Reflexões


 
 

Estamos em Concílio

 

 

ESTAMOS EM CONCÍLIO PARA CONCILIAR, RECONCILIAR OU DESCONFIAR

 

 

 

Os meses de novembro de dezembro deste ano serão marcados pela realização dos Concílios Regionais. Sempre é bom lembrar o que significa concílio.

 

Concílio quer dizer “convocação de uma representação determinada, para definir e deliberar sobre pontos atinentes à missão que lhe é própria”.[1] O artigo 9º da Constituição da Igreja Metodista define Concílios como “órgãos jurisdicionais que se reúnem periodicamente para tratar dos interesses das respectivas áreas”. Neste sentido, o verbo conciliar tem vários significados que nos ajudam no cumprimento das nossas tarefas conciliares. Ele quer dizer “pôr de acordo”, “aliar, unir, combinar”, “atrair, granjear, captar”.[2]

 

Este convite é feito pela Palavra de Deus e está expressa em Filipenses 4.2: “...pensem concordemente, no Senhor”. O convite é para que conciliemos nossos desafios, nossos interesses, nossa disposição em servir ao Senhor, nossos sonhos, nossas esperanças, nossas convicções, nossas energias, etc. Como nos diz o apóstolo: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5).

 

Conciliar, portanto, tanto pode ser a pessoa que está presente num Concílio como delegado ou representante de alguma igreja ou órgão, mas também pode representar o diálogo que envolve estes conciliares em torno de idéias, de temas, de planos, de assuntos de suma importância para a vida da Igreja. Não há concilio se não houver disposição para a conciliação.

 

A pergunta que fazemos no título desta reflexão é para provocar a reflexão: estamos em concílio para conciliar, reconciliar ou desconfiar uns dos outros e dos diferentes grupos que estão presentes no evento?

 

Se for para conciliar ou reconciliar alguns temas se apresentam como fundamentais e norteadores dos trabalhos e dos debates conciliares:

 

1.      Plano missionário. Qual é o plano? Quais são as estratégias de ação? Quem estará envolvido na realização do Plano?

2.      Identidade confessional. Quais são as ênfases da identidade confessional que perpassaram pelas discussões, estudos e decisões?

3.      Formação e educação da membresia. O que está sendo projetado em termos de formação, educação e mobilização dos diversos membros da Igreja para que não sejam alvos dos movimentos “pescaria no aquário” e dos grupos fundamentalistas e neo-pentecontais que se inseriram nos ambientes confessionais da Igreja?

4.      Como os conciliares estão tratando dos temas da ética, cidadania, responsabilidade social, caráter e responsabilidade cristã?

5.      Com relação à liderança das igrejas e dos ministérios qual será a ênfase? Formatação segundo um modelo estereotipado? Há uma “cartilha” oculta que deve ser seguida pelos líderes, caso contrário eles não poderão exercer suas lideranças? Ou há espaço para a diversidade no âmbito do exercício da liderança cristã?

6.      E o discipulado? Vai virar encontro com Deus? Já virou encontro com Deus? Vai seguir propostas eclesiológicas antagônicas a eclesiologia metodista?

 

Eu desconfio que os temas que estarão em pauta, formal e informalmente, serão os das eleições ao Concílio Geral e as candidaturas ao episcopado. Há quem desconfie que listagens estejam sendo distribuídas com nomes que deverão ser contemplados nas eleições e nomes que não devem ser considerados para nenhum cargo, sobretudo as de delegado ao Concílio Geral. Se for assim, é no mínimo lamentável.

 

Como membro de um Concílio eu quero conciliar meus pensamentos, minhas energias e minhas forças para a conciliação e reconciliação. Espero não ter que desconfiar...

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 



[1] Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.

[2] Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h10
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É tempo de ver as flores

 

É TEMPO DE VER AS FLORES

Segundo a parábola de Lucas 12.26

 

 

Lucas escreve esta pequena parábola num ambiente onde havia grande a ansiedade pelas coisas fundamentais para a sobrevivência e a solicitude pelo que pode acontecer no futuro. Os discípulos de Jesus vivenciam esta ansiedade, ao lado de uma multidão que também tinham expectativa de transformações em seu contexto de vida.

 

Lucas coloca esta parábola na parte em que descreve a caminhada de Jesus para Jerusalém, centro que legitimava muitas situações de injustiças e que rejeita a proposta de Jesus de que o Reino de Deus é o caminho para esta crise. O Reino não é mágico a ponto de imunizar seus seguidores dos problemas de uma sociedade injusta e opressora. Mas aponta um caminho, propõe uma saída e convida os ouvintes para uma nova prática. Ele também não é utópico, mas esperança e ideal de transformação.

