Reflexões e ponderações com Josué Adam Lazier

Sermões


 
 

Paz na terra e glória de Deus

 

Paz na terra é a glória de Deus

Lucas 2.10-14

 

 

O primeiro natal...

O natal nos últimos anos tem sido marcado por várias situações de crises, conflitos, guerras, violência, terrorismo, fome, empobrecimento, crescimento do fundamentalismo religioso, intolerância, contaminação biológica, impunidade, corrupção, etc. Em face disto há vários movimentos pela paz.

 

Ao nos aproximarmos do Natal o cântico dos anjos “Gloria in Excelsis” nos faz lembrar que o nascimento de Jesus foi vinculado à paz. Cantaram assim os mensageiros de Deus: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem” (Lc 2.14).[1] A Bíblia na linguagem de hoje[2] traduz a segunda frase da seguinte maneira: “e paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem”.  Já a Bíblia de Jerusalém[3], uma bíblia preparada especialmente para estudos, traduz este versículo assim: “Gloria a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que ele ama”. A versão revista e corrigida apresenta a seguinte forma: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens”. Outra tradução da Bíblia apresenta a seguinte redação: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”.[4] Seja qual for a tradução que usemos, o que está sendo dito neste versículo é que Deus tem estima pelos homens e mulheres que criou e que deseja a paz a todos.

 

Glória a Deus nas alturas...

Esta frase do cântico dos anjos faz uma afirmação pouco considerada pelas pessoas nos dias de hoje: a glória é de Deus, ou Deus é quem tem glória? Uma das razões para que haja tantos movimentos de guerras e discórdias pelo mundo afora, é porque o ser humano tem buscado esta glória das alturas para si mesmo. O ser humano pensa ser divino e ter todo o poder. Não seriam as guerras consequências disto? Não seriam as guerras provocadas por quem tem riqueza e poder e que confiam em seus exércitos e armas? Não seriam os movimentos de intolerância e de discriminação consequência da falta de consciência acerca de Deus que é de todos e não apenas de um determinado grupo religioso ou doutrinário?

 

O mundo costuma celebrar as grandes personalidades, sejam elas da esfera política, econômica, esportiva, artística, além de outras. Assim faziam as pessoas na época em que Jesus nasceu. O rei era considerado um ser divino. Era homenageado por onde passava. Mas os anjos anunciaram que não era o rei que traria paz aos homens, mas sim o menino que nasceria numa manjedoura na cidade do rei Davi (Lc 2.11). A paz vem através daqueles que não confiam em carros e cavalos, mas sim através daqueles que se gloriam no nome do Senhor nosso Deus (Sl 20.7), como o menino que nasceu para ser Salvador e Senhor (Lc 2.11). Quando o ser humano reconhece que a glória pertence a Deus ele se humaniza e se torna agente de paz.

 

Paz aos homens e mulheres...

Um dos aspectos que leva à paz é o sentimento de ser amado por Deus. Por causa deste amor revelado no filho que nasceu na manjedoura, a pessoa é impulsionada a buscar os caminhos que levam à paz. “Se a gente pudesse experimentar o que significa realmente ser amado por Deus, então tudo mudaria e a paz viria morar na terra. E isto seria a maior glória para Deus que mora nas alturas”.[5]

 

Os mensageiros de Deus anunciaram aos pastores que estavam amedrontados no campo que não tivessem medo, pois os sinais que presenciavam eram do anúncio de uma boa nova para todo o povo (Lc 2.10). Disseram assim os anjos: “não temais”.

 

O medo é um sentimento e uma realidade que tem assombrado um grande número de pessoas nos dias em que vivemos. É a consequência da inabilidade humana em resolver seus problemas. É consequência da falta de paz. Jesus, ao se dirigir aos discípulos, disse com toda a autoridade: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14.27). Deus cuida especialmente daqueles que têm fome e sede de justiça (Mt 5.6) e buscam a justiça do Reino de Deus (Mt 6.33).

 

Boa nova de grande alegria...

O anúncio do nascimento de Jesus foi realizado num contexto de muitas contradições na sociedade da época. O império romano dominava com mão de ferro os povos conquistados nas guerras. O povo de Israel vivia esta situação, pois há muitos anos estava sob o jugo romano e sob as severas leis judaicas. Os religiosos apresentavam legalismos dificílimos de serem cumpridos. Não havia alegria entre o povo, mas sim muito choro e ranger de dentes. Havia também muita esperança que Deus haveria de agir para libertar o seu povo.

 

A violência não era evidente apenas em conflitos armados, mas ela estava presente entre o povo no desemprego, na falta de moradia, na pobreza, entre outros. Nesta época a Palestina era tida como um dos maiores centros de prostituição e escravidão. Assim, a mensagem dos anjos aos pastores dá conta de que o nascimento de Jesus é motivo de alegria: “eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2.10), pois Deus está intervindo na história humana e anunciando paz aos que sofrem as consequências da dominação levada a efeito por homens e mulheres que não compreendem que a glória é de Deus.

 

É natal...

É natal. Jesus nasceu. Estas frases expressam que a glória é de Deus e que a paz é dada a todos. Não sabemos ao certo o dia que Jesus nasceu. O certo é que Ele nasceu e trouxe esta boa nova para todos os homens e mulheres de bem, ou de boa vontade. Não dá para desconsiderar este período no calendário litúrgico, pois o natal indica que Deus está agindo na nossa história para que haja paz na terra.

