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Reflexões
Ação de Graças
Ação de Graças Dia 26 de novembro é o dia de Ação de Graças. A gratidão, ou a ação de graças é uma das características da vivência cristã. Ela é motivada pelo fruto da terra, compreendida como providência de Deus que abençoa o trabalho do homem e da mulher. Entre os sacrifícios que o povo de Deus realizava no Antigo Testamento, atendendo as orientações dos sacerdotes, estava o sacrifício, ou oferta, em ação de graças pelos inumeráveis benefícios dados por Deus - Lv 7.12, especialmente o fruto da terra. A ação de graças fazia parte da vida litúrgica do povo. Os salmistas compuseram vários hinos com o tema para as celebrações - Sl 69.30; 147.7. O povo entrava no Templo cantando em ação de graças - Sl 100.4. O tema foi tão presente entre o povo que o livro de Salmos registrou este gênero de cântico e de expressão de gratidão. Os profetas ensinaram o povo a apresentar a ação de graças a Deus (Jr 33.11). Qual o significado da gratidão? Gratidão é o reconhecimento das dádivas dadas por Deus. É também retribuição, pois ação de graças está se referindo aos atos concretos de gratidão. Gratidão significa a recordação dos atos salvíficos de Deus. Ser grato significa dizer que a pessoa é livre para aceitar as adversidades da vida, assim como receber as vitórias, pois em todos os momentos sabe que está sob o cuidado de Deus e que nada poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus - Rm 8.39. O louvor a Deus é uma forma de expressar gratidão. Nele o cristão destaca as coisas realizadas por Deus, reconhece a Sua Graça e rende a Glória que lhe é devida. O louvor é também uma atitude, não se resumindo ao ato do culto, mas se estendendo aos diversos momentos da vida. A palavra louvor e derivadas aparecem com muita insistência nas escrituras, pois, nas palavras da carta aos Efésios, fomos criados para o “louvor da sua glória” - Ef 1.6, 12, 14. Já o salmista declarava que o louvor estaria nos seus lábios - Sl 34.1. Outra forma concreta de expressar gratidão e louvor a Deus é pelo ato de solidariedade, ou de socorro, ou de empatia com a dor do próximo, ou de atenção e cuidado dirigidos aos outros, pois solidariedade é estar sensível às necessidades e lutas da vida, é acolher, é fortalecer, é ajudar na superação das crises e conflitos da vida. Aliás, a melhor forma de expressar gratidão a Deus é estender a mão para o próximo e compartilhar o que somos e o que temos. Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 13h24
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A crise desperata a criativade - preparando-se para o natal A CRISE DESPERTA PARA A CRIATIVIDADE 1. Durante a vida e o ministério do profeta Isaías o povo de Israel estava na iminente invasão pelos Assírios, uma grande potência que estendia seus limites e se aproximava da Terra Prometida. Israel faz aliança com a Síria, outro povo ameaçado e vizinho, para resistir aos invasores. O Reino de Judá, outra parte do povo de Israel é convidado a participar da resistência, mas o Rei Acaz decide fazer aliança e pagar tributos para os invasores Assírios. Com isto, Sírios e Israelitas ameaçam invadir o povo de Judá. 2. O profeta Isaías era contrário á aliança com os Assírios bem como em unir-se com os Sírios e Israelitas para a resistência armada. Para ele nenhuma das duas alternativas tinha algum futuro. Disse ao rei Acaz, Rei de Judá, que não devia confiar em armas e nos exércitos. A solução apontada pelo profeta era outra. Isaías falava de um Novo Tempo para o povo: tempo de esperança e paz, onde não haveria mais humilhações para as famílias e nem guerras para dissipar a sociedade judaica. No entanto o Rei não compreendia. Estava mais interessado em “garantir” pelas forças humanas a salvação. 