Sermões


 
 

Esperar em Deus

ESPERAR EM DEUS

 

O Salmista proclama bem alto para todos ouvirem: “Espera, oh Israel, no Senhor, desde agora e para sempre” - Salmo 131.3. No antigo Testamento alguns termos traduzidos por esperança ou esperar significam esperar, ansiar, aguardar, confiar. “Esperar como um ato fica em primeiro plano, e ocorrem nas promessas, exortações, mas, sobretudo como confissão da confiança, especialmente nos Salmos”.[i] Podemos encontrar esta esperança em Deus nos salmos 71.5, 52.9, 62.5, 130.5, 131.3, e outros. No salmo 119.116 o salmista chega a pedir a Deus que não deixe que a esperança seja motivo de vergonha.

Duas palavras se destacam no Antigo Testamento: a primeira expressa a esperança em meio à angústia e em meio às lutas da vida (Jó 13.15 e Sl 130.7) e a segunda significa esperança com expectativa ou com desejo do coração (Sl 27.14 e Is 40.31).[ii] “Ambas as palavras expressam o sentido de esperar com confiança. Na verdade, o grande chão da esperança é a fé e a confiança em Deus em meio às crises e provações”.[iii]

O salmista, ao compor o salmo 131 conjugou a esperança, cujo fundamento era a presença de Deus. Quando nós lemos este salmo nós tecemos a esperança em nossas vidas e nos fortalecemos para enfrentar as lutas da vida.

 

Senhor Deus, desejamos ser renovados por Ti e renovados em nossa esperança para que as lutas da vida sejam motivos de força e superação, como frutos da Sua Presença em nós. Amém.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[i] Hoffmann, E. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. II. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, pg 115.

[ii] Siqueira, Tercio Machado. Tirando o Pó das Palavras – História e Teologia das Palavras e Expressões Bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 93.

[iii] Siqueira, Tercio Machado. Tirando o Pó das Palavras – História e Teologia das Palavras e Expressões Bíblicas. São Paulo, SP: Editora Cedro, 2005, pg. 93.



Escrito por Josué Adam Lazier às 10h51
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Para sonhar os sonhos de Deus

 

 

PARA SONHAR A PARTIR DO CONHECIMENTO DE DEUS

Salmo 37.3-5

 

 

Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado. Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.

 

 

 

 

 

 

 


INTRODUÇÃO

O Salmo 37, atribuído ao rei Davi, fala da felicidade do justo. Justo na linguagem bíblica é o que cumpre o direito e a justiça de Deus. Portanto, o justo vive e promove a justiça do Reino de Deus.

 

A felicidade do justo está relacionada à realização de seus sonhos. Devemos lembrar que são os sonhos que passam pelo crivo do direito e da justiça de Deus.

 

De forma poética, o salmista fala do sonho usando a expressão “desejos do coração”. No passado os escritores bíblicos recorreram a figura do coração para indicar o centro e a fonte da vida, por isso era necessário “guardar o coração”, conforme as palavras de Provérbios 4.23.

 

DEFINIÇAO DE SONHO

Sonhos são as “imagens que se formam na tela de nossa mente, colocando diante de nós certas metas a serem alcançadas, e infundindo-nos forte desejo de atingi-las” ou um ideal elevado e santo, uma aspiração em direção a uma meta, uma idéia inspiradora ou um plano que gostaríamos de ver realizado, uma causa pela qual lutamos, uma chama para certa obra ou lugar, ou uma visão do serviço que gostaríamos de realizar”. [i]    

 

Deus fala com seu povo através de sonhos. Na verdade Deus prepara Seu povo para fazer Sua vontade através dos sonhos e desejos. O apóstolo Paulo descobriu esta verdade e afirmou isto escrevendo em Filipenses 2.13: “porque Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Através dos sonhos Deus quer desenvolver nossa individualidade e capacidade para a realização de Seus propósitos para nossa vida.[ii]  

 

Deve ficar claro de que porque se sonha os sonhos de Deus não significa que tudo irá bem.  A pessoa pode muito bem estragar estes sonhos com o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a imaturidade, a falta de sensibilidade para com as questões da vida ou a falta de uma espiritualidade que leve em conta os outros.  Deus, ao longo dos dias, irá amadurecer o “sonhador” e o sonho, afim de que eles cumpram o seu objetivo. Deus quer que sonhemos não como sonhadores utópicos ou poéticos, tampouco como triunfalistas e sim como sonhadores engajados na vida, na perspectiva do direito e da justiça do Reino de Deus.

 

ONDE OS SONHOS NASCEM

Muitos imaginam que sonhar os sonhos de Deus exige perfeição e plena maturidade.  Nada disto.  Sonhar os sonhos de Deus significa estar comprometido com a vida e com seus mais altos valores. Significa observar os sinais que Deus dá através da vida sobre o caminho que devemos seguir. Para sonhar os sonhos de Deus há que ter coragem para enfrentar o contraditório, as adversidades e enfrentamento de realidades adversas.

 

 

PARA REFLETIR

O verdadeiro sonhador é aquele cujos sonhos promovem o bem estar dos outros e produz coisas novas para a comunidade. Às vezes o ato de sonhar nos faz sermos solitários, mas não podemos nos entregar à solidão, pois ela é uma negação dos nossos sonhos, pois nos desejos divinos sempre tem lugar para o outro, mesmo que ele seja diferente de nós, mas que pode se juntar ao nosso sonho e permitir nos inserirmos nos sonhos dele.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Pastoral Universitária da UNIMEP

 



[i] Seamands, David, Realize seus Sonhos, São Paulo, Editora Betânia, pg. 16.

[ii] Seamands, David, Realize seus Sonhos, São Paulo, Editora Betânia, pg. 18.

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h13
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Estamos construindo ou descontruindo

Estamos construindo ou desconstruindo?

 

Na parábola que o texto de Mateus 7.21-27 registra Jesus fala de dois tipos de construção: sobre a areia e sobre a rocha.

