Reflexões com Josué Adam Lazier

Pastorais


 
 

Tu, porém

 

 

A expressão Tu, porém, aparece diversas vezes nos textos bíblicos. Algumas referências estão relacionadas com o exercício da liderança e do pastoreio:

 

a) quando Deus determina que Moisés permaneça onde está para receber todos os mandamentos, estatutos e juízos a serem ensinados ao povo para correto cumprimento (Dt 5.31);

 

b) Após Saul ser ungido para a função de rei sobre Israel, Samuel determina que ele vá a Gibeá-Eloim, aonde, inspirado pelo Espírito do Senhor, profetizaria com outros profetas (1Sm 10.8). Ali, Saul seria mudado em outro homem e, após outros sinais, desceria a Gilgal, aonde esperaria por Samuel por sete dias “até que venha ter contigo e te declare o que hás de fazer”;

 

c) Após determinar que Ezequiel volvesse o rosto contra Jerusalém, derramasse as palavras contra o santuário e profetizasse a destruição pela espada contra a terra de Israel, o Senhor determina que o profeta suspire de coração quebrantado e com amargura (Ez 21.6);

 

d) Daniel recebe a ordem para encerrar (selar) o livro sobre o tempo do fim (Dn 12.4);

 

e) Daniel recebe o apelo de seguir até o fim, sem desanimar, porque a recompensa virá (Dn 12.13); f) Jesus aconselha que a prática do dar esmolas ocorra sem estardalhaços, e assim, “ignore a tua mão esquerda o que faz a tua direita...” (Mt 6.3,6,17). Mesmo procedimento para prática da oração (v.6) e para o jejum (v.17);

 

f) O texto parece alegórico, porém, a resposta de Jesus a um dos ouvintes é clara e simples “Tu, porém, vai e prega o reino de Deus” (Lc 9.60); g) Paulo apela para que o povo de Deus assuma uma postura de fé diante do Senhor (Rm 11.20).

 

Além destes, há outros textos que enfatizam o Tu, porém, tais como quando o salmista usa a expressão para se dirigir a Deus: a) Em sua oração, Davi apela para a presença e socorro do Senhor (Sl 22.19); b) Davi clama pelo socorro e compaixão do Senhor para que vença seus inimigos contumazes (Sl 41.10); c) Dentro do saltério e do cântico de louvor a Deus, o salmista se rende a Deus em ações de graças porque  “tu, porém, Senhor, és Altíssimo eternamente” (Sl 92.8); d) O autor derrama-se perante o Senhor, aflito, desfalecido, suplicante, contudo, reconhece a eternidade de Deus, cujos “anos jamais terão fim” (Sl 102.12,27).[1]

 

As duas cartas endereçadas a Timóteo são apresentadas para toda a liderança da igreja hoje, seja ela clériga ou leiga, com a expectativa de que o Espírito Santo “sopre as brasas quase apagadas” (2Tm 1.6), numa referência ao despertamento e ao reavivamento vocacional e ministerial. Timóteo ouviu essa recomendação apostólica e seu ministério foi revitalizado. Que assim seja com os diversos ministérios exercidos na Igreja de hoje.

 

Josué Adam Lazier

Pastor, professor e bispo honorário da Igreja Metodista



 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h55
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Pastorado por vocação ou pro-vocação

PASTORADO

POR VOCAÇÃO OU “PRO-VOCAÇÃO”

A propósito do Dia do/a pastor/a na Igreja Metodista

 

 

Os metodistas ainda celebram o Dia do/a Pastor/a. A celebração do se dá no segundo domingo de Abril. É um dia, portanto, de “homenagens”.

 

Muitas homenagens são sinceras, outras honestas, algumas dissimuladas, outras para fazer constar, muitas para fazer de conta que o pastor ou a pastora são de fato “homenageados”.

 

Tenho pensado nestas “homenagens”. Já tive a oportunidade de escrever em outros momentos o que eu espero receber neste dia, como pastor e bispo honorário da Igreja Metodista. Não vou repetir, embora a repetição seja pedagógica e muitos que não leram quando a publiquei poderiam ler agora.

 

Deixa para lá. Quero pensar na “homenagem” que pode ser uma grande armadilha, se não das ovelhas que pastoreadas honestamente manifestam seus sentimentos, com certeza da denominação que “cria”, ou “institui”  , ou “determina”, ou coloca algumas armadilhas no caminho do pastorado.

 

A questão que me problematiza nesta semana de homenagens pelo Dia do/a Pastor/a é se o pastorado é por vocação ou “pro-vocação”. Por vocação está implícito o carisma que acompanha o pastorado. A palavra vocação tem origem no verbo grego Kaléo, que tem o sentido de “chamar”, “reclamar para si”, e “comissionamento”, portanto vocação significa “chamada”, “convocação”, ou, de forma mais literal, “sair de si mesmo para servir aquele que chamou”. As cartas paulinas empregam a palavra kaléo 29 vezes, klésis 8 vezes e klétos 7 vezes, quase sempre com o sentido de vocação divina.[i]

 

O pastorado exercido por vocação é o da doação, do estar junto, da convivência, do acompanhamento, do sofrimento com os que sofrem, da alegria com os que alegram, do luto com os que perdem entes queridos, da dor com que sentem dores, do choro com os que choram, da celebração com os que celebram, etc.

 

É o pastorado cujo modelo, no sentido de referencial, é o ministério de Jesus Cristo e sua pedagogia, sua ação pastoral voltada para as características das diferentes pessoas que o acompanhavam e a sua atitude libertadora e humanizadora da vida.