3. Isaías continuava a declarar os oráculos de Deus sobre o assunto e a apontar sinais de que Deus libertaria Seu Povo, mas de maneira completamente diferente da buscada pelo Rei. Alguns sinais ensinaram isto: No meio da guerra, quando o povo de Judá estava perdendo, o Rei se apavorou e procurava solidificar suas defesas e defender a capital, quando Isaías surge para dar-lhe mais sinais: 1º) UM RESTO VOLTA - 7.3. Seu filho, um menino, cujo nome é UM-RESTO-VOLTA. O nome do menino traz uma mensagem para o rei. O que sobrou da guerra seria o sinal da libertação do seu povo. O futuro não estava assentado em grandes coisas, mas sim num menino, no resto que volta. 4. Isaías continua falando de um novo tempo e apresenta ao rei um novo sinal, outro menino: 2º) EMANUEL - 7.14. Uma jovem mulher está gravida e o seu filho pequenino ainda é o sinal de Deus para o Rei. O nome do menino será Emanuel, Deus presente, Deus conosco. 5. A guerra já estava causando muitas perdas. Estava chegando à capital. O sinal continua o mesmo - um menino: 4º) MARAVILHOSO, CONSELHEIRO, DEUS FORTE, PAI DA ETERNIDADE, PRÍNCIPE DA PAZ - 9.6. Os títulos usados são usados para referir-se aos reis e faraós. Isaías usa-os para designar o MENINO, um menino especial, que nasceria numa manjedoura mas teria nome de Rei. O novo tempo anunciado por Deus chegaria com este menino. 6. Finalmente, tudo estava arruinado e destruído. Muita morte e desesperança. Parecia não haver mais saída. Os sinais não foram vistos e interpretados. Mas o profeta continua com os olhos abertos e vê “um renovo”. No meio de troncos queimados e árvores caídas e secas, o profeta vê um renovo, sinal de ainda restava vida. Inspirado nesta imagem o poeta escreveu:
Da cepa brotou a rama, da rama brotou a flor, da flor nasceu Maria, de Maria o Salvador. 7. Em tempos de crise Deus chama seus profetas e profetisas para sonharem, enxergarem e proclamarem que do tronco seco brotou um renovo. Nestes tempos de crise Deus chama homens e mulheres com coragem para enfrentá-los e buscarem na criatividade a solução para as crises. 8. Os homens e mulheres chamados/as têm uma estranha audácia de audazes e não são repetidores de diálogos ou estereotipos. Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 11h04
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Con - cílio Estamos em con - cílio... "A celha (também chamada de cílio e pestana) é cada um dos pequenos pêlos que protegem as bordas externas das pálpebras, formando uma espécie de franja protetora do globo ocular. As celhas são como pequenas vassouras: protegem os olhos de poeira e pequenos insetos que caiam na região. Apesar de importante, não é a principal proteção da vista — o reflexo de fechar as pálpebras diante de um perigo é bem mais eficaz. Em média, nasce um cílio novo por dia" (Wikipédia). 
Inspirados no significado do cílio, podemos dizer que cada um dos membros do con-cílio são como pequenos protetores ou defensores da "menina dos olhos". Penso que a menina dos olhos de um con-cílio é a identidade e a confessionalidade que se expressa na eclesiologia e que promove a práxis, que é a missão. Se num concílio os cílios não cuidarem da "visão" eclesial, confessional e missionária, haverá divisão, pois os con-cílios estarão olhando para seus umbigos e não para os olhos dos outros, ou seja, sem o olho no olho não haverá diálogo, e sem diálogo não haverá concílio, e sem concílio ai dos cílios e sem os cílios em con, ai da "menina dos olhos". Tenho dito. Espero que alguém me entenda. Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 16h58
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Estamos em Concílio ESTAMOS EM CONCÍLIO PARA CONCILIAR, RECONCILIAR OU DESCONFIAR  Os meses de novembro de dezembro deste ano serão marcados pela realização dos Concílios Regionais. Sempre é bom lembrar o que significa concílio. Concílio quer dizer “convocação de uma representação determinada, para definir e deliberar sobre pontos atinentes à missão que lhe é própria”. O artigo 9º da Constituição da Igreja Metodista define Concílios como “órgãos jurisdicionais que se reúnem periodicamente para tratar dos interesses das respectivas áreas”. Neste sentido, o verbo conciliar tem vários significados que nos ajudam no cumprimento das nossas tarefas conciliares. Ele quer dizer “pôr de acordo”, “aliar, unir, combinar”, “atrair, granjear, captar”. Este convite é feito pela Palavra de Deus e está expressa em Filipenses 