 

Jesus fala das flores do campo e da beleza que elas têm. Estas flores não fabricam como os homens, mas Deus as veste com uma beleza com a qual nem sequer as roupas deslumbrantes de Salomão poderiam comparar-se. As flores do campo apresentam uma mensagem para os ouvintes de Jesus, mensagem de renovação da semente, de alegria e novidade que as tonalidades e os perfumes das flores apresentam.


 

Embora belas e perfumadas, as flores são temporárias, mas no pouco tempo de vida elas se dedicam a inspirar a vida. Se Deus cuida das flores que desaparecem rapidamente, quanto mais cuidará do Seu povo!

 

Esta ilustração anima os discípulos e o povo em sua caminhada. Parece claro que o texto está questionando a ansiedade irresponsável e egoísta que leva a pessoa a acumular em detrimento dos outros, atitude que Jesus atribui aos "gentios", isto é, aos injustos, egoístas, avarentos, mundanos, malignos, etc. A preocupação responsável é legítima.

 

O Reino de Deus apresenta a solidariedade que ajuda a eliminar as diferenças causadas por uma sociedade injusta. "A verdadeira liberdade nasce da aceitação do Reino como um dom que vem do Pai, e se torna o princípio de todas as decisões e de todos os atos (vv. 31-34). Uma vez que o coração está preso ao absoluto do Reino, torna-se livre para conhecer o que é relativo, e dá força para uma renúncia capaz de abandonar o que é perecível e orientar a vida para aquilo que não perece”.[1]2

 

Recebemos o desafio da tradição bíblica de superarmos as crises da vida e as desesperanças acreditando no Reino de Deus e nos Seus valores. A luta pelas coisas necessárias para a sobrevivência não é "condenada" por Jesus, mas sim a ansiedade irresponsável e egoísta.

 

Oremos para que entre nós a conversão ao Reino de Deus seja constante.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 



[1] Gorgulho,  G.S. - Anderson, A.F. O Caminho da Paz. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1984, p. 160.

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 13h17
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QUE PAÍS É ESTE

QUE PAÍS É ESTE

 

 

Já somos o país do carnaval. Somos também o país do futebol. Sediaremos a Copa do Mundo de futebol de 2014. O Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos de 2016. Parece que somos o país das comemorações.

 

Mas quando celebraremos a derrota da mortalidade infantil? Quando faremos um “carnaval” porque a violência contra a criança e a mulher foi debelada em nossa sociedade? Quando faremos uma “Copa” para comemorar o fim da desigualdade social e econômica? Quando organizaremos “Jogos Olímpicos” para celebrar a vitória da ética e da moral contra a corrupção?

 

Quando seremos um país de fato democrático e progressista? Se há recursos públicos e privados por que não foram ainda aplicados para minimizar a dor e o sofrimento de uma grande parcela da sociedade brasileira, não com esmolas ou donativos, mas com ações transformadoras da realidade que vivemos. Quando sairemos da ilusão que alguns midiáticos plantam todos os dias?

 

A festa e a celebração pela escolha do Rio de Janeiro para ser a Sede das Olimpíadas de 2016 evidencia a carência e a auto-estima baixa de um povo que tem força para superar as adversidades da vida, mas que sofre as dores das injustiças e dos desmandos de governantes e líderes.

 

Onde estarão os recursos para a saúde, para a educação, para a autonomia e para o desenvolvimento sustentável em terras brasileiras? De onde virão os recursos para a Olimpíada? Dos impostos que são pagos pelos brasileiros? Da iniciativa privada? Será? Ou os recursos para a olimpíada virão da falta de recursos para que a dignidade alcance todos os brasileiros?

 

Muitos celebram a escolha da sede olímpica. Muitos choram esta mesma escolha. A desigualdade social continua vigente, com aplausos de muita gente. Afinal, para hospedar os jogos olímpicos vale a carestia da dignidade mínima do cidadão brasileiro! Vale?

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 10h18
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DOIS ANOS DO BLOG

Hoje está completando dois anos que me utilizo deste canal de comunicação para "dialogar" com amigos e leitores sobre a vida, sobre os desafios da sociedade e o impacto dos mesmos para o ministério cristão, entre outras reflexões.

Tenho recebido muitas mensagens em resposta aos textos e sei que há um grande número de pessoas utilizando minhas contribuições através do blog para mensagens, reflexões e estudos.

Ao completar dois anos, reflito que de uma certa forma estou contribuindo para o desenvolvimento de uma educação reflexiva e transformadora.

Um amigo me escreveu certa vez classificando minhas reflexões e dizendo que algumas são doces e de fácil digestão; outras mistura temperos e dão um sabor diferenciado aos textos e outras são muito ácidas e provocativas de uma reflexão mais aprofundada. Acho que é por aí mesmo...

