-se livre para conhecer o que é relativo, e dá força para uma renúncia capaz de abandonar o que é perecível e orientar a vida para aquilo que não perece”.[1]2 Recebemos o desafio da tradição bíblica de superarmos as crises da vida e as desesperanças acreditando no Reino de Deus e nos Seus valores. A luta pelas coisas necessárias para a sobrevivência não é "condenada" por Jesus, mas sim a ansiedade irresponsável e egoísta. Oremos para que entre nós a conversão ao Reino de Deus seja constante. Bispo Josué Adam Lazier
[1] Gorgulho, G.S. - Anderson, A.F. O Caminho da Paz. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1984, p. 160.
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 13h17
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O exercício da liderança segundo a saudação paulina aos filipenses
O EXERCÍCIO DA LIDERANÇA SEGUNDO A SAUDAÇÃO PAULINA AOS FILIPENSES - 1.1- Discipulando a liderança - estudo 3
Introdução Logo na saudação da carta (1.1-2) encontramos uma pista do tema que vai nortear todo o conteúdo da mesma e, conseqüentemente, uma pista para a liderança da igreja cumprir cabalmente o seu ministério: Paulo apresenta-se, ao lado de Timóteo, como um doulos - literalmente um escravo. Paulo costuma chamar todos os cristãos de “santos”, mas o termo escravo é reservado para aqueles membros da igreja que se encontram dedicados ao serviço: Rm 1.1, Gl 1.10, 4.12. Apresentando-se assim Paulo está destacando sua vocação, sua sujeição a Cristo e a característica do seu ministério. Destaca-se que nesta saudação Paulo não usa sua habitual apresentação de apóstolo, mas apenas a de servo. Na saudação ainda, além de auto apresentar-se como escravo, o apóstolo indica os diáconos e os epíscopos (duas palavras gregas). O termo diácono tem como seu sentido primitivo o servir à mesa. Num sentido mais amplo significava cuidar da subsistência dos outros. Já o termo grego epíscopo tem como sentido original o servidor ou o vigia. No grego mais clássico foi usado para referir-se ao defensor ou patrono. Estes dois termos (diáconos e bispos) foram usados nas cidades do mundo grego e romano para referir-se aos serviços municipais praticados, designando o servidor e o guardião, respectivamente. A figura do bispo e do diácono passou a ser uma ordem claramente definida na Igreja Cristã somente no século II e seguintes. Na época de Paulo não havia esta definição claramente.
Diáconos e epíscopos O que determinava a autoridade destes na comunidade de Filipos não era o cargo em si, mas sim o serviço que prestavam. Os serviços, ou os dons, eram tidos como “dons da graça” e o que conferia algum sentido de autoridade era o exercício do mesmo em prol de toda a comunidade. Podem ser identificadas neste grupo as pessoas responsáveis em cuidar dos pobres e realizar tarefas administrativas, bem como a função de liderança ou chefe, em analogia com os chefes das sinagogas. Mas baseados em textos como II Coríntios 11.23, 3.8, 5.18, 12.28 e Romanos 12.7-8, observamos que o termo sofreu uma evolução no seu significado passando a identificar o “serviço” relacionado a um dom ou função e, no caso de epíscopos, função relacionada aos profetas e mestres. Concluímos que os dois termos podem referir-se às mesmas pessoas que ora estão enfrentando lutas e dificuldades pela postura que adotaram na sociedade e que tem a ver com o evangelho de Jesus Cristo. Mas como aconteceu com os “sete” escolhidos para auxiliar os Doze Apóstolos e que acabaram por exercer o dom de evangelistas pregando e batizando (Atos dos Apóstolos, capítulos 6 e 7), diáconos e epíscopos em Filipos identifica os pregadores leigos e leigas desta promissora comunidade. Portanto, diáconos e bispos faz uma referência a proclamadores e pregadores. Provavelmente não foram eleitos pela comunidade e nem consagrados para tal fim, mas receberam de Deus serviços que lhes conferem tal autoridade, embora não institucionalizada pela comunidade. Estes foram solidários com Paulo durante suas lutas e prisões. Outros pregadores Além dos diáconos e epíscopos, outros proclamadores e proclamadoras do evangelho são mencionados/as ao longo da carta. Vejamos um pouco da vida e das características destes e destas: 1. Timóteo - Filipenses 2.19-34 e Atos 16.1-4 - Era um jovem tímido, não muito resistente fisicamente falando. Paulo exortou-o a reavivar o dom (II Tim 1.6) e recomendou cuidados com sua saúde (I Tim 5.23). Nasceu na cidade de Listra, localizada no centro da Ásia Menor. Timóteo converteu-se na primeira passagem de Paulo por Listra. Apesar de ser jovem tímido e relativamente doente, recebeu a incumbência de proclamar o Evangelho. Foi companheiro de Paulo durante muitos anos, vivendo e aprendendo com o apóstolo o enfrentamento de situações difíceis. Ele foi um dos grande amigos de Paulo que chega a chamá-lo de filho (2.22). 