4.2: “...pensem concordemente, no Senhor”. O convite é para que conciliemos nossos desafios, nossos interesses, nossa disposição em servir ao Senhor, nossos sonhos, nossas esperanças, nossas convicções, nossas energias, etc. Como nos diz o apóstolo: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). Conciliar, portanto, tanto pode ser a pessoa que está presente num Concílio como delegado ou representante de alguma igreja ou órgão, mas também pode representar o diálogo que envolve estes conciliares em torno de idéias, de temas, de planos, de assuntos de suma importância para a vida da Igreja. Não há concilio se não houver disposição para a conciliação. A pergunta que fazemos no título desta reflexão é para provocar a reflexão: estamos em concílio para conciliar, reconciliar ou desconfiar uns dos outros e dos diferentes grupos que estão presentes no evento? Se for para conciliar ou reconciliar alguns temas se apresentam como fundamentais e norteadores dos trabalhos e dos debates conciliares: 1. Plano missionário. Qual é o plano? Quais são as estratégias de ação? Quem estará envolvido na realização do Plano? 2. Identidade confessional. Quais são as ênfases da identidade confessional que perpassaram pelas discussões, estudos e decisões? 3. Formação e educação da membresia. O que está sendo projetado em termos de formação, educação e mobilização dos diversos membros da Igreja para que não sejam alvos dos movimentos “pescaria no aquário” e dos grupos fundamentalistas e neo-pentecontais que se inseriram nos ambientes confessionais da Igreja? 4. Como os conciliares estão tratando dos temas da ética, cidadania, responsabilidade social, caráter e responsabilidade cristã? 5. Com relação à liderança das igrejas e dos ministérios qual será a ênfase? Formatação segundo um modelo estereotipado? Há uma “cartilha” oculta que deve ser seguida pelos líderes, caso contrário eles não poderão exercer suas lideranças? Ou há espaço para a diversidade no âmbito do exercício da liderança cristã? 6. E o discipulado? Vai virar encontro com Deus? Já virou encontro com Deus? Vai seguir propostas eclesiológicas antagônicas a eclesiologia metodista? Eu desconfio que os temas que estarão em pauta, formal e informalmente, serão os das eleições ao Concílio Geral e as candidaturas ao episcopado. Há quem desconfie que listagens estejam sendo distribuídas com nomes que deverão ser contemplados nas eleições e nomes que não devem ser considerados para nenhum cargo, sobretudo as de delegado ao Concílio Geral. Se for assim, é no mínimo lamentável. Como membro de um Concílio eu quero conciliar meus pensamentos, minhas energias e minhas forças para a conciliação e reconciliação. Espero não ter que desconfiar... Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 21h10
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É tempo de ver as flores É TEMPO DE VER AS FLORES Segundo a parábola de Lucas 12.26  Lucas escreve esta pequena parábola num ambiente onde havia grande a ansiedade pelas coisas fundamentais para a sobrevivência e a solicitude pelo que pode acontecer no futuro. Os discípulos de Jesus vivenciam esta ansiedade, ao lado de uma multidão que também tinham expectativa de transformações em seu contexto de vida. Lucas coloca esta parábola na parte em que descreve a caminhada de Jesus para Jerusalém, centro que legitimava muitas situações de injustiças e que rejeita a proposta de Jesus de que o Reino de Deus é o caminho para esta crise. O Reino não é mágico a ponto de imunizar seus seguidores dos problemas de uma sociedade injusta e opressora. Mas aponta um caminho, propõe uma saída e convida os ouvintes para uma nova prática. Ele também não é utópico, mas esperança e ideal de transformação. Jesus fala das flores do campo e da beleza que elas têm. Estas flores não fabricam como os homens, mas Deus as veste com uma beleza com a qual nem sequer as roupas deslumbrantes de Salomão poderiam comparar-se. As flores do campo apresentam uma mensagem para os ouvintes de Jesus, mensagem de renovação da semente, de alegria e novidade que as tonalidades e os perfumes das flores apresentam.

