Discipulando a liderança


 
 

As Discípulas de Jesus

 

 

AS DISCÍPULAS DE JESUS

MARIA DE BETÂNIA E MARIA MADALENA

  

O nome Maria era muito comum na época de Jesus. Maria era a forma grega do hebraico Miriã.  No Novo Testamento o nome Maria indica algumas mulheres:

1. Maria, mãe de Jesus (Lc 1.26-38);

2.     Maria, irmã de Marta, conhecida depois como Maria de Betânia (Lc 10.38-42 e Jo 12.1-3);

3. Maria Madalena (Lc 8.2);

4.     Maria, mãe de Tiago (Mt 27.56);

5. Maria, mãe de João Marcos (Atos  12.12);

6. Maria, saudada por Paulo em Rm 16.6.

 

Nesta reflexão vamos conhecer a Maria de Betânia  e a Maria Madalena.

 

Quem eram elas?

 

Lucas 10.38-42

Maria de Betânia morava junto com sua irmã, Marta, que convidou Jesus para ir à sua casa. Jesus, quando estava lá, começou a ensinar as pessoas que foram ouvi-lo. Maria estava entre os ouvintes, absorvida e interessada pelas palavras de Jesus. Marta reclamou, pois Maria não estava ajudando no serviço. Jesus repreendeu, então, a própria  Marta, que estava ansiosa com o serviço e não encontrava tempo para ouvir os ensinos do mestre.

 

João 11.1-6

Maria tinha também um irmão chamado Lázaro. Lázaro morreu e as duas irmãs  foram avisar Jesus, pois Lázaro era seu amigo. O v.5 diz que Jesus amava os 3 irmãos. Alguns dias depois, Jesus foi até a casa deles. Lázaro havia sido sepultado há 4 dias (João 11.17), mas mesmo assim Jesus o ressuscitou (João 11.43-44).

 

João 12.1-3

Jesus estava na aldeia chamada Betânia, novamente na casa de Marta, Maria e Lázaro. Marta estava servindo à mesa quando Maria entrou com um vidro de perfume (Bálsamo de nardo puro), que custava muito caro, e ungiu os pés de Jesus. Depois enxugou com seus cabelos. Com esta atitude demonstrava sua devoção para com o mestre e, sem saber, preparava Jesus para a morte. Na época era comum embalsamar as pessoas que morriam. O nome Maria de Betânia é por causa da aldeia chamada Betânia, onde Maria ungiu os pés de Jesus.

 

Lucas 8.1-3

Maria Madalena deriva de uma aldeia da Galiléía chamada Magdala. Maria tinha alguns problemas de saúde física e mental. A prova disto é que ela foi liberta de 7 demônios. Isto era comum entre as pessoas da época que viviam em situação de pobreza. Não eram mendigos, mas viviam numa situação de falta de alimentos. A conseqüência disto eram doenças físicas e mentais pois o povo não tinha como pagar um médico e nem acesso a remédios. Jesus libertou Maria das opressões que limitavam a sua vida e por isso ela tomou-se uma discípula de Jesus.

 

João 20.1-10 e Mateus 28.1

Maria Madalena foi a primeira testemunha do sepulcro vazio. No domingo cedo ela foi ao sepulcro, junto com a mãe de Tiago, e vendo que o sepulcro estava aberto correu para avisar aos discípulos. Assim, ela participou do anúncio da ressurreição.


João 20.11-18 e Marcos 16.9

Maria Madalena estava chorando junto ao sepulcro, pensando que o corpo de Jesus havia sido roubado. Neste momento Jesus  apareceu a ela e deu-lhe a responsabilidade de avisar os irmãos de que Ele estava vivo. Ela descobriu o túmulo aberto, reconheceu Jesus ressurreto e anunciou a sua ressurreição.

 

O que elas fizeram e o que nos ensinam?

 1. Elas foram as primeiras discípulas de Jesus (Lucas 8.12e Lucas 10.38-42). Ensinam que não somente os homens foram discípulos, mas também um grupo ou mulheres participou do ministério de Jesus e no anúncio do  Reino de Deus.