Espero continuar escrevendo, pois quando o faço me transformo e me torno mais humano. Deixo o convite para que você continue a visitar meu blog!

Um abraço

Bispo Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 13h34
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A reunião nossa de cada dia

A REUNIÃO NOSSA DE CADA DIA

 

 

Você já parou para pensar na quantidade de reuniões em que participou? Já parou para pensar na objetividade das reuniões que costuma participar? Muitos participam de reuniões diárias, semanais, mensais, anuais, etc. Há pessoas que avaliam que muitas das reuniões que participam são desnecessárias. Mas o fato é que hoje vivemos a cultura da reunião, ou a ditadura da reunião.

 

Há reuniões bem organizadas. Há reuniões que não são organizadas. Às vezes se faz necessário realizar uma reunião para organizar a próxima reunião. Haja reunião... Há até reunião para não fazer reunião.

 

Reunião quer dizer “acontecimento que proporciona o encontro de diversas pessoas”, ou “agrupamento de pessoas para tratar de qualquer assunto”. Há as reuniões familiares, as de trabalho, as do condomínio, as festivas e as celebrativas. A maioria é de trabalho ou em função do trabalho.

 

Já que temos tantas reuniões, que tal pensar na possibilidade de estar com as pessoas e na convivência que as reuniões possibilitam. Que tal pensar na possibilidade de aprender algo novo e em contribuir com uma idéia nova? Já que estamos envolvidos em diversas reuniões por que não aproveitar a oportunidade para nos aproximarmos daqueles que estão mais distantes? Que tal dar atenção ao que os outros estão falando? Nas organizações as reuniões são importantes momentos para o contato pessoal e a comunicação entre os participantes.

 

Para efeito de meditação, é importante lembrar que as reuniões podem ser sinalizadoras de mudanças e transformações. Assim, lembramos que os discípulos estavam reunidos por ocasião da chegada do Espírito Santo em suas vidas (Atos 2.1), estavam reunidos para resolver os problemas que foram surgindo no início da Igreja (Atos 6.2) e instituíram os diáconos para o atendimento às pessoas com necessidades na época, e desde então a Igreja não para de fazer reuniões, além dos encontros dominicais para estudo, culto e comunhão, há as outras reuniões de organização e de decisões.

 

Por falar em comunhão, você já observou quem está do seu lado? Você já o cumprimentou? Você sabe como está a sua saúde? Não raro acontece de participarmos em diversas reuniões com as mesmas pessoas e não percebermos que alguém está precisando de uma palavra de conforto, de esperança, de motivação, etc.

 

Portanto, a reunião nossa de cada dia é uma oportunidade para expressarmos a fraternidade, assumirmos nossa coletividade e reconhecermos nossa necessidade de estarmos reunidos para dialogar e aprender uns com os outros. As reuniões nos possibilitam a interação e a convergência e, com a participação de todos, a superação dos desafios que a bendita reunião nos apresenta.

 

Bom, depois da reunião nós podemos nos reunir para conversarmos sobre nossas reuniões. Que tal?

 

Uma boa reunião para todos.

Bispo Josué Adam Lazier

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 13h25
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Para estar no aprisco e não no curral

 

 

PARA ESTAR NO APRISCO E NÃO NO CURRAL

O ministério de acordo com I Pedro 5.1-4

 

 

Introdução

Esta é a terceira reflexão que faço em torno do tema aprisco e curral. A primeira eu intitulei “Entre o aprisco e o curral”, onde descrevi brevemente as características de cada uma. A segunda reflexão eu intitulei de “Ministério no aprisco versus ministério no curral”, em cujo texto indiquei algumas diferenças entre os dois tipos de ministérios, levando-se em conta as parábolas de Lucas 15 e a de Ezequiel 34.

 

Nesta reflexão quero abordar os conselhos apostólicos de Pedro quando se dirigiu aos cristãos que se encontravam na dispersão no Ponto, Galacia, Capadócia, Ásia e Bitínia. O apóstolo chama-os de forasteiros, porque viviam em outras terras, mas assim o faziam como eleitos de Deus e santificados no Espírito Santo (I Pe 1.2).

 

Como os seguidores de Cristo viviam em um ambiente de hostilidade, o exercício do pastoreio junto ao povo era fundamental para preservação da fé e perseverança na vida cristã. Desta forma, o apóstolo se dirige aos dirigentes dando-lhes várias recomendações de como pastorear naquelas condições. Na verdade ele faz uma comparação entre dois modelos de pastoreio, que estou chamando de aprisco e curral. Ao fazer isto, é incisivo e desafiador, pois suas palavras exortam e edificam.