Embora belas e perfumadas, as flores são temporárias, mas no pouco tempo de vida elas se dedicam a inspirar a vida. Se Deus cuida das flores que desaparecem rapidamente, quanto mais cuidará do Seu povo! Esta ilustração anima os discípulos e o povo em sua caminhada. Parece claro que o texto está questionando a ansiedade irresponsável e egoísta que leva a pessoa a acumular em detrimento dos outros, atitude que Jesus atribui aos "gentios", isto é, aos injustos, egoístas, avarentos, mundanos, malignos, etc. A preocupação responsável é legítima. O Reino de Deus apresenta a solidariedade que ajuda a eliminar as diferenças causadas por uma sociedade injusta. "A verdadeira liberdade nasce da aceitação do Reino como um dom que vem do Pai, e se torna o princípio de todas as decisões e de todos os atos (vv. 31-34). Uma vez que o coração está preso ao absoluto do Reino, torna-se livre para conhecer o que é relativo, e dá força para uma renúncia capaz de abandonar o que é perecível e orientar a vida para aquilo que não perece”.[1]2 Recebemos o desafio da tradição bíblica de superarmos as crises da vida e as desesperanças acreditando no Reino de Deus e nos Seus valores. A luta pelas coisas necessárias para a sobrevivência não é "condenada" por Jesus, mas sim a ansiedade irresponsável e egoísta. Oremos para que entre nós a conversão ao Reino de Deus seja constante. Bispo Josué Adam Lazier
[1] Gorgulho, G.S. - Anderson, A.F. O Caminho da Paz. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1984, p. 160.
Escrito por Josué Adam Lazier às 13h17
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QUE PAÍS É ESTE
QUE PAÍS É ESTE Já somos o país do carnaval. Somos também o país do futebol. Sediaremos a Copa do Mundo de futebol de 2014. O Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos de 2016. Parece que somos o país das comemorações. Mas quando celebraremos a derrota da mortalidade infantil? Quando faremos um “carnaval” porque a violência contra a criança e a mulher foi debelada em nossa sociedade? Quando faremos uma “Copa” para comemorar o fim da desigualdade social e econômica? Quando organizaremos “Jogos Olímpicos” para celebrar a vitória da ética e da moral contra a corrupção? Quando seremos um país de fato democrático e progressista? Se há recursos públicos e privados por que não foram ainda aplicados para minimizar a dor e o sofrimento de uma grande parcela da sociedade brasileira, não com esmolas ou donativos, mas com ações transformadoras da realidade que vivemos. Quando sairemos da ilusão que alguns midiáticos plantam todos os dias? A festa e a celebração pela escolha do Rio de Janeiro para ser a Sede das Olimpíadas de 2016 evidencia a carência e a auto-estima baixa de um povo que tem força para superar as adversidades da vida, mas que sofre as dores das injustiças e dos desmandos de governantes e líderes. Onde estarão os recursos para a saúde, para a educação, para a autonomia e para o desenvolvimento sustentável em terras brasileiras? De onde virão os recursos para a Olimpíada? Dos impostos que são pagos pelos brasileiros? Da iniciativa privada? Será? Ou os recursos para a olimpíada virão da falta de recursos para que a dignidade alcance todos os brasileiros? Muitos celebram a escolha da sede olímpica. Muitos choram esta mesma escolha. A desigualdade social continua vigente, com aplausos de muita gente. Afinal, para hospedar os jogos olímpicos vale a carestia da dignidade mínima do cidadão brasileiro! Vale? Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 10h18
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DOIS ANOS DO BLOG Hoje está completando dois anos que me utilizo deste canal de comunicação para "dialogar" com amigos e leitores sobre a vida, sobre os desafios da sociedade e o impacto dos mesmos para o ministério cristão, entre outras reflexões. Tenho recebido muitas mensagens em resposta aos textos e sei que há um grande número de pessoas utilizando minhas contribuições através do blog para mensagens, reflexões e estudos. Ao completar dois anos, reflito que de uma certa forma estou contribuindo para o desenvolvimento de uma educação reflexiva e transformadora. Um amigo me escreveu certa vez classificando minhas reflexões e dizendo que algumas são doces e de fácil digestão; outras mistura temperos e dão um sabor diferenciado aos textos e outras são muito ácidas e provocativas de uma reflexão mais aprofundada. Acho que é por aí mesmo... Espero continuar escrevendo, pois quando o faço me transformo e me torno mais humano. Deixo o convite para que você continue a visitar meu blog! Um abraço 
Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 13h34
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A reunião nossa de cada dia