 

2. Como discípulas, tinham  responsabilidades. Maria de Betânia demonstrou serviço ao ungir os pés de Jesus, mostrando que estava disposta a servir. Maria Madalena recebeu a missão de anunciar a ressurreição.  Foi a primeira testemunha e a primeira a anunciar que o Senhor estava vivo. Com isto demonstram a participação ativa das mulheres.

 

3. Demonstram também que foram líderes na Igreja Primitiva e que o discipulado que exerceram deve ser seguido por todos, pois elas souberam “captar” bem a proposta de Jesus acerca do discipulado, que tinha como fundamento a convivência e o desenvolvimento da afetividade.

 

Bispo Josué Adam Lazier

(Estudo publicado na Flâmula Juvenil – III Quadrimestre de 1991)

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h20
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Um povo peregrino

UM POVO PEREGRINO

 

Reporto-me às palavras do apóstolo Pedro que se dirige aos cristãos da dispersão que estavam no Ponto, Galacia, Capadócia, Ásia e Bitínia. O apóstolo chama-os de forasteiros, porque viviam em outras terras, mas assim o faziam como eleitos de Deus e santificados no Espírito Santo ( I Pe 1.2). Estes forasteiros em I Pedro aprenderam o valor do que Deus pode fazer com e através daqueles que se colocam a disposição do Reino de Deus. Eles aprenderam a ser despojados (I Pe 2.1), e conseqüentemente, a depender da Graça e providência de Deus.

 

Em primeiro lugar Pedro diz a estes irmãos que eles foram eleitos pela presciência do próprio Deus para fazerem parte do seu Reino e da sua justiça. Foi Deus quem nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para fazermos parte de sua herança incorruptível, em amor. E o apóstolo exorta para construirmos a nossa “casa espiritual sobre a rocha que é Cristo para sermos sacerdócio santo” (I Pedro 2 .4).


A segunda coisa muito importante é perceber que sem Jesus nós não somos um povo perante Deus. No versículo 10 do capítulo 2 o apóstolo diz: “vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus. Que não tínheis alcançado misericórdia, mas que agora alcançastes misericórdia.” Deus escolheu pessoas de todas as partes do mundo para fazer parte de seu reino. O interessante é que Deus não observa os limites geográficos e políticos que os homens estabelecem entre si. E isto também nos leva a pensar a Igreja em termos de uma comunidade global, uma instituição que está a serviço de toda a humanidade e em todas as partes do mundo, independente do credo e da etnia. Servimos a um Deus que nos ama independentemente de nossa origem.


Como sacerdotes e sacerdotisas de Deus, recebemos dons e ministérios, que são oportunidades de serviço a Deus e à sociedade. Os dons não nos promovem, mas nos comprometem com a missão de Deus. As posições, as funções, os cargos, são necessários, mas não indicam quem é mais ou menos, pois na perspectiva do Reino de Deus todos são servos, são menores e, portanto, substituíveis. Por sermos povo de Deus caminhemos sempre pelos caminhos apontados pelo Evangelho de Cristo, como peregrinos que buscam deixar as marcas de uma caminhada pela santidade bíblica e frutos do testemunho evangelizador e transformador da realidade.

 

Considerar as palavras do apostolo Pedro é pensar na dimensão pública do pastoreio e do serviço que a Igreja deve prestar à sociedade. É pensar na inclusão dos que são excluídos, é pensar na libertação dos que são oprimidos, é denunciar quando a vida, dom de Deus, é aviltada pela violência contra crianças, contra mulheres, contra os idosos e contra os que são diferentes, é pensar na vida integral e no resgate da dignidade humana.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h18
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Discipulando a Liderança - estudo 2

DISCIPULANDO A LIDERANÇA

Segunda reflexão

 

A expressão Tu, porém, aparece diversas vezes nos textos bíblicos. Algumas referências estão relacionadas com o exercício da liderança e do pastoreio:

 

a) quando Deus determina que Moisés permaneça onde está para receber todos os mandamentos, estatutos e juízos a serem ensinados ao povo para correto cumprimento (Dt 5.31);

 

b) Após Saul ser ungido para a função de rei sobre Israel, Samuel determina que ele vá a Gibeá-Eloim, aonde, inspirado pelo Espírito do Senhor, profetizaria com outros profetas (1Sm 10.8). Ali, Saul seria mudado em outro homem e, após outros sinais, desceria a Gilgal, aonde esperaria por Samuel por sete dias “até que venha ter contigo e te declare o que hás de fazer”;

 

c) Após determinar que Ezequiel volvesse o rosto contra Jerusalém, derramasse as palavras contra o santuário e profetizasse a destruição pela espada contra a terra de Israel, o Senhor determina que o profeta suspire de coração quebrantado e com amargura (Ez 21.6);

 

d) Daniel recebe a ordem para encerrar (selar) o livro sobre o tempo do fim (Dn 12.4);

 

e) Daniel recebe o apelo de seguir até o fim, sem desanimar, porque a recompensa virá (Dn 12.13); f) Jesus aconselha que a prática do dar esmolas ocorra sem estardalhaços, e assim, “ignore a tua mão esquerda o que faz a tua direita...” (Mt 6.3,6,17). Mesmo procedimento para prática da oração (v.6) e para o jejum (v.17);

 

f) O texto parece alegórico, porém, a resposta de Jesus a um dos ouvintes é clara e simples “Tu, porém, vai e prega o reino de Deus” (Lc 9.60); g) Paulo apela para que o povo de Deus assuma uma postura de fé diante do Senhor (Rm 11.20).

 

Além destes, há outros textos que enfatizam o Tu, porém, tais como quando o salmista usa a expressão para se dirigir a Deus: a) Em sua oração, Davi apela para a presença e socorro do Senhor (Sl 22.19); b) Davi clama pelo socorro e compaixão do Senhor para que vença seus inimigos contumazes (Sl 41.10); c) Dentro do saltério e do cântico de louvor a Deus, o salmista se rende a Deus em ações de graças porque  tu, porém, Senhor, és Altíssimo eternamente” (Sl 92.8); d) O autor derrama-se perante o Senhor, aflito, desfalecido, suplicante, contudo, reconhece a eternidade de Deus, cujos “anos jamais terão fim” (Sl 102.12,27).[1]

 

As duas cartas endereçadas a Timóteo são apresentadas para toda a liderança da igreja hoje, seja ela clériga ou leiga, com a expectativa de que o Espírito Santo “sopre as brasas quase apagadas” (2Tm 1.6), numa referência ao despertamento e ao reavivamento vocacional e ministerial. Timóteo ouviu essa recomendação apostólica e seu ministério foi revitalizado. Que assim seja com os diversos ministérios exercidos na Igreja de hoje.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] A pesquisa dos textos e comentários neste parágrafo foram feitos pelo pr. Jair Dias Ferraz.



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h23
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Discipulando a Liderança - estudo 1


DISCIPULANDO A LIDERANÇA
Primeira reflexão

Estamos iniciando uma série de estudos objetivando o discipulado da liderança da Igreja. Esperamos que estas reflexões contribuam para o diálogo e na convivência entre a liderança, criando laços de afetividade e de compromisso ministerial.


DEFINIÇÃO DE LIDERANÇA

“É a habilidade de reconhecer as capacidades especiais dos outros e as limitações, combinada com a capacidade de colocar cada pessoa no trabalho em que ela renderá o melhor possível”.1

“A habilidade de escolher pessoas a quem possa delegar autoridade com segurança e, em seguida, delegar mesmo, é a maior característica do verdadeiro líder”.2

“É o trabalho de despertar e conduzir o homem para Deus e para tudo o que dEle recebeu. É um trabalho de amor. É fazer com que o outro descubra o verdadeiro amor, o Deus que se encontra inserido em cada um de nós e no mundo”.3