 

Diálogo com os líderes da comunidade

Ele designa os líderes de presbíteros, por serem as pessoas que adquiriram experiências ao longo de suas vidas e foram reconhecidas como líderes da comunidade que se encontrava dispersa por vários lugares. Os presbíteros deveriam ser como referências de obediência e dedicação a Deus para os demais que iniciavam a jornada de fé. Ao se dirigir a eles assinala o pastoreio na perspectiva do aprisco e se apresenta como co-servo, co-ancião e cooperador, como alguém que testemunhou os sofrimentos de Cristo e tornou-se testemunha da ressurreição (5.1).

 

O apóstolo Pedro indica três características do que estamos chamando de ministério no aprisco ou ministério no curral. Inicia sua recomendação com a expressão “rogo”, em grego parakaleo, que significa chamar ao lado, convidar para uma conversa. É desta forma que o apóstolo se dirige aos líderes, ou seja, pastoralmente convida para uma conversa mais íntima acerca do cuidado pastoral. Nesta conversa ele pede que o pastoreio aconteça e passa a indicar as características.

 

Espontaneamente

Ele diferencia o aprisco do curral quando indica que o pastoreio deve ser feito espontaneamente e não por constrangimento. A palavra constrangimento tem o acento de obrigação, coação, sem alegria, sem motivação, sem zelo e sem compromisso com o rebanho. Para Pedro o pastoreio deve ser exercido de forma livre, da forma que Deus o quer, sem imposições e legalismos, mas com respeito, cuidado e dignidade.

 

A ordem de apascentar voluntariamente, segundo Deus, poderia então significar: não cumprais a vossa obrigação coagidos pela imposição das mãos sobre vós. Redescobri as motivações da fé, ‘segundo Deus’, que estão na origem do vosso ministério, e deixai-vos guiar por elas”.[1]

 

É uma recomendação instigante e relevante para os dias de hoje, pois este é o ministério feito no aprisco. Nele não há coação e nem intimidação, não há ameaças e nem dissimulações. É um pastoreio com o coração aberto e cheio de amor e de esperança para com as pessoas, feito com honestidade e com voluntariedade.

 

De boa vontade

Na recomendação anterior o curral estava na coação, na presente orientação está na sórdida ganância ou na avidez por ganho. O tema do dinheiro entra na pauta de recomendações do apóstolo, pois a ganância é uma força destrutiva do ministério “como Deus o quer”. Deus quer o ministério de boa vontade, com generosidade, com magnanimidade, onde a tentação pelo lucro e pela satisfação dos interesses pessoais é superada.

 

O termo grego utilizado e traduzido por boa vontade, tem o sentido de zelo, de cuidado. “A palavra é extremamente forte e expressa entusiasmo e zelo devotado”.[2] O ministério no aprisco tem esta perspectiva desafiadora para os dias de hoje, especialmente levando-se em conta os movimentos de negociação e de busca de recompensas financeiras pelo trabalho pastoral. Pedro, ao se dirigir aos líderes da comunidade, faz um apelo para que a disposição que estava presente no início do ministério seja restaurada e renovada. Assim, os presbíteros deveriam pastorear

não forçados, mas de bom grado, obedecendo à vontade divina; não por causa do lucro, mas por devotamento ao próximo; não com modos ásperos, como tiranos, mas dando o exemplo de suavidade e delicadeza”.[3]

 

Como modelos do rebanho

Pedro não deixa dúvidas. O ministério realizado com violência, com dominação, com patrulhamento, não é o Deus quer. Deus quer um ministério livre, espontâneo e caracterizado pela disposição em servir. O acento da recomendação está no relacionamento de serviço em prol das ovelhas. As recomendações de Cristo aos discípulos e expostas pelos evangelistas estão diretamente ligadas a esta recomendação petrina, especialmente as que falam que os maiores são os que servem e não os que se assentam à mesa (Mc 10.43-44).

 

Numa situação de aprisco não há dominação, há sim doação, dedicação e humildade. “A humildade proposta por Cristo não tem nada a ver com os meios usados para se fazer carreira e chegar ao poder”.[4]

 

Para continuar refletindo

Considerar as palavras do apostolo Pedro é sair da perspectiva do curral e entrar na do aprisco, é pensar na dimensão pública do pastoreio e do serviço que a Igreja deve prestar à sociedade. É pensar na inclusão dos que são excluídos, é pensar na libertação dos que são oprimidos, é denunciar quando a vida, dom de Deus, é aviltada pela violência contra crianças, contra mulheres, contra os idosos e contra os que são diferentes, é pensar na vida integral e no resgate da dignidade humana. É pastorear num ambiente de aprisco.