A REUNIÃO NOSSA DE CADA DIA Você já parou para pensar na quantidade de reuniões em que participou? Já parou para pensar na objetividade das reuniões que costuma participar? Muitos participam de reuniões diárias, semanais, mensais, anuais, etc. Há pessoas que avaliam que muitas das reuniões que participam são desnecessárias. Mas o fato é que hoje vivemos a cultura da reunião, ou a ditadura da reunião. Há reuniões bem organizadas. Há reuniões que não são organizadas. Às vezes se faz necessário realizar uma reunião para organizar a próxima reunião. Haja reunião... Há até reunião para não fazer reunião. Reunião quer dizer “acontecimento que proporciona o encontro de diversas pessoas”, ou “agrupamento de pessoas para tratar de qualquer assunto”. Há as reuniões familiares, as de trabalho, as do condomínio, as festivas e as celebrativas. A maioria é de trabalho ou em função do trabalho. Já que temos tantas reuniões, que tal pensar na possibilidade de estar com as pessoas e na convivência que as reuniões possibilitam. Que tal pensar na possibilidade de aprender algo novo e em contribuir com uma idéia nova? Já que estamos envolvidos em diversas reuniões por que não aproveitar a oportunidade para nos aproximarmos daqueles que estão mais distantes? Que tal dar atenção ao que os outros estão falando? Nas organizações as reuniões são importantes momentos para o contato pessoal e a comunicação entre os participantes. Para efeito de meditação, é importante lembrar que as reuniões podem ser sinalizadoras de mudanças e transformações. Assim, lembramos que os discípulos estavam reunidos por ocasião da chegada do Espírito Santo em suas vidas (Atos 2.1), estavam reunidos para resolver os problemas que foram surgindo no início da Igreja (Atos 6.2) e instituíram os diáconos para o atendimento às pessoas com necessidades na época, e desde então a Igreja não para de fazer reuniões, além dos encontros dominicais para estudo, culto e comunhão, há as outras reuniões de organização e de decisões. Por falar em comunhão, você já observou quem está do seu lado? Você já o cumprimentou? Você sabe como está a sua saúde? Não raro acontece de participarmos em diversas reuniões com as mesmas pessoas e não percebermos que alguém está precisando de uma palavra de conforto, de esperança, de motivação, etc. Portanto, a reunião nossa de cada dia é uma oportunidade para expressarmos a fraternidade, assumirmos nossa coletividade e reconhecermos nossa necessidade de estarmos reunidos para dialogar e aprender uns com os outros. As reuniões nos possibilitam a interação e a convergência e, com a participação de todos, a superação dos desafios que a bendita reunião nos apresenta. Bom, depois da reunião nós podemos nos reunir para conversarmos sobre nossas reuniões. Que tal? Uma boa reunião para todos. Bispo Josué Adam Lazier
Escrito por Josué Adam Lazier às 13h25
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Para estar no aprisco e não no curral PARA ESTAR NO APRISCO E NÃO NO CURRAL O ministério de acordo com I Pedro 5.1-4 Introdução Esta é a terceira reflexão que faço em torno do tema aprisco e curral. A primeira eu intitulei “Entre o aprisco e o curral”, onde descrevi brevemente as características de cada uma. A segunda reflexão eu intitulei de “Ministério no aprisco versus ministério no curral”, em cujo texto indiquei algumas diferenças entre os dois tipos de ministérios, levando-se em conta as parábolas de Lucas 15 e a de Ezequiel 34. Nesta reflexão quero abordar os conselhos apostólicos de Pedro quando se dirigiu aos cristãos que se encontravam na dispersão no Ponto, Galacia, Capadócia, Ásia e Bitínia. O apóstolo chama-os de forasteiros, porque viviam em outras terras, mas assim o faziam como eleitos de Deus e santificados no Espírito Santo (I Pe 1.2). Como os seguidores de Cristo viviam em um ambiente de hostilidade, o exercício do pastoreio junto ao povo era fundamental para preservação da fé e perseverança na vida cristã. Desta forma, o apóstolo se dirige aos dirigentes dando-lhes várias recomendações de como pastorear naquelas condições. Na verdade ele faz uma comparação entre dois modelos de pastoreio, que estou chamando de aprisco e curral. Ao fazer isto, é incisivo e desafiador, pois suas palavras exortam e edificam. Diálogo com os líderes da comunidade Ele designa os líderes de presbíteros, por serem as pessoas que adquiriram experiências ao longo de suas vidas e foram reconhecidas como líderes da comunidade que se encontrava dispersa por vários lugares. Os presbíteros deveriam ser como referências de obediência e dedicação a Deus para os demais que iniciavam a jornada de fé. Ao se dirigir a eles