 

Já o pastorado por “pro-vocação” é o oposto. É o pastorado dos resultados, dos índices de crescimento, dos índices de arrecadação financeira, dos índices de pessoas que frequentam cultos e reuniões sem sentido e sem significado, a não ser fazer constar num papel que um grupo de pessoas esteve junto para sabe lá o que fazer...

 

É o pastorado distante das pessoas, frio, calculista, mercantil, medido pelo status, pela conquista, pela visibilidade e pelos holofotes. É o pastorado da concorrência, da corrida desenfreada onde a ética, o escrúpulo e a decência já não encontram guarida, quanto mais os valores do Evangelho de Cristo, cuja morte tem sido representada em diversos lugares, mas em nenhum deles se ressalta os valores da vida e da morte do Cristo, tais como justiça, dignidade, fraternidade, solidariedade, ecumenicidade, libertação e conscientização.

 

É claro. É questão de opção. Muitos não têm outra opção a não ser exercer o pastorado da “pro-vocação”, para subsistência e sustento da família. Não julgo ou condeno os que fazem esta opção. Eu apenas lamento e muito.

 

Eu ainda opto pelo pastorado por vocação e, neste sentido, resisto aos poderosos que apresentam uma proposta de pastorado que não encontra referência nos documentos dos profetas e dos apóstolos (me refiro aos profetas e apóstolos da Bíblia e não aos charlatões de hoje).

 

Josué Adam Lazier

Pastor, bispo honorário, professor

 



[i] BROWN, Colin, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. I, E. Vida Nova, 1984, pg. 432.



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h00
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Duas ações pedagógicas fundamentais

Duas ações fundamentais

 

A educação cristã está inserida em todas as tradições presentes no Antigo e no Novo Testamento, pois através dela a revelação de Deus foi transmitida, no início oralmente, por diversas gerações e, finalmente, fixado por escrito. Foi um processo lento, mas eficiente, pois diversas tradições foram perpetuadas através dos contadores de histórias, ou seja, pais, anciãos, profetas, sacerdotes, mestres, sábios, poetas e cantores que transmitiram preciosos ensinos.

 

Através da Educação Cristã o testemunho acerca da revelação de Deus, a celebração e o testemunho sobre o ardor missionário e o propósito no cumprimento pleno da missão, tem sido transmitido de geração em geração, formando e capacitando aqueles e aquelas que se comprometem com os valores do Evangelho de Jesus Cristo.

 

1. Cuidar do ensino da Palavra de Deus

Neste sentido, o estudo bíblico e a aula na Escola Dominical são atividades que acompanham o mandato e o carisma apostólico do ministério pastoral. O desafio para o pastorado hoje é a docência exercida no ambiente da Escola Dominical e o desenvolvimento da educação cristã nas ações pastorais.

 

Em Efésios 4.11-16 aprendemos que a principal função dos líderes pastorais do povo de Deus é a capacitação desse povo para a realização dos ministérios (v.12). Nas pastorais, Paulo alista características que devem compor a identidade dos ministros e ministras do Evangelho – todas no âmbito da ética e dos relacionamentos, com exceção de uma, relativa à função ministerial, que é a do ensino da Palavra de Deus em todas as suas dimensões (I Tm 3.1-7; Tito 1.6-9). Na clássica exortação petrina, o foco da atuação pastoral é o cuidado, o próprio apascentar, a partir do exemplo de vida do pastor, modelo para os fiéis, e um servo de Jesus Cristo que, através do pastorado, busca ser ele mesmo fiel e submisso ao Pastor Supremo (I Pd 5.1-4)” (ZABATIERO, 2003, p. 234).

 

O Novo Testamento destaca a função do mestre e do ensino. Em I Coríntios 12.28, Paulo coloca o dom do "mestre" em terceiro lugar. O ensino foi fundamental na preparação dos novos membros para o batismo. Foi fundamental também para a transmissão da tradição cristã, que se constituía das palavras, ensinos e atos de Jesus Cristo. Para a compreensão de muitas coisas que Jesus disse e ensinou o uso do Antigo Testamento foi necessário e determinante. Isso dá evidência de que algum método de ensino foi usado e de que a educação cristã na igreja foi observada com bastante rigor.

 

2.      Cuidar da Escola Dominical

O ministério pastoral da igreja, e a liderança em geral, têm uma responsabilidade muito grande no que diz respeito à Escola Dominical. Neste sentido, queremos destacar alguns cuidados que devemos ter para com esta que é a principal agência de educação da nossa membresia, considerando que o crescimento natural da igreja passa pelo processo de formação e de capacitação para a vida e vivencia dos valores do Evangelho de Jesus Cristo.

 

a)      Que a educação receba por parte de pastores e pastoras a devida atenção e valorização, no sentido de se promover a capacitação e formação dos membros da igreja para atuarem nos diversos dons e ministérios, bem como junto aos grupos societários e departamentos de crianças e da Escola Dominical.

 

b)      Que o ministério pastoral oriente e prepare os professores e professoras. Esta é uma função de suma importância para a Escola Dominical.  Não se deve improvisar para suprir as necessidades das classes.  Aquele ou aquela que vai dar aulas deve estar preparado/a e motivado/a para tal ministério. Deve-se também fazer avaliações periódicas para saber do desempenho dos professores e da participação e aproveitamento dos alunos e alunas. A participação do pastor e pastora neste aspecto é de fundamental importância.

 

c)      Que o material didático e o currículo produzido pelo setor de publicação da Igreja sejam promovidos e utilizados pelo pastor e pastora.

 

d)     Que o pastor e a pastora assumam classes na Escola Dominical, a fim de que esta atividade não seja um apêndice do ministério pastoral. A aula aproxima o pastor e a pastora dos alunos e alunas e abre oportunidades para a tarefa educativa pastoral.