Dar atenção as palavras de Pedro é sair do curral e entrar no aprisco, pois suas palavras continuam a instigar a liderança da igreja nos dias de hoje.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 102.

[2] RIENECKER, Fritz – ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, p. 567.

[3] BALLARINI, T. e outros. Introdução à Bíblia, vol. V/2. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Ltda, 1969, p. 345.

[4] BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 112.

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 08h43
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IGREJA MISSIONÁRIA III

 

 

COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA III

...erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa” (João 4.35b)

 

A Bíblia registra que a Igreja como Corpo Vivo de Cristo cresce em todas as dimensões da fé e da experiência cristã, inclusive no que diz respeito ao crescimento quantitativo. O texto bíblico nos afirma que crescemos em tudo naquele que é o Cabeça, Cristo Jesus (Ef 4.15). O foco da missão da Igreja deve estar direcionado às vidas que podem ser transformadas e convertidas à partir do conhecimento do Evangelho de Jesus.

 

O texto de João 4.35b é motivador para as duas ações ministeriais da Igreja: semear e colher. Tanto o que semeia como o que colhe são fundamentais para o cumprimento da missão da Igreja. O semeador não é melhor do que aquele que ceifa. Nem o que ceifa é melhor do que o semeador. Ambos devem perceber que os campos branquejam, ou seja, ter a percepção de que a terra está pronta para a semeadura e de que os ceifeiros devem estar prontos, pois rapidamente os frutos se tornarão maduros para a colheita. Uns semeiam. Outros regam. Outros plantam. O importante é Deus que dá o crescimento (I Co 3.7) e que reconhece o trabalho do semeador, do que rega e do ceifeiro.

 

Às vezes a terra parece como a da Judéia e a de Jerusalém no tempo de Jesus, árida e sem produzir nada, no entanto, o semeador e ceifeiro do Senhor têm a capacidade de perceber que mesmo na aparente aridez há sinais de que os campos branquejam para a ceifa. Como nos afirma o profeta: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Isaías 55.11). É nesta confiança que semeamos e colhemos, pois a Palavra de Deus não volta vazia.

 

Jesus parece fazer um jogo de palavras quando diz “levantai os olhos e vedes”. Nas duas expressões encontramos o sentido de não olhar para baixo procurando sinais das plantas que estão nascendo, mas sim o de levantar os olhos e contemplar o campo que está pronto para a colheita. Não se trata de uma “visão interior e mística, e muito menos uma visão platônica das formas, mas, sim, um ato espiritual de ver, a vista da fé”.[1] Os discípulos contemplam a glória de Jesus (João 1.14) e os campos que estão brancos para a ceifa.

 

Como nos diz o Senhor no texto bíblico: levantemos os olhos e vejamos que os campos estão brancos para a colheita. Cresceremos na comunhão e na santidade bíblica; cresceremos no discipulado e na mordomia cristã; cresceremos em número de pessoas alcançadas e comprometidas com o Evangelho de Jesus, pois é tempo de plantar; tempo de regar; tempo de colher; é tempo de trabalhar incansavelmente para o cumprimento da missão que recebemos de Deus.

 

Uma Igreja Missionária tem os olhos voltados para a realidade onde está inserida, tem os ouvidos atentos para o clamor do povo e o gemido dos que sofrem, tem a boca pronta para proclamar as boas novas do Evangelho e denunciar os atos de morte, tem as mãos estendidas para acolher os necessitados e os pés preparados para caminhar pelas estradas em direção às multidões. Uma igreja missionária tem a coragem e a ousadia de proclamar o senhorio de Cristo e a coragem para dizer não aos valores do presente século.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] Kahn, D., Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. II, São Paulo, Edições Vida Nova, 2000, pg. 2596.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h37
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Igreja Missionária II

 

 

COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA

I Coríntios 12.4-30

 

 

Já há alguns anos que a Igreja Metodista tem se organizado de forma a possibilitar uma participação mais efetiva de todos os membros na vida da igreja.  Para que isto pudesse acontecer, decidiu-se que o novo modo de ser igreja seria através dos dons e ministérios.  Na verdade, a participação de leigos no trabalho da Igreja já vem de longa data. Deste o tempo de João Wesley, o fundador do metodismo, os leigos ocupavam ministérios importantes. É o caso dos pregadores leigos, que eram submetidos a uma disciplina rígida, como exemplo: dedicar em torno de 6 horas de leituras diárias. Além de pregadores leigos, Wesley preparava líderes para as “classes” ou “sociedades”, que eram grupos de discipulado.   Nestes grupos os líderes escolhidos e preparados por João Wesley tinham a função de visitar, aconselhar, orientar, etc, os membros do grupo. A Igreja Metodista hoje valoriza os trabalhos dos diversos ministérios que surgem na vida de seus membros.