“A Verdadeira Liderança não é alcançada pela sujeição de pessoas ao nosso serviço, mas mediante a nossa consagração ao serviço das pessoas. O Verdadeiro Líder está mais interessado no serviço que pode prestar a Deus e aos companheiros, do que nos benefícios da liderança”.4

“A Liderança é o esforço de exercer conscientemente uma influência especial dentro de um grupo no sentido de levá-lo a atingir metas de permanente benefício que atendam as necessidades reais do grupo”.5
.
“O líder não nasce feito, mas se faz. Deus pode dar dons especiais a alguns, mas esses dons jamais virão à tona se eles não fizerem algum esforço para desenvolvê-los e exercitá-los”.6

“Um líder genuíno trabalha no sentido de chamar e não de pressionar”.7

“Os líderes mais fortes são aqueles que receberam uma forte afirmação de sua própria personalidade de modo libertador, não apenas para liderar uma causa, mas também para servir a outros”.8

“O verdadeiro líder espiritual está infinitamente mais interessado no serviço que ele pode prestar a Deus, e a seus companheiros, do que nos benefícios e prazeres que ele poderia extrair da vida. Seu objetivo é servir à vida, e não se aproveitar dela”.9

“De que tipo de liderança nosso mundo precisa? Uma liderança baseada na Bíblia, tendo Cristo como centro, é o único tipo que poderá desarmar o fusível da bomba relógio formada pelas pessoas revoltadas da terra. Uma liderança desse tipo terá como preocupação principal à evangelização do mundo”.10

“Os administradores querem fazer as coisas certas. Os líderes querem fazer certo as coisas”.11

“Líder é aquele que presta reconhecimento aos que o precederam”.12

“O líder põe-se diante de seus seguidores, empregados, acionistas ou membros de igreja, visualiza o potencial existente num novo empreendimento e diz: ‘vamos em frente”.13

“Nós, líderes, esquecemo-nos muitas vezes de que o verdadeiro lugar da liderança cristã é no meio da multidão, não na mesa principal”.14

“Os líderes servos têm paixão pela missão porque esta é tão primordial na vida deles que já se tornaram literalmente seus servos. Essa paixão pela missão impele o líder a recrutar e capacitar outros para que se juntem a ele na missão”.15

“O líder-servo é antes de mais nada servo... Tudo começa com o sentimento natural de que o indivíduo quer servir, servir em primeiro lugar. Depois, a escolha consciente leva a pessoa a aspirar à liderança”.16

“A vida espiritual do líder se concentra numa única e poderosa idéia – serviço... O líder espiritual é aquele que se rende a Deus para trabalhar melhor”.17

“As pessoas reagem bem a um líder que apela para o que há de melhor dentro de cada um e as motiva a realizar bons trabalhos ao servir aos outros”.18

“O principal adversário dos líderes vem dentro deles – a tentação de abusar de sua posição de liderança”.19


CARACTERÍSTICAS NEGATIVAS DE LÍDERES – Ezequiel 34.1-10

Cite as características negativas que o texto do profeta Ezequiel apresenta sobre os líderes da época:

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UM EXEMPLO A SER SEGUIDO – Josué

Observe os aspectos que são destacados na liderança que Josué exerceu junto ao povo de Deus no Antigo Testamento:

* Era discípulo/servo – Dt 34.9; Js 1.1

* Recebeu orientação específica para o ministério – Dt 31.7-8; Js 1.6-8


* Chama o povo ao compromisso – Js 3.5


* É obediente a Deus – Js 6.6


* Distribui tarefas – Js 6.7


* Dá orientação clara ao povo – Js 6.10


* Dá o exemplo – Js 6.12


* Não esquece compromissos assumidos – Js 6.22


* Intercede pelo povo – Js 7.6


* Chama o povo à responsabilidade – Js 7.13


* Exorta com amor – Js 7.19


* Fundamenta seu ministério nas palavras da Lei de Deus – 8.34-35


* Foi um servo do Senhor – Js 24.29


* Usa símbolos para animar a fé do povo – Js 3.6;  8.34


* Coloca-se como exemplo -  Js 24.15


Para concluir este primeiro estudo, reflita sobre as definições apresentadas e escolha aquela que melhor descreve a liderança que você exerce. Procure identificar entre elas aquela que representa um desafio maior para sua vida.