 

e)      Que a Escola Dominical seja o lugar por excelência onde a tarefa educativa da igreja aconteça, seja para orientar novos membros, educar as crianças, jovens e adolescentes, bem como para treinar e capacitar para os diversos ministérios que a igreja necessita para cumprir com sua missão e com seus objetivos. Para que isto aconteça, é necessário que o espaço da Escola Dominical seja priorizado, a começar pelo pastor e pastora da igreja.

 

Conclusão

Foram apresentadas ações ministeriais para uma igreja em crescimento. Todos os membros são responsáveis pelos mesmos, especialmente pastores, pastoras e liderança leiga. Muitas vezes perdem-se pessoas do convívio da igreja porque não é dada a devida atenção a elas. Outras vezes tiram-se nomes do rol de membros sem o cuidado necessário com as pessoas envolvidas ou sem a preocupação de que outros membros sejam arrolados.

 

Na perspectiva das ações arroladas, o pastor, a pastora e demais líderes, são como servos/as de Deus em constante comunhão com o Senhor da Igreja, têm empatia com aqueles/as que sofrem e agem com solidariedade e apoio para com os/as enfermos/as, angustiados/as, frustrados/as, marginalizados/as, desesperançados/as, atribulados/as, com o propósito de orientá-los/as e nutri-los/as espiritualmente. Ao fazerem isto, estão ensinando os membros da igreja a fazerem o mesmo, ou seja, desenvolver as diversas ações ministeriais. Atuando assim sempre haverá frutos do crescimento natural da igreja, como resultado do trabalho e da dedicação de todos os servos e de todas as servas do Senhor.

 

Josué Adam Lazier

(Bacharel em teologia pela Faculdade de Teologia da UMESP– Universidade Metodista de São Paulo, mestre em teologia bíblica: novo testamento pelo Instituto Superior Evangélico de Estudios Teológicos – ISEDET (Argentina), doutor em educação pela UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba, professor de Teologia Pastoral na Faculdade de Teologia da UMESP, Coordenador de Extensão e Assuntos Comunitários da UNIMEP, bispo assistente da CONEC – Coordenação Nacional de Educação Cristã e DNED – Departamento Nacional de Escola Dominical da Igreja Metodista, Bispo Honorário da Igreja Metodista. Email: jalazier@unimep.br).

 

 

Bibliografia

BARBOSA, José Carlos. Adoro a Sabedoria de Deus – itinerário de John Wesley, o Cavaleiro do Senhor.  Piracicaba, SP: Editora Unimep, 2002.

BAILEY, Kenneth. As Parábolas de Lucas. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1985.

BLACKMON, D.L. Integração total dos Novos Convertidos. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1987.

IGREJA METODISTA. Plano Nacional – Objetivos e Metas, São Paulo, SP: Editora Cedro, 2002.

IGLESIA METODISTA DA ARGENTINA. El Ministério de la Visitacion. Buenos Aires, 1980.

JEREMIAS, Joaquim. As Parábola de Jesus. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1970.

ZABATIERO, Julio Paulo Tavares. Um capacitador multidisciplinar. In: Barro, Jorge H., org. O Pastor Urbano. Londrina, PR: Editora Descoberta, 2003.

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h25
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Ações pedagógicas a partir de Lucas 15

Quatro ações educativas específicas

As parábolas de Lucas 15

 

O texto de Lucas 15 apresenta três parábolas contadas após a crítica que os escribas e fariseus fizeram a Jesus pelo fato dele estar comendo com as pessoas consideradas pecadoras pelos religiosos da época. Pecadores eram os que viviam vidas marcadas pela imoralidade, mas também designava a grande maioria do povo que desenvolvia atividades que eram consideradas impuras pelos religiosos, tais como cobradores de impostos, vendedores ambulantes, curtidores de couro, açougueiros, e muitos outros. Com as parábolas Jesus explica sua atitude em receber estes que eram discriminados pela religião que imperava na sociedade da Palestina naqueles dias. O tema que predomina no capítulo 15 do Evangelho de Lucas é o amor, o agape incondicional de Deus para com seu povo.

 

Seguindo as orientações presentes nas três parábolas, podemos perceber que elas indicam um eixo para o exercício das ações ministeriais que é o do cuidado pastoral. Neste sentido, é importante assinalar que o cuidado pastoral é acompanhado de ações educativas que dão abrangência e amplitude ao ato de cuidar pastoralmente das pessoas. Em outras palavras, cuidar é educar, orientar, conduzir pelas mãos as pessoas que se oferecem para o pastoreio e nutri-las para a vivência cristã.

 

1.      Cuidar dos que precisam de restauração – Lucas 15.4-7

A parábola da ovelha perdida tem como seu tema central a restauração da que se perdeu e que causou no pastor, nos amigos e vizinhos, alegria porque a ovelha perdida foi encontrada. Ela assinala que Deus procura os/as pecadores/as e é sempre Ele que toma a iniciativa para que recebam a nova vida em Cristo Jesus. Para os religiosos da época de Jesus Deus receberia somente as ovelhas arrependidas, mas para Jesus Deus procura as desgarradas e as restaura ao seu aprisco.

 

Esta é a ideia presente na parábola da ovelha perdida. O pastor deixa as noventa e nove ovelhas que estão seguras e vai procurar a que se perdeu. Quando a encontra descobre que está machucada pela queda no buraco e carrega-a para casa (15.5). “Surpreendentemente, este pastor se regozija com o fardo de restauração que ainda está diante dele. Este tema é importantíssimo nesta primeira parábola” (BAILKEY, 1995, p. 199).

 

A ação ministerial da igreja deve cuidar das que estão seguras e se alegrar com as que nunca se perderam, mas não pode deixar de focar as que se perderam e precisam de cuidado e restauração. O crescimento da igreja se dá na observação destes aspectos que são dimensionados na parábola da ovelha perdida.