2. Epafrodito - 2.25-30 - Ele ficou doente numa das viagens até a prisão onde estava Paulo. Ele arriscou sua vida para atender as necessidades do apóstolo, representando a comunidade de Filipos. Paulo, nas entrelinhas da sua carta, destaca Epafrodito entre seus colaboradores. Dá a ele 5 títulos (2.25): irmão, colaborador, companheiro de lutas, mensageiro e “pronto para atender as necessidades...”. Esta última expressão é uma tradução da palavra grega “leiturgos”. Ela se repete em 2.30. Leiturgos significava uma pessoa que se expunha em perigos pelos amigos, como um advogado numa contenda legal. Também era usada para referir-se a mercadores que, para ter lucro, expunham-se a perigos de morte. Na Igreja pós-apostólica referia-se às pessoas que arriscavam suas vidas cuidando dos doentes e enterrando os mortos. Esta foi uma das características de Epafrodito: ser solidário e pronto para atender as necessidades dos outros. Provavelmente ele era um diácono-epíscopo. 3. Evódia e Síntique - Filipenses 4.2 - Quando Paulo e Silas chegaram a Filipos não encontraram uma sinagoga de judeus organizada, mas sim um lugar ao lado do rio onde um grupo de mulheres piedosas se reunia para orar. A primeira a aceitar foi Lídia e depois vieram outras, entre elas estavam Evódia e Síntique. Elas devem ter ocupado um lugar entre os “diáconos e epíscopos” da Igreja de Filipos. Não temos muita certeza do que estava acontecendo, mas o certo é que elas participaram das lutas de Paulo pela proclamação do Evangelho. Não temos outra informação sobre estas duas mulheres, a não ser o fato de que o apóstolo destaca a participação das duas no contexto de uma carta pastoral. Parece que as duas estavam em conflito no seu relacionamento e por isso Paulo pede que elas unânimes no Senhor. 4. Sízigo e Clemente - 4.3 - São também mencionados como companheiros e colaboradores ao lado de outros, cujos nomes não são mencionados. 5. Lídia, a comerciante - Atos 16.13-15 - Era natural de Tiatira, cidade de Lídia, na província da Ásia Menor. Era comerciante de púrpura na cidade de Filipos, onde vivia e trabalhava. Lídia era uma das mulheres que se reunia ao lado do rio para orar. Logo se converteu com a pregação de Paulo. Demonstrou ser uma mulher decidida e corajosa, pois abriu sua casa para receber os missionários e os novos convertidos. Após a libertação da prisão em Filipos, Paulo e Silas se dirigiram para a casa de Lídia onde os cristãos estavam reunidos. Ela pode ser indicada como a primeira mulher a aderir ao cristianismo na Europa. Recomendações pastorais Paulo faz várias recomendações aos filipenses, especialmente estes e estas que destaca ao longo da sua carta. São recomendações pastorais e paternais, pois Paulo era pastor e pai dos filipenses. Podemos dizer que são palavras que saem do coração do apostolo para animar, encorajar e orientar seus “filhos” na fé e proclamadores do Evangelho de Jesus Cristo. 1. Reconhecer as pessoas que auxiliam o trabalho - 4,3. Ninguém consegue exercer um ministério sozinho. Precisamos da participação e da ajuda de outros. Estas pessoas que nos ajudam merecem nosso reconhecimento e nossa lembrança. Muitos ajudam de maneira anônima, mas o verdadeiro líder é aquele ou aquela que sabe identificar seus cooperadores, seja qual for o ministério que exerçam. 2. Servir a Deus com alegria - 4.4. Paulo insiste neste tema. O ministério deve ser exercido com alegria e prazer. Há lutas e dificuldades, mas vencemos com alegria e prazer, pois estamos servindo ao Senhor da Igreja. Às vezes não entendemos a vontade de Deus ou temos dificuldades para aceitá-la, por isso é ministério e por isso nós somos ministros, a serviço do Senhor da Igreja. Mas demonstramos prazer e alegria no que fazemos. 3. Exercer o ministério com moderação - 4.5. A palavra em grego significa uma firmeza paciente e humilde, confiante em Deus a respeito de tudo. O servo e a serva do Senhor precisam ter disciplina e moderação. Os exageros são resultados de um ministério indisciplinado e sem objetivos concretos. Muitos entram na roda viva ou no desleixo porque não cultivam o hábito da disciplina e da moderação. Alguns dedicam muito tempo para seu ministério em detrimento de outras atividades que são necessárias e fundamentais para a vida, como por exemplo, a família. Alguns “trabalham de menos” dedicando pouco tempo para seu ministério. A recomendação de Paulo é oportuna neste tempo de correria, de ansiedade e de expectativas. 