 

Observe que os sinos replicam, as luzes piscam, os cartões falam de amor e de esperança, os olhos brilham, os abraços se encontram, afinal é natal. Jesus nasceu e permanece vivo. É tempo de ter esperança, pois a paz é para toda a terra. Que tenhamos esta paz de Deus, que vem da manjedoura.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] Bíblia Sagrada, Versão Revista e Atualizada,  Sociedade Bíblica do Brasil.

[2] Bíblia na Linguagem de Hoje, Sociedade Bíblica do Brasil.

[3] Bíblia de Jerusalém – Novo Testamento, Edições Paulinas, 1973.

[4] Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional, Editora Vida.

[5] Mesters, Carlos, O avesso é o lado certo – círculos bíblicos sobre o Evangelho de Lucas, CEBI e Paulinas, 1998, pg. 45.

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h05
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Obra dos teus dedos

“OBRAS DOS TEUS DEDOS” – Salmo 8.3

 

...ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares...” – Salmo 8.7-8

Nesta semana (03 a 09 de outubro) nós temos algumas datas comemorativas relacionadas à criação:

Dia 03 · Dia das Abelhas
Dia 04 · Dia da Natureza
Dia 04 · Dia do Cão
Dia 05 · Dia das Aves
Dia 05 · Dia Mundial dos Animais

O livro de Salmos apresenta cânticos que o povo cantava para celebrar a natureza e a criação. Havia um sentimento de pertença ao ato criativo de Deus e o povo expressava isto através das ofertas e das celebrações que realizava.

Os 150 salmos podem ser organizados em quatro grandes famílias temáticas. No caso do Salmo 8, a família é composta por salmos de admiração pelas coisas criadas e realizadas por Deus. São 25 salmos que pertencem a esta família.

O verbo que dá a unicidade do salmo é festejar/celebrar/comemorar. Mas é interessante notar que esta celebração, ou mesmo o louvor pelas ações de Deus em favor de seu povo, incluindo a criação, se dava em meio à muita luta. Aliás, o verbo lutar dá a organicidade de outra família de salmos, a família da libertação dos problemas, que tem 89 salmos.

Estas duas famílias andam juntas, pois a vida é marcada pela presença da luta e pelos motivos de gratidão e celebração. O livro de Salmos nos ensina que uma coisa não elimina a outra. Não é só luta, não é só celebração, pois as duas coisas caminham juntas.

Nesta reflexão destacamos a celebração, pois recordamos que Deus é o criador da vida. Assim, como seres que se localizam no contexto de uma sociedade, temos deveres e responsabilidades para com as coisas criadas. Temos o dever de cuidar da natureza e, sobretudo, cuidar do próximo. Com certeza, esta é a maior celebração: cuidar da natureza e da vida.

Bispo Josué Adam Lazier

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 16h55
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I Coríntios - uma igreja de santos?

I CORÍNTIOS – Uma Igreja de santos/as?

 

 

A CIDADE

1.    A cidade de Corinto localizava-se num lugar geograficamente estratégico para o mundo comercial da época. Possuía dois portos (Lequeu e Cencréia) e ficava nas proximidades de uma das principais estradas romanas, a chamada Via Egnátia. A circulação de mercadorias e viajantes do Oriente para o Ocidente e vice-versa passavam por Corinto, o que fazia da cidade um dos grandes centros urbanos da época.

 

2.    Possuía em torno de 600 mil habitantes, dos quais, pelo menos a metade, era formada por escravos.  O escravo era fundamental na economia da época, pois representava mão de obra barata. Eles trabalhavam em todos os setores econômicos e produtivos da época, inclusive nos serviços domésticos. Em Corinto tinha gente de todos os lugares e, portanto, se constituía numa cidade culturalmente e religiosamente muito diversificada.

 

3.    A cidade tinha vários templos e mais de 20 estátuas dedicados a deuses gregos, romanos, orientais, de mistério, etc. Era comum a população fazer parte de um destes cultos praticados na cidade, muitos dos quais apresentavam uma programação religiosa acompanhada de festas regadas à comida e bebida. Os chamados “bacanais” que aconteciam em alguns dos grupos chamados religiosos em Corinto eram conhecidos pelo mundo da época.

 

4.    Assim, Corinto se constituía num centro urbano para onde as pessoas se dirigiam à busca de sobrevivência e de trabalho nos portos e comércio da cidade, além do trabalho escravo que se fortalecia pelas conquistas romanas.

  

OS MEMBROS DA IGREJA

 

1.    Os membros da igreja podem ser divididos em dois grupos (1.26-29): o grupo menor era formado pelos: 1. Sábios - são aqueles que tiveram oportunidade de freqüentar uma escola e adquirir instrução. Isto era muito valorizado na sociedade da época; 2. Poderosos - eram aqueles que, por causa de seus recursos financeiros, participavam da política da cidade e 3. Nobres - são os descendentes dos ricos e aristocratas da cidade.

 

2.    Já o grupo maior era formado pelo Paulo chama de coisas loucas, fracas e desprezíveis - referência às pessoas sem instrução, sem nobreza, pertencentes às classes baixas da cidade. Talvez muitos fossem escravos ou libertos, que trabalhavam nos mercados da cidade, onde Paulo desenvolvia sua profissão de artesão de couros.