 

A alegria pela restauração da ovelha que se perdeu é contagiante: todos que recebem a notícia se alegram e celebram, pois “haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7). A parábola apresenta quatro temas: a alegria do pastor, a alegria da restauração, o amor gracioso e o arrependimento. Estes temas são norteadores da ação educacional da Igreja.

 

2.      Cuidar dos que estão perdidos – Lucas 15.8-10

A parábola da moeda perdida também assinala a alegria pela restauração da que estava perdida. A parábola acontece dentro da casa onde uma mulher perdeu uma das moedas que possuía. Da mesma forma que a parábola anterior, o texto diz que “há alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende” (15.10).

 

O assento da parábola está na procura diligente que a mulher fez na casa até encontrar o objeto que procurava. A diligência e interesse da mulher é inspirador para a ação ministerial da igreja, pois os que se perderam devem ser procurados também com diligência e com interesse de encontrá-los. Não se trata de se desincumbir de uma tarefa, mas sim de desempenhar com determinação uma missão, a de encontrar aqueles que Deus está buscando. A ação ministerial da igreja deve possibilitar que este caminho seja conhecido por todos que puderem ser alcançados pelo trabalho da evangelização, do testemunho e da educação cristã.

 

3. Cuidar dos que estão voltando – Lucas 15.11-24

A parábola dos dois filhos tem sido chamada de um “evangelho dentro do Evangelho”, pois ela revela a capacidade de Jesus em lidar com a humanidade e a partir disto revelar o amor gratuito de Deus. Ela pode ser dividida em duas partes, o filho moço e o filho mais velho. Com os dois episódios aprendem-se sobre ações ministeriais que podem ser desenvolvidas sob o impacto do amor divino.

 

O núcleo central da primeira parte, ou seja, a história do filho mais moço, está nos versículos 17 e 18. O versículo 17 fala da mudança que houve no filho quando se apercebeu que na casa do pai os empregados eram tratados com mais dignidade. Quando o rapaz caiu em si foi impulsionado a voltar para casa. O versículo 18 afirma que ele faz isto arrependido e que pretende pedir perdão ao pai. Esta mudança e retorno para casa são muito difíceis, pois o jovem estaria se humilhando e reconhecendo que fracassou no seu projeto de viver dissolutamente em terras distantes da sua. Mas ele o faz. Não sabe qual será a reação do pai. Sabe que é merecedor de castigo, pois desonrou a família e a aldeia. O jovem decide correr os riscos desta volta para casa.

 

Aí começa a ação do pai, que acolhe o filho que está voltando. O pai não imputa nenhum castigo ou rejeição ao filho, embora fosse merecedor disto. O pai recebe o que havia se perdido e foi achado, e passa a ter atitudes que resgatam a dignidade daquele jovem. Vejamos as atitudes do pai: 1) beijou o filho – o beijo significava perdão. O rapaz é recebido como filho e não como um mercenário e traidor. O beijo é público, o que significa que todos devem saber que o principal ofendido já perdoou o ofensor; 2) vestir as roupas de festa – as vestimentas de festa tinham o simbolismo de alta distinção, ou seja, quem as vestia era uma pessoa importante; 3) colocar o anel – era símbolo de poder e autoridade; 4) usar as sandálias – significa liberdade para ir e vir; 5) matar o novilho cevado – significava que haveria festa para toda a aldeia. Era uma festa de alegria para todos na casa e que devia ser compartilhada com os amigos e os vizinhos, pois aquele que foi embora voltou. O pai não cabe em si de tanto contentamento e quer extravasar a sua alegria celebrando com os amigos. As atitudes do pai “são a publicação do perdão e do restabelecimento na condição de filho” (JEREMIAS, 1970, p. 132).

 

O pai do filho pródigo nos ensina que devemos, no cumprimento de nossos dons e ministérios, cuidar dos que estão voltando. Normalmente os que voltam o fazem trazendo consigo machucaduras e experiências que geram ressentimentos e mágoas e por isso precisam do acolhimento e do acompanhamento por parte da liderança da igreja.

 

4. Cuidar dos que revelam queixumes – Lucas 15.25-32

A segunda parte da parábola fala acerca do filho mais velho. O mais velho sempre foi obediente ao pai e zeloso de suas responsabilidades. Quando o irmão foi embora assumiu todas as tarefas de cuidar das ovelhas do pai. Mas o filho mais velho revela insatisfação porque o pai nunca teria reconhecido o seu trabalho como ele esperava, embora para o pai o filho mais velho fosse muito especial e cumpridor de suas responsabilidades. Quando o filho mais velho volta do campo ele não aceita as atitudes do pai em receber o filho rebelde com festa e celebração. Ele se queixa ao pai (15.29-30). O mais velho não consegue entender a alegria do pai e se ressente disto.

 

O pai procura reconciliar o filho mais velho com o mais moço. Esta atitude do pai é um exemplo de ação ministerial, pois sempre na família ou na igreja há membros que precisam do cuidado pastoral. Às vezes pode ser um líder muito atuante e dedicado, mas que tem a necessidade de um acompanhamento maior por parte da liderança da igreja.

 

A parábola não relata o que o filho mais velho fez após o diálogo com o pai. Acredito que nesta história contada por Jesus o filho mais velho entrou para o salão de festas da casa, se juntou aos amigos e vizinhos e se reconciliou com seu irmão mais moço, porque o amor é capaz de derrubar barreiras entre aqueles que estão juntos. “O mesmo amor inesperado é demonstrado em humilhação, a ambos. Para ambos este amor é essencial, para que os servos se tornem filhos” (BAILEY, 1985, p. 248).