assinala o pastoreio na perspectiva do aprisco e se apresenta como co-servo, co-ancião e cooperador, como alguém que testemunhou os sofrimentos de Cristo e tornou-se testemunha da ressurreição (5.1). O apóstolo Pedro indica três características do que estamos chamando de ministério no aprisco ou ministério no curral. Inicia sua recomendação com a expressão “rogo”, em grego parakaleo, que significa chamar ao lado, convidar para uma conversa. É desta forma que o apóstolo se dirige aos líderes, ou seja, pastoralmente convida para uma conversa mais íntima acerca do cuidado pastoral. Nesta conversa ele pede que o pastoreio aconteça e passa a indicar as características. Espontaneamente Ele diferencia o aprisco do curral quando indica que o pastoreio deve ser feito espontaneamente e não por constrangimento. A palavra constrangimento tem o acento de obrigação, coação, sem alegria, sem motivação, sem zelo e sem compromisso com o rebanho. Para Pedro o pastoreio deve ser exercido de forma livre, da forma que Deus o quer, sem imposições e legalismos, mas com respeito, cuidado e dignidade. “A ordem de apascentar voluntariamente, segundo Deus, poderia então significar: não cumprais a vossa obrigação coagidos pela imposição das mãos sobre vós. Redescobri as motivações da fé, ‘segundo Deus’, que estão na origem do vosso ministério, e deixai-vos guiar por elas”.[1] É uma recomendação instigante e relevante para os dias de hoje, pois este é o ministério feito no aprisco. Nele não há coação e nem intimidação, não há ameaças e nem dissimulações. É um pastoreio com o coração aberto e cheio de amor e de esperança para com as pessoas, feito com honestidade e com voluntariedade. De boa vontade Na recomendação anterior o curral estava na coação, na presente orientação está na sórdida ganância ou na avidez por ganho. O tema do dinheiro entra na pauta de recomendações do apóstolo, pois a ganância é uma força destrutiva do ministério “como Deus o quer”. Deus quer o ministério de boa vontade, com generosidade, com magnanimidade, onde a tentação pelo lucro e pela satisfação dos interesses pessoais é superada. O termo grego utilizado e traduzido por boa vontade, tem o sentido de zelo, de cuidado. “A palavra é extremamente forte e expressa entusiasmo e zelo devotado”.[2] O ministério no aprisco tem esta perspectiva desafiadora para os dias de hoje, especialmente levando-se em conta os movimentos de negociação e de busca de recompensas financeiras pelo trabalho pastoral. Pedro, ao se dirigir aos líderes da comunidade, faz um apelo para que a disposição que estava presente no início do ministério seja restaurada e renovada. Assim, os presbíteros deveriam pastorear “não forçados, mas de bom grado, obedecendo à vontade divina; não por causa do lucro, mas por devotamento ao próximo; não com modos ásperos, como tiranos, mas dando o exemplo de suavidade e delicadeza”.[3] Como modelos do rebanho Pedro não deixa dúvidas. O ministério realizado com violência, com dominação, com patrulhamento, não é o Deus quer. Deus quer um ministério livre, espontâneo e caracterizado pela disposição em servir. O acento da recomendação está no relacionamento de serviço em prol das ovelhas. As recomendações de Cristo aos discípulos e expostas pelos evangelistas estão diretamente ligadas a esta recomendação petrina, especialmente as que falam que os maiores são os que servem e não os que se assentam à mesa (Mc 10.43-44). Numa situação de aprisco não há dominação, há sim doação, dedicação e humildade. “A humildade proposta por Cristo não tem nada a ver com os meios usados para se fazer carreira e chegar ao poder”.[4] Para continuar refletindo Considerar as palavras do apostolo Pedro é sair da perspectiva do curral e entrar na do aprisco, é pensar na dimensão pública do pastoreio e do serviço que a Igreja deve prestar à sociedade. É pensar na inclusão dos que são excluídos, é pensar na libertação dos que são oprimidos, é denunciar quando a vida, dom de Deus, é aviltada pela violência contra crianças, contra mulheres, contra os idosos e contra os que são diferentes, é pensar na vida integral e no resgate da dignidade humana. É pastorear num ambiente de aprisco. Dar atenção as palavras de Pedro é sair do curral e entrar no aprisco, pois suas palavras continuam a instigar a liderança da igreja nos dias de hoje. Bispo Josué Adam Lazier
[1] BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 102. [2] RIENECKER, Fritz – ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, p. 567. [3] BALLARINI, T. e outros. Introdução à Bíblia, vol. V/2. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Ltda, 1969, p. 345. [4] BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 112.