 

Aborda sobre os que constroem sobre a areia quando declara no v. 21: “Nem todo que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus”. Jesus deixa claro aos discípulos que ouvir e não compreender, ou compreender e não fazer é o mesmo que construir a vida sobre a areia.

 

Refere-se aos que constroem sobre a rocha quando declara no v. 21: “aquele que faz a vontade de meu Pai”. Jesus fala dos discípulos que ouvem, compreendem e fazem a vontade de Deus e compara-os ao homem que constrói sobre a rocha. Fazer a vontade de Deus, segundo o que registra o Sermão da Montanha (Mt 5-7) é ter o Reino de Deus como eixo de vida e a justiça como primeira prática.

 

I - Quando podemos saber que estamos construindo sobre a areia?

1.     Quando fundamentamos nossa vida em credos pessoais e idéias próprias sobre Deus sem levar em conta o que as outras pessoas que vivem conosco pensam, acreditam e sentem.  

 

2.     Quando nos achamos bons suficientes para querer barganhar com Deus achando que Ele tem que fazer aquilo que queremos, pois somos bons e não cometemos pecados terríveis.

 

3.     Quando participamos da Santa Ceia ou Eucaristia sem nos examinarmos a nós mesmos e sem fazer os acertos que são necessários, como por exemplo, perdoar e pedir perdão, praticar a solidariedade e a fraternidade e ser apoio para os que precisam.

 

4.     Quando vivenciamos uma espiritualidade estática, intimista e individualizada, sem considerar aspectos como tolerância, solidariedade, justiça e paz.

 

II - Quando podemos saber que estamos construindo sobre a rocha?

1.     Quando nossa justiça, ou seja, o cumprimento da vontade de Deus excede a dos escribas e fariseus - era uma justiça legalista e farisaica, pois fazia acepção de pessoas e seguia alguns princípios do evangelho em detrimento de outros.

 

2.     Quando amamos a Deus de todo o coração, mente e alma e praticamos este amor para com o próximo em forma de caridade, como, pois como podemos amar a Deus a quem não vemos se não amamos a nosso próximo a quem vemos? Caridade é benevolência, bondade, compaixão e beneficência. O Reino de Deus é um reino de amor, amor de fraternidade, amor de misericórdia, amor de perdão e amor de esperança.

 

3.     Quando nos conhecemos a nós mesmos, nossas imperfeições, fraquezas e procuramos, a partir da experiência religiosa e do nosso conhecimento, vivermos uma vida transformada pela mensagem universal e integradora da Cruz de Cristo.

 

4.     Quando somos tentados a cometermos injustiças, mas resistimos a tal tentação na certeza de que cairemos mais por vontade própria do que pela vontade de outros. 

 

Com esta parábola Jesus encerra seu sermão intitulado de Sermão do Monte. Havia uma clara distinção entre ouvir, ouvir e fazer, fazer. Jesus quer que seus discípulos sejam movidos pelo amor a Deus e às pessoas, e não pelo amor à lei, como fariseus e escribas. Para estes a lei vinha antes das pessoas, para os discípulos as pessoas antes da lei. Em outras palavras, construir sobre a areia é desconstruir a vida.

 

Bispo Josué Adam Lazier



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h11
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Igreja Missionária - IV

COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA - IV

 

SEGUNDO A IGREJA DE MATEUS

Mateus 9.35 a 10.42

A Igreja de Mateus, provavelmente localizada na cidade de Antioquia, passava por duas situações bem peculiares: 1º) é formada por judeus e gentios que aderiram ao cristianismo e são considerados, na sua grande maioria, pelo Império Romano, como inferiores: artesãos, comerciantes, agricultores, jornaleiros, etc. As bem-aventuranças apresentam a identificação social dos membros desta igreja; 2º) Por outro lado enfrentavam um problema com os judeus não cristãos, pois, num concilio judaico realizado em torno do ano 80 d.C., foram expulsos das sinagogas dos judeus e perderam a proteção que gozavam por parte das autoridades romanas.

Segundo o Evangelho, a Igreja de Mateus estava crescendo na compreensão e no compromisso com a missão. Algumas ênfases apresentadas pelo evangelista apontam isto:

 

1. ABERTURA PARA RECEBER OS DE FORA

Depois do episódio com o concílio judaico dominado pelos fariseus, a igreja de Mateus tinha 2 opções: fechar-se e viver o evangelho como uma comunidade judaica ou abrir-se para a missão universal. A princípio a Igreja de Mateus optou pela primeira, seguindo o costume judeu farisaico, mas logo a comunidade abriu-se para receber os gentios que começaram a converter-se. Mateus conservou as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos e agrupou em 5 grandes sermões. Estes sermões invariavelmente são pregados, segundo Mateus, na perspectiva da Multidão. O texto de 9.35-10.1 é um claro exemplo disto: Jesus sugere que os discípulos orem pela seara, pois os obreiros eram poucos. Jesus sabia que ao orarem acabariam por se “apaixonar” pela missão e abrir-se-iam para receber os de fora e buscar os que estavam desgarrados, como ovelhas sem pastor. Podemos dizer que a igreja de Mateus foi uma comunidade missionária que se abriu para os gentios. O Evangelho de Mateus pode ter sido escrito como um pequeno manual de missões, sobretudo o cap. 10.

 

2. ENVIO MISSIONÁRIO

Mateus 10.24-25 é a chave para compreender todo o sermão de Jesus no capítulo 10, chamado de Sermão Missionário. Este sermão é proferido após Jesus ter observado as necessidades das multidões: estavam cansadas, angustiadas e eram como ovelhas sem pastor - 9.35-10.1. Isto quer dizer que o povo que seguia a Jesus vivia numa situação caótica, enfrentando vários problemas e sentindo na “pele” a situação de pobreza, de desesperança, de dúvidas, de infidelidade a Deus, etc., que tomava conta de toda a Palestina. Havia muita gente sem emprego, sem casa, sem destino seguro e, principalmente, sem esperança. A situação de aflição e desespero comove muito a Jesus (9.36). Ele, então, se dirige aos discípulos e, tendo em mente o quadro descrito anteriormente, os envia ao encontro das multidões com o propósito de atender às suas necessidades: buscar as ovelhas perdidas (10.6); anunciar a chegada do Reino de Deus (10.7); curar os enfermos, libertar os oprimidos e restaurar os marginalizados (10.8).