 

Bispo honorário Josué Adam Lazier

Coordenador de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Metodista de Piracicaba



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h18
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Ser pastor

 

SER PASTOR

À luz da Caminhada para Emaús – Lucas 24.13-35

 

Ser pastor é se colocar no caminho dos outros para ser apoio, estímulo, encorajamento e consolo. É ser o outro que se aproxima na caminhada e entra na história das pessoas para mediar novos conhecimentos e novas atitudes. “Jesus se aproximou e ia com eles”.

Ser pastor é se aproximar das pessoas e ouvir suas histórias, seus sentimentos e suas aventuras. É perceber os sentimentos que se afloram e as inquietações que adoecem a vida. “O que é isto que vos preocupa?”.

Ser pastor é perguntar, é dialogar sobre as questões da vida e sobre os acontecimentos que alcançam a vivência das pessoas. É conversar sobre as coisas mais singelas da vida e ouvir além das palavras. “Quais?”.

Ser pastor é ajudar na compreensão acerca dos valores do Evangelho e dos desafios que a vida cristã confere aos que foram alcançados pela graça de Deus. É explicar, contar de novo, rememorar, trazer à memória os ensinamentos que as pessoas já conhecem, mas que ainda não chegaram ao pleno entendimento e prática diária. “Ó néscios e tardos de coração para compreenderem o que os profetas anunciaram”.

Ser pastor é perceber a emotividade que marca a vivência do ser humano, é enxergar as mazelas da vida para com ternura e amor promover a superação pela força da fé e da convivência. É sinalizar o amor de Deus que entra na história das pessoas e transforma-as a cada dia, a cada passo, a cada suspiro. “Expunha-lhes o que constava em todas as Escrituras”.

Ser pastor é ajudar as pessoas a terem atitudes espontâneas, autônomas, emancipadas, libertas, transformadoras, conscientes e convictas. Ser pastor é colaborar com tolerância e humildade para que as pessoas superem os modelos estereotipados e individualizem-se, não de individualidade, mas de individuar-se. “Fica conosco, pois é tarde...”.

Ser pastor é estar com as pessoas em seus ambientes de vida, em suas casas, com seus familiares, no contexto histórico, cultural, social, econômico, político e se inserir nesta realidade para conhecer e ser conhecido. É estar junto, com, numa convivência agregadora de valor e dignidade. “E entrou para ficar com eles”.

Ser pastor é partilhar o pão, a fé, a esperança, a justiça, a solidariedade, a novidade que o Evangelho desperta a cada novo dia. É dar graças junto com os outros que estão na mesma caminhada e que, além de receber, também oferecem o que têm. “Tomando ele o pão, abençoou-o...”.

Ser pastor é encorajar para o compromisso e o comprometimento. É estimular a ação, a transformação, as atitudes que resgatam o valor da vida e o comportamento ético, moral e cidadão. “Voltaram para Jerusalém”.

Ser pastor, neste sentido, é sair da mesmice, da estagnação, do conforto do não comprometimento com as lutas das pessoas, da preguiça de ir ao encontro dos que estão adoecidos e machucados pelas circunstâncias da vida. É olhar para as pessoas e vê-las, percebê-las, olhar em seus olhos e sentir o pulsar da fé e da busca pelo conhecimento de Deus. “Foi por eles reconhecido no partir do pão”.

Ser pastor é partilhar, é conviver... Tão somente partilhar e conviver. “Então Jesus lhes disse: eis que estou convosco”.

 

Bispo Josué Adam Lazier

(Para celebrar o dia do/a pastor/a na Igreja Metodista – 2º domingo de abril)

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 01h47
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A mutualidade é o ponto nevrálgico para o cumprimento da missão

 

A mutualidade é ponto nevrálgico para o cumprimento da missão

 

Como estão pensando no crescimento da Igreja, e muitos pensam nisto o tempo todo, tomo a liberdade de ampliar minha reflexão postada sob o título “Dizem que a igreja não cresce”. Sei que minhas reflexões alcançam muitas pessoas, leitores e amigos, bem como os críticos que se incomodam com minhas afirmações. Neste ponto tomo a expressão do profeta Jeremias que afirmou que não conseguia se calar ante a inspiração divina para proclamar os oráculos de Deus. Reconheço que minhas reflexões não chegam a tanto, mas sei que elas têm a força de provocar reações, reflexões, ponderações, críticas, reconhecimentos.

 

A mutualidade é o ponto nevrálgico para o cumprimento da missão e o consequente crescimento equilibrado da Igreja. Com este ponto nevrálgico assinalado não precisa nem da força e nem da violência, pois bastará a ação do Espírito Santo de Deus para que a Igreja seja um corpo vivo.

Mutualidade quer dizer a dependência e integração que um ministério tem com o outro ou a necessidade que todos os membros têm uns dos outros, pois ninguém faz nada sozinho.  Paulo, para explicar isto, usou a figura do Corpo. O corpo humano tem diversos membros e cada membro tem a sua função, mas todos dependem uns dos outros. Exemplo: os pés dependem das mãos para calçar os sapatos, em assim por diante. Da mesma maneira no Corpo de Cristo. Cada membro tem uma função diferente, mas nenhum membro consegue fazer tudo sozinho, pois precisa da ajuda dos outros.   A Igreja funciona bem quando os diversos ministérios que ela tem trabalham de maneira integrada e para o benefício de todos os membros. Ela cresce em cumprimento à missão quando os membros não estão disputando quem é o melhor, o maior, o mais espiritual, o que tem mais dons, mas pelo contrário, onde todos são servos uns dos outros.