Escrito por Josué Adam Lazier às 08h43
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IGREJA MISSIONÁRIA III COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA III “...erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa” (João 4.35b) A Bíblia registra que a Igreja como Corpo Vivo de Cristo cresce em todas as dimensões da fé e da experiência cristã, inclusive no que diz respeito ao crescimento quantitativo. O texto bíblico nos afirma que crescemos em tudo naquele que é o Cabeça, Cristo Jesus (Ef 4.15). O foco da missão da Igreja deve estar direcionado às vidas que podem ser transformadas e convertidas à partir do conhecimento do Evangelho de Jesus. O texto de João 4.35b é motivador para as duas ações ministeriais da Igreja: semear e colher. Tanto o que semeia como o que colhe são fundamentais para o cumprimento da missão da Igreja. O semeador não é melhor do que aquele que ceifa. Nem o que ceifa é melhor do que o semeador. Ambos devem perceber que os campos branquejam, ou seja, ter a percepção de que a terra está pronta para a semeadura e de que os ceifeiros devem estar prontos, pois rapidamente os frutos se tornarão maduros para a colheita. Uns semeiam. Outros regam. Outros plantam. O importante é Deus que dá o crescimento (I Co 3.7) e que reconhece o trabalho do semeador, do que rega e do ceifeiro. Às vezes a terra parece como a da Judéia e a de Jerusalém no tempo de Jesus, árida e sem produzir nada, no entanto, o semeador e ceifeiro do Senhor têm a capacidade de perceber que mesmo na aparente aridez há sinais de que os campos branquejam para a ceifa. Como nos afirma o profeta: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Isaías 55.11). É nesta confiança que semeamos e colhemos, pois a Palavra de Deus não volta vazia. Jesus parece fazer um jogo de palavras quando diz “levantai os olhos e vedes”. Nas duas expressões encontramos o sentido de não olhar para baixo procurando sinais das plantas que estão nascendo, mas sim o de levantar os olhos e contemplar o campo que está pronto para a colheita. Não se trata de uma “visão interior e mística, e muito menos uma visão platônica das formas, mas, sim, um ato espiritual de ver, a vista da fé”.[1] Os discípulos contemplam a glória de Jesus (João 1.14) e os campos que estão brancos para a ceifa. Como nos diz o Senhor no texto bíblico: levantemos os olhos e vejamos que os campos estão brancos para a colheita. Cresceremos na comunhão e na santidade bíblica; cresceremos no discipulado e na mordomia cristã; cresceremos em número de pessoas alcançadas e comprometidas com o Evangelho de Jesus, pois é tempo de plantar; tempo de regar; tempo de colher; é tempo de trabalhar incansavelmente para o cumprimento da missão que recebemos de Deus. Uma Igreja Missionária tem os olhos voltados para a realidade onde está inserida, tem os ouvidos atentos para o clamor do povo e o gemido dos que sofrem, tem a boca pronta para proclamar as boas novas do Evangelho e denunciar os atos de morte, tem as mãos estendidas para acolher os necessitados e os pés preparados para caminhar pelas estradas em direção às multidões. Uma igreja missionária tem a coragem e a ousadia de proclamar o senhorio de Cristo e a coragem para dizer não aos valores do presente século. Bispo Josué Adam Lazier
[1] Kahn, D., Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. II, São Paulo, Edições Vida Nova, 2000, pg. 2596.
Escrito por Josué Adam Lazier às 20h37
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