4. Não andar ansioso, mas descansar em Deus - 4.6. Paulo recomenda que o ministro tenha o hábito de apresentar a Deus suas necessidades e seus anseios. Pessoalmente penso que Paulo está falando de vida devocional. A vida devocional é a fonte do cristão. Ela alimenta o coração e muda a mente - 4.8. Esta é uma prática que não se aprende na sala de aula ou no gabinete do bispo, mas sim no exercício perseverante da meditação, reflexão, oração, jejum, estudos sistemáticos e leituras adequadas. Este é um hábito saudável que precisa ser aprendido e cultivado nos dias modernos. 5. Finalmente, que a Paz acompanhe nosso ministério - 4.7 e 4.9b. Não façamos nada por partidarismo ou vanglória e que nosso ministério seja marcado pela paz que produzimos. Nada como ser pastoreado, dirigido e liderado por uma pessoa que transmite paz interior e segurança da vontade de Deus para sua vida. Que as palavras do apóstolo continuem a alimentar a liderança da igreja e, sobretudo, a motivar o compromisso com a missão a ser cumprida tendo o Reino de Deus como eixo norteador dos atos de liderança. Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h28
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QUE PAÍS É ESTE
QUE PAÍS É ESTE Já somos o país do carnaval. Somos também o país do futebol. Sediaremos a Copa do Mundo de futebol de 2014. O Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos de 2016. Parece que somos o país das comemorações. Mas quando celebraremos a derrota da mortalidade infantil? Quando faremos um “carnaval” porque a violência contra a criança e a mulher foi debelada em nossa sociedade? Quando faremos uma “Copa” para comemorar o fim da desigualdade social e econômica? Quando organizaremos “Jogos Olímpicos” para celebrar a vitória da ética e da moral contra a corrupção? Quando seremos um país de fato democrático e progressista? Se há recursos públicos e privados por que não foram ainda aplicados para minimizar a dor e o sofrimento de uma grande parcela da sociedade brasileira, não com esmolas ou donativos, mas com ações transformadoras da realidade que vivemos. Quando sairemos da ilusão que alguns midiáticos plantam todos os dias? A festa e a celebração pela escolha do Rio de Janeiro para ser a Sede das Olimpíadas de 2016 evidencia a carência e a auto-estima baixa de um povo que tem força para superar as adversidades da vida, mas que sofre as dores das injustiças e dos desmandos de governantes e líderes. Onde estarão os recursos para a saúde, para a educação, para a autonomia e para o desenvolvimento sustentável em terras brasileiras? De onde virão os recursos para a Olimpíada? Dos impostos que são pagos pelos brasileiros? Da iniciativa privada? Será? Ou os recursos para a olimpíada virão da falta de recursos para que a dignidade alcance todos os brasileiros? Muitos celebram a escolha da sede olímpica. Muitos choram esta mesma escolha. A desigualdade social continua vigente, com aplausos de muita gente. Afinal, para hospedar os jogos olímpicos vale a carestia da dignidade mínima do cidadão brasileiro! Vale? Bispo Josué Adam Lazier
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 10h18
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DOIS ANOS DO BLOG Hoje está completando dois anos que me utilizo deste canal de comunicação para "dialogar" com amigos e leitores sobre a vida, sobre os desafios da sociedade e o impacto dos mesmos para o ministério cristão, entre outras reflexões. Tenho recebido muitas mensagens em resposta aos textos e sei que há um grande número de pessoas utilizando minhas contribuições através do blog para mensagens, reflexões e estudos. Ao completar dois anos, reflito que de uma certa forma estou contribuindo para o desenvolvimento de uma educação reflexiva e transformadora. Um amigo me escreveu certa vez classificando minhas reflexões e dizendo que algumas são doces e de fácil digestão; outras mistura temperos e dão um sabor diferenciado aos textos e outras são muito ácidas e provocativas de uma reflexão mais aprofundada. Acho que é por aí mesmo... Espero continuar escrevendo, pois quando o faço me transformo e me torno mais humano. Deixo o convite para que você continue a visitar meu blog! Um abraço 
Bispo Josué Adam Lazier
Categoria: Reflexões
Escrito por Josué Adam Lazier às 13h34
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