 

O gráfico seguinte ilustra isto (A1, A2 e A3 tem relação entre si porque falam da diversidade dos dons; B1 e B2 falam da unidade e da mutualidade que deve existir entre os dons e ministérios, ou entre as pessoas da igreja):

 

A1 DIVERSIDADE DOS DONS - I CORÍNTIOS 12.4-11

 

B1 UNIDADE - I CORÍNTIOS 12.12-13

 

A2 DIVERSIDADE DOS DONS - I CORÍNTIOS 12.14-17

 

B2 MUTUALIDADE - I CORÍNTIOS 12.18-26

 

A3 DIVERSIDADE DOS DONS - I CORÍNTIOS 12.27-30

 

O Texto de I Coríntios 12.4-30 chama a atenção para que não façamos do nosso ministério pequenas “igrejinhas”, onde não se valoriza o que os outros ministérios estão fazendo. Quando isto ocorre, a unidade da Igreja fica prejudicada e ela deixa de cumprir o papel de ser a Plenitude de Cristo. Nas palavras do Bispo Nelson Luis Campos Leite, a Igreja cumpre seu papel de ser esta Plenitude de Cristo quando os ministérios dados pelo Espírito Santo agem de maneira organizada, integrada uns aos outros e com mútua dependência.[1] Em outras palavras: quando há unidade, diversidade e mutualidade.

A Igreja, Corpo vivo de Cristo, tem o desafio de crescer e avançar missionariamente. Para isto é importante a figura do Corpo, onde os membros cumprem a sua função em benefício uns dos outros. Os dons e ministérios unidos constituem-se numa grande força para o cumprimento da missão e para o crescimento da Igreja. Os membros da Igreja comprometidos com a “visão celestial”, conforme declara o apóstolo Paulo, terão a força da mutualidade para sinalizar a presença de Deus e superar as contradições de uma sociedade que se fragiliza pelas injustiças e pela desumanização da vida.

A unidade só existe na mutualidade dos diferentes ministérios e membros do corpo, pois não se trata de uniformidade, como alguns querem fazer com igreja. A igreja na perspectiva da uniformidade não tem futuro, pois ela se perde entre os dedos dos exercem uma liderança dominadora. A igreja na perspectiva da unidade considera as diferenças e atua de forma integrada e compartilhada.

Vale a pena tentar este caminho apostólico e paulino.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] LEITE, Nelson Luis Campos, A Igreja de Dons e Ministérios – a visão dos bispos metodistas, São Paulo, Editora Agentes da Missão, 1991, pg.39.

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h53
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Dizem que a igreja não cresce

DIZEM QUE A IGREJA NÃO CRESCE...

 

 

Introdução

O crescimento da Igreja tem sido o grande alvo das diversas denominações cristãs e evangélicas. Para isto, vários livros têm sido produzidos com a descrição de uma variedade de métodos, estratégias, modelos e técnicas, e a oferta de que o crescimento vai acontecer. Surgem propostas mirabolantes, estratégias geográficas, geopolíticas, culturais, etc. Há quem diga que a igreja não cresce. Há quem diga que a igreja apenas incha, ou enche de consumidores da fé.

 

Eu costumo partir de outra perspectiva, ou seja, de que a igreja cresce. Na verdade elas têm crescido, pela dedicação e empenho de membros leigos e clérigos. Mas o crescimento tem sido aquém do seu potencial missionário e evangelístico. Isto não quer dizer que nossas igrejas não evidenciem os aspectos do crescimento natural e equilibrado. Pelo contrário, evidenciam crescimento, mas têm potencial para crescer ainda mais e em todos os aspectos desse processo. Algumas igrejas têm tido mais êxito no crescimento numérico, enquanto outras têm sido mais bem sucedidas em outros aspectos. Há igrejas que passam por um período de estagnação e que necessitam da força do Evangelho e do poder do Espírito Santo para a revitalização.

 

 

O crescimento da Igreja é natural

A Igreja, sendo fiel à missão de Deus, cresce, como um corpo vivo (Ef 4.13-16). Desde o nascimento da Igreja, com o Pentecostes, ela é um “corpo” que cresce (Atos 2.41 e 47; 5.14; 6.7; 8.4 e 25; 9.31; 11.21; 13.48-49; 16.5 e 21.20). O poder impulsionador que leva a Igreja a experimentar o crescimento é a ação dinâmica e soberana do Espírito Santo (Atos 2.4-13; 6.8-10; 8.29 e 39; 9.15-17 e 31; 10.44-47; 11.12 e 24; 13.2 e 4; 15.28 e 16.6-7), que encontra pessoas, cooperadoras com Cristo, o cabeça da Igreja, disponíveis a cooperar com ela, na força e na inspiração que nasce da fé.[1]

 

O crescimento da Igreja é consequência natural da conversão em Cristo, do ser nova criatura, da regeneração, do novo nascimento e não um fim em si mesmo, ou seja, ela é o resultado das bases da ação missionária, do compromisso com o Evangelho e com a evangelização, do desempenho dos diversos dons e ministérios, da mordomia cristã, do zelo pelas marcas essenciais da Igreja, etc.