 

Nosso objetivo é refletir sobre a mutualidade destes ministérios considerando a perspectiva missionária.  Mutualidade quer dizer “a dependência e integração que um ministério tem com o outro”. Paulo, para explicar isto, usou a figura do corpo humano. O corpo humano tem diversos membros, e cada membro tem a sua função, mas todos dependem uns dos outros. Exemplo: os pés dependem das mãos para calçar os sapatos, e assim por diante. Da mesma maneira no Corpo de Cristo. Cada membro tem uma função diferente, mas nenhum membro consegue fazer tudo sozinho, precisa da ajuda dos outros. A Igreja funciona bem quando os diversos ministérios que ela tem trabalham de maneira integrada e para o benefício de todos os membros. O gráfico seguinte ilustra isto:

 

A - I CORÍNTIOS 12.4-11   -    DIVERSIDADE DOS DONS

 

  B1 - I CORÍNTIOS 12.12-13 - UNIDADE


A - I CORÍNTIOS 12.14-17 - DIVERSIDADE DOS DONS

 

  B2 - I CORÍNTIOS 12.18-26 - MUTUALIDADE

 

A - I CORÍNTIOS 12.27-30 -    DIVERSIDADE DOS DONS

 

O texto de I Coríntios 12.4-30 chama a atenção para que não transformemos os nossos ministérios em “igrejinhas”, onde não se valoriza o que os outros ministérios estão fazendo. Quando isto ocorre a unidade da Igreja fica prejudicada e ela deixa de cumprir o papel de ser  a plenitude de Cristo. A Igreja cumpre com sua missão quando vivencia a integração, a mutualidade e o comprometimento de todos os ministérios e uns com os outros.

 

O Desafio que a Igreja Metodista tem é o avanço missionário e para isto nem é necessário se estabelecer alvo. O alvo da uma igreja missionária é se fazer presente na sociedade e cuja atuação é transformadora, sinalizadora do Reino de Deus e testemunha da nova vida em Cristo Jesus. Uma igreja missionária convida constantemente as pessoas para viverem os valores do Evangelho em todos os momentos da vida. Para isto é importante a figura do Corpo, onde seus membros cumprem a sua função em benefício dos outros membros. Os ministérios unidos constituem-se numa grande força para o avanço missionário.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h29
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No dia dos pais...

 

 

NO DIA DOS PAIS UMA HISTÓRIA DE CRIANÇA

 

 

 

Para celebrar o Dia dos Pais, quero falar de uma criança. Era uma criança feliz e que vivia a vida na sua normalidade.  Não tinha tudo o que seus olhos viam pela televisão ou pelas vitrines das lojas, tampouco tudo o que as outras crianças tinham. Mas mostrava ser uma criança feliz. Encontrava em casa um ambiente propício para sua formação, embora não soubesse compreender todos os acontecimentos que envolviam a sua família. Como toda criança, tinha seus momentos de “traquinagens”.

 

Os pais desta criança tinham qualidades e fragilidades, especialmente o pai, sempre preocupado com o trabalho, com as contas para pagar, com a educação dos filhos, etc. No entanto, a atenção e carinho que os pais lhe dedicavam pareciam fazer com que os problemas nunca tivessem existido. Na verdade, o que acontecia era que o amor era maior do que os problemas.

 

Uma coisa chamava a atenção desta criança: o pai demonstrava algo que ouviu dizer ser o “temor” de Deus. A criança não compreendia o que era este tal de “temor” de Deus, no entanto ele estava presente na vida de seus pais. A criança observava que os vizinhos respeitavam muito seus pais. Seria o “temor” de Deus, pensava a criança.

 

Certa vez a criança perguntou para o pai o que era o “temor” de Deus. O pai respondeu dizendo que era o respeito pela própria vida e pela vida dos outros; era o cumprimento das responsabilidades e o cuidado com o bem estar da família. O pai foi explicando para a criança que temer a Deus é reconhecer que Ele é criador e sustentador da vida e que a fé e a esperança fortalecem a vida das pessoas em todos os momentos. O pai disse ainda que o “temor” de Deus é ter a disposição para lutar contra todas as adversidades da vida, sem nunca perder a ternura, o carinho, o amor e o respeito para com os outros. A criança começou a compreender o que era o tal “temor” de Deus.

 

Esta criança não tem nome, mas pode ter. Pode ser o nome do nosso filho ou filha. Pode ser o nome das crianças que estão sob nossos cuidados. Esta história pode ser vivenciada por todos nós. É isto que desejo para todos os pais e todas as famílias da nossa comunidade, pois ser “pai” é uma missão que requer muita força de vontade, muita superação, muita paciência e perseverança, muito amor e respeito e o “temor” de Deus é a espiritualidade que se insere em nossa vida e nos humaniza, pois ser pai é ser humano sempre.