 

3.    Estes dois grupos converteram-se e entraram para igreja levando seus costumes e práticas religiosas. Os problemas que a igreja enfrentava eram criados por estes membros.  Mesmo assim Paulo diz que na Igreja de Corinto há "santificados".

 

 A IGREJA DE CORINTO

 

1.    Paulo relata vários problemas na Igreja de Corinto: Divisão - 1.10-12; Imoralidade - 5.1-13; Disputa nos Tribunais em vez de a própria igreja resolver os conflitos internos - 6.1-11; Libertinagem - 6.12-26 e 8.1-13;  Questões relacionadas à participação da mulher nos cultos - 11.2-16; 6. Problemas com os dons do Espírito Santo - cap. 12 a 14.

 

2.    O apóstolo Paulo apresenta várias exortações e exemplos de santificação na igreja de Corinto, mesmo havendo tantos problemas éticos, morais, discriminação, etc. Para ele, os apóstolos eram exemplos de pessoas santificadas para que os membros da igreja os seguissem (1.10-17; 3.1-17; 4.1-13);

 

3.    O apóstolo considerava-os como servos - 1.17; 3.5-7 -  os apóstolos eram servos cumprindo o ministério que receberam de Deus. Alguns plantavam, outros regavam, mas o importante é Deus que dá o crescimento.

 

4.    Humildade e Desprendimento - 3.9; 4.1; 4.9 - Paulo diz que os apóstolos são os huperétes, os remadores inferiores. Utiliza-se das antigas embarcações que possuíam dois andares de remadores. Os inferiores remavam de cima para baixo para fazer o navio subir e diminuir assim o peso para o deslocamento no mar. Ele usa também a palavra oikonomos - trata-se de um escravo "libertado" já provado e experimentado, para dizer que os apóstolos são despenseiros da graça de Deus e colocados em último lugar, como espetáculos do mundo.

 

5.    Dedicação - 4.11-13 - Paulo relaciona as diversas adversidades que enfrentavam para o cumprimento do ministério.  Estas adversidades não impediram que cumprissem com a vontade de Deus, pois eram servos comprometidos com a missão.

  

MENSAGEM PARA NÓS

 

1.    A igreja dos Coríntios era uma igreja com membros diferentes e de vários costumes.  Paulo diz que todos eles (sábios, poderosos, nobres, loucos, fracos e desprezíveis) foram chamados para a santificação e que todos deveriam ter esta experiência. O modelo para eles era os apóstolos que deram o exemplo de santificação: serviço, humildade e desprendimento e dedicação.

 

2.    É interessante observar que Paulo não destaca dons espirituais e nem talentos pessoais como referência de uma vida santificada. Pelo contrário, ele destaca frutos que acompanham a transformação e o comprometimento com a nova vida em Cristo Jesus, ou seja, o serviço, a dedicação, a humildade, o desprendimento, etc.

  

 

 

Bispo Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 08h46
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Mensagem relativa ao dia do/a pastor/a

 

 

MENSAGEM RELATIVA AO DIA DO/A PASTOR/A

 

 

Recordar é trazer de volta ao coração e reviver com outra intensidade ou ressignificar as lembranças e memórias. O dia do/a pastor/a é propício para “re-cordar” ou “re-editar”; Alguém já disse: são tantas as lembranças... O profeta dizia: “quero trazer a memória o que pode me dar esperança” (Lm 3.21).

 

Neste dia (11/04), eu recordo com muito respeito, carinho e gratidão do falecido rev. Reinaldo Ferreira Leão Jr., que foi meu pastor quando eu era jovem. Este sim foi um pastor de ovelhas, a quem rendo minhas homenagens póstumas, embora tenha feito isto várias vezes em vida.

 

Além desta recordação, me vêm à memória as palavras de Jesus quando afirma categoricamente que o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (João 10.10-11) e que Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6). Ao falar assim, Jesus se coloca como o pastor que conduz suas ovelhas pelos caminhos seguros da vida e não se cansa de andar muitas milhas. Ele apresenta a verdade que liberta e que dá sentido à vida e indica o caminho para a vivência da vida plena e abundante. Estes dois textos de João são como planos de ação pastoral.

 

Recordo que a vara e o cajado do pastor me consolam em todos os momentos (Sl 23.1). O cajado tem quatro funções nas mãos do/a pastor/a cuidadoso/a:

 

a) ele/a utiliza o cajado para conduzir as ovelhas durante as jornadas por caminhos perigosos.  O profeta Isaías usa esta figura do cajado quando o povo estava voltando do exílio para reconstruir a Cidade e o Templo de Jerusalém: “Como um pastor apascenta ele o seu rebanho... conduz carinhosamente as ovelhas que amamentam” (40.11).

 

b) o cajado é utilizado para que as ovelhas machucadas sejam trazidas até os braços do/a pastor/a ou para erguer aquelas que caíram. O profeta Isaías também utiliza este cuidado pastoral se referindo ao relacionamento de Deus com Seu povo: “carrega-os no seu regaço” (40.11).


c) com o cajado o/a pastor/a expulsa as feras que tentam se aproximar para matar suas ovelhas.  O profeta Miquéias se utiliza desta figura para falar que o pastor defende, reúne, congrega e liberta suas ovelhas (Mq 2.12).