Jesus reconhece que os discípulos compreendiam um grupo pequeno diante de tão grandes necessidades (9.37). Ele também sabia que o cumprimento desta missão não seria fácil. Haveria muitos obstáculos: seria como ovelhas no meio de lobos (10.16); seriam acusados pelos poderosos (10.17); enfrentariam a oposição de governadores e reis (10.18) e seriam perseguidos nas cidades (10.23). Jesus não deixa de frisar que teriam a incompreensão dos familiares (10.21). Mas por que Jesus envia os discípulos nesta missão? Porque, segundo o texto de Mt 10.24-25, o discípulo deve imitar ao seu Senhor e imitá-lo significa atender as multidões. Portanto, discipulado implica no envio para a vivência de um estilo de vida e para o pastoreio do povo de Deus, bem como serviço através dos dons e ministérios. A igreja de Mateus apresenta esta abertura para o "ide" de Jesus e "fazei discípulos".

 

3. DISCIPULADO

O discipulado foi uma estratégia que Jesus usou para preparar seus seguidores para o cumprimento da missão. Sem deixar de lado o ministério público, onde atendeu as multidões que o procuravam com as mais diversas intenções, dedicou grande parte do seu tempo para ensinar e preparar seus discípulos para a missão. Na mente do evangelista Mateus, bem como de Marcos e Lucas, esta dedicação aos discípulos estava ainda bem viva.

Um especialista em Novo Testamento (Manson, O Ensino de Jesus, ASTE), fez um levantamento das palavras de Jesus registradas nos três primeiros Evangelhos e chegou ao seguinte resultado: 49,7 % das palavras são dirigidas aos discípulos 25,8 % das palavras são dirigidas às multidões 24,5 % das palavras são dirigidas às autoridades. Este levantamento mostra a importância que as Palavras de Jesus tiveram para os primeiros cristãos, a ponto de serem conservadas pela Igreja Primitiva e registradas pelos redatores dos Evangelhos. Fica evidente que Jesus dedicou tempo para preparar seus discípulos. Encontramos na redação dos cinco sermões de Jesus no Evangelho de Mateus o método de discipulado que Jesus usou: atender as necessidades das multidões e fazer novos discípulos, para que estes atendessem à outras multidões e fizessem novos discípulos.

 

CONCLUSÃO

O estudo sobre a Igreja de Mateus, baseado no capítulo 10 do Evangelho, leva-nos a algumas conclusões:

1. A igreja deve organizar seus dons e ministérios de forma a atender os desafios para a evangelização, para o serviço e para o avanço missionário. Cursos de treinamento e capacitação devem ser oferecidos aos membros das nossas igrejas.

2. A Igreja precisa estar com os olhos abertos para ver as multidões, suas necessidades e “sair” em direção a estas “ovelhas perdidas”. Uma igreja missionária deve ter esta característica de abertura, tanto para ir como para receber as pessoas. É importante frisar que são muitos os campos missionários que estão à disposição da Igreja. Quero mencionar alguns: o grupo de metodistas não professos, os filhos e filhas dos membros da igreja, os vizinhos dos bairros e dos prédios onde moramos, a escola e o trabalho.

3. O crescimento numérico é importante, especialmente para aquelas igrejas que estão, de certa forma, estagnadas. O crescimento numérico é natural e conseqüência do cumprimento dos dons e ministérios que Deus deu a cada um dos membros da Igreja. É importante também o crescimento qualitativo, ou seja, o crescimento na fé e no conhecimento de Deus através do ensino e do discipulado.

4. Viver a experiência da Plenitude de Deus é assumir compromisso com a Missão que, segundo o Evangelho de Mateus, significa atender às multidões e fazer discípulos de Jesus Cristo na perspectiva do Reino de Deus.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 12h01
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A graça no discipulado estimula a afetividade entre os discípulos

 

 

A GRAÇA NO DISCIPULADO ESTIMULA A AFETIVIDADE ENTRE OS DISCÍPULOS

Filipenses 2.1-5

 

Introdução

A carta aos filipenses evidencia um relacionamento do pastor e apóstolo com suas ovelhas caracterizado por um discipulado de comunhão e de afetividade. As palavras utilizadas pelo apóstolo dão conta disto quando afirmam os afetos, sentimentos, compassividade, consolação, conforto e misericórdia. Há a possibilidade que a carta dirigida aos filipenses possa ser a junção de 3 bilhetes de Paulo dirigidos àquela comunidade.

 

O certo é que os filipenses foram solidários com Paulo durante suas lutas e prisões e o apóstolo demonstra gratidão, conforme suas palavras no capítulo 4.15-18. Além de socorrem ao apóstolo, a igreja contribuiu para o progresso do Evangelho através do ministério dele.

 

Quando lemos o texto tendo diante de nós este quadro de companheirismo e comprometimento entre o apóstolo e os filipenses, a perspectiva do discipulado que vivenciavam se amplia para a nossa compreensão de um discipulado marcado pela afetividade e pela comunhão. Em outras palavras, o discipulado entre os filipenses não foi caracterizado como uma metodologia de crescimento de Igreja, ou de forma utilitária, pelo contrário, foi marcado pelo encontro e pelo confronto de vida a partir da graça de Deus que se fazia presente na vida dos filipenses e do apóstolo.