 

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h03
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Ministério no aprisco versus ministério no curral

 

MINISTÉRIO NO APRISCO VERSUS MINISTÉRIO NO CURRAL
As parábolas de Lucas e de Ezequiel


Introdução

As figuras do aprisco e do curral desafiam nossa reflexão e nos convidam a considerarmos o que diferencia o ministério entre um e o outro.

Enquanto a figura do aprisco indica metaforicamente o encontro amoroso do pastor com suas ovelhas, o curral indica o local da ‘ração’ para o gado, ou seja, onde metaforicamente as pessoas ruminam o ‘sal’ ou a ‘ração’ que lhes são oferecidos sem, no entanto, vivenciaram os aspectos que compreendem o aprisco”.1

Para isto, faremos uma leitura de dois textos bíblicos que nos auxiliarão em nossa reflexão nesta linha de pensamento. O primeiro texto é o de Lucas 15.4-7, onde é contada a parábola da ovelha perdida. O segundo texto é o de Ezequiel 34.1-10, onde são apresentadas características negativas na vida dos líderes, o que nos leva a pensar no exercício de um ministério na perspectiva do curral.


1. A parábola da ovelha perdida – Lucas 15.4-7

Restauração

A parábola da ovelha perdida tem como seu tema central a restauração da ovelha que se perdeu e que causa no pastor, nos amigos e vizinhos, alegria quando ela é encontrada. Ela assinala que Deus procura os pecadores e é sempre Ele quem toma a iniciativa para que recebam a nova vida em Cristo Jesus.
      
Para os religiosos daquela época, Deus receberia somente as ovelhas arrependidas, mas para Jesus, Deus procura as desgarradas, machucadas, violentadas, atingidas pelas feridas da vida e as restaura ao seu aprisco.
      
Ir ao encontro da que está perdida
Esta é a idéia presente na parábola da ovelha perdida. O pastor deixa as noventa e nove ovelhas que estão seguras e vai procurar a que se perdeu. Quando a encontra descobre que está machucada pela queda e carrega-a para casa (15.5). “Surpreendentemente, este pastor se regozija com o fardo de restauração que ainda está diante dele. Este tema é importantíssimo nesta primeira parábola”.2
      
Além disto, o pastor revela que a ovelha era importante para ele. Ele percorre um longo caminho, quiçá fazendo sacrifícios e suportando as dificuldades em encontrar a ovelha perdida.

Pensemos nos sacrifícios suportados pelo pastor andando nas pegadas da ovelha perdida e percorrendo montes e vales, sem desistir, até encontrá-la (Lc 15,4). Nessa parábola, a preciosidade da ovelha perdida é insinuada também pelo adjetivo possessivo. O pastor exclama: ‘encontrei a minha ovelha’ (Lc 15.4)”.3


Carregar pelos braços
A ação no contexto do aprisco deve cuidar das que estão seguras e se alegrar com as que nunca se perderam, mas não pode deixar de focar as que se extraviaram e precisam de cuidado e restauração. Esta ação de restaurar tem todo um sentido afetivo por parte do pastor: ela toma a ovelha em seus braços e leva-a casa. Trata-se de uma atitude de cuidado, de respeito e de valorização da ovelha que, mesmo que tenha sido rebelde em se desviar do caminho pelo qual o pastor conduzia o rebanho, é tratada com consideração. A restauração é fruto desta soma de atitudes do pastor, especialmente da afetividade.
      
O profeta Isaías afirma o seguinte falando do relacionamento de Deus com seu povo: “como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os braços, recolherá os cordeirinhos e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele as guiará mansamente” (Isaías 40.1).
      
A alegria do pastor
Além da restauração estar enfatizada nesta parábola, a alegria pelo retorno da ovelha que se perdeu também é indicada, pois ela é contagiante: todos que recebem a notícia se alegram e celebram, pois “haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”, conforme o texto de Lucas  15.7.
      