 

d) serve de apoio para os/as pastores/as nas suas longas jornadas de pastoreio, caminhada ao lado das ovelhas e para o descanso nas vigílias noturnas no aprisco das ovelhas.

 

Recordo que o profeta Ezequiel (Ez 34.1-6) foi duro em suas palavras dirigidas aos/às pastores/as que se apascentam a si mesmos/as e não socorrem as ovelhas machucadas, amedrontadas e desesperadas. Em função da falta do cuidado pastoral Deus diz que ele mesmo ia apascentar as ovelhas (Ez 34.12).

 

Recordo que Jesus falava que as ovelhas ouvem a voz do seu pastor ou pastora e a conhecem. Diferentemente com a voz dos/as lobos/as que se vestem de pastor/a. Conhecer a voz do/a pastor/a é fruto da convivência, do diálogo, da interação, do respeito e da dignidade, que caracterizam o relacionamento pastor/a e ovelha.

 

Recordo a parábola da ovelha perdida (Lc 15) que o pastor procurou durante muitas horas até encontrá-la machucada. Assim, na atitude do pastor da parábola fica evidente que a principal característica é a empatia. O/a pastor/a conhece a dor, os sentimentos e as emoções das ovelhas e tem a capacidade de lidar com todas elas, mesmo que tenha que vigiar em oração e em peregrinação por suas ovelhas. O texto da parábola da ovelha perdida se torna em paradigma para a atuação pastoral em todos os tempos, sobretudo em nossos dias.

 

Ao celebrar o dia do/a pastor/a recordo que há uma diferença enorme entre aprisco e curral. No aprisco os membros são tratados como ovelhas, no curral como gado.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

Outras reflexões sobre o dia do/a pastor/a

 

1.       Dia do/a pastor/a

http://josue.lazier.blog.uol.com.br/arch2008-04-01_2008-04-30.html#2008_04-12_12_12_24-124822118-26

 

2.      Era tudo o que eu gostaria – a propósito do dia do/a pastor/a.

http://josue.lazier.blog.uol.com.br/arch2010-03-01_2010-03-31.html#2010_03-18_14_52_54-124822118-26

 

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 18h44
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Colhendo frutos no natal

 

 

COLHENDO FRUTOS NO NATAL

 

Em texto anterior refleti sobre a colheita de frutos durante o período do advento e ofereci numas das reflexões quatro frutos a serem colhidos. Esta é a semana do Natal. Seria bom refletirmos sobre os frutos a serem colhidos nestes dias de encontro, de festas, de celebrações, de abraços ou de tristezas, saudade, dor, ausências, etc. Neste sentido, partindo da pregação de João Batista, o tema do arrependimento como atitude de ingresso no Reino de Deus se destaca. Este arrependimento deveria ser acompanhado de frutos dignos de arrependimento (Lc 3.7-14). Estes frutos são a evidência de uma árvore que produz bons frutos, pois o machado estava à raiz das árvores más, a fim de cortá-las e lançá-las ao fogo (Lc 3.9). Que frutos são estes?

 

a) As multidões perguntam a João Batista o que fazer (Lc 3.10). Para João Batista, devem repartir o que têm, seja pão ou roupa. O fruto do arrependimento é a solidariedade para com os que sofrem e têm necessidades. O diálogo não está centrado apenas no pão e na roupa, mas são ilustrações para dizer que o povo de Deus deve repartir o que possui: pão, esperança, fé, amor, calor humano, justiça, paz, etc.

 

b) Os publicanos vêm a seguir e fazem a mesma pergunta (Lc 3.12). Os publicanos são judeus contratados pelas autoridades do Império Romano para cobrarem impostos. Eles costumavam cobrar além do devido e isto gerava ódio entre o povo. João Batista não foge da questão: “Não cobreis além do devido” (3.13). Que fruto é este? É o fruto da honestidade, tão necessária na sociedade de hoje.

 

c) Os soldados romanos, após assistirem a estes dois diálogos, fizeram uma provocação a João Batista, e perguntaram o que deveriam fazer (3.14). O profeta respondeu de imediato: Não maltratem, não façam denúncias falsas e não roubem o povo. São os frutos da justiça, do direito, da responsabilidade, da paz e da fraternidade.

 

Outros frutos também são dignos do arrependimento, mas estes três, solidariedade, honestidade e fraternidade são como símbolos para nossa reflexão e conversão ao verdadeiro sentido do natal, seja neste período ou em todos os dias do novo ano, pois eles apontam o caminho da manjedoura.

 

Este caminho nos leva direto para a vida de Jesus Cristo, nascido numa manjedoura para tornar-se o Senhor de todas as coisas. Chegando nesta manjedoura somos desafiados a termos o mesmo “sentimento que houve em Cristo Jesus”: humildade - obediência - solidariedade - esperança na nova vida - amor e perdão - espírito de serviço, como frutos dignos do arrependimento e da alegria presente na nova vida.

 

Que neste natal, onde houver necessidade de solidariedade, que haja o pão, a esperança, a fé, o cuidado e o amor; onde houver necessidade de honestidade, que haja o respeito, o direito, o compromisso com os altos valores da vida e a ética; onde houver necessidade de fraternidade, que haja a justiça, a paz, a harmonia e a comunhão; e que, sobretudo haja a mensagem de salvação em Cristo Jesus.