 

As palavras utilizadas no primeiro versículo indicam o discipulado nesta perspectiva. Vejamos:

 

Comunhão

No primeiro versículo encontram-se as seguintes palavras que dão o tom da comunhão, do consolo e do encorajamento: Paraklesis -  conforto, consolação. Tem o sentido de chamar para o lado com o intuito de oferecer o encorajamento; Paramuthion -  encorajamento, força, apoio, tem o sentido ficar ao lado para auxiliar nas horas de lutas e Koinonia - que indica a comunhão como fruto da presença do Espírito Santo. Em outras palavras, havia entre os filipenses e o apóstolo um companheirismo marcado pelo consolo mútuo, pelo encorajamento em todas as circunstâncias e pela comunhão, mesmo que houvesse o distanciamento geográfico. Paulo dá testemunho disto, como vimos, no capítulo 4 e também no 1.5.

 

É plenamente reconhecível que no ministério de Paulo o discipulado, enquanto estilo de vida e método de pastoreio, estava presente e de forma enfática. Este discipulado é fruto da Graça e do Espírito Santo de Deus.

 

Afetividade

Na seqüência do texto o autor fala de “entranhados afetos de misericórdias”. São duas palavras carregadas de sentimento e de humanidade. A primeira é splagxna, que se refere às partes interiores da pessoa, as coisas do coração, amor, afeição, ternura, aos sentimentos e afetividade. Esta palavra é utilizada em Filipenses 1.8 onde é traduzida por terna. A segunda palavra é oiktirmos, que quer dizer misericórdia, compassividade. Significa a manifestação de sentimentos ternos e compassivos, em sentimentos e atitudes.[1] 

 

Como Cristo

Depois de discorrer sobre possíveis disputas entre os membros da Igreja, utilizando-se de palavras como partidarismo e vanglória e pedir que haja humildade e unidade nos sentimentos, pensamentos e atitudes, o apóstolo faz um veemente apelo no versículo 5 quando utiliza a palavra  jronhte, para se referir a Jesus Cristo. Esta palavra significa, pensamento, sentimento, formar uma opinião, modo de pensar, estar inclinado a, ou mesmo estar disposto a. Em outras palavras, o pedido é que os filipenses tenham a mesma inclinação em termos de pensamentos e sentimentos que Cristo teve.

 

A exortação trata de não querer uma superioridade através de carismas, dons, posições, experiência pessoal, etc. O cristão não deve procurar prevalecer sobre o outro por uma suposta superioridade espiritual, em hipótese alguma. Paulo tem em mente dificuldades de relacionamento entre a liderança da comunidade, mais especificamente Evódia e Síntique (4.2). Uma delas estava introduzindo um falso pregador que propunha práticas que não encontravam fundamento na doutrina dos apóstolos e estava sendo recusada pela outra em nome da comunidade. Para a superação dos problemas, Paulo apela para a vivência do discipulado que era caracterizado pelo encontro e confronto de vida, onde a graça de Deus aproximava as pessoas umas das outras.

 

Conclusão

Ao destacarmos que o discipulado tem a Graça de Deus ou que a Graça de Deus promove o discipulado, não podemos deixar de assinalar que só há verdadeiramente discipulado quando há comunhão, afetividade e inclinação para seguir a Cristo. O desafio maior é ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus e tudo o mais se resolverá, a seu tempo e com o empenho e trabalho de todos. Mas se não houver o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, o discipulado e a missão da Igreja ficarão fragilizados e agonizaram ante a influência maléfica de pessoas mal intencionadas que querem impor suas práticas pouco recomendáveis pelo Evangelho de Cristo.

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



[1] Rienecker, F. - Rogers, C. Chave Lingüística do Novo Testamento. São, SP: E. Vida Nova, pg 406.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 11h47
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PARA NÃO COMETER O JUÍZO TEMERÁRIO

 

 

COMO CONHECER OS OUTROS

CRITÉRIOS PARA O DISCERNIMENTO

Lucas 6.37-45

 

Introdução

Neste texto em destaque Jesus aborda o que poder ser o primeiro tropeço contra a santificação e a vivencia de uma vida transformada pelos valores do Evangelho: o julgamento precipitado. 

 

“Nunca faltam ocasiões para o juízo, e as tentações que induzem ao seu pronunciamento são inumeráveis; muitas destas tentações vêm tão habilmente disfarçadas, que caímos no pecado antes de suspeitarmos de qualquer perigo”.[1]

 

Para tanto, Jesus adverte seus discípulos dizendo: “Não julgueis para que não sejais julgados”.  

 

Duas parábolas contra o julgamento

Para combater tal tendência e tal prática presente na vida de muitos cristãos, Jesus conta duas pequenas parábolas com o propósito de fazer seus discípulos refletirem: Parábola do cego - 6.39 - Qual a conseqüência natural de um cego guiando outro? Parábola do argueiro - 6.41-42 - O que é argueiro?  Um fiapo de madeira. O que é a trave?  Um tronco de madeira.

 

O que estas duas parábolas indicam?  Indicam que o julgamento é temerário, pois se pode estar cometendo os seguintes equívocos, que são chamados de “juízos” neste texto: Pensar que alguém seja culpado quando na verdade não o é; Atribuir a alguém ações de esta pessoa não tenha praticado; Pensar que a forma de agir de alguém fora errada, embora ela não tenha sido; Encontrar alguma intenção má no que os outros fazem quando na verdade não existe nada de reprovável; Condenar alguém além do devido; Julgar os outros baseados na nossa própria doutrina ou  pressupostos pessoais; Ao julgar os outros o cristão está consertando a si mesmo nos outros.

 

Não julgar levando em conta pelo menos quatro razões: Para não ser julgado com os mesmos critérios - 6.37; Para não ser condenado injustamente, da mesma forma que se condena - 6.37; Para ser perdoado dos pecados e faltas cometidas - 6.37; Com a mesma medida que medirmos os outros seremos medidos - 6.38.

 

O que Jesus recomenda que seus discípulos façam quando orienta que tirem primeiro a trave de seus olhos?

 

Que julguem a si mesmos

Tirar a trave do orgulho

Tirar a trave da obstinação

Tirar a trave do amor ao mundo

Tirar a trave do desinteresse pelos outros

Tirar a trave da indiferença

 

Uma parábola para orientar como se deve conhecer os outros

Como conhecer os outros sem cair no julgamento condenado por Jesus como o primeiro tropeço para a santificação?