Josué Adam Lazier
Bispo Honorário

 

1 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 123.
2 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 123.
3 Minervino, J.R., Liderança cristã – um desafio, E. Paulinas, 1979, pg. 19.
4 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 9.
5 Haggai, John, Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990, pg 20.
6 Haggai, John, Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990, pg 24.
7 Ford, Leighton, Jesus – o maior revolucionário, VINDE, 1994, pg 38.
8 Ford, Leighton, Jesus – o maior revolucionário, VINDE, 1994, pg 38
9 Sanders, J. Oswald, Liderança Espiritual, Mundo Cristão, 1985, pg 9.
10 Haggai, John, Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990, pg 29.
11 Bennis, W. – Nanus, Burt, Líderes – Estratégias para Assumir a Verdadeira Liderança, Editora Harbra, 1988.
12 Youssef, Michael, O Estilo de Liderança de Jesus – como desenvolver as qualidades de liderança do Bom Pastor, Editora Betânia, 1987, pg. 26.
13 Youssef, Michael, O Estilo de Liderança de Jesus – como desenvolver as qualidades de liderança do Bom Pastor, Editora Betânia, 1987, pg. 35.
14 Wilkes, C. Gene, O último degrau da Liderança, Mundo Cristão, 1999, pg. 25.
15 Wilkes, C. Gene, O último degrau da Liderança, Mundo Cristão, 1999, pg. 31.
16 Robert Greenleaf, citado por Wilkes, C. Gene, O Último degrau da Liderança, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2000, pg. 251.
17 Calvin Miller, citado por Wilkes, C. Gene, O Último degrau da Liderança, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2000, pg. 254.
18 Nanua, Burt – Dobbs, Stephen M., Liderança para o terceiro setor – estratégias de sucesso para organizações sem fins lucrativos, Editora Futura, 2000, pg 34.
19 Briner, Bob – Pritchard, Ray, Lições de Liderança de Jesus, Editora United Press Ltda, 2000, pg 26.

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h06
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Liderança Cristã

Estarei iniciando uma nova coluna postando textos para a reflexão e formação da liderança cristã. Acompanhe e envie seus comentários.

Bispo Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h00
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VAMOS TER ESPERANÇA?



Escrito por Josué Adam Lazier às 14h33
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Construir sobre a rocha



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h25
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UMA IGREJA LITÚRGICA E TRANSFORMADORA

Vale a pena ler de novo 1 - Eclesiologia

 

Vivemos numa sociedade onde as coisas são relativizadas e ficam atreladas aos interesses pessoais ou de grupos, às circunstâncias da vida, às recompensas que as pessoas podem obter não importando para isto os procedimentos. Esta relativização tem influenciado a Igreja e de forma muito agressiva. Assim, comportamentos cristãos são definidos não pelos valores absolutos do Evangelho e sim pelos relativos da sociedade. Atitudes de caráter, ética, família, honestidade, coerência, misericórdia e outras são relevadas a outros planos que não os absolutos.

 

Infelizmente, tem sido comum a mídia informar que líderes cristãos estão envolvidos em corrupção, mentiras, violências, falcatruas de toda sorte, manchando assim a imagem da Igreja na sociedade. Não é tão raro em nossos dias encontrarmos membros destacados de igrejas evangélicas cometerem atos abusivos, seja no contexto eclesiástico, familiar ou profissional. Há líderes evangélicos que afirmam que vale tudo para que a igreja esteja sempre em movimento e aparentando desenvolvimento.

 

Enquanto metodistas como nos colocamos diante deste quadro?

Encontramos em um dos documentos que costuma permanecer nas estantes dos gabinetes pastorais ou das bibliotecas das igrejas várias orientações seguras que nos ajudam a tratar das relativizações dos dias de hoje. Refiro-me ao Credo Social da Igreja Metodista.