 

O natal é o tempo de colher os frutos do arrependimento e continuar a caminhada para que outros frutos se insiram em nossa vivência e em nossas convivências.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 09h12
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Esperar em Deus

ESPERAR EM DEUS

 

O Salmista proclama bem alto para todos ouvirem: “Espera, oh Israel, no Senhor, desde agora e para sempre” - Salmo 131.3. No antigo Testamento alguns termos traduzidos por esperança ou esperar significam esperar, ansiar, aguardar, confiar. “Esperar como um ato fica em primeiro plano, e ocorrem nas promessas, exortações, mas, sobretudo como confissão da confiança, especialmente nos Salmos”.[i] Podemos encontrar esta esperança em Deus nos salmos 71.5, 52.9, 62.5, 130.5, 131.3, e outros. No salmo 119.116 o salmista chega a pedir a Deus que não deixe que a esperança seja motivo de vergonha.

Duas palavras se destacam no Antigo Testamento: a primeira expressa a esperança em meio à angústia e em meio às lutas da vida (Jó 13.15 e Sl 130.7) e a segunda significa esperança com expectativa ou com desejo do coração (Sl 27.14 e Is 40.31).[ii] “Ambas as palavras expressam o sentido de esperar com confiança. Na verdade, o grande chão da esperança é a fé e a confiança em Deus em meio às crises e provações”.[iii]

O salmista, ao compor o salmo 131 conjugou a esperança, cujo fundamento era a presença de Deus. Quando nós lemos este salmo nós tecemos a esperança em nossas vidas e nos fortalecemos para enfrentar as lutas da vida.

 

Senhor Deus, desejamos ser renovados por Ti e renovados em nossa esperança para que as lutas da vida sejam motivos de força e superação, como frutos da Sua Presença em nós. Amém.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[i] Hoffmann, E. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. II. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, pg 115.

[ii] Siqueira, Tercio Machado. Tirando o Pó das Palavras – História e Teologia das Palavras e Expressões Bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 93.

[iii] Siqueira, Tercio Machado. Tirando o Pó das Palavras – História e Teologia das Palavras e Expressões Bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 93.



Escrito por Josué Adam Lazier às 10h51
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Para sonhar os sonhos de Deus

 

 

PARA SONHAR A PARTIR DO CONHECIMENTO DE DEUS

Salmo 37.3-5

 

 

Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado. Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.

 

 

 

 

 

 

 


INTRODUÇÃO

O Salmo 37, atribuído ao rei Davi, fala da felicidade do justo. Justo na linguagem bíblica é o que cumpre o direito e a justiça de Deus. Portanto, o justo vive e promove a justiça do Reino de Deus.

 

A felicidade do justo está relacionada à realização de seus sonhos. Devemos lembrar que são os sonhos que passam pelo crivo do direito e da justiça de Deus.

 

De forma poética, o salmista fala do sonho usando a expressão “desejos do coração”. No passado os escritores bíblicos recorreram a figura do coração para indicar o centro e a fonte da vida, por isso era necessário “guardar o coração”, conforme as palavras de Provérbios 4.23.

 

DEFINIÇAO DE SONHO

Sonhos são as “imagens que se formam na tela de nossa mente, colocando diante de nós certas metas a serem alcançadas, e infundindo-nos forte desejo de atingi-las” ou um ideal elevado e santo, uma aspiração em direção a uma meta, uma idéia inspiradora ou um plano que gostaríamos de ver realizado, uma causa pela qual lutamos, uma chama para certa obra ou lugar, ou uma visão do serviço que gostaríamos de realizar”. [i]    

 

Deus fala com seu povo através de sonhos. Na verdade Deus prepara Seu povo para fazer Sua vontade através dos sonhos e desejos. O apóstolo Paulo descobriu esta verdade e afirmou isto escrevendo em Filipenses 2.13: “porque Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Através dos sonhos Deus quer desenvolver nossa individualidade e capacidade para a realização de Seus propósitos para nossa vida.[ii]  

 

Deve ficar claro de que porque se sonha os sonhos de Deus não significa que tudo irá bem.  A pessoa pode muito bem estragar estes sonhos com o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a imaturidade, a falta de sensibilidade para com as questões da vida ou a falta de uma espiritualidade que leve em conta os outros.  Deus, ao longo dos dias, irá amadurecer o “sonhador” e o sonho, afim de que eles cumpram o seu objetivo. Deus quer que sonhemos não como sonhadores utópicos ou poéticos, tampouco como triunfalistas e sim como sonhadores engajados na vida, na perspectiva do direito e da justiça do Reino de Deus.

 

ONDE OS SONHOS NASCEM

Muitos imaginam que sonhar os sonhos de Deus exige perfeição e plena maturidade.  Nada disto.  Sonhar os sonhos de Deus significa estar comprometido com a vida e com seus mais altos valores. Significa observar os sinais que Deus dá através da vida sobre o caminho que devemos seguir. Para sonhar os sonhos de Deus há que ter coragem para enfrentar o contraditório, as adversidades e enfrentamento de realidades adversas.

 

 

PARA REFLETIR

O verdadeiro sonhador é aquele cujos sonhos promovem o bem estar dos outros e produz coisas novas para a comunidade. Às vezes o ato de sonhar nos faz sermos solitários, mas não podemos nos entregar à solidão, pois ela é uma negação dos nossos sonhos, pois nos desejos divinos sempre tem lugar para o outro, mesmo que ele seja diferente de nós, mas que pode se juntar ao nosso sonho e permitir nos inserirmos nos sonhos dele.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Pastoral Universitária da UNIMEP

 



[i] Seamands, David, Realize seus Sonhos, São Paulo, Editora Betânia, pg. 16.