 

A parábola da árvore e seus frutos. É pelos frutos que se conhece uma árvore boa ou má.  É pelo fruto que se conhece os outros (ou pelos frutos nós somos conhecidos).  Portanto, devemos refletir sobre esta parábola pensando em duas direções: Como os outros estão me conhecendo?   Como estou conhecendo os outros? 

A preocupação maior do cristão deveria ser como está revelando frutos na sua vida e não tanto o julgamento que costumeiramente se pratica.  O assento do texto está no caráter da pessoa. Devemos procurar estes frutos em nós mesmos e nos outros.

 

Para continuar a reflexão

Como julgar ou discernir corretamente? Em Mateus, no texto paralelo, Jesus diz par não dar aos cães o que é santo: não seria aqui um tipo de julgamento? Em João 7.24 diz: “Não julgueis segundo a aparência, e, sim pela reta justiça”. Ao abordar tal assunto Jesus estava preocupado com o julgamento condenatório e sem os critérios bíblicos.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



[1] Wesley, João, Sermões, Vol. II, pg 91-92.

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 19h12
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Igreja Missionária I

 

 

COMO DEVE SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA?

Mateus 21.28-32

 

 

 

Em Lucas 22.42 está escrito: “Pai, se queres, passa de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. Neste texto Jesus dá um grande exemplo de submissão ao Pai. Ele sabia que havia sido enviado por Deus para realizar o Plano de Salvação. Para cumprir com tal propósito, enfrentou muitas dificuldades, foi rejeitado, abandonado e agora, quando faz esta oração,  está preste a ser preso e crucificado.  Mas mesmo nesta hora de aflição, quando seu suor tornou-se gotas de sangue (Lc 22.44), teve a disposição de ser submisso ao Pai.

 

Uma Igreja Missionária é submissa. No dicionário submissão significa  humildade, adesão voluntária de uma pessoa a outra.  Na parábola do texto de Mateus 21.28-32 Jesus conta a história de dois filhos. O primeiro recusou-se a obedecer, mas logo começou a refletir e voluntariamente decidiu ser submisso ao pai. O segundo aceitou prontamente: “deixe comigo que vou dar um jeito naquela vinha”, mas não foi e não teve a disposição para ser submisso.

 

Gostaria que refletíssemos sobre nossa submissão. Deus quer uma submissão alegre, prazerosa, com o coração cheio de gozo, uma submissão voluntária e não obrigatória, triste, ou legalista.

 

O primeiro tipo de submissão é como o primeiro filho da parábola, que voluntariamente decidiu acatar as ordens do pai e o fez com alegria; o segundo tipo de submissão está mais para o segundo filho da parábola,  que prontamente disse sim, mas depois deu atenção a outras vozes, e acabou não obedecendo.

 

Para sermos uma Igreja Missionária a submissão deve marcar nosso relacionamento com Deus, pois somos chamados e enviados com uma missão. Sempre é tempo de renovar nossos compromissos com a Igreja Metodista que tem o desafio de ser ministerial e missionária e, como Corpo de Cristo, manifestar a Graça e o Amor de Deus.

 

 

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h42
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Compromisso com a Missão

 

 

COMPROMISSO COM A MISSÃO SEGUNDO A IGREJA DE MATEUS

Mateus 9.35 a 10.42

A Igreja de Mateus, provavelmente localizada na cidade de Antioquia, passava por duas situações bem peculiares: 1º) é formada por judeus e gentios que aderiram ao cristianismo e são considerados, na sua grande maioria, pelo Império Romano, como inferiores: artesãos, comerciantes, agricultores, jornaleiros, etc. As bem-aventuranças apresentam a identificação social dos membros desta igreja; 2º) Por outro lado enfrentavam um problema com os judeus não cristãos, pois, num concilio judaico realizado em torno do ano 80 d.C., foram expulsos das sinagogas dos judeus e perderam a proteção que gozavam por parte das autoridades romanas.

Segundo o Evangelho, a Igreja de Mateus estava crescendo na compreensão e no compromisso com a missão. Algumas ênfases apresentadas pelo evangelista apontam isto:

 

1. ABERTURA PARA RECEBER OS DE FORA

Depois do episódio com o concílio judaico dominado pelos fariseus, a igreja de Mateus tinha 2 opções: fechar-se e viver o evangelho como uma comunidade judaica ou abrir-se para a missão universal. A princípio a Igreja de Mateus optou pela primeira, seguindo o costume judeu farisaico, mas logo a comunidade abriu-se para receber os gentios que começaram a converter-se. Mateus conservou as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos e agrupou em 5 grandes sermões. Estes sermões invariavelmente são pregados, segundo Mateus, na perspectiva da Multidão. O texto de 9.35-10.1 é um claro exemplo disto: Jesus sugere que os discípulos orem pela seara, pois os obreiros eram poucos. Jesus sabia que ao orarem acabariam por se “apaixonar” pela missão e abrir-se-iam para receber os de fora e buscar os que estavam desgarrados, como ovelhas sem pastor. Podemos dizer que a igreja de Mateus foi uma comunidade missionária que se abriu para os gentios. O Evangelho de Mateus pode ter sido escrito como um pequeno manual de missões, sobretudo o cap. 10.

 

2. ENVIO MISSIONÁRIO

Mateus 10.24-25 é a chave para compreender todo o sermão de Jesus no capítulo 10, chamado de Sermão Missionário. Este sermão é proferido após Jesus ter observado as necessidades das multidões: estavam cansadas, angustiadas e eram como ovelhas sem pastor - 9.35-10.1. Isto quer dizer que o povo que seguia a Jesus vivia numa situação caótica, enfrentando vários problemas e sentindo na “pele” a situação de pobreza, de desesperança, de dúvidas, de infidelidade a Deus, etc., que tomava conta de toda a Palestina. Havia muita gente sem emprego, sem casa, sem destino seguro e, principalmente, sem esperança. A situação de aflição e desespero comove muito a Jesus (9.36). Ele, então, se dirige aos discípulos e, tendo em mente o quadro descrito anteriormente, os envia ao encontro das multidões com o propósito de atender às suas necessidades: buscar as ovelhas perdidas (10.6); anunciar a chegada do Reino de Deus (10.7); curar os enfermos, libertar os oprimidos e restaurar os marginalizados (10.8).