 

Schwarz oferece as marcas do crescimento natural da Igreja: liderança capacitadora; ministérios orientados pelos dons; espiritualidade contagiante; estruturas funcionais; culto inspirador; grupos familiares (discipulado); evangelização orientada para as necessidades e relacionamento marcado pelo amor fraternal.[2] Carlito Paes, no seu livro Igrejas que Prevalecem, apresenta 24 princípios para um crescimento saudável e equilibrado.[3]

 

Na década de 80, a SEPAL (Serviço de Evangelização para a América Latina) oferecia um curso sobre crescimento equilibrado da Igreja, através de uma apostila preparada pelo Dr. Lourenço E. Keyes, que abordava três aspectos do crescimento equilibrado:[4] crescimento orgânico – que tem a ver com o relacionamento entre os diversos membros do Corpo de Cristo e o exercício mútuo dos dons e ministérios; crescimento qualitativo – indica o crescimento na vida cristã e na maturidade cristã; crescimento quantitativo – é o crescimento numérico da igreja. Podemos ver estes aspectos do crescimento da igreja, além de outros, na Igreja Primitiva (Atos 2 a 5): havia perseverança na doutrina, na oração, no partir do pão, no louvor a Deus, etc; havia o batismo de novos convertidos pois muitos aceitavam a mensagem do Evangelho; havia comunhão e solidariedade entre os membros daquela igreja nascente.

 

Considerando as igrejas primitivas (Jerusalém, Antioquia, Corinto, Filipos, Tessalônica, Éfeso, Colossos e outras), o crescimento da Igreja revela compromisso e é acompanhado também do crescimento na sinalização do Reino de Deus: justiça, paz, solidariedade, liberdade, amor, esperança, vida abundante, vivência do discipulado, entre outros aspectos que indicam a presença deste Reino. Ao lado do crescimento quantitativo deve estar o crescimento na espiritualidade, na prática dos dons e ministérios, na prática de atos de piedade e obras de misericórdia, no exercício da cidadania, na observação de valores éticos e morais, no testemunho profético e na compreensão da integralidade do Evangelho.

 

Para não parar a reflexão

O crescimento da igreja é algo simples que se problematizou quando se transformou em fim e objetivo maior das denominações, pelo menos da minha. Seguir a ótica do mercado que estabelece alvos a serem alcançados pela vendagem de produtos e a gratificação e promoção para as pessoas que alcançam estes alvos é, no mínimo, desqualificar o anúncio do Evangelho de Cristo que tem a força de transformar as pessoas para serem cristãs e não necessariamente desta ou daquela igreja.

 

Logicamente que a identidade confessional é importante, bem como a tradição de fé que dá suporte às convicções religiosas, mas o sinal de que isto está ocorrendo numa determinada igreja não é o crescimento numérico, é sim o testemunho transformador no contexto social e cultural, e não trancado dentro de templos celebrando a Deus que se faz presente, especialmente, entre os que sofrem.

 

Eu afirmo que a igreja está crescendo.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] IGREJA METODISTA, Plano Nacional – Objetivos e Metas, São Paulo, Editora Cedro, 2002, p. 14.

[2] SCHWARZ, Christian, O Desenvolvimento Natural da Igreja, Editora Evangélica Esperança, 2000, pg. 15-48.

[3] PAES, Carlito, Igrejas que Prevalecem, Editora Vida, São Paulo, 2003.

[4] KEYES, Lourenço Eduardo, Crescimento Equilibrado na Igreja Local, SEPAL, 1981.



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h37
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Como utilizar o material didático na Escola Dominical IV

1.     As ações do/a professor/a na utilização do material didático

 

Há um distanciamento entre o material didático (revista) e a classe da Escola Dominical. Este distanciamento pode ser diminuído pelo processo de ensino e aprendizagem desenvolvido por todas as pessoas que estão participando das classes de estudo. Algumas ações podem contribuir para diminuir este distanciamento.

 

1.1  – objetivos

O/a professor/a deve se perguntar sempre[1]:

    

1.  Consequências pessoais – o ensino alcança as pessoas na formulação de seus conceitos ou reelaboração dos conceitos?

2.  Consequências acadêmicas – o ensino desenvolve a capacidade de reflexão crítica dos alunos/as?

3.  Consequências sociais e políticas – o ensino alcança a vida e os relacionamentos dos/as alunos/as?

 

Ao responder estas questões, objetivos claros devem ser definidos para a aula da Escola Dominical. A falta de objetivos pode levar a classe a fazer devaneios, passeios vagos, reflexões distanciadas da realidade em que se vive e, consequentemente, não chegar a lugar nenhum.

1.2  – Integralidade da vida

A UNESCO promove a busca por uma educação integral e apresenta quatro pilares:

  1. Aprender a conhecer – neste processo o/a educando/a são sujeitos e atuam ativamente na busca pelo conhecimento e no aprendizado do aprender a saber. O conhecimento é necessário para haja transformação e libertação da pessoa e da sociedade. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (João 8.32).
  2. Aprender a fazer – a educação cristã não transmite apenas conhecimento, mas ajuda o/a educando a construir este conhecimento e vivenciá-lo em todos os momentos da vida. Neste sentido, está implícita a preparação para a vida em sua integralidade. “Porque me chamais Senhor, Senhor, se não fazeis o que eu vos mando?” (Lc 6.46).
  3. Aprender a conviver – a convivência com os diferentes, num ambiente onde o contraditório se faz presente e questiona, é o grande desafio dos cristãos. Neste sentido, a educação cristã atua para promover o sentido de comunidade e solidariedade e superar a uniformidade. “Todos os que criam estavam juntos” (Atos 2.44).
  4. Aprender a ser – o compromisso da educação cristã é levar as pessoas a serem seguidoras de Jesus e a evidenciarem em suas atitudes esta experiência  de conversão e transformação. Neste sentido, o desafio maior é ser instrumento nas mãos de Deus e sinalização do amor, da graça e da paz. A maior característica de que a pessoa é cristã de fato é o amor. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39).