[ii] Seamands, David, Realize seus Sonhos, São Paulo, Editora Betânia, pg. 18.

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h13
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Estamos construindo ou descontruindo

Estamos construindo ou desconstruindo?

 

Na parábola que o texto de Mateus 7.21-27 registra Jesus fala de dois tipos de construção: sobre a areia e sobre a rocha.

 

Aborda sobre os que constroem sobre a areia quando declara no v. 21: “Nem todo que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus”. Jesus deixa claro aos discípulos que ouvir e não compreender, ou compreender e não fazer é o mesmo que construir a vida sobre a areia.

 

Refere-se aos que constroem sobre a rocha quando declara no v. 21: “aquele que faz a vontade de meu Pai”. Jesus fala dos discípulos que ouvem, compreendem e fazem a vontade de Deus e compara-os ao homem que constrói sobre a rocha. Fazer a vontade de Deus, segundo o que registra o Sermão da Montanha (Mt 5-7) é ter o Reino de Deus como eixo de vida e a justiça como primeira prática.

 

I - Quando podemos saber que estamos construindo sobre a areia?

1.     Quando fundamentamos nossa vida em credos pessoais e idéias próprias sobre Deus sem levar em conta o que as outras pessoas que vivem conosco pensam, acreditam e sentem.  

 

2.     Quando nos achamos bons suficientes para querer barganhar com Deus achando que Ele tem que fazer aquilo que queremos, pois somos bons e não cometemos pecados terríveis.

 

3.     Quando participamos da Santa Ceia ou Eucaristia sem nos examinarmos a nós mesmos e sem fazer os acertos que são necessários, como por exemplo, perdoar e pedir perdão, praticar a solidariedade e a fraternidade e ser apoio para os que precisam.

 

4.     Quando vivenciamos uma espiritualidade estática, intimista e individualizada, sem considerar aspectos como tolerância, solidariedade, justiça e paz.

 

II - Quando podemos saber que estamos construindo sobre a rocha?

1.     Quando nossa justiça, ou seja, o cumprimento da vontade de Deus excede a dos escribas e fariseus - era uma justiça legalista e farisaica, pois fazia acepção de pessoas e seguia alguns princípios do evangelho em detrimento de outros.

 

2.     Quando amamos a Deus de todo o coração, mente e alma e praticamos este amor para com o próximo em forma de caridade, como, pois como podemos amar a Deus a quem não vemos se não amamos a nosso próximo a quem vemos? Caridade é benevolência, bondade, compaixão e beneficência. O Reino de Deus é um reino de amor, amor de fraternidade, amor de misericórdia, amor de perdão e amor de esperança.

 

3.     Quando nos conhecemos a nós mesmos, nossas imperfeições, fraquezas e procuramos, a partir da experiência religiosa e do nosso conhecimento, vivermos uma vida transformada pela mensagem universal e integradora da Cruz de Cristo.

 

4.     Quando somos tentados a cometermos injustiças, mas resistimos a tal tentação na certeza de que cairemos mais por vontade própria do que pela vontade de outros. 

 

Com esta parábola Jesus encerra seu sermão intitulado de Sermão do Monte. Havia uma clara distinção entre ouvir, ouvir e fazer, fazer. Jesus quer que seus discípulos sejam movidos pelo amor a Deus e às pessoas, e não pelo amor à lei, como fariseus e escribas. Para estes a lei vinha antes das pessoas, para os discípulos as pessoas antes da lei. Em outras palavras, construir sobre a areia é desconstruir a vida.

 

Bispo Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h11
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Igreja Missionária - IV

COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA - IV

 

SEGUNDO A IGREJA DE MATEUS

Mateus 9.35 a 10.42

A Igreja de Mateus, provavelmente localizada na cidade de Antioquia, passava por duas situações bem peculiares: 1º) é formada por judeus e gentios que aderiram ao cristianismo e são considerados, na sua grande maioria, pelo Império Romano, como inferiores: artesãos, comerciantes, agricultores, jornaleiros, etc. As bem-aventuranças apresentam a identificação social dos membros desta igreja; 2º) Por outro lado enfrentavam um problema com os judeus não cristãos, pois, num concilio judaico realizado em torno do ano 80 d.C., foram expulsos das sinagogas dos judeus e perderam a proteção que gozavam por parte das autoridades romanas.

Segundo o Evangelho, a Igreja de Mateus estava crescendo na compreensão e no compromisso com a missão. Algumas ênfases apresentadas pelo evangelista apontam isto:

 

1. ABERTURA PARA RECEBER OS DE FORA

Depois do episódio com o concílio judaico dominado pelos fariseus, a igreja de Mateus tinha 2 opções: fechar-se e viver o evangelho como uma comunidade judaica ou abrir-se para a missão universal. A princípio a Igreja de Mateus optou pela primeira, seguindo o costume judeu farisaico, mas logo a comunidade abriu-se para receber os gentios que começaram a converter-se. Mateus conservou as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos e agrupou em 5 grandes sermões. Estes sermões invariavelmente são pregados, segundo Mateus, na perspectiva da Multidão. O texto de 9.35-10.1 é um claro exemplo disto: Jesus sugere que os discípulos orem pela seara, pois os obreiros eram poucos. Jesus sabia que ao orarem acabariam por se “apaixonar” pela missão e abrir-se-iam para receber os de fora e buscar os que estavam desgarrados, como ovelhas sem pastor. Podemos dizer que a igreja de Mateus foi uma comunidade missionária que se abriu para os gentios. O Evangelho de Mateus pode ter sido escrito como um pequeno manual de missões, sobretudo o cap. 10.