Jesus reconhece que os discípulos compreendiam um grupo pequeno diante de tão grandes necessidades (9.37). Ele também sabia que o cumprimento desta missão não seria fácil. Haveria muitos obstáculos: seria como ovelhas no meio de lobos (10.16); seriam acusados pelos poderosos (10.17); enfrentariam a oposição de governadores e reis (10.18) e seriam perseguidos nas cidades (10.23). Jesus não deixa de frisar que teriam a incompreensão dos familiares (10.21). Mas por que Jesus envia os discípulos nesta missão? Porque, segundo o texto de Mt 10.24-25, o discípulo deve imitar ao seu Senhor e imitá-lo significa atender as multidões. Portanto, discipulado implica no envio para a vivência de um estilo de vida e para o pastoreio do povo de Deus, bem como serviço através dos dons e ministérios. A igreja de Mateus apresenta esta abertura para o "ide" de Jesus e "fazei discípulos".

 

3. DISCIPULADO

O discipulado foi uma estratégia que Jesus usou para preparar seus seguidores para o cumprimento da missão. Sem deixar de lado o ministério público, onde atendeu as multidões que o procuravam com as mais diversas intenções, dedicou grande parte do seu tempo para ensinar e preparar seus discípulos para a missão. Na mente do evangelista Mateus, bem como de Marcos e Lucas, esta dedicação aos discípulos estava ainda bem viva.

Um especialista em Novo Testamento (Manson, O Ensino de Jesus, ASTE), fez um levantamento das palavras de Jesus registradas nos três primeiros Evangelhos e chegou ao seguinte resultado: 49,7 % das palavras são dirigidas aos discípulos 25,8 % das palavras são dirigidas às multidões 24,5 % das palavras são dirigidas às autoridades. Este levantamento mostra a importância que as Palavras de Jesus tiveram para os primeiros cristãos, a ponto de serem conservadas pela Igreja Primitiva e registradas pelos redatores dos Evangelhos. Fica evidente que Jesus dedicou tempo para preparar seus discípulos. Encontramos na redação dos cinco sermões de Jesus no Evangelho de Mateus o método de discipulado que Jesus usou: atender as necessidades das multidões e fazer novos discípulos, para que estes atendessem à outras multidões e fizessem novos discípulos.

 

CONCLUSÃO

O estudo sobre a Igreja de Mateus, baseado no capítulo 10 do Evangelho, leva-nos a algumas conclusões:

1. A igreja deve organizar seus dons e ministérios de forma a atender os desafios para a evangelização, para o serviço e para o avanço missionário. Cursos de treinamento e capacitação devem ser oferecidos aos membros das nossas igrejas.

2. A Igreja precisa estar com os olhos abertos para ver as multidões, suas necessidades e “sair” em direção a estas “ovelhas perdidas”. Uma igreja missionária deve ter esta característica de abertura, tanto para ir como para receber as pessoas. É importante frisar que são muitos os campos missionários que estão à disposição da Igreja. Quero mencionar alguns: o grupo de metodistas não professos, os filhos e filhas dos membros da igreja, os vizinhos dos bairros e dos prédios onde moramos, a escola e o trabalho.

3. O crescimento numérico é importante, especialmente para aquelas igrejas que estão, de certa forma, estagnadas. O crescimento numérico é natural e conseqüência do cumprimento dos dons e ministérios que Deus deu a cada um dos membros da Igreja. É importante também o crescimento qualitativo, ou seja, o crescimento na fé e no conhecimento de Deus através do ensino e do discipulado.

4. Viver a experiência da Plenitude de Deus é assumir compromisso com a Missão que, segundo o Evangelho de Mateus, significa atender às multidões e fazer discípulos de Jesus Cristo na perspectiva do Reino de Deus.

 

Bispo Josué Adam Lazier

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 21h34
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A Segunda Vinda de Cristo e a Vigilância

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO  E A  VIGILÂNCIA

 

O TEXTO BÍBLICO – Mateus 24.42-25.13

Alguns grupos têm o costume de marcar o dia e a hora para a segunda vinda  de Jesus Cristo.  Há, entre os cristãos, uma expectativa quanto a este assunto. Há também muita curiosidade e muita especulação sobre este tema tende a ganhar mais interessados em estudá-lo.  As pessoas que costumam marcar o dia e a hora não devem ter lido o texto onde Jesus fala sobre o assunto: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24.36).

 

Mesmo sem marcar dia e hora, o tema da segunda vinda esteve presente nos ensinos de Jesus.  No texto bíblico destacado nesta reflexão, Jesus relaciona a segunda vinda com  o “vigiar” – verso 24.42 e 25.13. Portanto, o texto inicia e termina com a recomendação de Jesus para o discípulo “vigiar”, porque não sabe o dia e nem a  hora no qual Jesus voltará.

 

Este é o quinto sermão de Jesus relatado por Mateus e chamado de “sermão escatológico”. Ele foi proferido num momento de crise e conflitos para o povo de Israel, sobretudo para seus discípulos.   Quando chega a Jerusalém, Jesus é confrontado pelos grupos religiosos e políticos que dominavam a sociedade da época, pois o anúncio do Reino de Deus e da Sua Justiça era contrário ao que os religiosos ensinavam ao povo na época. Os problemas políticos, sociais, econômicos e familiares eram muito grandes neste período, porisso havia uma tensão e expectativa entre o povo por mudanças. Neste ambiente é que Jesus anuncia o Reino de Deus e fala da segunda vinda, com um motivo de alegria e conforto para os discípulos naqueles dias difíceis e de ansiedades pelos quais passavam, juntamente com todo o povo.