 

O Credo Social é a doutrina social da Igreja, ou seja, a formulação e concepção da responsabilidade da Igreja e sua membresia, frente à sociedade e as questões que a envolvem. Além das Bases Bíblicas que são como um texto litúrgico, o Credo apresenta o que poderia ser designado de doutrina social e onde se evidenciam aspectos da compreensão e da leitura que a Igreja tinha do mundo e da sociedade e a responsabilidade da mesma na sua imersão no contexto social. A primeira versão do Credo Social data de 1930, por ocasião da autonomia da Igreja Metodista.

 

Ele apresenta os seguintes princípios: direitos iguais para todos; justiça para todos e em todas as camadas sociais; cuidado com a família; abolição da exploração de crianças através do trabalho; oferecimento de uma educação que propicie o desenvolvimento das crianças; regulamentação do trabalho para as mulheres; proteção do indivíduo e da sociedade contra os males da bebida alcoólica e tóxicos, bem como dos prejuízos causados pelo comércio destas substâncias e da prática do jogo e da prostituição; sustento para o operário em sua velhice ou em caso de invalidez ou desemprego; descanso semanal e horas de trabalho razoável; salário que sustente a família do trabalhador; repúdio à guerra; direito do voto (CÂNONES, 1930).

 

Alguns destes itens já foram conquistados pela sociedade brasileira, mas há outros que ainda são relevantes e alvos de busca para os dias em que vivemos.

 

O VIII Concílio Geral realizado em 1960 fez as primeiras mudanças no Credo Social. Este Credo enfatiza a busca pela justiça social, política e econômica. Para a época era um documento de grande abrangência e de uma abertura no interior da Igreja no sentido de conceber a sua missão de forma contextualizada, profética, sinalizadora da vida, educativa e formadora da cidadania e de perceber as oportunidades de cumprimento da missão de forma concreta e relevante.

 

O X Concílio Geral realizado em 1970 fez outras alterações no Credo Social. Este Concílio alterou sua concepção de uma Igreja de finalidades para uma Igreja de missão e assim se expressou no caput e no parágrafo único (CÂNONES, 1970: p. 11):

 

“A missão da Igreja Metodista é participar da ação de Deus no seu propósito de salvar o mundo.

 

Parágrafo único: “A Igreja Metodista cumpre a sua missão realizando o culto de Deus, pregando a sua Palavra, ministrando os sacramentos, promovendo a fraternidade e a disciplina cristãs e proporcionando a seus membros meios para alcançarem uma experiência cristã progressiva, visando ao desempenho de seu testemunho e serviço no mundo”.

 

O XVI Concílio Geral realizado em 1997 também fez revisão e contextualizou o Credo Social. Entre as alterações feitas estão uma ampliação da participação ecumênica da Igreja e o resgate da preocupação de João Wesley em unir ciência e piedade (CREDO, 1999: p.17).

 

Ao relermos o Credo Social nos deparamos com valores que confrontam a relativização que toma conta da sociedade e que influencia a Igreja. O Credo Social apresenta bases Bíblicas que fundamentam a liturgia e a responsabilidade social e indica que a presença da Igreja no mundo deve ser salvífica, portanto transformadora da realidade, e não de conformação.

 

Entre os valores que o Credo assinala estão: bases bíblicas para a vivência cristã, responsabilidade social, justiça social, direitos humanos, cidadania, liberdade, família, dignidade humana, vida em comunidade, entre outros. O Credo Social se encerra com as seguintes palavras: “amar efetivamente as pessoas, caminhando com elas até as últimas conseqüências para a sua libertação dos problemas e a sua autopromoção integral”. Em outras palavras, o Credo Social ensina à Igreja que a vida cúltica está ligada ao cumprimento da missão. Cultuar a Deus é agir para transformar a realidade da vida e transformar a vida é cultuar a Deus. Portanto, vale à pena ler de novo o Credo Social.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h24
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