 

2. ENVIO MISSIONÁRIO

Mateus 10.24-25 é a chave para compreender todo o sermão de Jesus no capítulo 10, chamado de Sermão Missionário. Este sermão é proferido após Jesus ter observado as necessidades das multidões: estavam cansadas, angustiadas e eram como ovelhas sem pastor - 9.35-10.1. Isto quer dizer que o povo que seguia a Jesus vivia numa situação caótica, enfrentando vários problemas e sentindo na “pele” a situação de pobreza, de desesperança, de dúvidas, de infidelidade a Deus, etc., que tomava conta de toda a Palestina. Havia muita gente sem emprego, sem casa, sem destino seguro e, principalmente, sem esperança. A situação de aflição e desespero comove muito a Jesus (9.36). Ele, então, se dirige aos discípulos e, tendo em mente o quadro descrito anteriormente, os envia ao encontro das multidões com o propósito de atender às suas necessidades: buscar as ovelhas perdidas (10.6); anunciar a chegada do Reino de Deus (10.7); curar os enfermos, libertar os oprimidos e restaurar os marginalizados (10.8).

Jesus reconhece que os discípulos compreendiam um grupo pequeno diante de tão grandes necessidades (9.37). Ele também sabia que o cumprimento desta missão não seria fácil. Haveria muitos obstáculos: seria como ovelhas no meio de lobos (10.16); seriam acusados pelos poderosos (10.17); enfrentariam a oposição de governadores e reis (10.18) e seriam perseguidos nas cidades (10.23). Jesus não deixa de frisar que teriam a incompreensão dos familiares (10.21). Mas por que Jesus envia os discípulos nesta missão? Porque, segundo o texto de Mt 10.24-25, o discípulo deve imitar ao seu Senhor e imitá-lo significa atender as multidões. Portanto, discipulado implica no envio para a vivência de um estilo de vida e para o pastoreio do povo de Deus, bem como serviço através dos dons e ministérios. A igreja de Mateus apresenta esta abertura para o "ide" de Jesus e "fazei discípulos".

 

3. DISCIPULADO

O discipulado foi uma estratégia que Jesus usou para preparar seus seguidores para o cumprimento da missão. Sem deixar de lado o ministério público, onde atendeu as multidões que o procuravam com as mais diversas intenções, dedicou grande parte do seu tempo para ensinar e preparar seus discípulos para a missão. Na mente do evangelista Mateus, bem como de Marcos e Lucas, esta dedicação aos discípulos estava ainda bem viva.

Um especialista em Novo Testamento (Manson, O Ensino de Jesus, ASTE), fez um levantamento das palavras de Jesus registradas nos três primeiros Evangelhos e chegou ao seguinte resultado: 49,7 % das palavras são dirigidas aos discípulos 25,8 % das palavras são dirigidas às multidões 24,5 % das palavras são dirigidas às autoridades. Este levantamento mostra a importância que as Palavras de Jesus tiveram para os primeiros cristãos, a ponto de serem conservadas pela Igreja Primitiva e registradas pelos redatores dos Evangelhos. Fica evidente que Jesus dedicou tempo para preparar seus discípulos. Encontramos na redação dos cinco sermões de Jesus no Evangelho de Mateus o método de discipulado que Jesus usou: atender as necessidades das multidões e fazer novos discípulos, para que estes atendessem à outras multidões e fizessem novos discípulos.

 

CONCLUSÃO

O estudo sobre a Igreja de Mateus, baseado no capítulo 10 do Evangelho, leva-nos a algumas conclusões:

1. A igreja deve organizar seus dons e ministérios de forma a atender os desafios para a evangelização, para o serviço e para o avanço missionário. Cursos de treinamento e capacitação devem ser oferecidos aos membros das nossas igrejas.

2. A Igreja precisa estar com os olhos abertos para ver as multidões, suas necessidades e “sair” em direção a estas “ovelhas perdidas”. Uma igreja missionária deve ter esta característica de abertura, tanto para ir como para receber as pessoas. É importante frisar que são muitos os campos missionários que estão à disposição da Igreja. Quero mencionar alguns: o grupo de metodistas não professos, os filhos e filhas dos membros da igreja, os vizinhos dos bairros e dos prédios onde moramos, a escola e o trabalho.

3. O crescimento numérico é importante, especialmente para aquelas igrejas que estão, de certa forma, estagnadas. O crescimento numérico é natural e conseqüência do cumprimento dos dons e ministérios que Deus deu a cada um dos membros da Igreja. É importante também o crescimento qualitativo, ou seja, o crescimento na fé e no conhecimento de Deus através do ensino e do discipulado.