 

Entre o “vigiar” do verso 24.42 e 25.13, encontram-se três parábolas contadas por Jesus: 1) parábola do pai de família – 24.43-44; 2) parábola do bom servo e do mau – 24.45-51 e 3) parábola das dez virgens – 25.1-12.  Além destas, na continuidade do texto, encontra-se mais uma parábola relacionada ao “vigiar”: trata-se da parábola dos talentos – 25.14-30. Estas parábolas podem ser intituladas de “parábolas de vigilância”, uma vez que estão relacionadas com o tema do sermão, que é “vigiar”.

 

A MENSAGEM DO TEXTO

Vejamos o que dizem as parábolas sobre a vigilância:

 

A primeira parábola, o pai de família (24.43-44), ensina que vigiar é estar sempre alerta e preparado, pois, como ele não sabe o dia que o ladrão pretende entrar em sua casa, assim também o cristão não sabe quando Jesus voltará. 

 

A segunda parábola, do bom servo e do mau (24.45-51), ensina que vigiar é Ter prudência. O servo recebeu um posto de confiança do seu senhor. Deveria cuidar de todas as coisas que o seu senhor possuía.  O senhor deste servo não informou quando pretendia voltar, deixando o assunto em suspenso. A demora da volta do senhor mostraria se o servo foi merecedor da confiança do seu senhor ou se abusou do poder que recebeu, sendo negligente e relapso.  Portanto, vigiar segundo esta parábola, indica a prudência em cumprir com todas as responsabilidades que a pessoa tem.

 

A terceira parábola, as dez virgens (25.1-12), relata um costume da época,  de que pequenas aldeias vários casamentos eram realizados no mesmo dia.  Enquanto os pais ficavam "negociando" o casamento, ou seja, acertando o valor dos dotes, de acordo com o costume familiar daquele tempo, as noivas ficavam em casa aguardando a chegada do noivo.  Era comum a demora, pois, após a concretização do casamento, vinha a comemoração e só depois os noivos iriam em busca das noivas.  Assim, as prudentes guardaram o azeite para as lamparinas, para o caso dos noivos demorarem. Já as imprudentes não se prepararam para esta demora, sendo que o azeite acabou e, saindo elas para buscarem azeite na venda da aldeia, os noivos chegaram e, não as encontrando em casa, o casamento acabou não se realizando para estas cinco noivas imprudentes. Vigiar, segundo a história contada nesta parábola, é a prudência, como na parábola anterior.

 

A quarta parábola, a dos talentos (25.14-30), indica que vigiar é cumprir com os dons e os talentos recebidos, pois todos um dia prestarão contas do uso que fizeram destes talentos. Assim, podemos concluir que “vigiar” é cumprir com nossas responsabilidades, nossos talentos e dons dados por Deus, pois fomos chamados para uma vida nova e esta nova vida deve nos levar ao compromisso com os ministérios da igreja e o cumprimento da Missão.

 

A LIÇÃO PARA OS DIAS DE HOJE

Algumas perguntas são feitas sobre a Segunda vinda de Cristo: quando será?  Como será?  Como saber o dia e a hora?   Não dá para responder a estas questões sem fazer especulações, pois Jesus mesmo afirmou que nem Ele e nem os anjos de Deus sabem.  Mas podemos aguardar este dia e para isto as parábolas estudadas nos ajudam, pois elas falam que “vigiar” é ser prudente, fiel, obediente, cumprir com os talentos e ficar atento para as oportunidades de realizar a vontade de Deus.

 

Jesus, ao chamar a atenção de seus discípulos para o “vigiar” não está dizendo que os discípulos não deveriam esperar pela Sua volta, mas sim está ensinando que este “esperar” deve ser acompanhado de atos concretos de fé e serviço. O discípulo não deve ficar olhando para as nuvens para ver quando Jesus voltará, mas sim olhar ao redor, ver a seara que é grande e que poucos são os trabalhadores (Mt 9.37) e observar as oportunidades para servir a Deus.

 

Vigiar é cumprir com as responsabilidades que o discipulado requer e com as tarefas que o cristão tem a cumprir enquanto membro do Corpo de Cristo. Além disto, o texto nos ensina que não deve haver especulação sobre o dia e a hora em que Jesus voltará, pois este é um assunto que compete apenas a Deus. O certo é que Ele voltará e até que isto aconteça o cristão deve preparar-se através da “vigilância”, ou seja, cumprir com suas responsabilidades como cristão.

 

A Igreja Metodista procura evitar extremos quando trata deste assunto, entendendo que é da exclusiva soberania de Deus que sempre agiu ao longo da história e agirá, no seu próprio tempo, inaugurando uma nova era sob Sua Glória, Poder e Amor. A Igreja Metodista afirma sua confiança na segunda vinda de Cristo no Credo Apostólico que costuma ser repetido nos cultos com santa ceia.

 

Questões para continuar refletindo sobre o tema da vigilância:

1.  Defina “vigiar” com suas próprias palavras.

2.  Indique três formas de vigilância hoje.

3.  O que você pode fazer para ajudar a sua igreja a “vigiar”?

4.  Que dons e talentos você para usar enquanto aguarda a segunda vinda de Cristo?

 

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Escrito em 13 de Abril de 1999

 

 

 

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 12h50
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A Segunda Vinda de Cristo e a Sobriedade

 

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO E A SOBRIEDADE

 

 

O TEXTO BÍBLICO – I Ts 5.1-10

O apóstolo Paulo usa a palavra grega “parusia”  para referir-se a Segunda vinda de Cristo. Ele usa várias vezes esta palavra, especialmente nas cartas endereçadas aos tessalonicenses (I Ts 2.19, 3.13, 4.15, 5.23  e  II Ts 2.1,  2.8 e 2.9).  Parusia  quer dizer “presença”. Esta palavra era usada no mundo grego para indicar a visita de uma autoridade política, rei ou imperador, à uma cidade ou aldeia.  Provavelmente estas visitas fossem freqüentes em Tessalônica, porque tratava-se de uma capital de Estado e, como Paulo usa freqüentemente, era conhecida pelos membros da Igreja.  Paulo usa esta palavra pela primeira vez para indicar a Segunda vinda de Cristo, dizendo que o “dia do Senhor virá como ladrão noturno” (I Ts 5.2).