 

4.3 – O preparo do/a professor/a

ž  O/a professor/a deve começar a preparar-se através da oração. Na Escola Dominical forma-se para a vida e a oração tende a sensibilizar a pessoa para as questões da vida;

 

ž  O/a professor/a deve ler e estudar todas as passagens bíblicas indicadas na lição.  Pode usar um comentário e dicionário bíblico para ajudar no estudo dos textos;

 

 

ž  Deve ter em mente as características dos/as alunos/as. Conhecer a psicologia do/a aluno/a e suas possíveis reações  é importante, pois a lição deve ser relevante ao momento;

 

ž  Estabelecer objetivos. O/a professor/a deve saber onde quer chegar e, portanto, estabelecer um objetivo bem claro e específico para cada aula.

 

O material didático não é para ser “lido” na aula e sim “estudado” e “refletido”. Para isto, ou seja, para estudar e refletir, todos os membros da classe devem ler antecipadamente a lição e durante a aula estudar o conteúdo que ela oferece. Neste sentido, o/a professor/a deve se preparar para a aula. O improviso não é a melhor metodologia, ao contrário, não metodologia é. É preguiça e falta de compromisso por parte do/a professor/a.

 

Bispo Josué Adam Lazier



[1] ZEICHNER, Kenneth M. Uma análise crítica sobre a “reflexão” como conceito estruturante na formação docente. In: Educação e Sociedade, vol. 29, nº 103, maio/agosto de 2008. Campinas, SP, p. 545.



Escrito por Josué Adam Lazier às 09h31
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Como utilizar o material didático na Escola Dominical III

1.    As funções do/a professor/a na utilização do material didático

Muitas funções podem ser apresentadas para um/a professor/a na perspectiva da Escola Dominical como um jardim.  Mas pelo menos quatro se destacam:

3.1. Amigo/a

O/a professor/a deve desenvolver um relacionamento pessoal de cuidado, de amor, de companheirismo e de apoio com seus alunos e alunas. Este relacionamento contribuirá para a utilização do material didático. A preocupação com o bem estar dos alunos deve ocupar o pensamento dos professores e professoras ao elaborarem as suas aulas. Os/as alunos/as são como discípulos/as que estão em processo de crescimento.

3.2. Intérprete

A diferença entre o transmissor e o intérprete é que o primeiro apenas transmite a mensagem e é função do receptor entender esta mensagem. Já o/a intérprete é aquele/a que facilita a comunicação com os/as alunos/as e entre os/as alunos/as. O/a professor/a intérprete motiva mais os alunos e alunas ao estudo e participação.

3.3. Contextualizador/a do conteúdo

Os currículos estabelecidos pelas igrejas quase sempre não atingem a todos os alunos e alunas. Isto é impossível e nem é propósito de um currículo ter esta amplitude. O/a professor/a deve adaptar e ajustar o currículo ao grupo com o qual trabalha. Não existe um currículo perfeito para todas as igrejas e todos os membros, mas deve existir professores/as que preparem bem a lição e ensinem a seus alunos e alunas.

3.4. Aprendente

O currículo de uma igreja deve contemplar o preparo constante de seus professores e professoras, bem como sua responsabilidade e motivação.  Não há professor ou professora “pronto/a”, pois estão em constante desenvolvimento. O/a professor/a será sempre um/a aluno/a por excelência.

O que é ensinar, senão ajudar as pessoas a aprenderem? Portanto, o problema básico não é ensinar, mas aprender. Enquanto não descobrimos a maneira correta de ajudar as pessoas a aprenderem, não seremos idôneos para ensinar como convém.[1]

Isto mostra que o/a professor/a precisa atualizar-se sempre e buscar novas alternativas e métodos de ensino, bem como participar de um constante processo de treinamento.  O/a professor/a nunca deixará de ser um aluno/a. Quando deixar de sê-lo/a não poderá mais lecionar numa classe de Escola Dominical. “Quem pára de crescer ‘hoje’, pára de ensinar amanhã”.[2] Desta forma, o/a professor/a atua como facilitador/a no processo de ensino e aprendizagem.

Bispo Josué Adam Lazier



[1] Citado por MARTIN, W.  Primeiros passos para Professores. São Paulo, SP: CEP, pg. 50.

[2] ANDERSON, P.M. Viver e Aprender na Escola Dominical. São Paulo, SP: Imprensa Metodista, 1986, pg. 75.



Escrito por Josué Adam Lazier às 09h28
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Como utilizar o material didático na Escola Dominical II

1.    O/a professor/a da Escola Dominical

A concepção acerca da Escola Dominical nos leva a considerar o professor e a professora e como ele e ela são compreendidos em sua tarefa de educar para a vida na perspectiva do Reino de Deus.

A educação na perspectiva do jardim é desenvolvida por educadores/as que dão valor à vida e dignidade às pessoas que estão envolvidas no processo de ensino e aprendizagem. Assim, duas figuras ilustram a educação nesta escola. São as figuras do/a jardineiro/a e do/a agricultor/a:

 

Isso torna, na verdade, um professor mais parecido com um jardineiro, que presta uma atenção singular a cada planta de seu jardim, e não com um agricultor, que aplica um tratamento homogêneo a todo um terreno.[1]

 

O/a professor/a jardineiro/a trata seus alunos e alunas considerando a diversidade da vida humana e trata as diferenças com respeito e valorização. Nesta diversidade se inserem as questões de raça, de gênero, de etnia, etc. Este tipo de professor/a dá atenção a cada pessoa. Já o/a professor/a agricultor/a desenvolve o seu trabalho docente de forma homogênea, onde as pessoas não são percebidas na sua diversidade.

 

Reflita, pondere, acredite, trabalhe, ensine, eduque, seja fiel ao seu ministério.

 

Bispo Josué Adam Lazier



[1] STENHOUSE, L. Citado por CONTRERAS, José. A autonomia de professores. São Paulo, SP: Cortez Editora, 2002, p. 115.



Escrito por Josué Adam Lazier às 09h27
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