A gratuidade na ação pastoral
A parábola apresenta quatro temas: a alegria do pastor, a alegria da restauração, o amor gracioso e o arrependimento.4 Estes temas são norteadores de um ministério na perspectiva do aprisco. O ministério na perspectiva do aprisco tem o tom da gratuidade e não da troca ou do mercantilismo. Como já expressamos em outros textos, afirmamos “que as pessoas que se oferecem para trabalhar nos ministérios da Igreja e que recebem para isto devem fazê-lo na perspectiva da doação, do serviço e nunca da recompensa, ou do salário, ou do subsídio”.5

2. A parábola dos pseudo-pastores – Ezequiel 34.1-10

O profeta Ezequiel, cujo ministério se deu no período do exílio e junto aos desterrados, toca no tema do pastoreio das ovelhas. Ele anunciava a mensagem de que Jerusalém chegava ao fim em virtude da corrupção que havia tomado conta da vida dos líderes do povo e da crise que se alojara entre o povo, uma vez que seus líderes estavam desleixados em relação aos seus compromissos. Em outras palavras, os líderes deixaram de pastorear e conduzir o rebanho e se dedicaram aos seus próprios negócios, ou como diz Ezequiel, se apascentavam a si mesmos. O povo vivia sob o impacto do desterro e do distanciamento do Templo, que simbolizava a identidade e a religião que professavam e eram como ovelhas sem pastor. No entanto, Deus revela que Ele mesmo vai pastorear as suas ovelhas.

“Ezequiel é o profeta que desenvolve mais amplamente o tema de Iaweh-pastor. Dedica a ele todo o cap. 34, no qual contrapõe o comportamento de Deus ao dos falsos pastores que, em vez de apascentarem o povo de Deus, apascentam a si mesmos (vv. 2-10)”.6

Aqui entra nossa metáfora do curral. O povo nesta época vivia sem o cuidado, a direção, a condução e o pastoreio de seus líderes ou pastores. O profeta denuncia isto quando apresenta o perfil dos falsos pastores.

As palavras do profeta são claras e específicas. Não há como não compreender a mensagem que Ezequiel apresenta e que caracteriza os pastores que na expressão bíblica são falsos pastores. Vejamos:

      1. Apascentam-se a si mesmos, ou seja, estão preocupados com o seu bem estar em detrimento do bem estar das ovelhas. O que importa é a satisfação dos desejos e das necessidades pessoais e não as do rebanho.

      2. Comem a gordura das ovelhas e se vestem com a lã. Em outras palavras, isto quer dizer exploração e violência cometidas contra o rebanho.
      
      3. Não dão apoio às que estão enfraquecidas com a situação de desterro, pobreza e opressão a que estavam submetidas as ovelhas, ou o povo de Deus. Devemos lembrar que o povo está no exílio como escravo.
      
      4. Não curam as doentes e nem restauram as que estão machucadas. Não há nenhuma ação por parte dos líderes do povo que produza restauração, cura e libertação. Os pastores se transformaram em lobos vorazes.
      
      5. Não procuram as desgarradas e não vão atrás das que estão perdidas. A ação que mais caracteriza o trabalho pastoral que é conduzir as ovelhas por caminhos seguros não era praticada pelos pseudo-pastores da parábola de Ezequiel.
      
      6. Por outro lado, eram dominadores, violentos, arrogantes, cujo “manejo” das ovelhas era feito com dureza e muito rigor. Uma boa forma de identificar um pastor dominador e dissimulado é reparar se ele olha com ternura para suas ovelhas. O olhar do pastor revela se de fato cumpre com sua função ou vocação na perspectiva da parábola de Lucas ou se na perspectiva da parábola de Ezequiel.
     

Assim, Ezequiel, o profeta do desterro, descreve a vida num curral.

Conclusão
      
Não dá para concluir um assunto de tamanha delicadeza e tamanho desafio. Dá sim para lamentar que em nosso meio se instalem modelos de pastoreio na perspectiva do curral, onde o que vale é a vontade do pastor e o seu bem estar.
      
Não dá para concluir, mas dá para lamentar que a Igreja vivencie esta tensão e que acabe por predominar um modelo de dominação, intimidação e dissimulação. Eu conheço pastor que não consegue olhar nos olhos de suas ovelhas e prefere olhar de soslaio, ou de forma esguelha. O pastoreio, desta forma, é realizado por “viés”. O que significa dizer um ministério “meio furtivo, esconso, tortuoso de obter, fazer ou concluir algo”.7
     

Não dá para concluir, mas que Deus tenha misericórdia de nós.
      
     

Bispo Josué Adam Lazier


      
1 LAZIER, Josué Adam. Entre o Aprisco e o Curral. Postado no blog: www.josue.lazier.blog.uol.com.br em 13 de julho de 2009.
2 BAILEY, Kenneth. As Parábolas de Lucas. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1985, pg. 199.
3 BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 75.
4 BAILEY, Kenneth. As Parábolas de Lucas. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1985, pg. 203.
5LAZIER, Josué Adam. O Ministério na Perspectiva da Manjedoura. Postado no blog: www.josue.lazier.blog.uol.com.br em 23 de dezembro de 2008.
6 BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 30.
7 HOUAISS. Dicionário eletrônico da Língua Portuguesa 1.0.

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 20h54
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