 

No texto da lição está claro que a igreja em Tessalônica foi instruída sobre este assunto pois Paulo  faz esta observação nos versos  1 e 2.  A Igreja na época do apóstolo Paulo vivia na expectativa por este acontecimento. Em alguns momentos esperava-se que a Segunda vinda acontecesse ainda no primeiro século da era cristã.   Provavelmente algumas pessoas estavam tentando adivinhar o dia e a hora, pois Paulo destaca a vinda de Jesus como o ladrão da noite. Isto faz lembrar a parábola do pai de família contada por Jesus em Mateus 24.43-44.

 

O texto bíblico trata deste assunto de forma pastoral. Pode-se perceber isto lendo o versículo que vem antes e o que vem depois (4.18 e 5.11).  Os dois começam com a expressão “consolai-vos uns aos outros”.  Consolação tem o sentido de “colocar-se ao lado de” para ajudar, aconselhar, orientar, encorajar e oferecer consolo nas horas difíceis.    Quando Paulo escreve estas palavras ele tem na sua mente o fato de que  Tessalônica, por ser uma capital,  recebia seguidamente o imperador ou um general acompanhado de homens e mulheres escravizados e trazidos para os mercados de escravos da época.  Eram momentos de “glória” para o imperador ou para o general, mas não para o povo que assistia ao poderio romano.  Nestas horas a orientação do apóstolo era relevante, pois entre os irmãos havia consolo mútuo.

 

Na  Segunda carta aos tessalonicenses encontra-se um texto que também fala da parusia (II Ts 2.1-6).  O objetivo deste texto é corrigir alguns desvios que aconteceram no ensino sobre a Segunda vinda de Cristo. Observe quantas vezes aparece as expressões não, nem, nenhum e nenhuma, especialmente nos versos 2 e 3.  Paulo está chamando a atenção dos irmãos em Tessalônica a respeito de falsas interpretações e especulações que não tinham outra intenção senão a de confundir.

 

A MENSAGEM DO TEXTO

Está claro que a mensagem do texto bíblico é de confiança e de consolo. De confiança porque a parusia (Segunda vinda de Cristo) fazia parte das convicções de fé dos cristãos primitivos. De consolo porque o ambiente onde viviam era de crise e de conflitos, pois o cristão era perseguido por professar a sua fé em Cristo Jesus, além do que o governo romano era dominador e violento.

 

A vinda de Cristo seria o momento de glória dos cristãos, pois Deus estaria intervindo na situação do Seu povo.  Portanto,   a recomendação sobre a vigilância está presente neste texto: Paulo usa a expressão “filhos da luz” em contraposição com “filhos das trevas”, para indicar que o cristão é vigilante e encontra-se preparado.  Mas, além desta vigilância, há outra recomendação sobre a Segunda vinda de Cristo: sobriedade (verso 6 e 8). Sobriedade quer dizer  moderação, prudência, calma etc.  Paulo não quer que os cristãos em Tessalônica fiquem angustiados com a situação em que vivem e com uma possível demora da parusia acontecer.

 

Recomenda, para esta sobriedade, o uso  da couraça da fé e do amor e do capacete da salvação – verso 8.  Este verso está em relação com o versículo 1.3, onde o apóstolo destaca a fé, o amor e a esperança, as três colunas da maturidade cristã.  Portanto, sobriedade para aguardar a parusia é a renovação destes três sinais da presença de Deus na vida do seu povo. O texto do verso 8 refere-se também à armadura do cristão, descrita em Efésios 6.10-20:  couraça da justiça, pés calçados, escudo da fé, capacete da salvação e a espada do Espírito, que é Palavra de Deus.

 

O texto da Segunda carta, 2.1-6, procura corrigir desvios. Parece que algumas pessoas deram ouvidos à especulações e interpretações equivocadas sobre a Segunda vinda.  No final da carta há uma referência a estas pessoas (3.10-11). Elas deixaram de trabalhar e andavam desordenadamente, provavelmente na expectativa de que a parusia fosse acontecer naqueles dias ou até que já tivesse acontecido, conforme o final do verso 2.2: “supondo tenha chegado o dia”.  Isto acontecerá depois de alguns sinais que são indicados nos versículos seguintes deste texto.

 

A LIÇÃO PARA OS DIAS DE HOJE

O texto da segunda carta fala de “apostasia” e do “filho da perdição” (2.3), fazendo referência ao tempo de esfriamento na fé e no compromisso com Deus e no crescimento da maldade, da violência, das injustiças etc.  Não podemos afirmar à que tempo se refere o texto, mas temos uma indicação do ambiente no qual acontecerá a Segunda vida.

 

Para este momento, que não pode ser determinado quando será, o cristão  deve estar preparado através da sobriedade, ou seja, não  ficar desesperado com as especulações e até previsões que são feitas e, por outro lado, andar na luz tendo a fé, o amor e a esperança como fundamento da vida cristã.  Estas marcas da maturidade de cristã  devem ser vividas para o crescimento pessoal e a edificação dos outros, conforme recomendação em II Ts 5.11.   A expectativa pela Segunda vinda de Cristo deve ser motivo de alegria, de esperança e de testemunho através do exercício dos dons e ministérios. Ninguém precisa ficar com “medo” deste dia, mas a expectativa pela sua chegada deve levar o cristão a refletir sobre sua vida e seu compromisso com o Reino de Deus.

 

Para continuar refletindo sobre o tema:

1.     Defina sobriedade com suas próprias palavras.

2.     Como você pode “consolar uns aos outros”?

3.     Você se sente preparado (vigilância e sobriedade) para o dia da parusia?

 

 

 

Bispo Josué Adam Lazier

Mensagem escrita em 13 de Abril de 1999

 

                                                                          

 



Escrito por Josué Adam Lazier às 12h40
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