4. Viver a experiência da Plenitude de Deus é assumir compromisso com a Missão que, segundo o Evangelho de Mateus, significa atender às multidões e fazer discípulos de Jesus Cristo na perspectiva do Reino de Deus.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 12h01
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A graça no discipulado estimula a afetividade entre os discípulos

 

 

A GRAÇA NO DISCIPULADO ESTIMULA A AFETIVIDADE ENTRE OS DISCÍPULOS

Filipenses 2.1-5

 

Introdução

A carta aos filipenses evidencia um relacionamento do pastor e apóstolo com suas ovelhas caracterizado por um discipulado de comunhão e de afetividade. As palavras utilizadas pelo apóstolo dão conta disto quando afirmam os afetos, sentimentos, compassividade, consolação, conforto e misericórdia. Há a possibilidade que a carta dirigida aos filipenses possa ser a junção de 3 bilhetes de Paulo dirigidos àquela comunidade.

 

O certo é que os filipenses foram solidários com Paulo durante suas lutas e prisões e o apóstolo demonstra gratidão, conforme suas palavras no capítulo 4.15-18. Além de socorrem ao apóstolo, a igreja contribuiu para o progresso do Evangelho através do ministério dele.

 

Quando lemos o texto tendo diante de nós este quadro de companheirismo e comprometimento entre o apóstolo e os filipenses, a perspectiva do discipulado que vivenciavam se amplia para a nossa compreensão de um discipulado marcado pela afetividade e pela comunhão. Em outras palavras, o discipulado entre os filipenses não foi caracterizado como uma metodologia de crescimento de Igreja, ou de forma utilitária, pelo contrário, foi marcado pelo encontro e pelo confronto de vida a partir da graça de Deus que se fazia presente na vida dos filipenses e do apóstolo.

 

As palavras utilizadas no primeiro versículo indicam o discipulado nesta perspectiva. Vejamos:

 

Comunhão

No primeiro versículo encontram-se as seguintes palavras que dão o tom da comunhão, do consolo e do encorajamento: Paraklesis -  conforto, consolação. Tem o sentido de chamar para o lado com o intuito de oferecer o encorajamento; Paramuthion -  encorajamento, força, apoio, tem o sentido ficar ao lado para auxiliar nas horas de lutas e Koinonia - que indica a comunhão como fruto da presença do Espírito Santo. Em outras palavras, havia entre os filipenses e o apóstolo um companheirismo marcado pelo consolo mútuo, pelo encorajamento em todas as circunstâncias e pela comunhão, mesmo que houvesse o distanciamento geográfico. Paulo dá testemunho disto, como vimos, no capítulo 4 e também no 1.5.

 

É plenamente reconhecível que no ministério de Paulo o discipulado, enquanto estilo de vida e método de pastoreio, estava presente e de forma enfática. Este discipulado é fruto da Graça e do Espírito Santo de Deus.

 

Afetividade

Na seqüência do texto o autor fala de “entranhados afetos de misericórdias”. São duas palavras carregadas de sentimento e de humanidade. A primeira é splagxna, que se refere às partes interiores da pessoa, as coisas do coração, amor, afeição, ternura, aos sentimentos e afetividade. Esta palavra é utilizada em Filipenses 1.8 onde é traduzida por terna. A segunda palavra é oiktirmos, que quer dizer misericórdia, compassividade. Significa a manifestação de sentimentos ternos e compassivos, em sentimentos e atitudes.[1] 

 

Como Cristo

Depois de discorrer sobre possíveis disputas entre os membros da Igreja, utilizando-se de palavras como partidarismo e vanglória e pedir que haja humildade e unidade nos sentimentos, pensamentos e atitudes, o apóstolo faz um veemente apelo no versículo 5 quando utiliza a palavra  jronhte, para se referir a Jesus Cristo. Esta palavra significa, pensamento, sentimento, formar uma opinião, modo de pensar, estar inclinado a, ou mesmo estar disposto a. Em outras palavras, o pedido é que os filipenses tenham a mesma inclinação em termos de pensamentos e sentimentos que Cristo teve.

 

A exortação trata de não querer uma superioridade através de carismas, dons, posições, experiência pessoal, etc. O cristão não deve procurar prevalecer sobre o outro por uma suposta superioridade espiritual, em hipótese alguma. Paulo tem em mente dificuldades de relacionamento entre a liderança da comunidade, mais especificamente Evódia e Síntique (4.2). Uma delas estava introduzindo um falso pregador que propunha práticas que não encontravam fundamento na doutrina dos apóstolos e estava sendo recusada pela outra em nome da comunidade. Para a superação dos problemas, Paulo apela para a vivência do discipulado que era caracterizado pelo encontro e confronto de vida, onde a graça de Deus aproximava as pessoas umas das outras.

 

Conclusão

Ao destacarmos que o discipulado tem a Graça de Deus ou que a Graça de Deus promove o discipulado, não podemos deixar de assinalar que só há verdadeiramente discipulado quando há comunhão, afetividade e inclinação para seguir a Cristo. O desafio maior é ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus e tudo o mais se resolverá, a seu tempo e com o empenho e trabalho de todos. Mas se não houver o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, o discipulado e a missão da Igreja ficarão fragilizados e agonizaram ante a influência maléfica de pessoas mal intencionadas que querem impor suas práticas pouco recomendáveis pelo Evangelho de Cristo.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] Rienecker, F. - Rogers, C. Chave Lingüística do Novo Testamento. São, SP: E. Vida Nova, pg 406.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 11h47
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